Questões de Concurso
Sobre gênero lírico em literatura
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Solar
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.
(PRADO, Adélia. O coração disparado. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.)
A respeito da imagem construída da mãe no poema, é correto afirmar que o eu lírico a apresenta como:
TEXTO III
Canção
Leia o texto a seguir, uma música comporta por Arnaldo Baptista e Rita Lee, chamada “Balada do louco”:
"Dizem que sou louco / Por pensar assim / Se eu sou muito louco / Por eu ser feliz / Mas louco é quem me diz / E não é feliz / Não é feliz"
No trecho acima, o eu lírico estabelece uma contraposição entre a percepção que a sociedade tem dele e a sua própria vivência. A partir dessa oposição, o argumento central utilizado para rebater a acusação de "loucura" fundamenta-se na
Leia o poema a seguir, de Conceição Evaristo.
Meu rosário
Meu rosário é feito de contas negras e mágicas.
Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo
padres-nossos, ave-marias.
Do meu rosário eu ouço os longínquos batuques
Do meu povo
e encontro na memória mal adormecida
as rezas dos meses de maio de minha infância.
As coroações da Senhora, onde as meninas negras,
apesar do desejo de coroar a Rainha,
tinham de se contentar em ficar ao pé do altar
lançando flores.
As contas do meu rosário fizeram calos
nas minhas mãos,
pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,
nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo.
As contas do meu rosário são contas vivas.
(Alguém disse um dia que a vida é uma oração,
eu diria, porém, que há vidas-blasfemas).
Nas contas de meu rosário eu teço intumescidos
sonhos de esperanças.
Nas contas do meu rosário eu vejo rostos escondidos
por visíveis e invisíveis grades
e embalo a dor da luta perdida nas contas
do meu rosário.
Nas contas de meu rosário eu canto, eu grito, eu calo.
Do meu rosário eu sinto o borbulhar da fome
no estômago, no coração e nas cabeças vazias.
Quando debulho as contas de meu rosário,
eu falo de mim mesma em outro nome.
E sonho nas contas de meu rosário lugares, pessoas,
vidas que pouco a pouco descubro reais.
Vou e volto por entre as contas de meu rosário,
que são pedras marcando-me o corpo-caminho.
E neste andar de contas-pedras,
o meu rosário se transmuda em tinta,
me guia o dedo,
me insinua a poesia.
E depois de macerar conta por conta do meu rosário,
me acho aqui eu mesma
e descubro que ainda me chamo Maria.
Sobre o texto, analise as assertivas a seguir:
I. O poema traz uma questão que marcou profundamente a religiosidade dos escravizados: o sincretismo religioso, que ainda marca os ritos de matriz africana no Brasil.
II. Ao longo do poema, pode-se perceber trechos que comprovam a teoria da “escrevivência”, termo cunhado pela própria Conceição e que define a escrita de autoria negra como uma voz que ecoa ancestralidade e experiências partilhadas.
III. Ao trazer para o poema a experiência memorialística da infância, a poeta aproxima-se da visão saudosista e pueril de autores clássicos e consagrados pelo cânone, como Casemiro de Abreu, inclusive na questão formal.
Quais estão corretas?
(1a parte): O texto lírico é marcado pela abertura interpretativa, permitindo que uma mesma construção poética gere múltiplos efeitos de sentido e leituras distintas.
(2a parte): Para garantir que o leitor compreenda o sentimento exato do poeta, o gênero lírico exige o uso rigoroso da linguagem denotativa e factual.
(3a parte): Ao contrário do gênero narrativo, o lírico foca na suspensão do tempo e na intensidade de um momento ou sentimento, não possuindo como eixo central uma progressão cronológica de ações.
Pode-se afirmar que
Considerando essa definição e a leitura integral do poema, a relação entre o título e o texto estabelece-se principalmente porque:
Meninos Carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles ...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
—Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Meninos Carvoeiros. Petrópolis, 1921.
No poema de Manuel Bandeira, há uma crítica. Assinale a alternativa que evidencia a crítica presente no texto:
Os gêneros literários organizam-se segundo diferentes modos de enunciação e de organização da linguagem, refletindo formas distintas de representação da experiência humana na literatura. Essa classificação considera a maneira como o texto se estrutura e como o discurso literário se apresenta ao leitor (COMPAGNON, 2015).
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema a seguir, “A Vida é Loka”, de Sérgio Vaz, e assinale a alternativa INCORRETA.
Esses dias tinha um moleque na quebrada
com uma arma de quase 400 páginas na mão.
Uma minas cheirando prosa, uns acendendo poesia.
Um cara sem nike no pé indo para o trampo com o zóio vermelho de tanto ler no ônibus. Uns tiozinho e umas tiazinha no sarau enchendo a cara de poemas. Depois saíram vomitando versos na calçada.
O tráfico de informação não para, uns estão saindo algemado aos diplomas depois de experimentarem umas pílulas de sabedoria. As famílias, coniventes, estão em êxtase.
Esses vidas mansas estão esvaziando as cadeias e desempregando os Datenas.
A Vida não é mesmo loka?
(Disponível em: https://www.geledes.org.br/vida-e-loka-por-sergio-vaz/)
Leia o poema a seguir:
As Sem-razões do Amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 2002.)
Nesse poema, é possível identificar:
I - A presença de rimas nos versos 18 e 19.
II - A partir de uma análise acerca do título, nota-se que há um jogo de palavras entre “sem” e “cem” que se relaciona com o significado do restante do poema. Além disso, pode ser vista uma dicotomia existente: mesmo que alguém tente explicar o amor, é impossível enumerá-lo.
III - O eu-lírico expressando a sua perspectiva acerca do amor.
Após analisar as alternativas, indique a opção correta:

esta vida é uma viagem pena eu estar só de passagem
(Paulo Leminski, La vie em close. 5a ed. S.Paulo: Brasiliense, 2000, p.134)
No poema de apenas três versos, o poeta lamenta-se:


