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Sobre história do brasil em história
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“De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente”.
(Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001).
Ao referir-se a “esta gente” (fragmento em destaque), o autor do documento objetivava:
Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar a fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo como se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso, é necessário comprar cada ano algumas peças e reparti-las pelos partidos, roças, serrarias e barcas. E porque comumente são de nações diversas, e uns mais boçais que outros e de forças muito diferentes, se há de fazer a repartição com reparo e escolha, e não às cegas.
No Brasil, costumam dizer que para o escravo são necessários PPP, a saber, pau, pão e pano. E, posto que comecem mal, principiando pelo castigo que é o pau, contudo, prouvera a Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer causa pouco provada, ou levantada; e com instrumentos de muito rigor, ainda quando os crimes são certos, de que se não usa nem com os brutos animais...
(Adaptado de: ANTONIL, A. J. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. 3.ed. Belo Horizonte: Itatiaia/Edusp, 1982. p.89. Coleção Reconquista do Brasil. Disponível em: Acesso em: 1 ago. 2012.)
O fragmento acima reflete que a escravidão no Brasil:

(A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia (painel), 1952 , Candido Portinari, Óleo sobre tela, c.i.d. 381,00 cm x 580,00 cm. Disponível em: <https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1977/a-chegada-da-familia-realportuguesa-a-bahia-painel> acesso em: 10 de jul. 2023)
Sobre o evento histórico representado na tela, ocorrido no ano de 1808 e sua relação com o processo de independência do Brasil, ocorrido em 7 de setembro de 1822, pode-se inferir

(Desembarque de Álvares Cabral em 1500. Obra do pintor Oscar Pereira da Silva.)
Ela retrata a chegada dos portugueses no Brasil, em 1500, liderados por Pedro Álvares Cabral, no litoral brasileiro. Sobre a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, assinale a afirmativa correta.
Disponível em: https://www.institutoclaro.org.br/wpcontent/uploads/legado/fckeditor/image/9_12_imagem4..
Considerando a análise da figura acima, é correto afirmar que
“Nos séculos XVIII e XIX, não havia dúvida quanto à hierarquização social que devia traçar uma linha de escala intelectual que começava com os brancos europeus, os indígenas abaixo dos brancos e os negros abaixo de todos os outros (WESOLOWSKI, 2014)”.
GOES, Emanuelle Freitas; SOUSA, Diogo. Raça, Gênero, Etnia e Direitos Humanos. UFBA: Faculdade de Direito. ebook, 2020, p.9.
Com base no excerto acima e no conhecimento acerca do tema, analise as seguintes afirmações:
I. Essa concepção de superioridade de uma etnia sobre as demais, originada de uma ideologia racista, só apareceu após o fim da monarquia no Brasil.
II. As relações sociais e de poder estabelecidas no Brasil desde tempos coloniais foram baseadas nessa concepção racista que contribuiu para a grande desigualdade social no país.
III. Essa percepção racista da sociedade brasileira é um equívoco, pois no Brasil sempre se praticou a democracia racial que prega a harmonia entre os grupos étnicos
IV. Essa percepção sobre a hierarquização das raças foi essencial para a escravidão ter durado tanto no Brasil e para ainda haver discriminação contra negros e indígenas.
Está correto somente o que se afirma em
“[...] a população neobrasileira teria atingido uns 500 mil habitantes, dos quais 200 mil representados por indígenas integrados ao sistema colonial, e havia dobrado sua área de ocupação. Os negros seriam, talvez, 150 mil, concentrados principalmente nos engenhos de açúcar, mas também nas zonas recentemente abertas à mineração. [...] A população “branca”, que seria de 150 mil habitantes, formada majoritariamente por mestiços de pais europeus e mães indígenas, falava principalmente o nheengatu como língua materna [...]”.
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 151.
Considerando o que diz Darcy Ribeiro, é correto concluir-se que
“Os [indígenas] se envolveram em conflitos bélicos durante a Independência do Brasil. Várias tropas indígenas foram recrutadas para proteger o território contra uma possível invasão da antiga metrópole, como no litoral cearense entre setembro e novembro de 1822. Outras foram convocadas para combater agrupamentos fiéis a Portugal, como a que veio da serra da Ibiapaba, no Ceará, para um Piauí que ainda lutava contra tropas lusitanas em março de 1823”.
João Paulo Peixoto Costa. Povos indígenas e a independência do Brasil. Blog das Independências. Disponível em: https://bicentenario2022.com.br/povos-indigenas-e-ambro%20e%20novembro%20de%201822.
A partir das informações apresentadas pelo autor no texto e do conhecimento sobre o ensino de História do Brasil na Educação Básica, analise as seguintes afirmações:
I. A participação de grupos indígenas e quilombolas na independência do Brasil é bastante conhecida, pois a história apresentada nos livros didáticos inclui esse fato com detalhes.
II. A participação indígena e a de outros grupos minoritários no processo de independência do Brasil ainda é pouco conhecida, pois não é explanada adequadamente nos livros didáticos.
III. A luta dos indígenas pela independência do Brasil em 1822, liderados por Felipe Camarão ou Potiguaçu, é conhecida e destacada no ensino de história na Educação Básica.
Está correto somente o que se afirma em
LIMA, Rodrigo Esteves. O Estado de São Paulo, 27/10/2017. 120 anos após fim da guerra [...], participação indígena no conflito ainda é menosprezada..
Assinale a opção que corresponde ao evento a que o texto acima se refere

Índios civilizados trazendo de volta prisioneiros. Gravura de Jean Debret, 1846. Disponível em: https://bdlb.bn.gov.br/acervo/handle/20.500.12156.3/258
Com base na gravura e nas informações sobre ela, assinale a afirmação FALSA.

Cena de Carnaval. Gravura de Jean Baptiste Debret (1823).
A análise da gravura foi proposta por um docente como atividade didática sobre a sociedade e a cultura brasileira em perspectiva histórica, tendo o carnaval como objeto de estudo.
A respeito dessa atividade, é correto afirmar que
I. §1º Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mães, os quais terão obrigação de criá-los e tratá-los até a idade de oito anos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãe terá opção, ou de receber do Estado a indemnização de 600$000, ou de utilizar-se dos serviços do menor até a idade de 21 anos completos. No primeiro caso, o Governo receberá o menor, e lhe dará destino, em conformidade da presente lei.
Lei Nº 2.040, de 28 de setembro de 1871
II. § 10. São libertos os escravos de 60 anos de idade, completos antes e depois da data em que entrar em execução esta Lei; ficando, porém, obrigados, a título de indemnização pela sua alforria, a prestar serviços a seus ex-senhores pelo espaço de três anos.
§ 13. Todos os libertos maiores de 60 anos, preenchido o tempo de serviço de que trata o § 10, continuarão em companhia de seus ex-senhores, que serão obrigados a alimentá-los, vesti-los, e tratá-los em suas moléstias, usufruindo os serviços compatíveis com as forças deles, salvo si preferirem obter em outra parte os meios de subsistência, e os Juízes de Órfãos os julgarem capazes de o fazer.
Lei Nº 3.270, de 28 de setembro de 1885
Com base nos trechos citados, assinale a opção que interpreta corretamente a legislação brasileira sobre o tema da escravidão entre 1871 e 1885.
I. Entre 1822 e 1831 ou, melhor, de 1808 até 1831 - a rigor até 1836 - é que se assinala uma fecunda transação - não se queira muito mais - entre o nosso passado colonial e as nossas instituições nacionais. Só depois, e mesmo durante o gabinete conciliador de Paraná, é que teremos a verdadeira reação monárquica.
Fonte: HOLANDA, Sérgio Buarque de. História geral da civilização brasileira t. II v.1: o processo de emancipação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 46.
II. A transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808 veio dar à nossa emancipação política um caráter que singulariza no conjunto do processo histórico da independência das colônias americanas. Enquanto nas demais a separação é violenta e se resolve nos campos de batalha, no Brasil é o próprio governo metropolitano quem vai lançar as bases da autonomia brasileira.
Fonte: PRADO JR., Caio. A evolução política do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, P. 45
III. De modo seguro, a Independência do Brasil se apresenta contextualizada nos quadros da história ocidental entre as últimas décadas do século XVIII e as primeiras do XIX, emparelhada com acontecimentos que, na historiografia brasileira, poucos desconsiderariam como revolucionários (no sentido moderno do termo).
Fonte: PIMENTA, João Paulo. A independência do Brasil como uma revolução: história e atualidade de um tema clássico. História da historiografia, n. 03, 2009, p.68.
A respeito das diferentes interpretações sobre o evento histórico refletidas nos trechos citados, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) I e III compreendem a independência do Brasil enfatizando o seu caráter revolucionário.
( ) I e II incorporam uma visão processual do evento da independência, que rechaça o ano de 1821 como seu início e fim.
( ) II e III associam a ruptura entre Portugal e Brasil ao contexto internacional.
As afirmativas são, respectivamente,