Questões de Concurso Comentadas sobre história
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LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? (Tradução de Nícia Adan Bonatti). São Paulo: Editora UNESP, 2015. P. 12.
Com base na interpretação do texto sobre periodização e tempo histórico, analise as proposições a seguir:
I. Se a divisão do tempo histórico não é mero recorte cronológico, então a periodização constitui operação interpretativa vinculada a valores e perspectivas historiográficas.
II. Se a periodização é operação interpretativa, então os períodos não são dados naturais, mas construções que expressam determinadas concepções de mudança e continuidade.
III. Se os períodos são construções interpretativas, então toda narrativa histórica é arbitrária e desprovida de compromisso empírico.
IV. Se a sucessão temporal pode envolver rupturas e continuidades, então é possível articular diferentes ritmos temporais, inclusive aqueles associados à longa duração.
V. Se a longa duração relativiza o acontecimento singular, então a reflexão sobre rupturas perde relevância analítica.
SANTOS NETO, Antônio Fonseca. A História nas mãos. Entrevista publicada da Revista Revestrés. Edição 46. Agosto de 2020. Acesso em: 07 fev. 2026.
A partir da análise do texto, é possível identificar uma posição epistemológica que tensiona tanto o positivismo factualista, quanto determinadas vertentes da pós-modernidade. Considerando os debates historiográficos relativos ao estatuto do fato histórico, à renovação metodológica promovida pela Escola dos Annales e às formulações associadas à chamada Nova História, assinale a alternativa que melhor expressa a posição teórica presente no texto acima.
(...)
O olhar que o cinema devolve (ao espectador) atinge status transformador em um sentido hermenêutico. Entende-se que a imagem tem um potencial de perturbação de certezas instituídas que, no entanto, está em latência, precisa ser ativado. Como em uma experiência de intercâmbio que atravessa os tempos, o olho do cinema a partir do passado surge inquirindo o historiador e torna-se capaz de transformar o presente. Inevitavelmente dinâmica, essa relação de olhares cruzados pressupõe uma ação investigativa sempre em movimento, em vias de tornar-se.
SILVA, Jaison Castro. A tessitura insuspeita: cosmopolitismo, cinema nacional e trajetórias do olhar em Walter Hugo Khouri e Luis Sérgio Person (1960-1968). 2014. 812f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Ceará, Programa de Pós-Graduação em História, Fortaleza (CE), 2014.
Para o autor, as relações da história e do cinema:
Sobre esse assunto, assinale a alternativa CORRETA:
HOBSBAWM, Eric. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito, realidade. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
Durante a Idade Moderna, os Estados começaram a se configurar espacial e politicamente e esse processo só se consolidou no século XIX. Sobre o movimento nacionalista do século XIX, julgue os itens e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA.
I. Os envolvidos nos projetos nacionalistas do século XIX resgataram tradições e narrativas do passado para criar um sentimento de identificação entre as populações que eles queriam organizar em um Estado-nação.
II. Os movimentos nacionais europeus surgiram como projetos de pequenas elites intelectuais, antes de ganharem alcance junto aos movimentos de massa.
III. Com o objetivo de aumentar os seus territórios e suas riquezas, os países europeus utilizaram os nacionalismos para legitimar seu expansionismo territorial e comercial.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 21.
No trecho apresentado, Lilia Moritz Schwarcz discute a trajetória de Dom Pedro II a partir de uma narrativa marcada por imagens míticas, religiosas e simbólicas, que se entrelaçam com discursos políticos e ideológicos. Com base na interpretação do texto, é CORRETO afirmar que a autora:
CASTRO, Chico. A Coluna Prestes no Piauí: a república do vintém. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. p.225
Com base nesse episódio sobre a Coluna Prestes, é CORRETO afirmar que:
ORSO, Paulino José. Liberalismo, neoliberalismo e crise estrutural do capital. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 24, n. 1, p. 1–12, 2021.
Com base na citação, assinale a alternativa que melhor expressa a interpretação da crise do liberalismo:
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Com base nessa problemática, assinale a alternativa que melhor expressa o sentido do conceito:
TRAVERSO, Enzo. A história como campo de batalha. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
Em "A história como campo de batalha" (2016), Enzo Traverso problematiza o conceito de totalitarismo, destacando que sua formulação e seus usos não podem ser dissociados das disputas políticas, intelectuais e culturais do século XX, particularmente no contexto do pós-guerra e da Guerra Fria.
Com base no texto acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O conceito de totalitarismo deve ser compreendido como construção histórica, marcada por usos políticos e disputas ideológicas.
II. A categoria de totalitarismo possui caráter universal e descritivo, aplicável de forma neutra a diferentes regimes políticos.
III. As disputas em torno do conceito de totalitarismo revelam conflitos de memória e projetos políticos no século XX.
IV. A crítica de Traverso implica a rejeição do conceito de totalitarismo pela historiografia contemporânea.
Está CORRETO o que se afirma em:
Leia a letra da Cantiga Popular:
Autoria: Autor desconheido Domínio Público / Cultura Popular
Na cultura sertaneja nordestina, especialmente nas regiões marcadas historicamente pela pecuária extensiva, o boi assume centralidade não apenas econômica, mas também simbólica. O verso popular “O meu boi morreu, o que será de mim? Manda buscar outro, oh maninha, lá no Piauí”, quando interpretado à luz da formação histórica e cultural do Piauí, expressa principalmente:
REBOUÇAS, André. Cartas da África – Registro de correspondência, 1891–1893. Org. Hebe Mattos. São Paulo: Chão Editora, 2022. ; GHESTI, Letícia Geraldi. Os Ilustres Irmãos Rebouças. Curitiba: Solar do Rosário, 2022.
À luz da trajetória intelectual e política de André Rebouças e da historiografia sobre o abolicionismo e a crise do Império, sua posição diante da Monarquia e da República pode ser interpretada, de forma historicamente consistente, como:
MORI, Robert. Mundos em transformação: guerras e alianças entre os Jê e os luso-brasileiros nos sertões da América portuguesa – século XVIII. 2020. 247 f. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2020.
Considerando essa dinâmica histórica, assinale a alternativa que melhor expressa a interpretação historiográfica contemporânea sobre a presença indígena no Piauí colonial:
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloísa M. Brasil: uma biografi a. 2 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p.80.
A escravidão era uma prática conhecida em diferentes sociedades muito antes da expansão europeia. Considerando as transformações ocorridas a partir da intervenção europeia no século XV, assinale a alternativa que melhor caracteriza as mudanças no sistema escravista.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. 26 ed. Rio de Janeiro: Record, 2022, p.70-71.
A respeito do tráfico transatlântico de africanos, assinale a alternativa CORRETA:
PRIORE, Mary del. Histórias da gente brasileira: volume I: colônia. Rio de Janeiro: LeYa, 2016. p.83.
Considerando o trabalho sistemático em torno da exploração do açúcar, é CORRETO afirmar que:
PRIORE, Mary del. Histórias da gente brasileira: volume I: colônia. Rio de Janeiro: LeYa, 2016. p.143-144
Considerando esse processo histórico, a expansão territorial da pecuária na Colônia Portuguesa caracterizou-se principalmente por:
“Sob seus diversos nomes e com suas aparências multiformes, o Diabo – Satã e seus demônios – é seguramente uma das fi guras mais importantes do universo do ocidente medieval: encarnação do mal, oponente das forças celestes, tentador dos justos, inspirador dos ímpios e dos pecadores, verdugo dos condenados, ele é onipresente e seu terrível poder se faz sentir em todos os aspectos da vida e das representações mentais medievais.”
GOFF, Jacques Le; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário analítico do Ocidente Medieval. São Paulo: Unesp, 2017. 748 p. 2 v.
Sobre a sociedade medieval e o domínio do pensamento cristão, é CORRETO afirmar que:
“Quando o Egito se encontrava sob a dominação cuxita, a função de grande sacerdotisa (Dewat Neter) do deus Âmon em Tebas era exercida pela filha do rei, o que lhe conferia grande influência econômica e polí tica. Mesmo após a extinçã o do cargo, em consequência da perda do Egito, as mulheres da família real continuaram a ocupar altas posições e a exercer um poder considerável sobre o clero do templo de Âmon em Napata e em outros lugares.(...) A iconografia confirma o elevado status das rainhas-mães. Nas cenas religiosas representadas nas paredes dos templos elas ocupam posições proeminentes, subordinadas apenas ao próprio rei, enquanto nas cenas que ornam as capelas das pirâmides a rainha aparece, por trás do rei falecido, como a principal portadora de oferendas.”
MOKHTAR, Gamal (ed.). História Geral da África: África antiga. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. 1008 (p.304- 305).
A Núbia constituiu-se como um importante elo entre a África Central e o Mediterrâneo. Nesse território, formou-se o Reino de Kush, no qual se destacou o papel feminino na sociedade e na política. Sobre o Reino de Kush, é CORRETO afirmar que:
BLOCH, Marc. Apologia da História ou oficio do historiador. São Paulo: Zahar, 1989.
A reflexão de Marc Bloch evidencia o caráter relacional do conhecimento histórico, que articula passado e presente por meio da análise crítica das fontes e das interpretações. Considerando a construção do conhecimento histórico e as habilidades desenvolvidas pela disciplina de História, assinale a alternativa CORRETA: