Questões de Concurso Sobre estilística em literatura

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Q4132008 Literatura
Leia o Texto 2 para responder à questão.


Texto 2


Becos da minha terra...

Amo tua paisagem triste, ausente e suja.

Teu ar sombrio.

Tua velha umidade andrajosa.

Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.

E a réstia de sol que ao meio-dia desce fugidia,

e semeias polmes dourados no teu lixo pobre,

calçando de ouro a sandália velha, jogada no monturo.

Amo a prantina silenciosa do teu fio de água,

Descendo de quintais escusos sem pressa,

e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.

Amo a avenca delicada que renasce

Na frincha de teus muros empenados,

e a plantinha desvalida de caule mole

que se defende, viceja e floresce

no agasalho de tua sombra úmida e calada [...]


Trecho do poema “Becos de Goiás” de Cora Coralina. In: CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. 23ª ed. São Paulo: Global, 2014, p. 92.
No trecho do poema “Becos de Goiás”, de Cora Coralina, o eu lírico descreve um cenário marcado por imagens de degradação — “paisagem triste, ausente e suja”, “velha umidade andrajosa”, “lodo negro, esverdeado, escorregadio”, “lixo pobre”. Ainda assim, a voz poética declara reiteradamente: “Amo…”. Qual efeito de sentido característico da obra da autora é gerado pelo contraste?
Alternativas
Q4124658 Literatura

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Múmia egípcia desenterrada com texto literário no abdômen é encontrada


Arqueólogos que trabalham na antiga cidade de Oxirrinco, no Egito, desenterraram uma múmia com uma passagem da “Ilíada” de Homero presa ao abdômen, numa descoberta inédita.


Embora outras múmias na região tenham sido encontradas com pacotes lacrados com papiros contendo o que parecem ser fórmulas ritualísticas, aplicadas como parte do processo de embalsamento, esta é a primeira vez que um texto literário foi encontrado, disse Ignasi-Xavier Adiego, filólogo clássico da Universidade de Barcelona, na Espanha, à CNN.


“Este é o grande avanço para nós”, disse Adiego, que faz parte de uma equipe que trabalha no local há anos.


“Até agora, não sabíamos que eles teriam usado textos literários como parte desse ritual funerário”, acrescentou.


A múmia foi encontrada na atual cidade egípcia de Al Bahnasa, a cerca de 200 quilômetros (124 milhas) ao sul da capital Cairo, e tem aproximadamente 1.600 anos, da época romana, de acordo com um comunicado da Universidade de Barcelona.


Embora o papiro esteja fragmentado e em mau estado de conservação, a equipe conseguiu determinar que o texto integra o catálogo de navios presente no Livro II do poema épico grego, afirmou Adiego.


“Não tivemos a oportunidade de estudá-lo usando métodos de alta tecnologia, como raios X, que poderiam nos permitir lê-lo melhor”, disse ele. “Fizemos tudo o que podíamos sem destruir o papiro.”


Consequentemente, a pesquisa sobre o papiro encontra-se em fase preliminar, explicou Adiego, havendo ainda questões importantes a serem respondidas.


Neste momento, pouco se sabe sobre o papel do papiro no processo de embalsamamento, acrescentou, embora uma possível explicação seja que ele funcionava como uma espécie de assinatura do embalsamador que mumificou o corpo.


A descoberta do que parecem ser instruções rituais escritas em outros papiros levou alguns a teorizar que eles tinham algum tipo de função protetora, disse Adiego.


“A ideia de que um papiro contendo um texto literário pudesse ter cumprido essa mesma função é muito mais estranha”, acrescentou.


“Até o momento, não conseguimos interpretar o motivo da existência desse papiro literário”, disse Adiego.


Além disso, pouco se sabe sobre a vida daqueles cujas múmias foram encontradas no local, além do fato de que suas famílias deviam ter um certo nível de riqueza para poder pagar pelo processo de embalsamento, acrescentou ele.


https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/mumia-egipcia-desenterrada-com-texto-literario-no-abdomen-e-encontrada/ adaptado

"A múmia foi encontrada na atual cidade egípcia de Al Bahnasa, a cerca de 200 quilômetros (124 milhas) ao sul da capital Cairo, e tem aproximadamente 1.600 anos, da época romana, de acordo com um comunicado da Universidade de Barcelona."


Com base nos aspectos semânticos e estilísticos, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4104308 Literatura

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações. (4º parágrafo)


Uma compreensão adequada do que afirma o período acima está na seguinte formulação:

Alternativas
Q4056854 Literatura

A poesia organiza-se a partir de escolhas formais que afetam a disposição dos versos, a sonoridade do texto e a percepção rítmica da linguagem. Esses recursos contribuem para a construção estética do poema e variam conforme tradições literárias, estilos de época e projetos expressivos adotados pelos autores (CANDIDO, 2011).



Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q4042914 Literatura
Ao analisar a construção formal de um poema, uma estudante observou que determinado texto se organizava em versos, com regularidade de sílabas poéticas, distribuição estrófica planejada e recorrência sonora entre palavras finais. Nesse caso, os elementos destacados correspondem, respectivamente, a:
Alternativas
Q4041575 Literatura
Qual alternativa é incorreta, em relação à versificação?
Alternativas
Q4041535 Literatura

Qual alternativa é incorreta, em relação à versificação?

Alternativas
Q4040073 Literatura
Em relação à versificação, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4039993 Literatura
Em relação à versificação, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4016519 Literatura

TEXTO PARA A QUESTÃO


"O garrafeiro"


o garrafeiro era apenas um homem

que sobrava das ruas

também sujo de terra e esquecido

como as garrafas e cacos no quintal


suas mãos de cuidado

tangiam aranhas, lagartixas

e vez por outra

um escorpião afiado


depois arrumava as garrafas

lado a lado

âmbares, azuis, verdes, transparentes,

num arco-íris pobre

"essas são de vinho tinto"

dizia-me ele embriagado de vazios

e as de fundo côncavo serviam

para pescar piabas no Poti


o mundo é duro e frágil, eu aprendia

mas nele lições pequenas eternizam

piabas prateadas nas garrafas

como rútilos presos nos cristais


VILHENA, Graça. PEDRA DE CANTARIA. Teresina: Nova

                                           Aliança e Entretextos, 2013. 

No poema "O garrafeiro", a poetisa piauiense Graça Vilhena constrói um retrato lírico que ultrapassa a mera descrição de um ofício marginalizado. A análise da relação entre o eu lírico, a figura do garrafeiro e os objetos que compõem o cenário permite afirmar que a unidade de sentido do texto se fundamenta em:
Alternativas
Q3998909 Literatura
ATENÇÃO: use o fragmento textual abaixo, retirado do Sermão da Sexagésima, que aborda o tema do estilo dos pregadores, para responder à próxima questão. 


    “O pregador há de ser como quem semeia e não como quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas: As estrelas, permanecendo na sua ordem. Todas as estrelas estão por sua ordem; mas é ordem que faz influência, não é ordem que faça lavor. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o céu em xadrez de palavras. Se de uma parte há de estar branco, da outra há de estar negro; se de uma parte dizem luz, da outra hão de dizem sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com seu contrário?”
Esse segmento critica um estilo de época.

Assinale a opção que identifica corretamente esse estilo e a razão básica de ser criticado. 
Alternativas
Q3989812 Literatura
“A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a ele mesmo.” (Máximo Gorki)

A expressão destacada no pensamento acima apresenta-se sob qual figura de linguagem?
Alternativas
Q3975417 Literatura

Texto 12A4-II


Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.


João Guimarães Rosa. As margens da alegria. In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

Assinale a opção em que são corretamente apresentados uma característica de escritura atribuída a Guimarães Rosa e seu respectivo exemplo no texto 12A4-II.
Alternativas
Q3963111 Literatura
A análise do texto poético exige o conhecimento dos recursos que conferem musicalidade e sonoridade aos versos. No contexto da métrica e da rima, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3936783 Literatura
Leia o texto abaixo e responda à questão.

TEXTO I

Restos de Carnaval Clarice Lispector 

Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartasfeiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano.

E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu. 

No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça – eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável – e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga – talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel – resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas – à idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha – mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho, que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.

Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa. 

Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge – minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa – mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil – fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.

Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria. 

Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos, já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5892/restosde-carnaval
Considerando o texto de Clarice Lispector, é CORRETO afirmar que o registro predominante apresenta:
Alternativas
Q3929323 Literatura
Quando a foice da morte colhe a vida/ é que a gente percebe
não ser nada 


No silêncio do passo traiçoeiro 
ela arranca de vez o coração 
leva a alma deixando a solidão
não importa se é pobre ou tem dinheiro
é de todos caminhão derradeiro 
qualquer rota recai sobre essa estrada
deixa toda alegria cancelada
e no peito uma dor sem ter medida
quando a foice da morte colhe a vida
é que a gente percebe não ser nada.  

Não informa o momento da partida
desse trem da desgraça que aparece  
de repente ele surge, o ser padece
sem nem mesmo acenar na despedida
quanto mais a dor vem, mais é doída
não tem corpo e parece tão pesada
cada lágrima vertida uma pancada
não tem volta, o caminho é só de ida  
quando a foice da morte colhe a vida
é que a gente percebe não ser nada. 

Não se atenta pra ritos de passagem 
onde passa seu rastro é de caixão
não permite um adeus nem oração
dos infernos carregam uma mensagem
estendendo ataúdes na viagem
ao fechar os esquifes da morada
a saudade ainda fica apertada
quem morreu transferiu a dor sofrida
quando a foice da morte colhe a vida
é que a gente percebe não ser nada. 

(Tiago Nascimento Silva. Conta, contão e medalha. Quando a foice da morte corre a vida/ é que a gente percebe não ser nada, p. 106. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023)

Sobre a análise rítmica e estruturação das rimas e estrofes do texto, não é correto afirmar: 
Alternativas
Q3925220 Literatura

Texto II

Kehinde


A borboleta que esbarra em espinhos rasga as próprias asas.

Provérbio africano


Eu nasci em Savalu, reino de Daomé, África, no ano de um mil oitocentos e dez. Portanto, tinha seis anos, quase sete, quando esta história começou. O que aconteceu antes disso não tem importância, pois a vida corria paralela ao destino. O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido o meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão”. O Kokumo era um abiku, como minha mãe. O nome dela, Dúróoríìke, era o mesmo que “fica, tu serás mimada”. A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia “fica para gozar a vida, nós imploramos”. Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disto quando estão aqui, no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.


GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 19.



Vocabulário

Ibêji: os gêmeos entre os povos iorubá.

Abiku: “criança nascida para morrer”.

No texto literário, nenhuma escolha linguística ocorre impunemente, já que uma obra não se esgota em sua temática, carecendo também da forma como categoria fundante da literariedade.


Nesse sentido, num ensino de literatura consequente, mostra-se relevante, no Texto II, a reflexão sobre o uso do pronome pessoal Ele com maiúscula, a fim de levar o estudante-leitor a 

Alternativas
Q3918003 Literatura
Os desafios da inclusão em uma aula de literatura que desdobra as metáforas de Chico Buarque para alunos surdos


Como professora e interessada que sou por inclusão, desenvolvi uma metodologia voltada ao ensino de literatura para surdos no curso de graduação em Letras-Libras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ. O método pode ser adaptado por qualquer disciplina, basta que se tome consciência de que, do ponto de vista da linguagem, na maioria das vezes, o aluno surdo é um estrangeiro na própria pátria.
É claro que, em todas as disciplinas, a figura do intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) é fundamental. No entanto, nem sempre essa presença é suficiente, sobretudo se o intérprete não tiver uma bagagem cultural vasta e um grande acervo vocabular. O trabalho com metáforas é muito mais complicado e, no caso da literatura, não há como fugir das metáforas, da palavra cujo sentido não está nos dicionários, mas é criado pelos diversos contextos e culturas. Como exemplo, trago a experiência de trabalho que desenvolvi com a letra da música “Eu te amo”, de Chico Buarque, cuja escolha se deu justamente pelo fato de apresentar muitas metáforas. Destaco um trecho:
“Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir”


Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/armario-embutido-e-outros-vocabulos/.  
De acordo com o texto, a escolha da canção de Chico Buarque em sala de aula justifica-se pela finalidade de:  
Alternativas
Q3862153 Literatura
Falando-se sobre versificação, leia os itens e assinale a alternativa pertinente.

I- As estrofes se classificam de acordo com o número de versos que possuem: monóstica, (com um verso); dística, (com dois versos); terceto, (com três versos); quadra ou quarteto, (com quatro versos); quintilha, (com cinco versos); sextilha, (com seis versos); septilha, (com sete versos); oitava, (com oito versos); nona, (com nove versos); décima, (com dez versos).
II- Rima é a identidade ou semelhança de sons que ocorre, principalmente, no final dos versos.
III- Há vários tipos de rimas e para especificá-los convencionou-se usar as letras do alfabeto, de modo que os versos ligados entre si pela rima, recebem letras iguais.
IV- As rimas são classificadas quanto às combinações, à posição do acento tônico, à coincidência de sons.
Alternativas
Q3835778 Literatura

Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:


Pneumotórax


Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.


A vida inteira que podia ter sido e que não foi.


Tosse, tosse, tosse.



Mandou chamar o médico:



— Diga trinta e três.


— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…


— Respire.



……………………………………………………………………….


— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.


— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?


— Não.



A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.


Manuel Bandeira

Em relação ao poema de Manuel Bandeira, qual alternativa abaixo NÃO encontra respaldo no conteúdo do texto:
Alternativas
Respostas
1: D
2: A
3: A
4: B
5: D
6: D
7: C
8: B
9: A
10: C
11: A
12: C
13: C
14: B
15: D
16: E
17: A
18: C
19: A
20: D