Questões de Concurso
Sobre estilística em literatura
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Considerando a versificação e as relações entre métrica, ritmo e rima, analise as afirmativas a seguir.
I.A métrica corresponde à medida do verso estabelecida pela contagem das sílabas poéticas, cuja delimitação considera critérios sonoros próprios da escansão e se encerra na última sílaba tônica.
II. O ritmo de um verso decorre da correspondência entre sua extensão silábica e a recorrência de um mesmo padrão métrico, sendo a regularidade da medida responsável pela organização rítmica da composição.
III.A coincidência entre a divisão das sílabas gramaticais e a das sílabas poéticas constitui condição para a manutenção do metro, pois os processos de ligação sonora entre palavras não interferem na escansão.
IV. A rima estabelece correspondências sonoras entre segmentos dos versos a partir da recorrência de fonemas, podendo reunir palavras que apresentam configurações gráficas distintas.
V. O verso livre organiza seu ritmo por recursos como distribuição de acentos, pausas e recorrências sonoras, embora apresente variação na extensão silábica dos versos.
Assinale a alternativa correta.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Conversinha mineira, Fernando Sabino
— É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?
— Sei dizer não senhor: não tomo café.
— Você é dono do café, não sabe dizer?
— Ninguém tem reclamado dele não senhor.
— Então me dá café com leite, pão e manteiga.
— Café com leite só se for sem leite.
— Não tem leite?
— Hoje, não senhor.
— Por que hoje não?
— Porque hoje o leiteiro não veio.
— Ontem ele veio?
— Ontem não.
— Quando é que ele vem?
— Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.
— Mas ali fora está escrito "Leiteria"!
— Ah, isso está, sim senhor.
— Quando é que tem leite?
— Quando o leiteiro vem.
— Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?
— O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?
— Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?
— Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.
— E há quanto tempo o senhor mora aqui?
— Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.
— Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?
— Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.
— Para que Partido?
— Para todos os Partidos, parece.
— Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.
— Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...
— E o Prefeito?
— Que é que tem o Prefeito?
— Que tal o Prefeito daqui?
— O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.
— Que é que falam dele?
— Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.
— Você, certamente, já tem candidato.
— Quem, eu? Estou esperando as plataformas.
— Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?
— Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...
https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13152/conversinha-mineira
(__)Na versificação em língua portuguesa, a contagem das sílabas poéticas considera, convencionalmente, as sílabas até a última sílaba tônica do verso.
(__)Métrica e ritmo constituem conceitos relacionados, mas não equivalentes, pois versos com a mesma medida podem apresentar organizações rítmicas diferentes.
(__)A presença de rimas regulares constitui condição necessária para que uma composição seja considerada poema metrificado.
(__)O ritmo pode resultar da distribuição de acentos, pausas, repetições sonoras e outros elementos que organizam temporalmente o verso.
A sequência correta, de cima para baixo,
I. Foi elaborado em forma de versos a fim de realçar uma expressividade rítmica.
II. Fundamenta-se na variedade dialetal a fim de realçar o falar próprio de uma região.
III. Na sua composição, prescinde de vocabulário sociocultural representativo de um povo específico.
IV. Restringe sua expressividade linguística a uma modalidade escorreita conforme o contexto em que se encontra.
Pode-se dizer que está correto o que se afirma
O último a entrar
Só são permitidos seis em pé; como é que já haviam entrado sete naquele ônibus de fim de linha em West Hampstead? É que o trocador não tinha visto.
O chofer viu, no momento de dar partida:
– Tem um sobrando aí atrás.
E não deu partida. O trocador contou os passageiros em pé: é verdade, estava sobrando um. Qual? Naturalmente o que entrara por último.
– Quem é que entrou por último?
O diabo é que haviam entrado todos praticamente ao mesmo tempo.
– Um dos senhores tem que descer. Cada um olhou para os demais, esperando que alguém se voluntariasse. Ninguém se mexeu.
– Como é? Alguém tem de sair.
O chofer veio de lá, em auxílio do colega. Fez uma preleção sobre o cumprimento da lei, ninguém se comoveu.
– Vamos chamar um guarda – sugeriu ao trocador. Saíram do ônibus, cada um para o seu lado, à procura de um guarda.
Um velhinho, alheio ao impasse, entrou muito lépido no ônibus, aumentando para oito o número de passageiros em pé. Em pouco voltava o chofer, acompanhado de um guarda. O guarda foi logo impondo respeito:
– Salte o último a entrar.
O bom velhinho não vacilou: com autoridade não se brinca. Sem querer saber por que, do jeito que entrou, tornou a sair. O chofer, secundando com um olhar vitorioso a decisiva atuação do guarda, foi se aboletar de novo ao volante. Não sem uma última olhada pelo espelhinho sobre os passageiros em pé: um dois, três, quatro, cinco, seis, ué, que história é essa? Continuavam sendo sete?
– Ainda tem um sobrando.
E veio de lá, disposto a conferir. Não tinha dúvida: voltaram a ser sete.
– Um vai ter que sair.
Os passageiros continuaram firmes – cada um plenamente de acordo, desde que fosse outro a sair. Um deles, já irritado, e por estar mais perto da porta, cometeu a imprudência de deixar o ônibus para buscar de novo o guarda, que já ia longe. Os outros sugeriram ao chofer:
– Aproveita agora. Só tem seis, toca o ônibus.
Faltava o trocador, que ainda não havia voltado. O chofer convocou às pressas outro trocador nas imediações, que a companhia costumava deixar de plantão no fim da linha:
– Entra aí e vamos embora, que já estou atrasado.
O novo trocador assumiu o posto, e quando o ônibus já ia arrancando, deu com o velhinho ali firme junto ao poste:
– E o senhor?
– Esperando ônibus.
– Então entre.
O velhinho entrou, o ônibus partiu.
(SABINO, Fernando. A inglesa deslumbrada. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1969.)
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Autor: Fernando Pessoa.
Em relação à estrutura formal e aos recursos de versificação empregados por Fernando Pessoa no poema, analise as partes que seguem:
(1ª parte): A estrofação caracteriza-se pelo uso de tercetos encadeados, estrutura lírica típica da poesia épica.
(2ª parte): O esquema rímico do poema segue o padrão cruzado ou alternado (ABAB) em todas as suas estrofes.
(3ª parte): As rimas do poema são exclusivamente pobres, constituídas apenas por palavras pertencentes à mesma classe gramatical e com consoantes idênticas.
Pode-se afirmar que:
Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!", E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
BILAC, Olavo. Língua Portuguesa. In: Tarde, 1919. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/12986/lingua-portuguesa. Acesso em: 7 ago. 2026.
Em aula destinada à análise literária, o professor solicita que a turma examine os recursos expressivos empregados por Olavo Bilac na construção do elogio ao idioma, atentando para a relação entre as imagens dos quartetos e o fecho do soneto. A análise que se sustenta na materialidade do texto é a de que:
COLUNA I
1. Metonímia
2. Antítese
3. Prosopopeia
4. Eufemismo
COLUNA II
( ) Depois de meses enfrentando a doença, o velho professor finalmente descansou.
( ) Naquela manhã silenciosa, a cidade despertou apressada e engoliu seus moradores pelas ruas.
( ) Durante as férias, decidiu reler Machado de Assis antes de conhecer outros autores brasileiros.
( ) Entre o desejo de partir e a vontade de permanecer, percebeu que nenhuma escolha lhe parecia simples.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro
de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 30.
MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro
de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 30.
Coluna I.
A- Eufemismo.
B- Antítese.
C- Hipérbole.
D- Metáfora.
E- Prosopopeia.
Coluna II.
1- Estou morrendo de saudades de você.
2- A vida é feita de tristezas e alegrias.
3- Aquele menino é um leão.
4- O vento uivava de raiva durante a noite.
5- O doente deu o último suspiro.
Para a questão, leia o trecho da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos:
“A VIDA na fazenda se tornara difícil. Sinha Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.
Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.
Saíram de madrugada. Sinha Vitória meteu o braço pelo buraco da parede e fechou a porta da frente com a taramela. Atravessaram o pátio, deixaram na escuridão o chiqueiro e o curral, vazios, de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao passar junto às pedras onde os meninos atiravam cobras mortas, sinhá Vitória lembrou-se da cachorra Baleia, chorou, mas estava invisível e ninguém percebeu o choro.
Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para o sul. Com a fresca da madrugada, andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos miúdos — os meninos à frente, conduzindo trouxas de roupa, sinhá Vitória sob o baú de folha pintada e a cabaça de água, Fabiano atrás, de facão de rasto e faca de ponta, a cuia pendurada por uma correia amarrada ao cinturão, o aió a tiracolo, a espingarda de pederneira num ombro, o saco da matalotagem no outro. “
[...]
(Adaptado de: GRACILIANO, Ramos. Vidas Secas. 71 ed. São Paulo: Record, 1996, p. 116-117)
Considerando o trecho “[...] só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.”, analise os enunciados abaixo e, em seguida, considerando V como verdadeira e F como falsa, selecione a alternativa correta.
I. A expressão “só lhe restava” sugere que o personagem não dispunha de alternativas para enfrentar o problema da seca.
II. O emprego da expressão “como negro fugido” intensifica a condição de extrema vulnerabilidade de Fabiano.
III. As escolhas lexicais feitas pelo narrador limitam-se a informar sobre o deslocamento de Fabiano e sua família, sem acrescentar efeitos de sentido que contribuam para a interpretação do leitor.
IV. O uso da comparação “como negro fugido” intensifica a argumentação do narrador, pois amplia a percepção do leitor sobre a gravidade da situação vivida por Fabiano e sua família.
(1ª parte) O haicai tradicional de origem japonesa, apresenta três versos, tradicionalmente organizados em um esquema de 5, 7 e 5 unidades sonoras.
(2ª parte) A estrutura do soneto tradicional exige a manutenção contínua das mesmas consoantes de apoio em todas as rimas, impedindo a alternância entre rimas intercaladas (ABBA) e cruzadas (ABAB).
Pode-se afirmar que:
I. A mensagem incendiou o grupo.
II. A ansiedade bateu à porta antes do entregador.
III. A avó leu Machado de Assis enquanto aguardava.
IV. União permanente e rupturas frequentes marcavam o grupo.
V. Toc-toc, chegou a salada.
VI. O pai voltou a sair novamente.
Assinale a alternativa correta:
A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem frequente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro.
I. Trata-se de poema satírico, tendo em vista a acidez das palavras com que o eu-lírico descreve os moradores da cidade.
II. No segundo quarteto, tem-se a presença de gradação, figura de linguagem cara ao poeta.
III. Os quartetos empregam esquema de rimas emparelhadas e os versos são decassílabos.
Quais estão corretas?