Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da linguística em linguística
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“A língua não é senão possibilidade de língua. Depois da enunciação, a língua é efetuada em uma instância do discurso, que emana de um locutor, forma sonora que atinge um ouvinte e que suscita uma outra enunciação de retorno. [...] A referência é parte integrante da enunciação.” (Benveniste, E. Problemas de Linguística Geral II. 2 ed. Campinas: Pontes Editores, 2006, p. 83-84).
Em conformidade com essa concepção, assinalar a alternativa CORRETA.
I.Usar a linguagem, refletindo sobre os recursos expressivos da língua nas diferentes situações de comunicação.
II.Reconhecer e utilizar as marcas características de gêneros discursivos escolares, aprimorando os conhecimentos na produção desses gêneros e ampliando o repertório acadêmico, que refletirá nas outras disciplinas.
III.Refletir sobre os recursos linguísticos utilizados na construção do próprio discurso em diferentes situações interação, encontrando a melhor forma de dizer algo a outrem para ser compreendido.
IV.Analisar a linguagem com a finalidade de construir noções e/ou conceitos linguísticos (metalinguagem).
É objetivo da análise linguística no ensino de Língua Portuguesa o que se afirma em:
TEXTO 1
A concepção de linguagem e de gramática que agora consideramos tem bases fortemente humanistas: todo homem, sejam quais forem suas condições, nasce dotado de uma faculdade da linguagem como parte de sua própria capacidade e dignidade humanas. Mesmo que restem muitos pontos obscuros quanto à natureza e à extensão dessa faculdade, isso significa que, sem distinção, todas as crianças desenvolvem uma gramática interna.
Fica excluída, assim, toda valoração de uma língua ou modalidade de língua em relação a outra e qualquer forma de discriminação preconceituosa da modalidade popular.
Não faz sentido contrapor uma linguagem erudita a uma linguagem vulgar, nem tentar substituir uma pela outra. Trata- -se de levar a criança a dominar uma outra linguagem, por razões culturais, sociais e políticas bastante justificáveis.
FRANCHI, C. Mas o que é mesmo gramática?.
São Paulo: Parábola, 2006 (adaptado).
TEXTO 2
Franchi (2006) apresenta a seguinte reflexão de uma professora acerca de uma redação contendo desvios normativos: “esse aluno escreve como fala. E isso a gente pode ver na grafia e nos erros de concordância. Eu não aceito essa onda de que não tem mais certo e errado. A redação fica horrível nessa linguagem vulgar. Há regras e normas para tudo e as crianças têm que aprender a escrever de acordo com o que foi estabelecido pelos bons escritores e pelos que conhecem a língua. O aluno tem direito de conhecer as belezas da sua própria língua.”
Um professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio elaborou um plano de aula cujo fragmento pode ser lido a seguir.
Plano de Aula
Tema: Explorando a ordem das palavras no português
Série: 2ª série do Ensino Médio
Componente Curricular: Língua Portuguesa
Conteúdo: Sujeito – Verbo – Objeto (SVO) no português brasileiro
Objetivo: Reconhecer a ordem preferencial dos constituintes Sujeito – Verbo – Objeto (SVO) no português brasileiro
Metodologia:
• Exploração dos conhecimentos prévios dos estudantes sobre o assunto.
• Leitura de exemplos: “carta eu uma escrevi.”; “comprou minha pão mãe o.”; “bola chutou a Pedro.”; e “aposta ela uma fez.”
• Debate sobre a posição dos constituintes Sujeito – Verbo – Objeto (SVO) no português brasileiro com base nos exemplos citados.
• Reflexão sobre a ordem das palavras a partir dos exemplos apresentados pelo professor.
• Reconhecimento da ordem preferencial da estrutura oracional do português brasileiro, reorganizando os exemplos no quadro.
Durante a execução do plano, o professor explicou: “No português brasileiro, a ordem mais comum dos constituintes é Sujeito – Verbo – Objeto (SVO). Vocês se lembram desses termos estudados nas aulas anteriores? Geralmente, colocamos o sujeito primeiro, depois o verbo e, por fim, o objeto. Essa organização é tão comum que remete a estruturas linguísticas fundamentais internalizadas na cognição do falante do português brasileiro. Quando alteramos essa ordem, a frase pode parecer confusa ou estranha. Isso mostra que o conhecimento da estrutura SVO faz parte do modo como usamos o português brasileiro, sem precisar pensar nela conscientemente”.
Considerando os principais marcos, assinale a alternativa que apresenta a sequência cronológica correta desses processos.
Leia o fragmento: “A língua é um sistema, mas o sistema não vive sem os falantes; o sujeito não é apenas usuário, é também produtor de sentidos e de história.” (GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula, 2015).
À luz das concepções de linguagem (estruturalista, sociolinguística e enunciativa), qual alternativa corresponde à perspectiva predominante nas diretrizes curriculares contemporâneas?
Considerando a teoria saussuriana, assinale a alternativa que melhor exemplifica o funcionamento do signo na publicidade.
I – O Eixo da Análise Linguística/Semiótica envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção de textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido.
II –As formas de composição dos textos dizem respeito à coesão, coerência e organização da progressão temática dos textos, influenciadas pela organização típica (forma de composição) do gênero em questão.
I. A produtividade/criatividade é a propriedade que permite a construção e interpretação de novos enunciados. A libras permite que seus usuários construam e compreendam um número indefinido de enunciados.
II. A flexibilidade/versatilidade é a propriedade que permite utilizar a língua para executar comandos, fazer perguntas, demonstrar emoções, fazer referências temporais. As línguas de sinais são sistemas de comunicação flexíveis.
III. As variações linguísticas são atributos das línguas orais. De modo geral, nas línguas de sinais, as variações linguísticas são raras.
IV. A criatividade é uma propriedade que possibilita aos falantes se referirem a elementos temporais ou permitem se reportar a situações do passado ou do futuro para produzirem variações linguísticas no momento da interação.
Assinale a alternativa em que constam a sequência de respostas CORRETAS.
À luz da linguística funcionalista e da gramática tradicional normativa, analise as proposições a seguir, considerando a articulação entre estrutura gramatical e função textual dos elementos linguísticos.
I. O uso do pronome "se" como índice de indeterminação do sujeito reflete, sob o ponto de vista funcional, uma estratégia de apagamento do agente da ação, alinhando-se a efeitos discursivos de impessoalidade.
II. A elipse de termos sintáticos em estruturas coordenadas pode ser compreendida, funcionalmente, como um mecanismo de economia textual e de progressão temática, sem que haja comprometimento da coesão sequencial.
III. A ordem direta dos constituintes frasais é um traço distintivo do português brasileiro contemporâneo, sendo preferida não apenas por convenção normativa, mas principalmente por sua funcionalidade na organização informacional da sentença.
IV. A preposição, por sua natureza relacional, possui papel essencialmente estrutural, e não pode ser interpretada sob nenhuma hipótese como elemento funcional dentro da progressão argumentativa de um texto.
Está correto o que se afirma em:
Assinale o termo que, corretamente, substitui o asterisco.
Para a teoria chomskyana, a competência linguística deriva de princípios inatos comuns a todas as línguas, denominados __________, que fornecem a base estrutural sobre a qual as variações linguísticas particulares se manifestam.
Inf: /.../ porque eu acho... eu não estou de acordo com isto – ... eu não andei pixando muito Lévi-Strauss para vocês porque senão... vocês não conhecem mas eu há anos que eu... me bato contra o estruturalismo – ... em todo o caso... neste nível de análise... eu creio que nós podemos utilizarmos desta reflexão...
(Ingedore Grunfeld Villaça Koch,. Desvendando os segredos do texto. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2018)
O texto apresentado é uma transcrição de uma fala. Com base em Koch e Elias (2008), uma característica da fala flagrante nele é:
I. A pragmática inclui o exame de fenômenos como pressuposição, implícitos e atos de fala, que influenciam a interpretação textual.
II. A compreensão pragmática independe do contexto, pois decorre exclusivamente da estrutura gramatical e lexical da frase.
III. No ensino de leitura, a perspectiva semântico-pragmática permite desenvolver a competência de inferir sentidos não explícitos a partir de pistas textuais e situacionais.
IV. A análise pragmática desconsidera elementos extralinguísticos, pois seu foco é restrito ao enunciado enquanto estrutura formal.
Quais estão corretas?