Questões de Concurso
Comentadas sobre conceitos filosóficos em filosofia
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“O término do Antigo Regime (ou das monarquias absolutistas) se consuma quando a teoria política consagra a propriedade privada como direito natural dos indivíduos, desfazendo a imagem do rei como marido da terra, senhor dos bens e das riquezas do reino, decidindo segundo sua vontade e seu capricho quanto a impostos, tributos e taxas” (CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática, 2014).
O trecho acima refere-se a um momento crucial do desenvolvimento histórico europeu, que teve repercussões no mundo inteiro. Considerando o fragmento, esse momento marca também o fortalecimento de uma corrente de pensamento ou escola filosófica que terá enorme impacto social ao longo de todo o século XIX. Essa corrente de pensamento é o(a):
"O silogismo é uma locução em que uma vez certas suposições sejam feitas, alguma coisa distinta delas se segue necessariamente devido à mera presença de suposições como tais. Por ‘devido à mera presença de suposições como tais’ entendo que é por causa delas que resulta a conclusão, e por isso quero dizer que não há necessidade de qualquer termo adicional para tornar a conclusão necessária.”
Em outras palavras, os silogismos são formas lógicas compostas por duas premissas e uma conclusão que se segue das premissas. Um exemplo de silogismo é:
( ) O empirismo afirma que o conhecimento deriva da experiência sensorial e enfatiza a observação como uma das fontes principais de conhecimento.
( ) O empirismo nega a existência de ideias inatas, em contraste com o modelo cartesiano, que as aceita.
( ) Francis Bacon (1561-1626) e David Hume (1711-1776) foram importantes representantes do Empirismo.
( ) Por meio das impressões diretas dos sentidos (ou pela reflexão sobre essas impressões), surgem as ideias.
( ) No empirismo, há a negação de toda e qualquer possibilidade de conhecimento a qual sustenta um ceticismo absoluto.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I. Arendt acredita que a liberdade é um conceito puramente individual e que as ações políticas não têm relevância na realização da liberdade humana.
II. No que diz respeito à educação, Arendt afirma que as crianças devem conhecer e se apropriar do legado que será entregue a elas. Nesses termos, ela sustenta que a educação, em princípio, se volte para o passado, introduzindo, assim, os mais novos em um mundo que os antecede e que é mais interessado em que eles.
III. Em seu livro Eichmann em Jerusalém, Arendt discorre sobre pensar, querer e julgar e constata que pode haver pessoas muito inteligentes que, contudo, não pensam. Conhecimentos e habilidades, ciência e tecnologia, podem, portanto, ser despojados da reflexão que procura compreender o sentido de atos e acontecimentos.
IV. Na obra A Vida do Espírito, Arendt distingue o pensar do conhecer e afirma que o pensar, em um sentido estrito, não diz respeito nem à ciência, nem à tecnologia.
V. Segundo Arendt, o pensar é algo como uma resposta às nossas experiências do mundo. Portanto, pensar parte da experiência concreta, mas necessita se distanciar de tal experiência para submetê-la à reflexão.
É correto o que se afirma em:
I. O que é ser para Heráclito (devir) é não-ser para Parmênides, para quem o ser é identidade estável e imóvel.
II. Heráclito e Parmênides inauguram a exigência de fazer a distinção entre a aparência e a realidade e a afirmação de que tal diferença só pode ser feita pelo pensamento e não pela experiência sensível.
III. A teoria de Parmênides não deduz que deve haver coisas externas, independentes do sujeito, sobre as quais se pode pensar ou falar.
IV. Segundo Heráclito, o Kósmos é o ser vivo e, em função disso, muda sem cessar.
É correto o que se afirma em:
I. O pós-humanismo crítico questiona a centralidade do ser humano e propõe uma ontologia relacional, na qual humanos e não-humanos (animais, máquinas, ecossistemas) coexistem e interagem em redes complexas, reconhecendo a agência de entidades não-humanas e a produção de significado além da esfera humana.
II. A ética da inteligência artificial enfrenta o desafio de lidar com questões como a responsabilidade por decisões tomadas por sistemas autônomos, o viés algorítmico e a potencial perda de empregos devido à automação.
III. A ontologia orientada a objetos, proposta por Graham Harman, atribui agência e realidade somente aos seres humanos, baseando-se na premissa de que apenas eles possuem subjetividade e capacidade de ação, ao contrário dos objetos inanimados que dependem da interação com a consciência humana.
É correto o que se afirma em:
Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta:
I. A teoria da justiça de Amartya Sen, centrada nas “capacidades” individuais, propõe uma abordagem que vai além da mera distribuição de recursos, enfatizando a importância de garantir que as pessoas tenham condições reais de exercer suas liberdades e alcançar um bem-estar pleno.
II. O conceito de “sociedade em rede”, de Manuel Castells, destaca a centralidade das redes de comunicação e informação na organização social contemporânea, impactando as relações de poder, a participação política e a construção de identidades.
III. A noção de “liberdade positiva”, defendida por Isaiah Berlin, que se refere à capacidade de autodeterminação e de agir de acordo com seus próprios objetivos, torna-se ainda mais complexa na era digital, na qual a autonomia individual pode ser influenciada por algoritmos e sistemas de vigilância.
IV. O conceito de “reconhecimento” de Axel Honneth, que destaca a importância da autoestima, do respeito e da solidariedade para a realização da justiça social adquire novas nuances no contexto digital, no qual as lutas por reconhecimento se expressam em novas arenas e formas de interação social.
É correto o que se afirma em:
O mundo presente se reconhece através de expressões como “sociedade do conhecimento” ou “sociedade da informação e da tecnologia”. A ciência alcançou um desenvolvimento exponencial no século XX em todas as suas áreas. A revolução da microeletrônica, o desenvolvimento de novas fontes de energia e a revolução das biotecnologias alçaram a ciência à condição de um mito moderno. Assistimos a uma mistificação da ciência por muitos cientistas, que carecem da lucidez de reconhecer-lhe os limites. A preeminência do conhecimento científico é compreensível na medida em que seu poder e prestígio ressoam através dos artefatos tecnológicos produzidos por ele mesmo. Neste sentido, talvez os maiores difusores dos seus feitos sejam os meios de comunicação de massa.
(OLIVA A, Epistemologia: a cientificidade em questão Campinas: Papirus; 1990.)
O embate entre ciência e filosofia existe basicamente desde que elas se encontraram e é muito mais comum do que imaginamos. A modernidade caracteriza-se, muitas vezes, pela racionalização que denominamos ciência moderna ou, simplesmente, ciência. Nesse contexto, podemos afirmar que vivemos:
Com a preocupação de tornar a linguagem mediadora da realidade, Wittgenstein procura, em alguns de seus escritos, descrever possibilidades de usos efetivos da linguagem, sendo que as atividades de uso dos símbolos têm seu significado ancorado nas “formas de vida”. Já que estas criam as legítimas possibilidades para os “jogos de linguagem”, e estes, por sua vez, delimitam aquilo que pode ser dito, dentro de um contexto ilimitado. Para ele: “Os jogos são livres criações do espírito e da vontade, autônomos e governados por regras. Saber jogar um jogo é uma capacidade que supõe domínio de uma técnica, consecutiva a uma aprendizagem. O fosso que separa a regra de sua aplicação preenchido pelo treinamento ou o adestramento (Abrichtung), a familiaridade, a prática do jogo.”
(WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações Filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1984, 3 a ed., Col. Pensadores.)
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo austríaco que atuou no campo da filosofia e da linguística durante a primeira metade do século XX. Seu trabalho filosófico:
O interdisciplinar é epistemológico, está presente e é mais compatível com o extracurricular, aí na resolução de problemas práticos como o planejamento, que exige soluções de ordens diversas. Os currículos escolares devem se adaptar naturalmente a esta visão epistemológica da interdisciplinaridade, mas é nos Institutos de Pesquisas ou nos problemas do dia a dia de um povo que as soluções interdisciplinares podem ser buscadas e viabilizadas. Hoje, o interdisciplinar carrega ainda alta dose ideológica como modismo educacional de uma época. Precisamos desmistificar e é preciso, portanto, respeitar, em muitos casos, o unidisciplinar para não descaracterizar o conteúdo que é próprio de uma ciência.
(CHAUÍ, Marilena Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.)
Acerca da interdisciplinaridade, especificamente no ensino da filosofia, assinale a afirmativa correta.
Ao realizar uma análise da moral antiga, Foucault se ocupou de temas como ética, verdade, estética da existência, sujeito da ação e sujeito ético. Alguns desses temas já estavam presentes de forma pouco desenvolvida nas fases anteriores e ganham maior destaque, como a liberdade e a agência do sujeito ético-político. As palavras de Ewald capturam com maestria a movimentação teórica realizada por Foucault na passagem da fase genealógica para a fase ética:
“As portas do asilo, os muros da prisão desaparecem, dando lugar a falas livres em que gregos e romanos discutiam as melhores maneiras de conduzir suas vidas. A paisagem do confinamento cede lugar à liberdade luminosa do sujeito.”
(EWALD, 1984, p. 71-73.)
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) caracterizou a filosofia grega de Sócrates e outros filósofos pelo problema do “cuidado de si” (em grego, epiméleia heautoú). Nesta análise, Foucault:
[...] nunca se realizou uma obra filosófica que fosse duradoura em todas as suas partes. Por isso não se pode aprender filosofia em absoluto, porque ela ainda não existe.
(Kant, 1983, p. 407.)
É clássico citar Kant quando se pretende defender que não é possível ensinar a filosofia, mas sim a filosofar. Para Kant, a filosofia é um saber que está sempre incompleto, pois está sempre em movimento, sempre aberto, sempre sendo feito e se revendo e, por isso, não pode ser capturado e ensinado. Ainda, segundo Kant:
O ensino da filosofia, enquanto força de interrogação e de reflexão (e não como uma disciplina fechada sobre ela mesma) poderia funcionar como o suporte dessa racionalidade crítica e autocrítica, fermento da lucidez com vistas a promover a compreensão humana. É preciso ajudar as mentes a conviver com as ideias que devem funcionar como mediadoras com o real, e não ser confundidas com o real ou servir de meio a sua ocultação.
(MORIN, 2003, p. 54.)
Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. No que tange à filosofia, ela: