Questões de Concurso
Sobre estilística em literatura
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TEXTO PARA A QUESTÃO
"O garrafeiro"
o garrafeiro era apenas um homem
que sobrava das ruas
também sujo de terra e esquecido
como as garrafas e cacos no quintal
suas mãos de cuidado
tangiam aranhas, lagartixas
e vez por outra
um escorpião afiado
depois arrumava as garrafas
lado a lado
âmbares, azuis, verdes, transparentes,
num arco-íris pobre
"essas são de vinho tinto"
dizia-me ele embriagado de vazios
e as de fundo côncavo serviam
para pescar piabas no Poti
o mundo é duro e frágil, eu aprendia
mas nele lições pequenas eternizam
piabas prateadas nas garrafas
como rútilos presos nos cristais
VILHENA, Graça. PEDRA DE CANTARIA. Teresina: Nova
Aliança e Entretextos, 2013.
Assinale a opção que identifica corretamente esse estilo e a razão básica de ser criticado.
A expressão destacada no pensamento acima apresenta-se sob qual figura de linguagem?
Texto 12A4-II
Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tronitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de tanger trombeta. Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O Menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.
João Guimarães Rosa. As margens da alegria. In: Primeiras estórias / João Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
Texto II
Kehinde
A borboleta que esbarra em espinhos rasga as próprias asas.
Provérbio africano
Eu nasci em Savalu, reino de Daomé, África, no ano de um mil oitocentos e dez. Portanto, tinha seis anos, quase sete, quando esta história começou. O que aconteceu antes disso não tem importância, pois a vida corria paralela ao destino. O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido o meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão”. O Kokumo era um abiku, como minha mãe. O nome dela, Dúróoríìke, era o mesmo que “fica, tu serás mimada”. A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia “fica para gozar a vida, nós imploramos”. Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disto quando estão aqui, no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2020. p. 19.
Vocabulário
Ibêji: os gêmeos entre os povos iorubá.
Abiku: “criança nascida para morrer”.
No texto literário, nenhuma escolha linguística ocorre impunemente, já que uma obra não se esgota em sua temática, carecendo também da forma como categoria fundante da literariedade.
Nesse sentido, num ensino de literatura consequente, mostra-se relevante, no Texto II, a reflexão sobre o uso do pronome pessoal Ele com maiúscula, a fim de levar o estudante-leitor a
I- As estrofes se classificam de acordo com o número de versos que possuem: monóstica, (com um verso); dística, (com dois versos); terceto, (com três versos); quadra ou quarteto, (com quatro versos); quintilha, (com cinco versos); sextilha, (com seis versos); septilha, (com sete versos); oitava, (com oito versos); nona, (com nove versos); décima, (com dez versos).
II- Rima é a identidade ou semelhança de sons que ocorre, principalmente, no final dos versos.
III- Há vários tipos de rimas e para especificá-los convencionou-se usar as letras do alfabeto, de modo que os versos ligados entre si pela rima, recebem letras iguais.
IV- As rimas são classificadas quanto às combinações, à posição do acento tônico, à coincidência de sons.
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.
……………………………………………………………………….
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
A obra do escritor mogambicano Mia Couto ocupa lugar de destaque na literatura contemporanea de lingua portuguesa. Seus textos articulam meméria, oralidade, identidade cultural e reinvenção da lingua, produzindo uma escrita singular que tensiona os limites entre gêneros literários tradicionais. Considerando essas características, assinale a alternativa que melhor define o estilo predominante na obra de Mia Couto.
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O leito
Mares, de espúmeo albor de rendas revestidos!
Vagas, cheias de aroma, e de torpor fecundas!
Para a febre lenir, que esvaíra-me os sentidos,
Quero nestes lençóis mergulha-los, vencidos,
Num mar de sensações letárgicas, profundas!
Aqui, de regiões apostas, climas vários
Vieram se encontrar, por diversos caminhos,
Para depor, fiéis, submissos tributários,
Os prodígios do gosto, árduos, imaginários,
Em perfume, em cetins, em sedas, em arminhos.
Despenhada do teto, em turbilhão se entorna,
Muda, imóvel cascata, a cortina nitente,
Derramando no ar uma preguiça morna,
Que os músculos distende e os nervos amadorna,
Em íntima volúpia, estranha, inconsciente.
Repassa, embebe a alcova, em toda a plenitude,
A emanação sutil, que enleva, que extasia,
De um corpo virginal e cheio de saúde,
Grato eflúvio do sangue, em plena juventude,
Que do olfato a avidez satura, e não sacia.
Perfumados lençóis! vós sois as brancas tendas,
Onde, árabes do amor, meus vagos pensamentos
Nas solidões da noite ouvem estranhas lendas,
Enquanto sob um céu enublado de rendas
Enerva-me o luar de uns olhos sonolentos!
Autor: Teófilo Dias - Fanfarras.
Ao longo do poema, o autor explora a fusão entre corpo, espaço e imaginação, criando uma experiência estética marcada pela sinestesia e pelo simbolismo. Nesse sentido, analise as assertivas:
I. A alcova é apresentada como um espaço simbólico em que sensações físicas e estados psíquicos se confundem, dissolvendo os limites entre sujeito e ambiente.
II. O uso recorrente de termos ligados ao torpor, à lentidão e à imobilidade sugere negação do desejo e recusa da experiência sensorial.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
TEXTO PARA A QUESTÃO.
O leito
Mares, de espúmeo albor de rendas revestidos!
Vagas, cheias de aroma, e de torpor fecundas!
Para a febre lenir, que esvaíra-me os sentidos,
Quero nestes lençóis mergulha-los, vencidos,
Num mar de sensações letárgicas, profundas!
Aqui, de regiões apostas, climas vários
Vieram se encontrar, por diversos caminhos,
Para depor, fiéis, submissos tributários,
Os prodígios do gosto, árduos, imaginários,
Em perfume, em cetins, em sedas, em arminhos.
Despenhada do teto, em turbilhão se entorna,
Muda, imóvel cascata, a cortina nitente,
Derramando no ar uma preguiça morna,
Que os músculos distende e os nervos amadorna,
Em íntima volúpia, estranha, inconsciente.
Repassa, embebe a alcova, em toda a plenitude,
A emanação sutil, que enleva, que extasia,
De um corpo virginal e cheio de saúde,
Grato eflúvio do sangue, em plena juventude,
Que do olfato a avidez satura, e não sacia.
Perfumados lençóis! vós sois as brancas tendas,
Onde, árabes do amor, meus vagos pensamentos
Nas solidões da noite ouvem estranhas lendas,
Enquanto sob um céu enublado de rendas
Enerva-me o luar de uns olhos sonolentos!
Autor: Teófilo Dias - Fanfarras.
I.The use of stream of consciousness and free indirect style is articulated through a recurrent auditory motif — the chimes of Big Ben — which provides temporal cohesion to the shifting mental perspectives throughout the day.
II.Septimus Warren Smith functions merely as a comic counterpoint to Clarissa's social anxieties, without thematic connection to war trauma or critique of medical psychiatry.
III.The narrative covers several weeks, alternating between London and the countryside, and follows a multitemporal episodic structure.
The following statement(s) is/are CORRECT:
(__)The "To be, or not to be" soliloquy is written predominantly in iambic pentameter, employing antithesis and occasional feminine endings to dramatize internal debate.
(__)The play uses metatheatre through "The Mousetrap" (the play-within-the-play) to test Claudius's guilt by observing his reaction to a staged regicide.
(__)Ophelia's mad songs draw exclusively on courtly love conventions and exclude folk ballad elements, avoiding colloquial or popular registers.
The CORRECT sequence is:
Observa-se nesse parágrafo o seguinte procedimento estilístico que caracteriza a prosa madura de Machado de Assis: