Questões de Concurso Comentadas sobre escolas literárias em literatura

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Q3921811 Literatura
Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.


    Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.

    Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.

    O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

    Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].

    Iracema parou em face do jovem guerreiro:

    — É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?

    Martim pousou brandos olhos na face da virgem:

    — Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .

    — Uma noiva te espera?

     O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.

    — Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.

    — A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.

    Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.


(Iracema, 2006.)


1 aracati: brisa do vento.

2 erriçar: arrepiar.

3 coma: copa de árvores frondosas.

4 carpir: lamentar.

5 trépido: trêmulo.

6 presago: que adivinha.

7 tenro: delicado.

8 peneirar: chuviscar.
Um traço característico da prosa romântica que pode ser encontrado nesse trecho é
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Q3921808 Literatura
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
No primeiro parágrafo, o narrador refere-se a Quincas Borba como “inventor de uma filosofia”. No contexto do romance, tal filosofia é denominada Humanitismo (cujo lema era “Ao vencedor, as batatas”) e pode ser vista como uma espécie de sátira
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Q3921599 Literatura

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

Como se sabe, o nacionalismo exacerbado e delirante de Policarpo Quaresma leva-o a se engajar em três projetos que visavam reformar o Brasil. O trecho transcrito dá conta do projeto agrícola do protagonista que, no contexto do romance, foi
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Q3917632 Literatura
Aos afetos, e lágrimas derramadas na ausência da
dama a quem queria bem


Ardor em firme Coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:


Tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido:


Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!


Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.

Acerca do poema, é CORRETO afirmar que:

I. A poesia de Gregório de Matos se divide em líricoamorosa, sacra, satírica e erótica. O poema em questão é erótico.
II. O poema apresenta dois elementos da natureza, o fogo e a água. O primeiro refere-se ao ardor e o segundo pode se referir tanto ao pranto quanto à contenção da paixão do eu-lírico.
III. As palavras que se referem, nas primeiras e segundas estrofes, ao fogo são “ardor”, “incêndio”, “abrasas”, “chamas” e a própria palavra “fogo”.

Assinale a alternativa CORRETA: 
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Q3917631 Literatura
Leia o poema a seguir:

O destro Cupido um dia Extraiu mimosas cores De frescos lírios, e rosas, De jasmins, e de outras flores.

Com as mais delgadas penas Usa de uma, e de outra tinta, E nos ângulos do cobre A quatro belezas pinta.

Por fazer pensar a todos No seu liso centro escreve Um letreiro, que pergunta: "Este espaço a quem se deve?"

Vênus, que viu a pintura, E leu a letra engenhosa, Pôs por baixo "Eu dele cedo; Dê-se a Marília formosa."

Gonzaga, Tomás Antônio. Marília de Dirceu, Lira XXVI, parte I.

Sobre o poema, é CORRETO afirmar que: 
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Q3917368 Literatura
Texto 4.
Fábula de um arquiteto


A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.


João Cabral de Melo Neto (1966)
A leitura de Fábula de um arquiteto, associada ao conjunto da obra de João Cabral de Melo Neto, permite afirmar que o poeta se insere na lírica moderna brasileira por
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Q3854166 Literatura
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando o movimento literário que reúne as características estéticas empregadas às construções dos respectivos poemas.

Coluna 1 1. Parnasianismo. 2. Barroco. 3. Romantismo.
Coluna 2 ( ) “O todo sem a parte não é todo. A parte sem o todo não é parte. Mas se a parte o faz todo, sendo parte, Não se diga que é parte, sendo todo”.
( ) “Doce Amor – a sorrir-se brandamente Em sonhos me falou com tal brandura, Que eu só de o escutar vida mais pura Senti coar-me n’alma fundamente”.
( ) “Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito”.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Q3854165 Literatura
O rompimento com os padrões culturais do século anterior resultou no aparecimento de novas técnicas, tanto no domínio da lírica quanto no da ficção. As principais conquistas do movimento foram, entre outras, o verso livre, o fluxo de consciência, a colagem e a montagem cinematográfica no campo da narrativa, liberdade no uso dos sinais de pontuação e multiplicação das vozes narrativas. Assinale a alternativa que indica o movimento literário ao qual se refere o trecho. 
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Q3854158 Literatura
São características do movimento Simbolista presente no trecho do poema “A Catedral”, do poeta Alphonsus de Guimaraens, EXCETO:

Entre brumas, ao longe, surge a aurora. O hialino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu risonho, Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
O astro glorioso segue a eterna estrada. Uma áurea seta lhe cintila em cada Refulgente raio de luz. A catedral ebúrnea do meu sonho, Onde os meus olhos tão cansados ponho, Recebe a bênção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos: “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!”
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Q3854156 Literatura
A dedicatória “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver” abre o romance _______________________, de ________________, marco inicial do _________________ brasileiro.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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Q3853145 Literatura
A relação entre arte e sociedade é tema recorrente nos estudos culturais contemporâneos. No campo da literatura, a poesia tem passado por transformações significativas ao longo do tempo, acompanhando as mudanças sociais e culturais de cada período. Especialistas apontam que vivemos em uma sociedade caracterizada pela provisoriedade das instituições, paixões e crenças, com uma vivência multifacetada e fragmentada, o que alguns pensadores denominam "modernidade líquida". Nesse contexto, a arte poética contemporânea captura essa sensibilidade em constante mutação. Considerando os debates sobre o espaço da poesia na sociedade contemporânea, analise as afirmativas a seguir:

I.O rap e os slams são reconhecidos como formas de poesia da atualidade, por vezes apropriando-se de recursos da tradição poética para responder ao momento presente.
II.As formas poéticas clássicas, como o soneto e a ode, constituem um arcabouço formal que pode receber conteúdo e visão contemporâneos, não sendo necessário abandoná-las.
III.As vanguardas artísticas do início do século XX buscaram preservar o lugar nobre da poesia, reforçando os padrões estéticos tradicionais herdados do Romantismo.

É correto o que se afirma em:
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Q3850988 Literatura

Leia o poema abaixo, de Manuel Bandeira, integrante da poesia modernista brasileira.


TEXTO II


Poema tirado de uma notícia de jornal [Manuel Bandeira]


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão [sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


[Libertinagem, 1930]

O poema “Poema tirado de uma notícia de jornal” (1930), de Manuel Bandeira, integra o Modernismo brasileiro e apresenta características que rompem com modelos estéticos anteriores. Considerando os paradigmas literários do século XX, o texto revela: 
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Q3826873 Literatura
Com relação ao Barroco e ao Arcadismo no Brasil, assinale a afirmação que diferencia, com clareza, procedimentos estéticos e valores.
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Q3826865 Literatura
Com relação a Trovadorismo, Humanismo e Classicismo na tradição portuguesa, assinale a afirmativa que distingue, com precisão, poéticas e contextos.
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Q3813444 Literatura
Um professor de PEB II propõe uma atividade de leitura comparada entre um excerto do romance O Guarani (1857), de José de Alencar, e um trecho do poema I-Juca Pirama (1851), de Gonçalves Dias. O objetivo é discutir as diferentes representações do indígena no "nacionalismo literário" do Romantismo brasileiro. Uma análise crítica a ser estimulada pelo professor, fugindo da superficialidade, deve conduzir os alunos à percepção de que:
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Q3806916 Literatura

O Brasil e o Estado da Paraíba possuem expressivas manifestações artísticas e literárias que dialogam com momentos específicos da história nacional.


Sobre essas manifestações artísticas e literárias, assinale a alternativa CORRETA: 

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Q3806858 Literatura

Para a questão, considere o texto “Aniversário”, de Álvaro de Campos:



Aniversário



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu era feliz e ninguém estava morto.


Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,


E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,


Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,


De ser inteligente para entre a família,


E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.


Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.


Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,


O que fui de coração e parentesco.


O que fui de serões de meia-província,


O que fui de amarem-me e eu ser menino,


O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…


A que distância!…


(Nem o acho…) O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!



O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,


Pondo grelado nas paredes…


O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),


O que eu sou hoje é terem vendido a casa,


É terem morrido todos,


É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…


Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!


Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,


Por uma viagem metafísica e carnal,


Com uma dualidade de eu para mim…


Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…


A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,


com mais copos,


O aparador com muitas coisas: doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado,


As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…



Para, meu coração!


Não penses! Deixa o pensar na cabeça!


Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!


Hoje já não faço anos.


Duro.


Somam-se-me dias.


Serei velho quando o for.


Mais nada.


Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…



O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

O poema “Aniversário”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, apresenta uma reflexão sobre a experiência do tempo e a memória da infância. Considerando a poética de Campos, assinale a alternativa que melhor expressa a ideia central do poema.
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Q3806857 Literatura
Para a questão, considere o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha abaixo:


       “Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!

[...]

          Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos — terra que nos parecia muito extensa.

        Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, darse-á nela tudo; por causa das águas que tem!

        Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!”


(Caminha, P. V. (1500). Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel. In: Cartas de Achamento do Brasil. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000099.pdf. Acesso em: 24 out. 2025.)
Considerando o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha e os pressupostos discursivos do Quinhentismo no Brasil, particularmente no âmbito da escrita informativa e catequética que caracteriza a literatura de viagem, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação crítica coerente com o contexto ideológico e estético do documento.
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Q3804305 Literatura
Leia o texto abaixo para responder à questão:


O perigo de se apegar a animais de estimação, segundo a psicologia


    Um estudo desenvolvido por estudantes de psicologia da PUC-RS relaciona o apego excessivo a animais de estimação a riscos psicológicos como neuroticismo, depressão, ansiedade e uma maior vulnerabilidade emocional.
    De acordo com a pesquisa, realizada com mais de 2,6 mil usuários em uma pesquisa conduzida de forma remota, “gostar demais” dos animais de estimação, como cães e gatos, costuma estar relacionado a uma tendência de substituição de relações humanas próximas por elos familiares com pets, chamados de “vínculos ultrafusionalmente dependentes”.
    Esse quadro pode acentuar sintomas depressivos e a ansiedade, além de promover o isolamento social, indicam os pesquisadores. Situações de alerta podem envolver hábitos como dormir frequentemente ou diariamente com o pet na cama, tratá-lo de forma excessivamente “humanizada” e reduzir interações sociais para passar mais tempo com os bichinhos, diz a pesquisa.
    A relação assimétrica também contribui com comportamentos neuróticos e com o encobrimento de problemas interpessoais nos donos, que costumam “transferir” funções psicológicas fornecidas por relações humanas ao animal.
    Mas os sintomas não são só humanos: o apego ansioso com os animais pode se manifestar comportamentalmente nos próprios bichinhos, que desenvolvem síndromes ansiosas, como a do abandono, ao serem deixados sozinhos por longos períodos de tempo. Chamada “síndrome da ausência do dono”, esse fenômeno tem origem na “dependência extrema” do contato humano.
    Enquanto vínculos equilibrados tendem a melhorar o bem-estar humano e a promover situações de mais extroversão e sociabilidade, os vínculos ansiosos e a preocupação excessiva com os pets aumentam o risco de depressão.
    De acordo com um relatório desenvolvido na França, Baromètre Facco-Odoxa 2024, até 85% dos donos de pets do país consideram que seus animais de estimação melhoram sua saúde mental, mas cerca de 26% admitem ser “emocionalmente dependentes” deles.
    Isso significa que mesmo eventos naturais, como uma viagem ou, mais grave, a eventual morte dos bichinhos, podem ser traumáticos e difíceis de serem superados pelos donos mais ansiosos, que praticam essa espécie de “hiperapego”.
    De acordo com o relatório, alguns sinais devem ser observados no caso de uma socialização desequilibrada com os animais:

    • Você não suporta a ideia de deixar seu animal de estimação, mesmo que por algumas horas.
    • Você reduziu suas interações sociais para ficar com ele.
    • Você sente angústia emocional só de pensar que ele pode envelhecer ou morrer.
    • Você fala mais com seu animal de estimação do que com as pessoas ao seu redor.
    • Você o humaniza a ponto de lhe dar emoções ou responsabilidades que não lhe pertencem.

(SILVA. Anne. https://www.msn.com/pt-br/saude/other/o-perigo-de-se-apegar-a-animais-de-estimação)
O texto apresenta análise científica e descrição de comportamentos humanos em interação com animais. Com base nessas características, assinale a alternativa que indica a escola literária mais próxima ao estilo do texto.
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Q3798093 Literatura
Amâncio, um jovem maranhense, vem para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Hospeda-se na casa de um amigo da família. Sua vida boêmia e o interesse que desperta na mulher do dono da casa levam-no a mudar-se para a Pensão de João Coqueiro. Lá acaba envolvido por Amélia, irmã do proprietário da pensão. Este passa a explorar a irmã, fingindo ignorar o romance com o hóspede, até que ele acaba por assassinar Amâncio.

Estamos discorrendo a obra:
Alternativas
Respostas
121: E
122: D
123: A
124: E
125: B
126: C
127: E
128: C
129: A
130: C
131: D
132: C
133: C
134: C
135: B
136: D
137: A
138: B
139: B
140: A