Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Considerando a inter-relação e as particularidades desses conceitos, assinale a alternativa CORRETA:
Com base no texto e nos conhecimentos sobre pensamento histórico, temporalidade e interpretação de fontes, assinale a alternativa CORRETA:
Considerando a importância da análise documental e da interpretação de fontes históricas, assinale a alternativa CORRETA:
I. A história global e a história conectada compartilham o objetivo de superar enquadramentos nacionais rígidos, privilegiando a análise das interações e das circulações entre diferentes espaços.
II. A história transnacional parte do pressuposto de que os processos de formação dos Estados na modernidade foram simétricos, comparando-os e situando-os em escalas amplas que tendem a nivelá-los.
III. A história global, a história conectada e a história transnacional privilegiam as dinâmicas globais, subordinando sistematicamente os processos locais a escalas mais amplas de interpretação.
Está correto o que se afirma em
O bairro Waldsiedlung é atualmente um local muito desejado para se viver na Alemanha. Mas viver ali também significa lidar com o passado do país: o bairro foi construído no período da Segunda Guerra Mundial como uma comunidade para a guarda de elite do Reich nazista, cujas responsabilidades incluíam executar o Holocausto. O conjunto foi projetado para incorporar a ideologia nazista que exaltava a relação mística dos arianos com sua terra ancestral. A forma como os atuais moradores lidam com esse passado acompanha tendências culturais mais amplas. Durante décadas, o tema foi varrido para debaixo do tapete. Como resultado, alguns moradores desconhecem a história do lugar até serem informados por vizinhos. “Algumas pessoas dizem: ‘Isso foi há 80 anos, não tem nada a ver comigo’”, disse uma moradora que se mudou para lá em 2000. “Para mim, é o contrário. Quero saber o que aconteceu na minha casa. Não é possível avançar com o silêncio.” À medida que o tempo passa e as últimas testemunhas morrem, os lugares físicos tornam-se cada vez mais importantes para a memória do Holocausto. O lugar é uma conexão.
Adaptado de https://www.nytimes.com/2025/05/27/realestate/berlin-holocaustnazis-neighborhood.html
Com base no texto, assinale a opção que analisa corretamente a relação entre espaço e memória.
Em 1940, Francisco Franco ordenou a construção de um complexo arquitetônico composto por um centro de estudos, uma basílica e um monastério na Espanha. Celebrava-se um ano de sua vitória na Guerra Civil. A construção do complexo foi realizada principalmente por prisioneiros políticos republicanos, submetidos a duras condições de trabalho. Com a aproximação da conclusão das obras, houve uma ressignificação das finalidades do monumento: de símbolo da vitória e homenagem aos franquistas mortos na Guerra Civil, passou a ser de “todos os caídos”, o que demonstra uma aspiração à reconciliação, fundamentada na ideia de que os dois lados tiveram perdas. Sem a autorização das famílias, os corpos de diversas vítimas do regime foram levados para o complexo, representando uma humilhação serem depositados no monumento de seus inimigos, como troféus de guerra. O complexo pode ser compreendido como monumento, lugar de memória e ponto de partida para problematizar a forma como os regimes democráticos gerenciaram as memórias sobre seus passados traumáticos, na tensão entre a memória e o esquecimento.
Adaptado de BAUER, Caroline. “A eternidade do franquismo: lembranças e esquecimentos na Espanha pós-Franco”, Café História, 23 jun. 2019.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica corretamente a gestão da memória histórica pelo governo de Franco associada ao monumento descrito.
A constituição de uma história de gênero e o lugar atribuído à história das mulheres têm gerado controvérsias e debates. Campos distintos, mas complementares? Substituição da história das mulheres pela história de gênero? História de gênero como forma de neutralização do desafio fundador da história das mulheres?
PINTO, Teresa e Teresa Alvarez. Introdução. História, História das mulheres, História do Gênero. Produção e transmissão do conhecimento histórico. ex æquo, nº 30, 2014, p. 14.
Com base no trecho, é correto afirmar que a história de gênero, em contraste com a das mulheres,
Eu diria que o historiador está em condições muito melhores do que o participante do presente, pela simples razão de que dispõe de um horizonte ampliado. Se o leitor pensa que o passado é uma paisagem, a história é a maneira como a representamos, e é justamente esse ato de representação que nos eleva acima do familiar para permitir-nos ter experiências substitutivas daquilo que não podemos experimentar diretamente: uma visão mais ampla.
Adaptado de GADDIS, John Lewis. El paisaje de la historia: cómo los historiadores representan el pasado. Anagrama, 2004, pp. 21-22.
Considerando a reflexão de John Lewis Gaddis, é correto afirmar que a representação do passado como paisagem
Cortar o tempo em períodos é necessário para a história, seja ela entendida como o estudo da evolução das sociedades, como um tipo particular de saber e ensino, ou mesmo como a simples passagem do tempo. No entanto, esse recorte não é um mero fato cronológico, mas também expressa a ideia de transição, de mudança e até de contradição em relação à sociedade e aos valores do período precedente. Os períodos têm, portanto, um significado particular em sua própria sucessão, na continuidade temporal ou nas rupturas que tal sucessão evoca, e constituem um objeto fundamental de reflexão para o historiador.
Adaptado de LE GOFF, Jacques. ¿Realmente es necesario cortar la historia en rebanadas? México: Fondo de Cultura Económica, 2016, pp. 11-12.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação do autor sobre a periodização na história.
O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.
Leia o texto.
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. (...)”
(Fernando Pessoa, Mensagem)
Os versos, pertencentes à obra Mensagem, mobilizam imagens simbólicas associadas às navegações portuguesas e à construção de uma memória histórica do passado nacional.
Considerando a relação entre literatura, História e identidade na interpretação desse poema, assinale a alternativa INCORRETA.
A instituição social (uma sociedade de estudos de...) permanece a condição de uma linguagem científica [...] A instituição não dá apenas estabilidade social a uma ‘doutrina’. Ela a torna possível e, sub-repticiamente, a determina.
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A escrita da história. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 70.
De acordo com o texto, a operação historiográfica está diretamente ligada
História esquecida
Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de Søgne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.
Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Ed. UNESP, 2015, p.11. (adaptado)
Ao comparar o tempo do calendário com a sistematização do tempo realizada pelo historiador no Ocidente, identifica-se corretamente que a: