Questões de Concurso
Comentadas sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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O Novo Ensino Médio concebe a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, a partir de uma perspectiva articulada da Filosofia, Geografia, História e Sociologia, considerando o uso de tecnologias. Nesse sentido, é esperado que o estudante desenvolva capacidades de estabelecer diálogos entre indivíduos, grupos sociais e cidadãos em contextos diversos de nacionalidade, saber e cultura.
As afirmativas a seguir indicam orientações encarecidas pela formação escolar, à exceção de uma. Assinale-a.
A respeito dos eixos estruturantes dos itinerários formativos, analise as afirmativas a seguir.
I. A investigação científica: estimula a criação de processos ou produtos que atendam às demandas sociais, a partir da ampliação do conhecimento científico para construção e criação de experimentos, modelos e protótipos
II. A mediação e intervenção sociocultural: aborda os conhecimentos necessários para mediar conflitos, promover entendimento e implementar soluções para questões e problemas identificados na comunidade.
III. O empreendedorismo: propõe a ampliação dos conhecimentos de diferentes áreas para a criação de empresas, instituições ou organizações voltadas ao desenvolvimento de produtos e serviços inovadores com o uso das tecnologias.
Está correto o que se afirma em
I. A pintura pode ser vista como fonte não apenas da pesquisa – acadêmica –, mas também do ensino de História, pois ela compõe um discurso sobre o seu tempo.
II. A imagem não reproduz a realidade – ela a representa a partir de uma linguagem própria ligada a um determinado contexto histórico.
III. O acervo artístico museológico deve ser compreendido como coisa estática e definida, pois a sua razão de ser resume-se à sua antiguidade e à sua preciosidade.
I. O ensino de História contribui para o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo apenas pelo conteúdo formativo do saber histórico, independente da metodologia adotada.
II. Práticas educativas apoiadas em metodologias implicativas que apelem à participação ativa do aluno como sujeito que aprende contribuem para o desenvolvimento do raciocínio crítico e da autonomia pessoal do aluno, que são componentes essenciais da educação cívica.
III. A metodologia e os recursos usados no ensino de História devem possibilitar, ou melhor, levar o aluno a perceber que a História é social, dá-se coletivamente, é produção humana, e que o professor é o mediador no processo de elaboração conceitual do educando.
I. A seleção de conteúdo pode ser compreendida como um processo totalmente dependente do professor, presente na observação do docente sobre as práticas cotidianas.
II. A seleção de conteúdo pode ser compreendida como um processo totalmente independente do professor, pois advém integralmente dos documentos curriculares oficiais.
III. A seleção de conteúdo pode ser compreendida como um processo que se desenvolve na tensão entre diferentes níveis, processo em que se localiza uma dimensão que, em boa medida, independe do professor, advinda dos documentos curriculares oficiais, e uma outra que está presente nas práticas cotidianas.
A interdisciplinaridade, defendida em propostas pedagógicas atuais, inclusive na rede pública de ensino do Distrito Federal, é combatida pelos historiadores, sob o argumento de perda da identidade da disciplina.
Educação para a diversidade, para a cidadania e para os direitos humanos é um pressuposto dos eixos transversais do currículo escolar que se pretende para o Distrito Federal, visando a tornar o ambiente escolar potencialmente mais humanizado e inclusivo.
Devido ao dinamismo da produção historiográfica, particularmente na academia, os livros didáticos tendem a ser afastados do trabalho em sala de aula, por serem vistos como obstáculos intransponíveis ao bom exercício do magistério.
Atualmente, os historiadores, especialmente os que se dedicam à docência no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, privilegiam a escrita como fonte de produção e transmissão de conhecimento, em detrimento da pintura, da fotografia, dos vídeos e dos áudios.
Apesar de todos os progressos que a ciência histórica conheceu a partir do século XX, ainda vigora, nos textos oficiais voltados para a educação básica, a ênfase na memorização como essencial e insubstituível à aprendizagem.
Contemporaneamente, a história, como disciplina escolar, tende a não mais aceitar o fato como matéria-prima do historiador, devendo fixar-se na interpretação e na elaboração de narrativas interpretativas, em detrimento do acontecimento.
No século XX, especialmente a partir da escola francesa dos Anais, as fontes históricas se diversificaram, ao defenderem a importância de outras manifestações como testemunho de uma época, ultrapassando a sujeição exclusiva às de caráter oficial para a produção do conhecimento.
Fortemente influenciada pelo positivismo, a ciência histórica, em sua fase inicial, valorizava sobremaneira os documentos escritos — particularmente os registros oficiais — como fonte de investigação do passado.
O surgimento da história como área de estudo vincula-se ao século XIX, quando, no Ocidente, o conhecimento científico adquiriu crescente importância.
Deve-se considerar para uma melhor interpretação sobre o estudo da História:
“Ciência dos homens”, dissemos. É ainda vago demais. É preciso acrescentar: “dos homens, no tempo”. O historiador não apenas pensa “humano”. A atmosfera em seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração. Decerto, dificilmente imagina-se que uma ciência, qualquer que seja, possa abstrair do tempo. Entretanto, para muitas dentre elas, que, por convenção, o desintegram em fragmentos artificialmente homogêneos, ele representa apenas uma medida. Realidade concreta e viva submetida à irreversibilidade de seu impulso, o tempo da história, ao contrário, é o próprio plasma em que se engastam os fenômenos e como o lugar de sua inteligibilidade.
(BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2001, p. 55.)
A Escola dos Annales revolucionou a escrita da História com outros olhares na construção de um método histórico que respondesse às questões da sociedade do presente. Para isso, teve que rever todas as categorias de análise do historiador em comparação ao método do século XIX. No trecho acima, Bloch refere-se ao (à):
A história do tempo presente está na intersecção do presente e da longa duração. Esta coloca o problema de se saber como o presente é construído no tempo. Ela se diferencia, portanto, da história imediata porque impõe um dever de mediação. Alguns historiadores, porém, preferem utilizar a noção de história imediata, como é o caso de Jean-François Soulet, que coordena a revista Cadernos de história imediata, outros preferem a noção de história do mundo contemporâneo, como é o caso de Pierre Laborie. Alguns são ainda mais críticos, como é o caso de Antoine Prost para o qual a história do tempo presente não é nada mais do que a história em si, que nada a singulariza e que é, por conseguinte, um “pseudoconceito sem conteúdo verdadeiro”.
(DOSSE, François. História do tempo presente e historiografia, in: Revista Tempo e Argumento. Junho. V. 4 n. 1 p. 5-22, jan/jun. UDESC 2012.)
François Dosse fala, na citação acima, sobre o conceito de História do tempo presente. Considerando que, no século XIX, a História foi considerada uma ciência do passado, que seria construída pelos arquivos oficiais no século XX, temos uma revolução no método da História, e o “passado” passa a ser questionado, tornando o presente em evidência. Logo, estamos falando de: