Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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“O historiador François Hartog (2013), elaborou o conceito de “Regime de historicidades”, para nomear como as maneiras como dadas sociedades em dados momentos perceberam, pensaram e se relacionaram com o tempo, para indicar como elaboraram e articularam, através de suas narrativas, as categorias de passado, presente e futuro, para descrever como um dado indivíduo ou grupamento humano se instaurou e se desenvolveu no tempo”.
Sobre esse conceito de Regime de Historicidades
de Hartog (2013) é CORRETO afirmar que:
Para José Carlos Reis (2019), o debate epistemológico-metodológico e teórico-metodológico assumiu contornos diferenciados na cultura histórica, em alguns momentos esse debate foi quase irrelevante. Considerando essa afirmação, é correto afirmar que o debate epistemológico-metodológico e teórico-metodológico entre os Historiadores do positivismo/empirismo histórico é caracterizado por:
1. Um debate teórico-metodológico que liga e aproxima o historiador do que deve realmente interessá-lo: os fatos, as fontes, a realidade do passado. Para eles, o historiador-teórico não poderia pretender ser um historiador, uma vez que, abandonou o canteiro de obras da história, os arquivos, os museus, as fontes primárias, e ao pesquisar somente em bibliotecas, restringindo-se às obras impressas, tornou-se um filósofo, um literato, um ficcionista.
2. Uma historiografia empirista que se apoia sobre uma memória arquivada, sobre inscrições, sobre marcas exteriores, para proteger-se da contiguidade com a imaginação/ficção. O seu ponto de vista é objetivante: a lembrança é de uma experiência vivida localizada e datada. O testemunho diz: “eu estava lá, eu presenciei, eu vi”. O arquivo está lá, é um depósito, que reconhece, conserva e classifica a massa documental para consulta.
3. Pela data, que é um dado do tempo calendário, um sistema de datas extrínseco aos eventos. Pois, todo evento se inscreve neste espaço-tempo exterior: local/data. O historiador que se equivocar em relação ao local e à data do evento, estará mergulhado na imaginação, no mito, na fábula. A organização cronológica, a sucessão rigorosa dos momentos que constituem um evento e dos eventos entre si, não pode ser visível em uma documentação objetiva, sem antes ser interiorizada.
4. Uma atitude crítica, que reúne credulidade e ceticismo. A atitude crítica, primeiro, é crédula, deve receber a informação, acolher o documento; depois, cética, deve duvidar, desconfiar, suspeitar, e processá-lo, elaborá-lo. A confiança no documento não deve ser fundada na declaração de intenção do próprio documento, mas construída pela dúvida metódica do historiador.
5. Uma historiografia que busca a verdade exterior, objetiva, o seu conteúdo são os testemunhos e as provas do passado. O testemunho ocular declara que esteve presente e pede que acreditem nele, é interrogado e avaliado, confrontado com outros, e só passará a valer se for aceito. Então, ele se torna um dado estável, reiterável, que pode ser reaberto e reavaliado por qualquer um. Ele se torna uma memória arquivada.
Estão CORRETAS:
“O trabalho com o documento (...) escrito, arqueológico, figurativo, oral, que é interrogar os silêncios da História (...) algo que nos foi dado intencionalmente, ele é o produto de certa orientação da História, de que devemos fazer crítica, não só segundo as regras do método positivista, que obviamente continuam necessárias a certo nível, mas também de uma maneira que eu qualificaria de quase ideológica. Tem um caráter mais ou menos fabricado.” (Adaptado)
O trecho demonstra aspectos da documentação histórica que devem ser trabalhados em sala de aula. É importante explicar ao aluno:
E. H. Carr. O que é história? 7.ª reimp. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996, p. 62.
Considerando o texto do historiador Edward H. Carr, que usa a metáfora da montanha para rebater críticas e estabelecer alguns pontos teóricos sobre o ofício do historiador, assinale a opção correta.
A Democracia Racial. B Complexo de Vira-Lata.
C Homem Cordial. D Redescoberta do Brasil.
( ) Caio Prado Jr. ( ) Nelson Rodrigues. ( ) Sérgio Buarque de Holanda. ( ) Gilberto Freyre.
Assinale a alternativa que contém a sequência correta.
(Vanderlei Silva, Kalina; Henrique Silva, Maciel. Dicionário de Conceitos Hstóricos 3ª Ed., 5ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2015)
Sobre História e Memória, assinale a alternativa CORRETA:
Sobre a relação entre o “tempo do individuo” e o “tempo social “pode-se dizer que:
Sobre a relação entre a história e a necessária periodização do tempo é correto afirmar que:
“Método histórico, método filosófico, método crítico: belos utensílios de precisão. Honram os seus inventores e as gerações que os usaram, que os receberam dos seus antecessores e os aperfeiçoaram, utilizando-os. Mas saber manejá-los, gostar de os manejar — isso não chega para fazer o historiador. Só é digno desse belo nome aquele que se lança totalmente na vida, com o sentimento de que ao mergulhar nela, ao penetrar-se de humanidade presente, decuplica as suas forças de investigação, os seus poderes de ressurreição do passado. De um passado; que detém e que, em troca, lhe restitui o sentido secreto dos destinos humanos”.
(FEBVRE, L. Combates pela história. Lisboa: Editorial Presença, 1989, pp. 49-50).
Peter Burke define a “Escola dos Annales” como uma revolução francesa da historiografia. Constituem elementos dessa revolução:
São categorias históricas estudadas por Reinhart Koselleck em sua obra Futuro Passado: Contribuição à semântica dos tempos históricos
O que os constitui é um jogo da memória e da história, uma interação dos dois fatores que leva a sua sobredeterminação recíproca. Inicialmente é preciso ter vontade de memória. Se o princípio dessa prioridade fosse abandonado, rapidamente derivar-se-ia de uma definição estreita, a mais rica em potencialidades, para uma definição possível, mas maleável, suscetível na categoria de admitir todo objeto digno de uma lembrança.
NORA, Pierre. Entre história e memória: a problemática dos lugares. Revista Projeto História. São Paulo, v. 10, 1993. P. 22.
A definição apresentada acima refere-se ao conceito de
Há uma longa discussão sobre a questão da objetividade/subjetividade do historiador, bem como sobre a relação entre história e ficção. Em um primeiro momento parece claro que o historiador busca apresentar os fatos com imparcialidade, sem deixar que a suas paixões e seus interesses interfiram em sua análise. Porém, é necessário salientar que esta constatação tem muitos pormenores e indicam abordagens importantes no que se refere ao fazer historiográfico.