Questões de Concurso
Comentadas sobre gêneros literários em literatura
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Leia o texto abaixo e responda à questão
Pomar Urbano: ciência cidadã é ferramenta de conservação da biodiversidade na cidade
Pesquisadores avaliam monitoramento de plantas comestíveis urbanas pela ciência cidadã como ponte de integração entre ciência, população e meio ambiente
Aproximar os cidadãos do processo de fazer ciência ainda é um desafio. Atuando nessa frente, pesquisadores estão utilizando a ciência cidadã para monitorar plantas comestíveis em áreas urbanas. O grupo apresenta o projeto Pomar Urbano, iniciativa que mobiliza a população para coletar dados sobre plantas frutíferas. Esse monitoramento visa entender melhor a biodiversidade e promover uma conexão entre a população, a ciência e o ambiente urbano nas capitais brasileiras para promover valor e conhecimento sobre ela com parcerias que desenvolvem produtos e tecnologias.
“A maneira mais eficaz de promover a conservação das espécies é por meio do uso consciente da biodiversidade. Isso gera um sentimento de valorização e conservação”, explica Filipi. Plantas frutíferas constituem um grupo de organismos crucial para o funcionamento dos ecossistemas urbanos, fornecendo benefícios da natureza para as pessoas. A iniciativa Pomar Urbano serve como plataforma colaborativa, reunindo pesquisadores, cientistas e cidadãos brasileiros para monitorar essas plantas em paisagens urbanas.
Jean Silva
Redação adaptada:
Disponível< https://jornal.usp.br/ciencias/>
Meninos Carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles ...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
—Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Meninos Carvoeiros. Petrópolis, 1921.
No poema de Manuel Bandeira, há uma crítica. Assinale a alternativa que evidencia a crítica presente no texto:
Os gêneros literários organizam-se segundo diferentes modos de enunciação e de organização da linguagem, refletindo formas distintas de representação da experiência humana na literatura. Essa classificação considera a maneira como o texto se estrutura e como o discurso literário se apresenta ao leitor (COMPAGNON, 2015).
Assinale a alternativa correta.
A constituição de um repertório literário implica o reconhecimento de obras e de seus respectivos autores, bem como a compreensão dos elementos temáticos que as caracterizam. Considerando esses aspectos, analise as assertivas a seguir.
I.Clarice Lispector é autora de "A paixão segundo G.H.", obra em que a narrativa se constrói a partir de uma experiência limite da protagonista, marcada por intensa introspecção e questionamento existencial.
II.Carolina Maria de Jesus escreveu "Quarto de despejo", obra em que registra, em forma de diário, a vida em uma favela paulistana.
III.Jorge Amado é autor de "Capitães da Areia", romance que retrata a vida de meninos em situação de rua na cidade de Salvador.
IV.Conceição Evaristo é autora de "Olhos d'água", coletânea de contos que tematiza experiências marcadas por desigualdade, memória e resistência.
Acerca das assertivas acima, assinale a alternativa CORRETA.
Leia o poema a seguir, “A Vida é Loka”, de Sérgio Vaz, e assinale a alternativa INCORRETA.
Esses dias tinha um moleque na quebrada
com uma arma de quase 400 páginas na mão.
Uma minas cheirando prosa, uns acendendo poesia.
Um cara sem nike no pé indo para o trampo com o zóio vermelho de tanto ler no ônibus. Uns tiozinho e umas tiazinha no sarau enchendo a cara de poemas. Depois saíram vomitando versos na calçada.
O tráfico de informação não para, uns estão saindo algemado aos diplomas depois de experimentarem umas pílulas de sabedoria. As famílias, coniventes, estão em êxtase.
Esses vidas mansas estão esvaziando as cadeias e desempregando os Datenas.
A Vida não é mesmo loka?
(Disponível em: https://www.geledes.org.br/vida-e-loka-por-sergio-vaz/)
I.A crônica é um gênero que se situa entre a literatura e o jornalismo, tendo como temática fatos do cotidiano, frequentemente abordados com tom reflexivo, irônico ou poético.
II.O conto caracteriza-se pela brevidade e pela unidade de ação, apresentando um número reduzido de personagens e focando em um único conflito que se encaminha para um desfecho rápido.
III.O romance define-se como uma narrativa longa, com multiplicidade de núcleos dramáticos, maior complexidade psicológica dos personagens e desenvolvimento temporal extenso.
Está CORRETO o que se afirma em:
O meu desejo é ser pintor — Lionardo,
cujo ideal em piedades se acrisola;
fazendo abrir-se ao mundo a ampla corola
do sonho ilustre que em meu peito guardo.
Meu anseio é, trazendo ao fundo pardo
da vida, a cor da veneziana escola,
dar tons de rosa e de ouro, por esmola,
a quanto houver de penedia ou cardo.
Quando encontrar o manancial das tintas
e os pincéis exaltados com que pintas,
Veronese! teus quadros e teus frisos,
irei morar onde as Desgraças moram;
e viverei de colorir sorrisos
nos lábios dos que imprecam ou que choram!
ANDRADE, M. Pauliceia desvairada. São Paulo: Novo Século, 2017, p. 9.
No poema, o eu lírico expressa o desejo de transpor a arte da pintura para a poesia, buscando dar cor e vida à página.
Pela sua estrutura externa, o texto define-se como um poema
Assinale a alternativa que apresenta figuras de linguagem associadas a esses efeitos no texto lírico.
A costureira das fadas
Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.
– Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.
Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor-de-rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio – até carretéis de linha fabricou.
Monteiro Lobato. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1973.