Questões de Concurso
Comentadas sobre barroco em literatura
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Na poesia lírica de Gregório de Matos, vigoram elementos cultistas e conceptistas próprios do Barroco espanhol, como os jogos de palavras e a antítese, enquanto, na forma satírica, predominam a denúncia, a ironia e a caricatura da vida brasileira da época.
Considerando que, durante o Barroco, os poetas escreviam praticamente para si mesmos e que, no Arcadismo, a intenção é divulgar as ideias em textos acessíveis ao maior número de leitores, identifique as características desses estilos, listadas a seguir, escrevendo (1) para as características do Barroco e (2) para as características do Arcadismo.
( ) Volta à Idade Média.
( ) Volta ao Renascimento.
( ) Autêntico, ainda que paradoxal.
( ) Celeste, espiritual, místico.
( ) Campestre, pastoril, bucólico.
( ) Todo conhecimento vem da experiência e da reflexão.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
Atente para o que se afirma a seguir sobre o cenário social e político onde se situa a literatura barroca.
I. No início das manifestações barrocas, o Brasil vivia na fase da exploração do ouro, razão pela qual os principais centros urbanos estavam localizados nas regiões ricas em ouro.
II. Como a vida econômica da colônia estava concentrada no Nordeste, explica ser essa a região onde se encontravam os principais artistas e escritores, inclusive por Salvador ser a Capital do Brasil de 1549 até 1763.
III. O olhar crítico de Gregório de Matos revela os aspectos negativos da vida na Bahia e em Minas Gerais nos fins do século XVII. Denuncia com irreverência, a corrupção econômica dos políticos e a corrupção moral dos padres e das freiras.
É correto o que se afirma em
No que diz respeito ao Barroco no Brasil, escreva V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.
( ) O marco inicial da literatura barroca brasileira é o surgimento do poema “Prosopopeia”, escrito por Botelho de Oliveira em 1601.
( ) Durante a vigência da estética barroca, importada diretamente da Espanha, nessa altura dominando Portugal, e dos poetas portugueses do século XVI, cultivam-se a poesia, a historiografia, a literatura doutrinária ou de informação da terra e a oratória.
( ) Os principais escritores barrocos em língua portuguesa no Brasil são Botelho de Oliveira, Bento Teixeira, Gregório de matos e Frei Manuel de Santa Maria Itaparica.
( ) Como manifestação coletiva do Barroco, mostrando já uma certa estruturação da vida intelectual, surgiram as Academias, que eram grêmios literários ou eruditos, inspirados em modelos portugueses.
A sequência correta, de cima para baixo, é
No Brasil, o maior poeta barroco foi Gregório de Matos (1623-1696). Sua poesia suscita interesse tanto por ser um documento da vida social, política, religiosa e cultural do Brasil seiscentista, quanto pelo seu valor literário. Sendo assim, assinale quais são esses traços que caracterizam a sua poesia e que promovem nos leitores esse duplo interesse?
1) Os seus versos satirizam os seus desafetos pessoais e políticos.
2) Os seus versos passam ao largo de qualquer crítica social e política.
3) Muitos dos seus versos revelam um poeta religioso e devoto.
4) Os seus versos satirizavam os mestiços e a elite branca.
5) Toda a sua obra poética é escrita em sonetos.
Estão corretas apenas:
( ) O homem barroco poderá, ou assumir uma atitude estoica perante a vida ou adotar um comportamento epicurista, de liberdade, de carpe diem, aproveitando o presente, livre de compromissos. ( ) Os temas são aqueles que refletem os estados de tensão da alma humana, tais como vida e morte, matéria e espírito, amor platônico e amor carnal, pecado e perdão. ( ) Visando a ampliar e a acentuar o sentido trágico desses temas, os autores utilizam uma linguagem de fácil acesso e entendimento, não havendo rebuscamentos ou figuras de linguagem.
Assinale a alternativa que traga, de cima para baixo, a sequência correta.
Considere os excertos:
(I)
[...] no Brasil, contribuiu de maneira importante pelo fato de ter dado posição privilegiada ao meio e à raça como forças determinantes. Ora, meio e raça eram conceitos que correspondiam a problemas reais e a obsessões profundas, pesando nas concepções dos intelectuais e constituindo uma força impositiva em virtude das teorias científicas do momento [...].
Fonte: CANDIDO, A. O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993. p. 152.
(II)
[...] o homem ocidental não mais se conformava em abrir mão das virtualidades da vida terrena que o humanismo [...] e o alargamento espacial da Terra lhe revelaram. Por isso, o conflito entre o ideal de fuga e renúncia do mundo e as atrações e solicitações terrenas. Diante do dilema, em vez da impossível destruição, tentou a conciliação, a incorporação, a absorção.
Fonte: COUTINHO, A. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1990. p. 99.
(III)
[...] A interação familiar, a educação da infância, as relações homem-mulher e homem-paisagem, a vida em sociedade, as instituições políticas e religiosas, tudo vai mudando de imagem e de significado no nível da consciência. Estilhaça-se o espelho em que esta reflete e prolonga a cultura recebida. E os cacos, ainda não rejuntados por uma nova ideologia explícita, vão-se dispondo em mosaico quando os apanha o andamento de uma prosa solta, rápida, impressionista.
Fonte: BOSI, A. Céu, inferno. São Paulo: Duas Cidades, 2010. p. 212-213.
(IV)
A fluência ardorosa do tempo, o gosto pelo nebuloso e antigo, a busca de consolidação da identidade nacional, o rosto pátrio, a afirmação de seus primeiros habitantes, [...], o uso da canção de verso breve, o folhetim, a comédia, certa tendência declamatória e a exploração fremente do sentimento sobre a razão.
Fonte: NEJAR, C. História da literatura brasileira: da carta de Caminha aos contemporâneos. São Paulo: Leya, 2011. p. 93.
Tendo em vista os estilos de época da literatura brasileira, os excertos destacados abordam,
respectivamente,
Texto 10A2AAA
Na obra satírica de Gregório de Matos, não há o ânimo documentário ou a transfiguração hiperbólica, mas o flagrante expressivo até a caricatura, o ataque se elevando a denúncia, a ironia alegre ombreando com a revolta amarga, em contraste com a transfiguração eufórica de outros autores do tempo, em relação aos quais a sua poesia satírica aparece como contracorrente desmistificadora. Ele desdenha as aparências do mundo e desvenda a sua iniquidade, com um pessimismo realista que não hesita em entrar pela obscenidade e a crueza da vida do sexo. Poucos foram tão fundo nos aspectos considerados baixos, que ele trata com uma espécie de ímpeto justiceiro, que forra de inesperado moralismo as suas diatribes. Através da sua obra de rebelde apaixonado, transparece a irregularidade do mundo brasileiro de então, com uma sociedade em que o branco brutalizava o índio e o negro, as autoridades prevaricavam, os clérigos pecavam a valer e a virtude parecia às vezes uma farsa difícil de representar.
Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes.
São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999, p. 24-5 (com adaptações)
O que primeiro chama a atenção na ficção de Machado de Assis é a despreocupação com as modas dominantes e o aparente arcaísmo da técnica. No momento em que Flaubert sistematizava a teoria do “romance que narra a si próprio”, apagando o narrador atrás da objetividade da narrativa, ou no momento em que Zola preconizava o inventário maciço da realidade, observada nos menores detalhes, Machado cultivava livremente o elíptico, o incompleto, o fragmentário, intervindo na narrativa com bisbilhotice saborosa, lembrando que atrás dela estava a voz convencional. Era uma forma de manter, na segunda metade do século XIX, o tom caprichoso de Stern (1713 – 1738), que ele prezava; de efetuar os seus saltos temporais e brincar com o leitor. Era também um eco do conte philosophique, à maneira de Voltaire (1694 – 1778), e era, sobretudo, o seu modo próprio de deixar as coisas meio no ar, inclusive criando certas perplexidades não resolvidas.
Antonio Candido. Esquema de Machado de Assis. In: Vários Escritos. 3.ª ed. São Paulo: Duas Cidades, 1995 (com adaptações)
Considerando as ideias do texto precedente e a relação desse texto com a historiografia literária brasileira, julgue o seguinte item.
O modo não realista da produção de Machado de Assis
aproxima sua obra à estética barroca.
Assinale a alternativa que corresponde ao período literário do referido romance.
Texto 3
Uma vez determinado e conhecido o fim, o gênero se apresenta naturalmente. Até aqui, como só se procurava fazer uma obra segundo a Arte, imitar era o meio indicado: fingida era a inspiração, e artificial o entusiasmo. Desprezavam os poetas a consideração se a Mitologia podia, ou não, influir sobre nós. Contanto que dissessem que as Musas do Hélicon os inspiravam, que Febo guiava seu carro puxado pela quadriga, que a Aurora abria as portas do Oriente com seus dedos de rosas, e outras tais e quejandas imagens tão usadas, cuidavam que tudo tinham feito, e que com Homero emparelhavam; como se pudesse parecer belo quem achasse algum velho manto grego, e com ele se cobrisse! Antigos e safados ornamentos, de que todos se servem, a ninguém honram.
(GONÇALVES DE MAGALHÃES. “Suspiros poéticos e saudades” In CANDIDO, Antônio e CASTELLO, J. Aderaldo. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: DIFEL, 1976, p. 219.)
No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano.
Na segunda metade do século XVIII, porém, o ciclo do ouro já daria um substrato material à arquitetura, à escultura, à literatura e à vida musical, de sorte que parece lícito falar de um "Barroco brasileiro" e, até mesmo, "mineiro", cujos exemplos mais significativos foram alguns trabalhos do Aleijadinho, de Manuel da Costa Ataíde e composições sacras de Lobo de Mesquita, Marcos Coelho e outros ainda mal identificados. Sem entrar no mérito destas obras, pois só a análise interna poderia informar sobre o seu grau de originalidade, importa lembrar que a poesia coetânea delas já não é, senão residualmente, barroca, mas rococó, arcádica e neoclássica, havendo, portanto uma discronia entre as formas expressivas, fenômeno que pode ser variavelmente explicado.
(BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2000, pp.34-35)
Do texto, infere-se sobre o “Barroco mineiro” que a partir da
Aos principais da Bahia chamados os Caramurus
Há coisa como ver um Paiaiá1
Mui prezado de ser Caramuru,
Descendente do sangue tatu,
Cujo torpe idioma é Cobepá2?
A linha feminina é Carimá3
Muqueca, pititinga4, caruru,
Mingau de puba, vinho de caju
Pisado num pilão de Pirajá.
A masculina é um Aricobé5,
Cuja filha Cobé6, c’um branco Pai
Dormiu no promontório de Passé.
O branco é um Marau que veio aqui:
Ela é uma índia de Maré;
Cobepá, Aricobé, Cobé, Pai.
(MATOS, Gregório. Poemas escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix, 1976, p. 100)
Vocabulário:
1 Paiaiá − Pajé.
2 Cobepá − dialeto da tribo cobé, que habitava as cercanias da cidade.
3 Carimá − bolo feito de mandioca-puba, posta de molho, utilizada para mingau.
4 Pititinga − espécie de peixes pequeninos.
5 Aricobé − cobé (nome de uma tribo de índios progenitores do Paiaiá, a que se refere o poeta).
6 Cobé − palavra que Gregório empregava para designar os descendentes dos indígenas, pois no seu tempo o termo tupi não estava generalizado.
(Referência do vocabulário: SANTOS, Luzia Aparecida Oliva dos. O percurso da indianidade
na literatura brasileira: matizes da figuração. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009, p. 303)
Considere o soneto para analisar as afirmativas abaixo.
I. O soneto possui características marcantes no uso dos termos da língua indígena: de um lado, a inserção do léxico tupi metaforiza uma linha constitutiva da cultura brasileira resgatando a presença do índio; de outro, o eixo alto versus baixo, que desmascara a figura do caramuru, mestiço.
II. O soneto obedece ao molde europeu no tocante à forma, mas amplia sua configuração ao inserir o universo linguístico pertencente ao nativo. Com esse recurso, o efeito do poema tira as amarras da seriedade para estabelecer o vinco principal da satírica gregoriana no que lhe compete a agressão às instituições e seus representantes pelo viés lúdico, trocando a convenção pela contestação.
III. As expressões “Descendente do sangue tatu (v.3)” e “Cujo torpe idioma é cobepá? (v.4)” assumem a duplicidade de função em seu significado por estarem indissoluvelmente ligadas aos elementos caracterizadores de ambas as culturas: o fidalgo possui “sangue de tatu” e seu idioma é “torpe”, “cobepá”.
IV. O último verso revela que a verdadeira origem dos principais da Bahia está na nobreza de sangue azul dos europeus. Como se pode notar, o nome Paiaiá, representante nato do sangue indígena, não é colocado entre os que nomeiam simbolicamente os descendentes.
Está correto o que se afirma APENAS em