Questões de Concurso
Sobre estilística em literatura
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MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro
de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 30.
MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro
de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009. p. 30.
Coluna I.
A- Eufemismo.
B- Antítese.
C- Hipérbole.
D- Metáfora.
E- Prosopopeia.
Coluna II.
1- Estou morrendo de saudades de você.
2- A vida é feita de tristezas e alegrias.
3- Aquele menino é um leão.
4- O vento uivava de raiva durante a noite.
5- O doente deu o último suspiro.
Para a questão, leia o trecho da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos:
“A VIDA na fazenda se tornara difícil. Sinha Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a catinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.
Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.
Saíram de madrugada. Sinha Vitória meteu o braço pelo buraco da parede e fechou a porta da frente com a taramela. Atravessaram o pátio, deixaram na escuridão o chiqueiro e o curral, vazios, de porteiras abertas, o carro de bois que apodrecia, os juazeiros. Ao passar junto às pedras onde os meninos atiravam cobras mortas, sinhá Vitória lembrou-se da cachorra Baleia, chorou, mas estava invisível e ninguém percebeu o choro.
Desceram a ladeira, atravessaram o rio seco, tomaram rumo para o sul. Com a fresca da madrugada, andaram bastante, em silêncio, quatro sombras no caminho estreito coberto de seixos miúdos — os meninos à frente, conduzindo trouxas de roupa, sinhá Vitória sob o baú de folha pintada e a cabaça de água, Fabiano atrás, de facão de rasto e faca de ponta, a cuia pendurada por uma correia amarrada ao cinturão, o aió a tiracolo, a espingarda de pederneira num ombro, o saco da matalotagem no outro. “
[...]
(Adaptado de: GRACILIANO, Ramos. Vidas Secas. 71 ed. São Paulo: Record, 1996, p. 116-117)
Considerando o trecho “[...] só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.”, analise os enunciados abaixo e, em seguida, considerando V como verdadeira e F como falsa, selecione a alternativa correta.
I. A expressão “só lhe restava” sugere que o personagem não dispunha de alternativas para enfrentar o problema da seca.
II. O emprego da expressão “como negro fugido” intensifica a condição de extrema vulnerabilidade de Fabiano.
III. As escolhas lexicais feitas pelo narrador limitam-se a informar sobre o deslocamento de Fabiano e sua família, sem acrescentar efeitos de sentido que contribuam para a interpretação do leitor.
IV. O uso da comparação “como negro fugido” intensifica a argumentação do narrador, pois amplia a percepção do leitor sobre a gravidade da situação vivida por Fabiano e sua família.
(1ª parte) O haicai tradicional de origem japonesa, apresenta três versos, tradicionalmente organizados em um esquema de 5, 7 e 5 unidades sonoras.
(2ª parte) A estrutura do soneto tradicional exige a manutenção contínua das mesmas consoantes de apoio em todas as rimas, impedindo a alternância entre rimas intercaladas (ABBA) e cruzadas (ABAB).
Pode-se afirmar que:
I. A mensagem incendiou o grupo.
II. A ansiedade bateu à porta antes do entregador.
III. A avó leu Machado de Assis enquanto aguardava.
IV. União permanente e rupturas frequentes marcavam o grupo.
V. Toc-toc, chegou a salada.
VI. O pai voltou a sair novamente.
Assinale a alternativa correta:
A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem frequente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro.
I. Trata-se de poema satírico, tendo em vista a acidez das palavras com que o eu-lírico descreve os moradores da cidade.
II. No segundo quarteto, tem-se a presença de gradação, figura de linguagem cara ao poeta.
III. Os quartetos empregam esquema de rimas emparelhadas e os versos são decassílabos.
Quais estão corretas?
(...) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (...) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo
(Rosa, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 27).
ー Final, final mesmo, Samuel, é só quando eu baixar teu caixão na cova. Ainda dá tempo.
ーTu sonha muito, Chico.
ー Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.
ACIOLI, Socorro. A cabeça de santo. São Paulo: Cia das Letras, 2014. p. 148.
Nesse trecho literário, a oposição metafórica construída entre “cova” e “em cima da terra” pode ser traduzida pela seguinte oposição:
Para responder à questão, leia o texto abaixо.

Autor: Fernando Pessoa.
O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania. Por isso, Gilberto chamou aos livros reparadores da memória; e S. Máximo, medicina do esquecimento. E, como os livros foram inventados para conservadores das coisas passadas, por isso os milagres de Penha de França não hão mister livros, porque são milagres que não passam. Esta é uma excelência com que a Virgem Maria quis singularizar os privilégios desta sua casa, sobre todas as que tem milagrosas no mundo, e sobre todas as que tem nesta cidade (...). Foi milagrosa em Lisboa a casa de Nossa Senhora da Natividade; mas passaram os milagres da Natividade. Foi milagrosa a casa de Nossa Senhora do Amparo; mas passaram os milagres do Amparo. Foi milagrosa a casa de Nossa Senhora do Desterro; mas passaram os milagres do Desterro. Foi milagrosa a casa da Senhora da Luz; mas passaram os milagres da Luz. Só a casa de Nossa Senhora de Penha de França foi milagrosa, e é milagrosa, e há de ser milagrosa, porque os seus milagres nunca passam; e as coisas que não passam, nem acabam; as coisas que permanecem sempre, não hão mister livros.
Padre Antonio Vieira. Sermão de Nossa Senhora de Penha de França na sua igreja
e convento da sagrada religião de Santo Agostinho. In: Sermões do Padre António Vieira.
Tomo VI. Lisboa: Editores J.M.C. Seabra & T. Q. Antunes, 1855, p. 43-44 (com adaptações)
Julgue o item a seguir, relativo a aspectos da retórica do texto precedente.
No texto, Vieira associa o tempo a um tirano e o esquecimento dos homens a uma tirania, para mostrar a natureza desses dois elementos, que, agindo implacavelmente, apagam a memória das coisas passadas.
I. A autora utiliza gírias e expressões regionais para ambientar melhor o contexto em que se passa a história.
II. A autora narra sua luta contra a fome, as dificuldades enfrentadas diariamente e a marginalização social sob uma perspectiva intensa, profunda e autobiográfica.
III. A obra preserva a escrita original da autora, com erros ortográficos e marcas de oralidade, conferindo autenticidade à narrativa.
Está correto o que se apresenta em:
Anoitece.
Seis pessoas: três adultos, três crianças. Os adultos: faixa dos vinte anos. As crianças: a mais nova com menos de seis meses, o mais velho com pouco mais de três anos. Pai, mãe, tio, duas meninas, um menino.
O dia: 18. O mês: maio. O ano: 1927. O local: cais do porto da Praça Mauá. O estado: Rio de Janeiro. O país: Brasil.
Muitos anos depois, já bem velho, o pai gostava de rememorar, de repetir insistindo: a primeira palavra que aprendi em português, que me foi diretamente dirigida, que gravei: luz. Nur.
Cala. Pensa. Concentra-se. Se esforça. Se perde para se achar. Ativada, a memória recua. Busca resgatar o passado. Retirá-lo do mais fundo do tempo. Devassar o escuro abismo. Tornar hoje o ontem.
MIGUEL, Salim. Nur na escuridão [recurso eletrônico]. Florianópolis: Editora da UFSC, 2025, p. 15-16.
Nesse trecho do conto, observa-se uma construção textual marcada por frases curtas e estruturas fragmentadas.
Considerando esse aspecto, assinale a afirmativa que analisa corretamente o efeito de sentido produzido por essa escolha estilística.
Acrobata da Dor

https://www.escritas.org/pt/t/13184/acrobata-da-dor
No poema, o eu lírico constrói sentidos por meio da mobilização de palavras pertencentes ao campo semântico do universo circense, associado à figura do “palhaço”.
Considerando esse aspecto, assinale a opção que apresenta um termo do texto que integra esse campo semântico