Questões de Concurso Sobre estilística em literatura

Foram encontradas 212 questões

Q4353976 Literatura
A organização sonora do poema resulta da articulação de diferentes recursos formais, cujos efeitos variam conforme a maneira como são combinados na composição dos versos. A análise desses recursos contribui para a compreensão da estrutura e dos efeitos produzidos pelo texto poético (GOLDSTEIN, 2006).
Considerando a versificação e as relações entre métrica, ritmo e rima, analise as afirmativas a seguir.

I.A métrica corresponde à medida do verso estabelecida pela contagem das sílabas poéticas, cuja delimitação considera critérios sonoros próprios da escansão e se encerra na última sílaba tônica.
II. O ritmo de um verso decorre da correspondência entre sua extensão silábica e a recorrência de um mesmo padrão métrico, sendo a regularidade da medida responsável pela organização rítmica da composição.
III.A coincidência entre a divisão das sílabas gramaticais e a das sílabas poéticas constitui condição para a manutenção do metro, pois os processos de ligação sonora entre palavras não interferem na escansão.
IV. A rima estabelece correspondências sonoras entre segmentos dos versos a partir da recorrência de fonemas, podendo reunir palavras que apresentam configurações gráficas distintas.
V. O verso livre organiza seu ritmo por recursos como distribuição de acentos, pausas e recorrências sonoras, embora apresente variação na extensão silábica dos versos.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4344487 Literatura

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Conversinha mineira, Fernando Sabino

— É bom mesmo o cafezinho daqui, meu amigo?

— Sei dizer não senhor: não tomo café.

— Você é dono do café, não sabe dizer?

— Ninguém tem reclamado dele não senhor.

— Então me dá café com leite, pão e manteiga.

— Café com leite só se for sem leite.

— Não tem leite?

— Hoje, não senhor.

— Por que hoje não?

— Porque hoje o leiteiro não veio.

— Ontem ele veio?

— Ontem não.

— Quando é que ele vem?

— Tem dia certo não senhor. Às vezes vem, às vezes não vem. Só que no dia que devia vir em geral não vem.

— Mas ali fora está escrito "Leiteria"!

— Ah, isso está, sim senhor.

— Quando é que tem leite?

— Quando o leiteiro vem.

— Tem ali um sujeito comendo coalhada. É feita de quê?

— O quê: coalhada? Então o senhor não sabe de que é feita a coalhada?

— Está bem, você ganhou. Me traz um café com leite sem leite. Escuta uma coisa: como é que vai indo a política aqui na sua cidade?

— Sei dizer não senhor: eu não sou daqui.

— E há quanto tempo o senhor mora aqui?

— Vai para uns quinze anos. Isto é, não posso agarantir com certeza: um pouco mais, um pouco menos.

— Já dava para saber como vai indo a situação, não acha?

— Ah, o senhor fala da situação? Dizem que vai bem.

— Para que Partido?

— Para todos os Partidos, parece.

— Eu gostaria de saber quem é que vai ganhar a eleição aqui.

— Eu também gostaria. Uns falam que é um, outros falam que outro. Nessa mexida...

— E o Prefeito?

— Que é que tem o Prefeito?

— Que tal o Prefeito daqui?

— O Prefeito? É tal e qual eles falam dele.

— Que é que falam dele?

— Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo quanto é Prefeito.

— Você, certamente, já tem candidato.

— Quem, eu? Estou esperando as plataformas.

— Mas tem ali o retrato de um candidato dependurado na parede, que história é essa?

— Aonde, ali? Uê, gente: penduraram isso aí...

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13152/conversinha-mineira

O diálogo entre o visitante e o atendente apresenta uma sequência de perguntas aparentemente simples, mas algumas respostas provocam situações inesperadas. Esse procedimento modifica o sentido habitual da conversa e contribui para o caráter humorístico da narrativa. Considerando esse recurso presente no texto, assinale a alternativa que explica como o humor é construído no diálogo.
Alternativas
Q4342435 Literatura
Acerca de métrica, rima e ritmo na composição poética, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

(__)Na versificação em língua portuguesa, a contagem das sílabas poéticas considera, convencionalmente, as sílabas até a última sílaba tônica do verso.
(__)Métrica e ritmo constituem conceitos relacionados, mas não equivalentes, pois versos com a mesma medida podem apresentar organizações rítmicas diferentes.
(__)A presença de rimas regulares constitui condição necessária para que uma composição seja considerada poema metrificado.
(__)O ritmo pode resultar da distribuição de acentos, pausas, repetições sonoras e outros elementos que organizam temporalmente o verso.
A sequência correta, de cima para baixo,         
Alternativas
Q4339110 Literatura
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.

TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)

Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Lá tem um riacho para a gente se banhar 
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê

Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
Levando-se em consideração a tipologia e a estrutura do texto II em evidência, pode-se afirmar que ele
I. Foi elaborado em forma de versos a fim de realçar uma expressividade rítmica.
II. Fundamenta-se na variedade dialetal a fim de realçar o falar próprio de uma região.
III. Na sua composição, prescinde de vocabulário sociocultural representativo de um povo específico.
IV. Restringe sua expressividade linguística a uma modalidade escorreita conforme o contexto em que se encontra.
Pode-se dizer que está correto o que se afirma
Alternativas
Q4330232 Literatura

O último a entrar

 

Só são permitidos seis em pé; como é que já haviam entrado sete naquele ônibus de fim de linha em West Hampstead? É que o trocador não tinha visto.

O chofer viu, no momento de dar partida:

– Tem um sobrando aí atrás.

E não deu partida. O trocador contou os passageiros em pé: é verdade, estava sobrando um. Qual? Naturalmente o que entrara por último.

– Quem é que entrou por último?

O diabo é que haviam entrado todos praticamente ao mesmo tempo.

– Um dos senhores tem que descer. Cada um olhou para os demais, esperando que alguém se voluntariasse. Ninguém se mexeu.

– Como é? Alguém tem de sair.

O chofer veio de lá, em auxílio do colega. Fez uma preleção sobre o cumprimento da lei, ninguém se comoveu.

– Vamos chamar um guarda – sugeriu ao trocador. Saíram do ônibus, cada um para o seu lado, à procura de um guarda.

Um velhinho, alheio ao impasse, entrou muito lépido no ônibus, aumentando para oito o número de passageiros em pé. Em pouco voltava o chofer, acompanhado de um guarda. O guarda foi logo impondo respeito:

– Salte o último a entrar.

O bom velhinho não vacilou: com autoridade não se brinca. Sem querer saber por que, do jeito que entrou, tornou a sair. O chofer, secundando com um olhar vitorioso a decisiva atuação do guarda, foi se aboletar de novo ao volante. Não sem uma última olhada pelo espelhinho sobre os passageiros em pé: um dois, três, quatro, cinco, seis, ué, que história é essa? Continuavam sendo sete?

– Ainda tem um sobrando.

E veio de lá, disposto a conferir. Não tinha dúvida: voltaram a ser sete.

– Um vai ter que sair.

Os passageiros continuaram firmes – cada um plenamente de acordo, desde que fosse outro a sair. Um deles, já irritado, e por estar mais perto da porta, cometeu a imprudência de deixar o ônibus para buscar de novo o guarda, que já ia longe. Os outros sugeriram ao chofer:

– Aproveita agora. Só tem seis, toca o ônibus.

Faltava o trocador, que ainda não havia voltado. O chofer convocou às pressas outro trocador nas imediações, que a companhia costumava deixar de plantão no fim da linha:

– Entra aí e vamos embora, que já estou atrasado.

O novo trocador assumiu o posto, e quando o ônibus já ia arrancando, deu com o velhinho ali firme junto ao poste:

– E o senhor?

– Esperando ônibus.

– Então entre.

O velhinho entrou, o ônibus partiu.

 

(SABINO, Fernando. A inglesa deslumbrada. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1969.)

Marcas de informalidade são elementos que aproximam o texto da fala espontânea. Trata-se de uma marca de informalidade presente na linguagem utilizada pelo autor no texto:
Alternativas
Q4318197 Literatura

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

Em relação à estrutura formal e aos recursos de versificação empregados por Fernando Pessoa no poema, analise as partes que seguem:


(1ª parte): A estrofação caracteriza-se pelo uso de tercetos encadeados, estrutura lírica típica da poesia épica.


(2ª parte): O esquema rímico do poema segue o padrão cruzado ou alternado (ABAB) em todas as suas estrofes.


(3ª parte): As rimas do poema são exclusivamente pobres, constituídas apenas por palavras pertencentes à mesma classe gramatical e com consoantes idênticas.


Pode-se afirmar que:

Alternativas
Q4313371 Literatura
LÍNGUA PORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura,  Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!", E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
BILAC, Olavo. Língua Portuguesa. In: Tarde, 1919. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/12986/lingua-portuguesa. Acesso em: 7 ago. 2026.
Em aula destinada à análise literária, o professor solicita que a turma examine os recursos expressivos empregados por Olavo Bilac na construção do elogio ao idioma, atentando para a relação entre as imagens dos quartetos e o fecho do soneto. A análise que se sustenta na materialidade do texto é a de que:
Alternativas
Q4306860 Literatura
Meninos

Estrofe 1
meninos pedindo comida na porta das casas.
meninos esguios macilentos
filhos da fome
crias do medo
bichinhos escuros
melados de sujo
procriados em catres imundos
em horas escusas
botados no mundo
porque o remédio falhou
Estrofe 2
meninos pedindo comida
ratos de esgoto
saídos da lama
de dia se escondem
de noite se espalham
correndo de porta em porta
só comem no escuro
ratos de esgoto
que a noite soltou
Estrofe 3
meninos pedindo comida nas casas burguesas
meninos pisando pés sujos
nos pátios de são caetano
escorando as mãos sujas no espelho
dos azulejos coloridos do hall
meninos apertando o botão da campainha
esperando o milagre da explosão
da ternura e da comida
que não vem
lá dentro há risos e arrotos
e estômagos cheios se sacodem de gozo
e velhos gulosos caminham pro enfarte
Estrofe 4
e um lindo fogão colorido espreme no ar
um cheiro gostoso de assado e fritura 
que ri dos meninos passando-lhes o dedo
no nariz
Estrofe 5
meninos pedindo comida na porta das casas
a fome fazendo barulho apertando a campainha
chegando em hora incômoda
(esses meninos não respeitam temos visitas pro jantar)
meninos batendo na porta das almas
sujando o assoalho encerado
de nossa paz espiritual
Estrofe 6
meninos ouvindo um não perfumado
cheirando a comida
um não muito limpo
dá água na boca
diga que o que sobrou é pros cachorros
eles que voltem amanhã
meninos recolhem sua fome num saco de plástico
irão bater noutra porta
escrevendo nas ruas as linhas sinuosas do clamor da miséria que sobe até Deus

(Autor: Ápio Campos)

Há erro na classificação da figura de linguagem em:
Alternativas
Q4305823 Literatura
As figuras de linguagem constituem recursos expressivos que produzem diferentes efeitos de sentido nos textos. Relacione corretamente as figuras apresentadas na Coluna I aos enunciados da Coluna II.

COLUNA I

1. Metonímia
2. Antítese
3. Prosopopeia
4. Eufemismo

COLUNA II

( ) Depois de meses enfrentando a doença, o velho professor finalmente descansou.
( ) Naquela manhã silenciosa, a cidade despertou apressada e engoliu seus moradores pelas ruas.
( ) Durante as férias, decidiu reler Machado de Assis antes de conhecer outros autores brasileiros. 
( ) Entre o desejo de partir e a vontade de permanecer, percebeu que nenhuma escolha lhe parecia simples.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
Alternativas
Q4303746 Literatura
Texto 1


Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.


    MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

    de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

    Companhia das Letras, 2009. p. 30.

    No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é retomada paralelamente em “E tu, tranquila, me dirás”. Essa organização sintática contribui para o sentido do poema ao
    Alternativas
    Q4303744 Literatura
    Texto 1


    Soneto da hora final


    Será assim, amiga: um certo dia,
    Estando nós a contemplar o poente,
    Sentiremos no rosto, de repente,
    O beijo leve de uma aragem fria.

    Tu me olharás silenciosamente,
    E eu te olharei também, com nostalgia,
    E partiremos, tontos de poesia,
    Para a porta de treva aberta em frente.

    Ao transpor as fronteiras do Segredo,
    Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
    E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

    E como dois antigos namorados,
    Noturnamente tristes e enlaçados,
    Nós entraremos nos jardins da morte.


      MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

      de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

      Companhia das Letras, 2009. p. 30.

      Nesse soneto, a construção metafórica “fronteiras do Segredo” contribui para representar a morte como uma
      Alternativas
      Q4303497 Literatura
      Assinale a alternativa em que a expressão destacada se apresenta na forma de uma hipérbole.
      Alternativas
      Q4301877 Literatura
      Aludindo-se a figuras de linguagem, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.

      Coluna I.

      A- Eufemismo.
      B- Antítese.
      C- Hipérbole.
      D- Metáfora.
      E- Prosopopeia.

      Coluna II.

      1- Estou morrendo de saudades de você.
      2- A vida é feita de tristezas e alegrias.
      3- Aquele menino é um leão.
      4- O vento uivava de raiva durante a noite.
      5- O doente deu o último suspiro.
      Alternativas
      Q4301362 Literatura

      Para a questão, leia o trecho da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos:


      “A VIDA na fazenda se tornara difícil. Sinha Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.


      Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.


      Saíram de madrugada. Sinha Vitória meteu o braço pelo buraco da parede e fechou a porta da frente com a taramela. Atravessaram o pátio, deixaram na escuridão o chiqueiro e o curral, vazios, de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao passar junto às pedras onde os meninos atiravam cobras mortas, sinhá Vitória lembrou-se da cachorra Baleia, chorou, mas estava invisível e ninguém percebeu o choro.


      Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para o sul. Com a fresca da madrugada, andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos miúdos — os meninos à frente, conduzindo trouxas de roupa, sinhá Vitória sob o baú de folha pintada e a cabaça de água, Fabiano atrás, de facão de rasto e faca de ponta, a cuia pendurada por uma correia amarrada ao cinturão, o aió a tiracolo, a espingarda de pederneira num ombro, o saco da matalotagem no outro. “


      [...]


      (Adaptado de: GRACILIANO, Ramos. Vidas Secas. 71 ed. São Paulo: Record, 1996, p. 116-117)

      Considerando o trecho “[...] só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.”, analise os enunciados abaixo e, em seguida, considerando V como verdadeira e F como falsa, selecione a alternativa correta.


      I. A expressão “só lhe restava” sugere que o personagem não dispunha de alternativas para enfrentar o problema da seca.

      II. O emprego da expressão “como negro fugido” intensifica a condição de extrema vulnerabilidade de Fabiano.

      III. As escolhas lexicais feitas pelo narrador limitam-se a informar sobre o deslocamento de Fabiano e sua família, sem acrescentar efeitos de sentido que contribuam para a interpretação do leitor.

      IV. O uso da comparação “como negro fugido” intensifica a argumentação do narrador, pois amplia a percepção do leitor sobre a gravidade da situação vivida por Fabiano e sua família.

      Alternativas
      Q4297071 Literatura
      Quanto à versificação, à métrica e às características formais das composições poéticas de forma fixa, analise as partes que seguem:

      (1ª parte) O haicai tradicional de origem japonesa, apresenta três versos, tradicionalmente organizados em um esquema de 5, 7 e 5 unidades sonoras.
      (2ª parte) A estrutura do soneto tradicional exige a manutenção contínua das mesmas consoantes de apoio em todas as rimas, impedindo a alternância entre rimas intercaladas (ABBA) e cruzadas (ABAB).

      Pode-se afirmar que:
      Alternativas
      Q4296823 Literatura
      Leia o texto abaixo e responda à questão.

      Título: Precisamos conversar

      O grupo da família se chamava “Família Unida para Sempre”, embora, de tempos em tempos, alguém saísse ofendido e precisasse ser adicionado novamente.
      Naquela terça-feira, às 7h12, quando a maioria ainda procurava coragem para levantar da cama, a tia Márcia escreveu:
      — Precisamos conversar.
      Foram apenas duas palavras, mas tiveram o efeito de um alarme de incêndio.
      Às 7h13, a avó respondeu com uma imagem de “Bom dia” em que um gatinho segurava uma xícara de café, cercado por rosas brilhantes. Provavelmente não tinha entendido a gravidade da situação, ou talvez considerasse que nenhum problema familiar resistiria a um gatinho com café.
      Às 7h14, o tio Roberto perguntou:
      — Aconteceu alguma coisa?
      Às 7h15, ele mesmo enviou um áudio de quatro minutos e trinta e sete segundos. Ninguém sabia como era possível produzir um áudio tão longo para perguntar se alguma coisa tinha acontecido. No meio da gravação, ouviam-se uma porta batendo, um cachorro latindo e alguém dizendo:
      — Roberto, você vai querer pão?
      A prima Júlia, de dezesseis anos, mandou apenas uma figurinha de um homem desmaiando. Em seguida, escreveu:
      — Gente, tô nervosa.
      O avô digitou:
      — Quem está falando?
      Embora participasse do grupo havia seis anos, ele ainda parecia surpreso com a presença de outras pessoas ali.
      O pai, sempre prático, escreveu:
      — Márcia, diga logo o que houve.
      A mensagem foi visualizada por todos. Tia Márcia, porém, não respondeu.
      Durante os dez minutos seguintes, a imaginação da família trabalhou com uma eficiência jamais vista. A mãe suspeitou de uma briga. O tio Roberto achou que alguém estivesse doente. Júlia perguntou se os pais pretendiam se separar, embora ninguém tivesse mencionado casamento algum. A avó enviou uma oração em letras maiúsculas, seguida de sete mãos juntas e três corações.
      Então surgiu no grupo um número desconhecido:
      — Bom dia. Quem é?
      Era o entregador de gás. A avó o havia adicionado por engano.
      Antes que alguém pudesse removê-lo, o homem escreveu:
      — Também fiquei preocupado. Espero que esteja tudo bem.
      Às 7h31, tia Márcia finalmente reapareceu:
      — Calma, gente! Eu só queria saber quem vai levar a salada para o almoço de domingo.
      Houve um silêncio digital.
      O tio Roberto respondeu com outro áudio, desta vez de seis minutos. O pai saiu do grupo. A prima Júlia mandou uma figurinha de uma senhora fechando uma janela com violência. A mãe escreveu:
      — Márcia, você não pode mandar “precisamos conversar” e desaparecer!
      A tia explicou que havia entrado no banho e deixado o celular carregando.
      A avó, tentando restaurar a paz, enviou mais um “Bom dia”, agora com um bebê fantasiado de girassol. Depois perguntou:
      — Afinal, quem vai levar a salada?
      Ninguém respondeu.
      Foi então que o entregador de gás, ainda no grupo, escreveu:
      — Eu posso levar. Faço uma ótima salada de batata. 
      A proposta foi aceita imediatamente. Ele recebeu o endereço, o horário e três receitas diferentes enviadas pela avó.
      No domingo, apareceu com a salada e um botijão novo, por garantia. Tornou-se amigo da família, ganhou o apelido de “primo do gás” e passou a participar de todos os almoços.
      Quanto ao pai, foi adicionado novamente ao grupo.
      Duas horas depois, saiu outra vez.

      Fonte: Banca Elaborado
      Considere os enunciados criados a partir da crônica:
      I. A mensagem incendiou o grupo.
      II. A ansiedade bateu à porta antes do entregador.
      III. A avó leu Machado de Assis enquanto aguardava.
      IV. União permanente e rupturas frequentes marcavam o grupo.
      V. Toc-toc, chegou a salada.
      VI. O pai voltou a sair novamente.
      Assinale a alternativa correta:
      Alternativas
      Q4282297 Literatura
      Leia o Texto 6 para responder à questão.


      Texto 6


      Ninguém cogitava na mais passageira hipótese de um revés.

      A exploração realizada fora até um transigir dispensável com as velharias da estratégia: bastava o olhar perspícuo do guia, capitão Jesuíno, para aclarar a rota.

      Sabia-se, no entanto, que esta atravessaria longos trechos de caatingas exigindo aberturas de picadas, e extenso areal de quarenta quilômetros onde, naquela quadra, na plenitude do estio, não se compreendia a viagem sem que os combatentes fossem arcando sob carregamento de água [...].


      CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 325.
      O emprego da expressão “na plenitude do estio” contribui para a caracterização do espaço literário ao acentuar
      Alternativas
      Q4281306 Literatura
      Leia o texto a seguir e responda à questão.


      À instabilidade das coisas do mundo

      Gregório de Matos

      Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
      Depois da luz se segue a noite escura,
      Em tristes sombras morre a formosura,
      Em contínuas tristezas a alegria.


      Porém se acaba o sol, por que nascia?
      Se é tão formosa a luz, por que não dura?
      Como a beleza assim se transfigura?
      Como o gosto da pena assim se fia?


      Mas no sol e na luz BBfalta a firmeza,
      Na formosura não se dê constância,
      E na alegria sinta-se tristeza.


      Começa o mundo enfim pela ignorância,
      E tem qualquer dos bens por natureza
      A firmeza somente na inconstância.


      Fonte: MATOS, Gregório. Gregório de Matos: poemas. 2. Ed. São Paulo: Martin Claret, 2013.
      No verso “Depois da luz se segue a noite escura”, a figura de linguagem predominante é: 
      Alternativas
      Q4279274 Literatura
      Leia o trecho do soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, de Gregório de Matos Guerra, e analise as assertivas abaixo acerca do texto. 
      A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. 
      Em cada porta um bem frequente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro. 
      I. Trata-se de poema satírico, tendo em vista a acidez das palavras com que o eu-lírico descreve os moradores da cidade.
      II. No segundo quarteto, tem-se a presença de gradação, figura de linguagem cara ao poeta.
      III. Os quartetos empregam esquema de rimas emparelhadas e os versos são decassílabos.
      Quais estão corretas? 
      Alternativas
      Q4278314 Literatura
      Em relação à versificação, assinale a alternativa incorreta.
      Alternativas
      Respostas
      1: D
      2: A
      3: A
      4: C
      5: D
      6: B
      7: A
      8: D
      9: A
      10: C
      11: B
      12: B
      13: B
      14: B
      15: B
      16: C
      17: D
      18: D
      19: A
      20: D