Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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O predomínio espiritual da tradição greco-latina no Ocidente medieval fez com que se continuasse a associar, ao longo de todo o período, os livros e a língua latina ao poder e às elites sociais. A atitude da maior parte dos governantes medievais alfabetizados em relação ao livro e às bibliotecas foi reverencial e, em alguns casos, quase “totêmica”. As bibliotecas dos reis da Antiguidade Tardia seguiram um modelo episcopal-monástico, uma vez que o modelo tardo romano de biblioteca palatina semipública ou pública havia caído no esquecimento. Contudo, a maior parte das bibliotecas dos reis da época feudal se enquadra melhor no modelo de biblioteca senhorial do que no de biblioteca monástica ou palatina ou “de Estado”. O chamado renascimento do século XII começaria a alterar essa dinâmica, quando os príncipes do Ocidente latino passariam a se tornar reis clericalizados, possuidores de bibliotecas cada vez maiores.
Adaptado de RODRÍGUEZ DE LA PEÑA, Alejandro. “Los reyes bibliófilos: bibliotecas, cultura escrita y poder en el Occidente medieval”, En la España Medieval, n.º 33, 2010, p. 9.
Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente aspectos da organização das bibliotecas no Ocidental medieval.
Leia o texto.
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu. (...)”
(Fernando Pessoa, Mensagem)
Os versos, pertencentes à obra Mensagem, mobilizam imagens simbólicas associadas às navegações portuguesas e à construção de uma memória histórica do passado nacional.
Considerando a relação entre literatura, História e identidade na interpretação desse poema, assinale a alternativa INCORRETA.
A instituição social (uma sociedade de estudos de...) permanece a condição de uma linguagem científica [...] A instituição não dá apenas estabilidade social a uma ‘doutrina’. Ela a torna possível e, sub-repticiamente, a determina.
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A escrita da história. 2ª edição. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 70.
De acordo com o texto, a operação historiográfica está diretamente ligada
História esquecida
Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de Søgne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.
Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Ed. UNESP, 2015, p.11. (adaptado)
Ao comparar o tempo do calendário com a sistematização do tempo realizada pelo historiador no Ocidente, identifica-se corretamente que a:
Há uma pergunta central na História que não pode ser evitada, no mínimo porque todos nós queremos saber a resposta: como a humanidade passou do homem das cavernas para o astronauta, de um tempo em que éramos assustados por tigres de dentes de sabre para um tempo em que somos assustados por explosões nucleares – isto é, não assustados pelos perigos da natureza, mas por aqueles que nós mesmos criamos? O que faz desta uma pergunta essencialmente histórica é que os seres humanos, embora recentemente bem mais altos e pesados que nunca, são biologicamente quase os mesmos que no início do registro histórico.
HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
A “pergunta central” a que se refere o trecho está relacionada a um aspecto fundamental do ofício do historiador com implicações no ensino de história. Trata-se da
Se concluímos que não existe um fato histórico eterno, mas existe um fato que consideramos hoje um fato histórico, é fácil deduzir que o conceito de documento siga a mesma lógica. Fato e documento histórico demonstram nossa visão atual sobre o passado, num diálogo entre a visão contemporânea e as fontes pretéritas.
KARNAL, Leandro e TATSCH, Flávia G. Documento e história: a memória evanescente. In. PINSKY, Carla e LUCA, Tania de (Orgs.). O historiador e suas fontes. São Paulo, Contexto, 2009.
Sobre fato e documento histórico, os autores afirmam que
Sobre a metodologia da pesquisa histórica e o uso das fontes, é CORRETO afirmar que:
I- A prática de procurar compreender o significado de objetos, comportamentos e mentalidades levando em conta diferenças culturais entre os agentes em contato foi uma contribuição essencial da Antropologia para a História e marcou importantes estudos das décadas de 1970 e 1980.
PORQUE
II- Os historiadores, desde o advento da Escola dos Annales, fortificaram o diálogo com o historicismo do século XIX, aproximaramse do marxismo e ratificaram as concepções teóricas e metodológicas da Escola Metódica, assumindo novas temáticas e novas abordagens.
A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:
Quanto à relação entre tempo e História, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Ao longo da história da historiografia, a consciência do tempo assumiu diferentes configurações, mas permaneceu presente desde as origens da prática histórica.
( ) Na historiografia científica, a história deixou de ser vista apenas como estudo do passado e passou, com Marc Bloch, a ser definida como o estudo dos homens no tempo.
( ) A noção de tempo passou a integrar a prática historiográfica após o desenvolvimento dos métodos científicos modernos.
Em relação à Nova História e seu desenvolvimento a partir da Escola dos Annales, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Demonstrou interesse por toda a atividade humana e por uma história preocupada com o estudo das estruturas que moldaram as sociedades ao longo do tempo.
( ) Concebida pela terceira geração dos Annales, propagou o rompimento com a ideia de herança ou continuidade em relação às duas gerações anteriores em prol das novidades de suas contribuições.
( ) Teve como objetivo principal a consagração de uma história “vista de cima”, centrada nos feitos de grandes personagens das esferas políticas, militares e eclesiásticas.