Questões de Concurso
Sobre modernismo em literatura
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I-Euclides da Cunha: Literatura marcada pela denúncia da violência, da miséria, do fanatismo. Seu principal livro é Os Sertões, no qual descreve a vida do sertanejo em relação à sua luta pela terra. II-Lima Barreto: Literatura marcada pela descrição do nacionalismo e pela crítica das injustiças sofridas pelo negro e pelos mestiços no Brasil. Sua principal produção é Triste Fim de Policarpo Quaresma. III-Monteiro Lobato: Criticava a visão de um Brasil acomodado, agrário, atrasado, doente e ignorante, ilustrado no seu personagem literário Jeca Tatu, um caipira preguiçoso, sem instrução e sem grandes perspectivas. IV-Augusto dos Anjos: Uniu aspectos do Simbolismo com o cientificismo naturalista. Trouxe um vocabulário científico e temas até então antipoéticos para a sua literatura.
São corretas as afirmativas:
Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
Eu vi o meu semblante numa fonte, Dos anos inda não está cortado: Os pastores, que habitam este monte, Respeitam o poder do meu cajado. Com tal destreza toco a sanfoninha, Que inveja até me tem o próprio Alceste: Ao som dela concerto a voz celeste; Nem canto letra, que não seja minha, Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela!
Tomás Antônio Gonzaga. Lira I. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 573.
Considerando-se as características do poema apresentado, é correto afirmar que ele pertence ao
Maxixe
O chocalho dos sapos coaxa
como um caracaxá rachado. Tudo mexe.
Um vento frouxo enlaga uma nuvem baixa
fofa. E desce com ela, desce.
E não a deixa e puxa-a como uma faixa
e espicha-se e enrolam-se. E o feixe rola
e rebola como uma bola
na luz roxa
da tarde oca
boba
chocha.
(ALMEIDA, Guilherme de. Maxixe. Disponível em:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/gu1.html.)
O sistema literário da primeira fase modernista no Brasil apresentava uma estética que rompia com os padrões clássicos, tradicionais da Literatura. O poema anterior demonstra algumas características que refletem tal ruptura. Sobre o poema, pode-se afirmar que:
I. A obra Macunaíma, de Mário de Andrade, é uma rapsódia (como era qualificada na primeira edição) que conta as aventuras de Macunaíma, um herói de uma tribo amazônica. O livro é construído no encontro de lendas indígenas e da vida brasileira cotidiana, de mistura com lendas e tradições populares. Macunaíma é o “herói sem nenhum caráter”. Nessa obra, o fantástico assume um ar de coisa corriqueira e o lirismo da mitologia se funde a cada passo com as piadas e as brincadeiras. II. O Simbolismo é um movimento literário da poesia e das outras artes que surgiu na França, no final do século XIX, como oposição ao realismo, ao naturalismo e ao positivismo da época. O Simbolismo fixa-se na historiografia literária brasileira com o início da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Esse movimento literário buscava resgatar os elementos culturais das regiões Sul e Sudeste do Brasil, valorizar a cultura cafeeira e estimular o progresso e inovação nas artes e na literatura.
Marque a alternativa CORRETA:
NÃO: JÁ NÃO FALO DE TI. (Cecília Meireles).
Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.
Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,
de palavras adormecidas, em altas prateleiras,
até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,
que um dia, pode ser, parece tão terrível.
A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.
Resplandecem os azulejos e tudo quanto posso ver.
O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário
cismar. Talvez se as pálpebras pudessem
inventar outros sonhos, não de vida...
Ah! rompem-se na noite ardentes violas,
pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.
Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,
nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...
Não só de amor a noite transborda mas de terríveis
crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.
Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,
e os homens da lei sonolentos movem letras
sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...
Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?
Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos
da álgebra e da geometria.
Estas são algumas características do:
I- O Quinze - Rachel de Queiroz.
II- Menino de Engenho - José Américo de Almeida.
III- Vidas Secas - Graciliano Ramos.
IV- Capitães da Areia - Jorge Amado.
V- Olhai os Lírios do Campo - Érico Veríssimo
O enredo gira em torno dos debates entre dois colonos alemães que se estabelecem no Espírito Santo: Milkau e Lentz. Milkau representa o otimismo, a confiança no futuro do Brasil e na força regeneradora do amor universal. À maneira de Tolstói, Milkau prega a integração harmônica de todos os povos na naturezamãe, revelando um evolucionismo humanitário.
Já Lentz, é um adepto das teorias racistas. Para ele, os brasileiros, por serem mestiços, estão condenados à dominação por parte de raças “superiores”. Ele profetiza a vitória dos arianos, enérgicos e dominadores, sobre o brasileiro fraco e indolente. Suas ideias deixam entrever a filosofia de Nietzsche e o evolucionismo de Darwin.
Milkau não se limita à defesa de ideias abstratas, seu humanismo desdobra-se em ação quando passa a proteger Maria, jovem colona, expulsa pelos patrões quando estes descobrem a sua gravidez, vindo dar à luz em trágica situação. Após salvar Maria, libertando-a da prisão, onde estava por ter sido acusada de matar o próprio filho (na verdade Maria tem o filho devorado por uma vara de porcos), Milkau foge com Maria, em direção a novos horizontes, numa “corrida no Infinito”, em busca de um lugar onde pudessem ser felizes, onde as feras não fossem homens, onde a vida não fosse uma competição de ódios, mas uma conquista de amor.
Tais comentários pertencem ao romance:
Na segunda parte, desvela-se o “incidente”: a greve dos coveiros. Morreram inesperadamente, sete pessoas na cidade, incluindo a matriarca dos Campolargos. Os coveiros negam-se a efetuar o enterro, a fim de aumentar a pressão sobre os patrões. Os mortos, insepultos, adquirem “vida” e passam a vasculhar a vida dos parentes e amigos, descobrindo, com isso, a extrema podridão moral da sociedade.
Trata-se do romance de Érico Veríssimo:
Riobaldo, um velho fazendeiro, ex-jagunço, conta sua experiência de vida a um interlocutor, que jamais tem a palavra e cuja fala é apenas sugerida.
Conta histórias de vingança, seus amores, perseguições, lutas pelos sertões de Minas, Goiás e sul da Bahia, tudo isso entremeado de reflexões. As demais personagens falam pela boca de Riobaldo, valendose de seu estilo de narrar e de suas características linguísticas individuais.
As histórias vão sendo emendadas, articulando-se com a preocupação do narrador de discutir a existência ou não do diabo, de que depende a salvação de sua alma.
Ocorre que, em sua juventude, para vencer seu grande inimigo Hermógenes, Riobaldo parece ter feito um pacto com o demo. Embora em muitos momentos isso pareça evidente, a existência ou não deste pacto, fica por conta das interpretações do leitor.
Depois de algum tempo, os acontecimentos se tornam confusos na mente do narrador, impedindo-o de separar o falso do verdadeiro, o vivido do imaginado.
Além dos casos ligados à busca de Hermógenes e Ricardão, assassinos do chefe Joca Ramiro, e que constituem um dos fios da narrativa, existe também o plano amoroso, centrado nas relações existentes entre Riobaldo e Diadorim. O amor por Diadorim é motivo de grandes preocupações para o narrador. Na verdade, Riobaldo conhece Diadorim como homem, o valente guerreiro Reinaldo, e só fica sabendo de sua identidade feminina no final da luta, quando Diadorim é morto por Hermógenes. No final da narrativa, a revelação de que Diadorim era mulher, aparecem as evidências da dor de Riobaldo pela sua morte e a certeza de seu amor.
Trata-se da obra:
TEXTO II
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
Disponível em -Memórias Inventadas – As Infâncias de
Manoel de Barros –
Manoel de Barros – Editora Planeta, 2008, p.45.
I. O Barroco foi uma escola profundamente intimista. A prosa, tanto nos romances como nos contos, aprofunda a tendência já trilhada por alguns autores das décadas anteriores no Brasil, em busca de uma literatura intimista, de sondagem psicológica, introspectiva, com destaque para as crônicas urbanas nas misteriosas cidades de um país recémdescoberto: o Brasil.
II. O período de 1922 a 1930 é o mais radical do movimento modernista no Brasil, justamente em consequência da necessidade de definições e do redescobrimento da cultura da Antiguidade Clássica. Daí o caráter anárquico desta primeira fase modernista e seu forte sentido saudosista, com claras referências às culturas grega e romana, aos deuses do Olimpo e aos heróis da história antiga.
III. O romance naturalista foi cultivado no Brasil por Aluísio Azevedo e Júlio Ribeiro. Aqui, Raul Pompéia também pode ser incluído, mas seu caso é muito particular, pois seu romance “O Ateneu” ora apresenta características naturalistas, ora realistas, ora impressionistas. A narrativa naturalista é marcada pela forte análise social, a partir de grupos humanos marginalizados, valorizando o coletivo. Os títulos das obras naturalistas apresentam quase sempre a mesma preocupação: “O mulato”, “O cortiço”, “Casa de pensão”, “O Ateneu”.
Marque a alternativa CORRETA:
I. Ao mesmo tempo em que se procura o moderno, o original e o polêmico, o nacionalismo dos escritores árcades se manifesta em suas múltiplas facetas: uma volta às origens, à pesquisa das fontes quinhentistas, à procura de uma língua brasileira (a língua falada pelo povo nas ruas), uma volta às paródias, numa tentativa de repensar a história e a literatura brasileiras, e à valorização do índio verdadeiramente brasileiro.
II. A poesia parnasiana preocupa-se com a forma e a objetividade, com seus sonetos alexandrinos perfeitos. Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira formam a trindade parnasiana. O Parnasianismo é a manifestação poética do Realismo, dizem alguns estudiosos da literatura brasileira, embora ideologicamente não mantenha todos os pontos de contato com os romancistas realistas e naturalistas. Seus poetas estavam à margem das grandes transformações do final do século XIX e início do século XX.
III. Raul Pompéia, Machado de Assis e Aluízio Azevedo são representantes da escola realista no Brasil. Ideologicamente, os autores desse período são antimonárquicos, assumindo uma defesa clara do ideal republicano, como nos romances “O mulato”, “O cortiço” e “O Ateneu”. Eles negam a burguesia a partir da família e a expressão "Realismo" é uma denominação genérica da escola literária, que abriga três tendências distintas: “romance realista”, “romance naturalista” e “poesia parnasiana”
Marque a alternativa CORRETA: