A leitura de Fábula de um arquiteto, associada ao conjunto ...

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Q3917368 Literatura
Texto 4.
Fábula de um arquiteto


A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.


João Cabral de Melo Neto (1966)
A leitura de Fábula de um arquiteto, associada ao conjunto da obra de João Cabral de Melo Neto, permite afirmar que o poeta se insere na lírica moderna brasileira por
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O decisivo era perceber que o poema explora o campo da construção para caracterizar a criação poética, em contraste com subjetivismo ou hermetismo. Isso aponta para a alternativa C.

Tema central: poesia como construção
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a estética romântica se apoia na centralidade da subjetividade, da idealização e da expressão emotiva, enquanto a base caracteriza João Cabral pela racionalidade compositiva e pela contenção. O critério aqui é a incompatibilidade entre romantismo e construção objetiva/rigorosa.
B
Errada
Está errada porque a base afirma expressamente que João Cabral recusa o espontaneísmo emocional e o sentimentalismo como eixo organizador. Portanto, não se pode dizer que o texto se estrutura pelo fluxo emocional.
C
Certa
A correta é a C porque o poema apresenta a criação como trabalho de arquitetura, e a base indica que, em João Cabral de Melo Neto, essa imagem remete à elaboração formal controlada, ao cálculo e à precisão. O traço cobrado é a concepção do poema como objeto construído.
D
Errada
Está errada porque a questão cobra como traço central o rigor construtivo, não o hermetismo. Além disso, a base registra que a densidade formal do poema não autoriza concluir que sua estratégia principal seja afastar o leitor.
E
Errada
Está errada porque desloca a resposta para uma formulação genérica sobre arte e realidade social, sem identificar o traço específico exigido pela questão. A base é clara ao dizer que o ponto decisivo não é a autonomia da arte, mas a noção de construção rigorosa; além disso, a obra mantém vinculação com o mundo concreto e social.
Pegadinha da questão
A confusão real era tomar a imagem do arquiteto apenas como tema ou trocar rigor formal por hermetismo, quando ela funciona como chave metapoética da construção do poema.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão relacionar um poema de João Cabral ao conjunto de sua obra, procure primeiro marcas de composição racional, contenção subjetiva e elaboração formal.
  • Se o texto insistir em imagens de construir, projetar, estruturar ou arquitetar, verifique se isso funciona como metalinguagem da própria criação poética.
  • Não confunda poesia moderna com derramamento emocional: em João Cabral, o critério distintivo é frequentemente o anti-confessionalismo construtivo.
  • Desconfie de alternativas genéricas sobre arte, sociedade ou dificuldade de leitura quando a questão pede um traço específico de poética autoral.

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