Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da linguística em linguística
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Analise as afirmações a seguir e marque aquela que representa uma assertiva incorreta.
Ensinar língua materna com foco no ensino da gramática demanda atentar-se ao fato de que há diferentes tipos de gramática. Assim, cada tipo específico de gramática que é trabalhado em sala de aula resulta em atividades distintas e atendem a objetivos diferentes de ensino. Sobre os diferentes tipos de gramática, relacione as colunas a seguir e assinale a alternativa que representa a sequência correta.
(1) Gramática histórica
(2) Gramática gerativa
(3) Gramática cognitivo-funcional
(4) Gramática tradicional
( ) Surge a partir dos estudos de Chomsky na década de 50. Ela analisa a estrutura gramatical das línguas, percebendo a linguagem como reflexo de um conjunto de princípios inatos.
( ) Amplia o escopo dos estudos linguísticos para além da estrutura, incluindo também o evento de fala. Ela analisa a estrutura gramatical e também a situação de comunicação.
( ) Também chamada de gramática normativa, é comumente utilizada nas escolas e dedica-se ao estudo da norma culta de uma língua.
( ) Volta-se para o estudo da sequência de fases evolutivas de uma língua, portanto acompanha as fases de desenvolvimento de uma língua desde sua origem.
Assinale a alternativa que corresponde a uma afirmativa correta.
Como e por que as línguas mudam
Segundo Saussure, a língua possui duas características aparentemente contraditórias entre si: a imutabilidade e a mutabilidade. Para ele, a língua é dada aos falantes como uma realidade que nenhum indivíduo pode transformar por sua própria vontade; a língua é fruto de uma convenção social, e mudá-la exigiria o consenso social. Além disso, é uma instituição herdada de gerações anteriores e não um contrato firmado entre os falantes no presente. Saussure insiste na arbitrariedade dos signos linguísticos (as palavras) como uma escolha e, ao mesmo tempo, uma coerção. Por outro lado, a mutabilidade dos signos – e, portanto, da língua – está ligada à própria inconsciência que os falantes têm das leis que regem o sistema, assim como à própria tensão entre a língua como bem social e os atos de fala individuais, com seu caráter particular e transitório.
Mas, se a língua é produtora e produto da cultura, a diversidade cultural é causa da diversidade linguística e vice-versa. Além da mudança temporal, decorrente da evolução histórica, há também a diversidade geográfica, em que os diferentes habitats condicionam diferentes formas de cultura. Assim, a separação dos grupamentos humanos no tempo e no espaço conduz à sua diferenciação. Mais ainda, em sociedades complexas e extremamente heterogêneas como as pós-industriais, estratificadas pela organização política e a especialização das atividades econômicas, a classe social, o grupo profissional e a própria situação de comunicação levam à diferenciação.
Existem, portanto, quatro fatores responsáveis pela mudança linguística: o tempo histórico, o espaço geográfico, a divisão das classes sociais e a variedade das situações de discurso, entendidas como os diferentes ambientes sociais, ligados às diversas práticas profissionais, religiosas, recreativas, culturais, etc., que condicionam diferentes formas de expressão do pensamento (isto é, diferentes escolhas de vocabulário e construção sintática), como é o caso dos discursos científico, político, jurídico, jornalístico, publicitário, dos jargões e das gírias específicas de cada grupo social (os médicos, os economistas, os surfistas...).
Na mudança histórica, o aspecto que mais chama a atenção é a mutação fonética. A alteração da pronúncia ao longo do tempo pode, muitas vezes, ser mascarada pela grafia: o português cozer era pronunciado na Idade Média como codzer, distinguindo-se perfeitamente de seu hoje homófono coser. Uma alteração de pronúncia pode implicar mudança no sistema de sons distintivos da língua, os fonemas, pelo acréscimo, supressão ou reorganização das relações entre as unidades. Uma mudança ao nível dos fonemas pode, por sua vez, acarretar alterações em categorias morfológicas, como no caso da flexão de número em latim. Frequentemente, a mudança histórica se dá não apenas na pronúncia, mas também no significado. É assim que muitas palavras, independentemente da conservação ou mutação de sua forma fonética ou gráfica, adquirem novos significados, podendo manter ou não os antigos. Finalmente, novas palavras são introduzidas na língua, fruto de criação interna ou de empréstimo, enquanto outras caem em desuso e desaparecem.
A mudança espacial é resultado da diferente evolução temporal da língua em comunidades linguísticas separadas geograficamente. A distância geográfica, responsável pela falta de comunicação entre dois grupos de falantes de uma mesma língua, produz em cada um dos grupos uma evolução histórica independente, que, a longo prazo, poderá resultar na não intercompreensão entre os grupos. As migrações humanas também são outro fator que conspira a favor da mudança espacial. Ocorre assim o fenômeno da dialetação, que pode, com o tempo, fazer surgirem novas línguas.
A separação entre classes sociais, tanto do ponto de vista físico quanto em termos do modo de vida, faz com que indivíduos pertencentes a classes sociais distintas se expressem de formas diferentes e reproduzam visões de mundo parcialmente diversas. Surgem então os socioletos, ou formas de expressão particulares de cada classe social. Finalmente, os diferentes grupos sociais (grupos profissionais, religiosos, etários, etc.) existentes numa sociedade complexa tendem a produzir discursos privativos desses grupos. Temos aí os vários idioletos e tecnoletos de uma sociedade.
(Aldo Bizzocchi – Revista Língua Portuguesa – Editora Escala. Adaptado.)
Segundo Saussure,
I. A transformação de uma língua – como ocorreu no latim, que gerou as línguas neolatinas, ou românicas – provoca sua morte.
II. Outro fato que provoca a morte de uma língua é a pressão para que ela deixe de ser praticada, impulsionada pelas relações impostas pela globalização.
III. Ainda provocam a morte de uma língua os empréstimos linguísticos que favorecem o enriquecimento vocabular de determinadas manifestações linguísticas.
Está correto apenas o que se afirma em:
O processo tradutório apresenta diferentes conceituações; traduzir designa, especificamente, uma operação de transferência linguística e, de modo geral, qualquer operação de transferência entre códigos ou, inclusive, dentro de códigos. Na visão proposta por Jakobson (1896-1982), são propostas três tipos de tradução. Assinale-as.
Todas as línguas são estruturadas a partir de unidades mínimas que formam unidades mais complexas, ou seja, elas possuem os seguintes níveis linguísticos:
TEXTO III:
Após duas semanas, mineradores chilenos são encontrados vivos
Um total de 33 mineradores presos há mais de duas semanas em uma mina no Chile, após um desmoronamento, disseram estar todos vivos em uma mensagem enviada por meio de uma sonda de perfuração, afirmaram neste domingo autoridades chilenas.
O presidente chileno Sebastián Piñera disse que um pedaço de papel foi amarrado a uma sonda usada pelas equipes de resgate para perfurar até o local onde os mineradores estão localizados. Mas o governante ressaltou que levará meses para tirá-los de lá.
“Os 33 de nós na câmara estão bem,” informou a mensagem, segurada por Piñera na televisão. “Levará meses (para tirá-los de lá). Demorará, mas não importa o quanto demore para termos um final feliz,” afirmou Piñera.
Parentes se abraçaram e se beijaram quando a notícia da mensagem se espalhou pelo lado de fora da entrada da mina, onde eles estão acampados desde o acidente, em 5 de agosto.
(Santiago (Reuters) http://br.reuters.com – 22/08/2010. Com adaptações)
Quanto às estruturas linguísticas e informações expressas no 1º§, pode-se afirmar que: