Questões de Concurso Sobre estilística em literatura

Foram encontradas 194 questões

Q4303746 Literatura
Texto 1


Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.


    MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

    de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

    Companhia das Letras, 2009. p. 30.

    No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é retomada paralelamente em “E tu, tranquila, me dirás”. Essa organização sintática contribui para o sentido do poema ao
    Alternativas
    Q4303744 Literatura
    Texto 1


    Soneto da hora final


    Será assim, amiga: um certo dia,
    Estando nós a contemplar o poente,
    Sentiremos no rosto, de repente,
    O beijo leve de uma aragem fria.

    Tu me olharás silenciosamente,
    E eu te olharei também, com nostalgia,
    E partiremos, tontos de poesia,
    Para a porta de treva aberta em frente.

    Ao transpor as fronteiras do Segredo,
    Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
    E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

    E como dois antigos namorados,
    Noturnamente tristes e enlaçados,
    Nós entraremos nos jardins da morte.


      MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

      de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

      Companhia das Letras, 2009. p. 30.

      Nesse soneto, a construção metafórica “fronteiras do Segredo” contribui para representar a morte como uma
      Alternativas
      Q4303497 Literatura
      Assinale a alternativa em que a expressão destacada se apresenta na forma de uma hipérbole.
      Alternativas
      Q4301877 Literatura
      Aludindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

      Coluna I.

      A- Eufemismo.
      B- Antítese.
      C- Hipérbole.
      D- Metáfora.
      E- Prosopopeia.

      Coluna II.

      1- Estou morrendo de saudades de você.
      2- A vida é feita de tristezas e alegrias.
      3- Aquele menino é um leão.
      4- O vento uivava de raiva durante a noite.
      5- O doente deu o último suspiro.
      Alternativas
      Q4301362 Literatura

      Para a questão, leia o trecho da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos:


      “A VIDA na fazenda se tornara difícil. Sinha Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.


      Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.


      Saíram de madrugada. Sinha Vitória meteu o braço pelo buraco da parede e fechou a porta da frente com a taramela. Atravessaram o pátio, deixaram na escuridão o chiqueiro e o curral, vazios, de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao passar junto às pedras onde os meninos atiravam cobras mortas, sinhá Vitória lembrou-se da cachorra Baleia, chorou, mas estava invisível e ninguém percebeu o choro.


      Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para o sul. Com a fresca da madrugada, andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos miúdos — os meninos à frente, conduzindo trouxas de roupa, sinhá Vitória sob o baú de folha pintada e a cabaça de água, Fabiano atrás, de facão de rasto e faca de ponta, a cuia pendurada por uma correia amarrada ao cinturão, o aió a tiracolo, a espingarda de pederneira num ombro, o saco da matalotagem no outro. “


      [...]


      (Adaptado de: GRACILIANO, Ramos. Vidas Secas. 71 ed. São Paulo: Record, 1996, p. 116-117)

      Considerando o trecho “[...] só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.”, analise os enunciados abaixo e, em seguida, considerando V como verdadeira e F como falsa, selecione a alternativa correta.


      I. A expressão “só lhe restava” sugere que o personagem não dispunha de alternativas para enfrentar o problema da seca.

      II. O emprego da expressão “como negro fugido” intensifica a condição de extrema vulnerabilidade de Fabiano.

      III. As escolhas lexicais feitas pelo narrador limitam-se a informar sobre o deslocamento de Fabiano e sua família, sem acrescentar efeitos de sentido que contribuam para a interpretação do leitor.

      IV. O uso da comparação “como negro fugido” intensifica a argumentação do narrador, pois amplia a percepção do leitor sobre a gravidade da situação vivida por Fabiano e sua família.

      Alternativas
      Q4297071 Literatura
      Quanto à versificação, à métrica e às características formais das composições poéticas de forma fixa, analise as partes que seguem:

      (1ª parte) O haicai tradicional de origem japonesa, apresenta três versos, tradicionalmente organizados em um esquema de 5, 7 e 5 unidades sonoras.
      (2ª parte) A estrutura do soneto tradicional exige a manutenção contínua das mesmas consoantes de apoio em todas as rimas, impedindo a alternância entre rimas intercaladas (ABBA) e cruzadas (ABAB).

      Pode-se afirmar que:
      Alternativas
      Q4296823 Literatura
      Leia o texto abaixo e responda à questão.

      Título: Precisamos conversar

      O grupo da família se chamava “Família Unida para Sempre”, embora, de tempos em tempos, alguém saísse ofendido e precisasse ser adicionado novamente.
      Naquela terça-feira, às 7h12, quando a maioria ainda procurava coragem para levantar da cama, a tia Márcia escreveu:
      — Precisamos conversar.
      Foram apenas duas palavras, mas tiveram o efeito de um alarme de incêndio.
      Às 7h13, a avó respondeu com uma imagem de “Bom dia” em que um gatinho segurava uma xícara de café, cercado por rosas brilhantes. Provavelmente não tinha entendido a gravidade da situação, ou talvez considerasse que nenhum problema familiar resistiria a um gatinho com café.
      Às 7h14, o tio Roberto perguntou:
      — Aconteceu alguma coisa?
      Às 7h15, ele mesmo enviou um áudio de quatro minutos e trinta e sete segundos. Ninguém sabia como era possível produzir um áudio tão longo para perguntar se alguma coisa tinha acontecido. No meio da gravação, ouviam-se uma porta batendo, um cachorro latindo e alguém dizendo:
      — Roberto, você vai querer pão?
      A prima Júlia, de dezesseis anos, mandou apenas uma figurinha de um homem desmaiando. Em seguida, escreveu:
      — Gente, tô nervosa.
      O avô digitou:
      — Quem está falando?
      Embora participasse do grupo havia seis anos, ele ainda parecia surpreso com a presença de outras pessoas ali.
      O pai, sempre prático, escreveu:
      — Márcia, diga logo o que houve.
      A mensagem foi visualizada por todos. Tia Márcia, porém, não respondeu.
      Durante os dez minutos seguintes, a imaginação da família trabalhou com uma eficiência jamais vista. A mãe suspeitou de uma briga. O tio Roberto achou que alguém estivesse doente. Júlia perguntou se os pais pretendiam se separar, embora ninguém tivesse mencionado casamento algum. A avó enviou uma oração em letras maiúsculas, seguida de sete mãos juntas e três corações.
      Então surgiu no grupo um número desconhecido:
      — Bom dia. Quem é?
      Era o entregador de gás. A avó o havia adicionado por engano.
      Antes que alguém pudesse removê-lo, o homem escreveu:
      — Também fiquei preocupado. Espero que esteja tudo bem.
      Às 7h31, tia Márcia finalmente reapareceu:
      — Calma, gente! Eu só queria saber quem vai levar a salada para o almoço de domingo.
      Houve um silêncio digital.
      O tio Roberto respondeu com outro áudio, desta vez de seis minutos. O pai saiu do grupo. A prima Júlia mandou uma figurinha de uma senhora fechando uma janela com violência. A mãe escreveu:
      — Márcia, você não pode mandar “precisamos conversar” e desaparecer!
      A tia explicou que havia entrado no banho e deixado o celular carregando.
      A avó, tentando restaurar a paz, enviou mais um “Bom dia”, agora com um bebê fantasiado de girassol. Depois perguntou:
      — Afinal, quem vai levar a salada?
      Ninguém respondeu.
      Foi então que o entregador de gás, ainda no grupo, escreveu:
      — Eu posso levar. Faço uma ótima salada de batata. 
      A proposta foi aceita imediatamente. Ele recebeu o endereço, o horário e três receitas diferentes enviadas pela avó.
      No domingo, apareceu com a salada e um botijão novo, por garantia. Tornou-se amigo da família, ganhou o apelido de “primo do gás” e passou a participar de todos os almoços.
      Quanto ao pai, foi adicionado novamente ao grupo.
      Duas horas depois, saiu outra vez.

      Fonte: Banca Elaborado
      Considere os enunciados criados a partir da crônica:
      I. A mensagem incendiou o grupo.
      II. A ansiedade bateu à porta antes do entregador.
      III. A avó leu Machado de Assis enquanto aguardava.
      IV. União permanente e rupturas frequentes marcavam o grupo.
      V. Toc-toc, chegou a salada.
      VI. O pai voltou a sair novamente.
      Assinale a alternativa correta:
      Alternativas
      Q4282297 Literatura
      Leia o Texto 6 para responder à questão.


      Texto 6


      Ninguém cogitava na mais passageira hipótese de um revés.

      A exploração realizada fora até um transigir dispensável com as velharias da estratégia: bastava o olhar perspícuo do guia, capitão Jesuíno, para aclarar a rota.

      Sabia-se, no entanto, que esta atravessaria longos trechos de caatingas exigindo aberturas de picadas, e extenso areal de quarenta quilômetros onde, naquela quadra, na plenitude do estio, não se compreendia a viagem sem que os combatentes fossem arcando sob carregamento de água [...].


      CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 325.
      O emprego da expressão “na plenitude do estio” contribui para a caracterização do espaço literário ao acentuar
      Alternativas
      Q4279274 Literatura
      Leia o trecho do soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, de Gregório de Matos Guerra, e analise as assertivas abaixo acerca do texto. 
      A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. 
      Em cada porta um bem frequente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro. 
      I. Trata-se de poema satírico, tendo em vista a acidez das palavras com que o eu-lírico descreve os moradores da cidade.
      II. No segundo quarteto, tem-se a presença de gradação, figura de linguagem cara ao poeta.
      III. Os quartetos empregam esquema de rimas emparelhadas e os versos são decassílabos.
      Quais estão corretas? 
      Alternativas
      Q4278314 Literatura
      Em relação à versificação, assinale a alternativa incorreta.
      Alternativas
      Q4277753 Literatura
      Em relação à versificação, assinale a alternativa incorreta. 
      Alternativas
      Q4261494 Literatura
      Sobre o nível de linguagem usado no trecho do romance a seguir, é correto afirmar que:
      (...) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (...) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo
      (Rosa, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 27). 
      Alternativas
      Q4247842 Literatura

      ー Final, final mesmo, Samuel, é só quando eu baixar teu caixão na cova. Ainda dá tempo.


      ーTu sonha muito, Chico.


      ー Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.


      ACIOLI, Socorro. A cabeça de santo. São Paulo: Cia das Letras, 2014. p. 148.


      Nesse trecho literário, a oposição metafórica construída entre “cova” e “em cima da terra” pode ser traduzida pela seguinte oposição: 

      Alternativas
      Q4219579 Literatura

      Para responder à questão, leia o texto abaixо.


      Q37_40.png (244×262)


      Autor: Fernando Pessoa.

      A arquitetura formal e a musicalidade de Ao longe, ao luar desempenham um papel crucial na construção da atmosfera melancólica e introspectiva da composição. No que concerne à estrutura das estrofes e ao esquema predominante de rimas empregados pelo autor, assinale a alternativa CORRETA.
      Alternativas
      Q4201509 Literatura

              O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania. Por isso, Gilberto chamou aos livros reparadores da memória; e S. Máximo, medicina do esquecimento. E, como os livros foram inventados para conservadores das coisas passadas, por isso os milagres de Penha de França não hão mister livros, porque são milagres que não passam. Esta é uma excelência com que a Virgem Maria quis singularizar os privilégios desta sua casa, sobre todas as que tem milagrosas no mundo, e sobre todas as que tem nesta cidade (...). Foi milagrosa em Lisboa a casa de Nossa Senhora da Natividade; mas passaram os milagres da Natividade. Foi milagrosa a casa de Nossa Senhora do Amparo; mas passaram os milagres do Amparo. Foi milagrosa a casa de Nossa Senhora do Desterro; mas passaram os milagres do Desterro. Foi milagrosa a casa da Senhora da Luz; mas passaram os milagres da Luz. Só a casa de Nossa Senhora de Penha de França foi milagrosa, e é milagrosa, e há de ser milagrosa, porque os seus milagres nunca passam; e as coisas que não passam, nem acabam; as coisas que permanecem sempre, não hão mister livros.


      Padre Antonio Vieira. Sermão de Nossa Senhora de Penha de França na sua igreja  

      e convento da sagrada religião de Santo Agostinho. In: Sermões do Padre António Vieira.  

      Tomo VI. Lisboa: Editores J.M.C. Seabra & T. Q. Antunes, 1855, p. 43-44 (com adaptações)

      Julgue o item a seguir, relativo a aspectos da retórica do texto precedente.


      No texto, Vieira associa o tempo a um tirano e o esquecimento dos homens a uma tirania, para mostrar a natureza desses dois elementos, que, agindo implacavelmente, apagam a memória das coisas passadas.  

      Alternativas
      Q4176307 Literatura
      Trata-se de uma figura de Pensamento:
      Alternativas
      Q4162388 Literatura
      Assinalar a alternativa em que a figura de linguagem presente nas frases abaixo foi CORRETAMENTE apontada entre parênteses. 
      Alternativas
      Q4159108 Literatura
      Leia o texto abaixo para responder à questão.


      17 de julho


          Domingo. Um dia maravilhoso. O céu azul sem nuvem. O Sol está tepido. Deixei o leito as 6,30. Fui buscar agua. Fiz café. Tendo só um pedaço de pão e 3 cruzeiros. Dei um pedaço a cada um, puis feijão no fogo que ganhei ontem do Centro Espirita da Rua Vergueiro 103. Fui lavar minhas roupas. Quando retornei do rio o feijão estava cosido. Os filhos pediram pão. Dei os 3 cruzeiros ao João José para ir comprar pão. Hoje é a Nair Mathias quem começou impricar com os meus filhos. A Silvia e o esposo já iniciaram o espetaculo ao ar livre. Ele está lhe espancando. E eu estou revoltada com o que as crianças presenciam. Ouvem palavras de baixo calão. Oh! se eu pudesse mudar daqui para um nucleo mais decente.

          Fui na D. Florela pedir um dente de alho. E fui na D. Analia. E recebi o que esperava:

          — Não tenho!

          Fui torcer as minhas roupas. A D. Aparecida perguntou-me:

          — A senhora está gravida?

          — Não senhora — respondi gentilmente.

          E lhe chinguei interiormente. Se estou gravida não é de sua conta. Tenho pavor destas mulheres da favela. Tudo quer saber! A lingua delas é como os pés de galinha. Tudo espalha. Está circulando rumor que eu estou gravida! E eu, não sabia!

         Saí a noite, e fui catar papel. Quando eu passava perto do campo do São Paulo, varias pessoas saiam do campo. Todas brancas, só um preto. E o preto começou insultar-me:

          — Vai catar papel, minha tia? Olha o buraco, minha tia.

         Eu estava indisposta. Com vontade de deitar. Mas, prossegui. Encontrei varias pessoas amigas e parava para falar. Quando eu subia a Avenida Tiradentes encontrei umas senhoras. Uma perguntou-me:

          — Sarou as pernas?

          Depois que operei, fiquei boa, graças a Deus. E até pude dançar no Carnaval, com minha fantasia de penas. Quem operou-me foi o Dr. José Torres Netto. Bom médico. E falamos de politicos. Quando uma senhora perguntou-me o que acho do Carlos Lacerda, respondi concientemente:

         — Muito inteligente. Mas não tem iducação. É um politico de cortiço. Que gosta de intriga. Um agitador.

          Uma senhora disse que foi pena! A bala que pegou o major podia acertar no Carlos Lacerda.

          — Mas o seu dia… chegará — comentou outra.

         Varias pessoas afluiram-se. Eu, era o alvo das atenções. Fiquei apreensiva, porque eu estava catando papel, andrajosa (…) Depois, não mais quiz falar com ninguem, porque precisava catar papel. Precisava de dinheiro. Eu não tinha dinheiro em casa para comprar pão. Trabalhei até as 11,30. Quando cheguei em casa era 24 horas. Esquentei comida, dei para a Vera Eunice, jantei e deitei-me. Quando despertei, os raios solares penetrava pelas frestas do barracão.


      Jesus, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo, 1960. Adaptado. 
      Com base no trecho retirado da obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, analise as proposições abaixo.

      I. A autora utiliza gírias e expressões regionais para ambientar melhor o contexto em que se passa a história.
      II. A autora narra sua luta contra a fome, as dificuldades enfrentadas diariamente e a marginalização social sob uma perspectiva intensa, profunda e autobiográfica.
      III. A obra preserva a escrita original da autora, com erros ortográficos e marcas de oralidade, conferindo autenticidade à narrativa.

      Está correto o que se apresenta em:
      Alternativas
      Q4147582 Literatura
      Leia, a seguir, o trecho inicial do conto “Luz”, do escritor Salim Miguel.

          Anoitece.

         Seis pessoas: três adultos, três crianças. Os adultos: faixa dos vinte anos. As crianças: a mais nova com menos de seis meses, o mais velho com pouco mais de três anos. Pai, mãe, tio, duas meninas, um menino.
         O dia: 18. O mês: maio. O ano: 1927. O local: cais do porto da Praça Mauá. O estado: Rio de Janeiro. O país: Brasil.
         Muitos anos depois, já bem velho, o pai gostava de rememorar, de repetir insistindo: a primeira palavra que aprendi em português, que me foi diretamente dirigida, que gravei: luz. Nur.
         Cala. Pensa. Concentra-se. Se esforça. Se perde para se achar. Ativada, a memória recua. Busca resgatar o passado. Retirá-lo do mais fundo do tempo. Devassar o escuro abismo. Tornar hoje o ontem.

      MIGUEL, Salim. Nur na escuridão [recurso eletrônico]. Florianópolis: Editora da UFSC, 2025, p. 15-16.

      Nesse trecho do conto, observa-se uma construção textual marcada por frases curtas e estruturas fragmentadas.
      Considerando esse aspecto, assinale a afirmativa que analisa corretamente o efeito de sentido produzido por essa escolha estilística.
      Alternativas
      Q4147578 Literatura
      Leia o poema a seguir, publicado em 1893 pelo poeta catarinense Cruz e Souza, principal nome do Simbolismo no Brasil.

      Acrobata da Dor 
      Imagem associada para resolução da questão


      https://www.escritas.org/pt/t/13184/acrobata-da-dor

      No poema, o eu lírico constrói sentidos por meio da mobilização de palavras pertencentes ao campo semântico do universo circense, associado à figura do “palhaço”.
      Considerando esse aspecto, assinale a opção que apresenta um termo do texto que integra esse campo semântico
      Alternativas
      Respostas
      1: C
      2: B
      3: B
      4: B
      5: C
      6: B
      7: C
      8: D
      9: A
      10: D
      11: B
      12: D
      13: C
      14: B
      15: C
      16: B
      17: D
      18: C
      19: E
      20: D