Questões de Concurso
Comentadas sobre bases sócio-históricas da educação física em educação física
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Nessa perspectiva, os agentes históricos não teriam qualquer possibilidade de mover-se com autonomia diante das rígidas estruturas ideológicas determinadas pelo Estado. Moldar-se a determinados modelos culturais impostos de forma imperativa seria então tudo o que restaria aos mais diversos sujeitos. [...] Isso equivaleria a extrair do sujeito toda a sua autonomia, ainda que relativa, em face das vicissitudes da vida social e toda sua capacidade de indignação e resistência diante dos modelos preconcebidos de organização da cultura.
OLIVEIRA, Marco Aurélio Taborda de. Educação Física escolar e ditadura militar no Brasil (1968-1984): história e historiografia. In: Ver. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28, n.1, p. 51-75, jan/jun. 2002, p. 60.
Tendo em vista as imposições do Estado Ditatorial (1964- 1985) sobre a Educação Física escolar, como processo emblemático do autoritarismo, a resistência dos sujeitos escolares requer a reinvenção dos conteúdos e formas de ensino em todos os temas da cultura corporal. Para tanto, deve-se reconhecer a escola como um espaço de
( ) Na abordagem Crítico-Superadora, o currículo é organizado em torno do conceito de "Cultura Corporal", sendo a seleção de conteúdos baseada na relevância social, contemporaneidade e adequação às possibilidades cognitivas dos alunos, visando a leitura da realidade social.
( ) A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define a Educação Física como parte da área de Linguagens, estruturando o currículo a partir de seis unidades temáticas fixas para todo o Ensino Fundamental, o que elimina a autonomia do professor na seleção de saberes locais.
( ) Na perspectiva da Didática Comunicativa (ou Crítico-Emancipatória), o ensino deve se pautar na "transcendência de limites", utilizando o esporte e o movimento como meios para o desenvolvimento da competência objetiva, social e subjetiva do educando.
( ) As teorias Pós-Críticas de currículo na Educação Física priorizam a eficiência motora e o desenvolvimento das capacidades físicas, utilizando a didática instrucional para garantir que o aluno domine as técnicas esportivas universais como forma de inclusão cultural.
( ) O planejamento didático contemporâneo exige a articulação entre as dimensões do conhecimento (conceitual, procedimental e atitudinal), superando o "saber fazer" meramente técnico em favor do "saber sobre o fazer" e do "saber ser".
Após análise, conclui-se que a sequência correta é:
I. O trato pedagógico deve considerar as práticas corporais como conteúdos que envolvem dimensões culturais, sociais e históricas, e não apenas execução motora.
II. A organização do ensino em Educação Física deve favorecer a aprendizagem progressiva dos estudantes por meio de metodologias e avaliação coerentes com objetivos educacionais.
III. A seleção das práticas corporais pode restringir-se a esportes e exercícios “fáceis”, pois a diversidade de manifestações corporais não é necessária à formação cultural do aluno.
É correto o que se afirma apenas em:
I. O corpo, na perspectiva social e cultural, é entendido principalmente como um “biomáquina” neutra, sem influência de valores culturais e normas sociais.
II. As práticas corporais devem ser tratadas como atividades exclusivamente técnicas e descontextualizadas, pois a escola não deve discutir significados sociais atribuídos ao corpo.
III. O corpo é socialmente produzido e passa por processos históricos de normalização e significação; portanto, as práticas corporais carregam sentidos culturais e relações de poder.
Após análise, conclui-se que está correto o que se afirma em:
I. Na tendência recreacionista a educação física passou a significar esportes de alto rendimento e esta era a palavra de ordem.
II. Sobre o higienismo e militarismo. no primeiro instante os objetivos eram os hábitos de higiene e saúde, em que se buscava o aprimoramento físico e moral, através dos exercícios. As aulas geralmente eram ministradas por médicos e militares.
III. No que concerne a tendência recreacionista as críticas à tendência esportivista foram iniciadas e tornaram-se constantes, dando espaço ao surgimento, como alternativa, à tendência recreacionista. Porém, a recreação única e exclusiva também deixa a desejar como ferramenta pedagógica, e não foram apresentadas mudanças significativas.
Após análise, conclui-se que está correto o que se afirma em:
A experiência humana, no seu sentido antropológico, é uma totalidade biopsicossocial, na medida em que a maturação neurológica (fator biológico) representa o resultado da dialética da quantidade e da qualidade de estimulação proporcionada pelo adulto socializado, que também, por esse fato, é portador de valores culturais (fator sociológico). A edificação de uma personalidade, neste caso a da criança (fator psicológico), resulta da interação entre o potencial hereditário e o meio, entre fatores endógenos e fatores exógenos, entre a atividade bioquímica e bioelétrica do cérebro e aprendizagem social, ou seja, tudo o que permite a apropriação dos valores […]
FONSECA, Vitor da. MENDES, Nelson. Escola, escola, quem és tú? Porto Alegre: Artes Médicas. 1987. p. 278.
A partir das postulações da aprendizagem humana e as suas redes de relações de desenvolvimento, os fatores motor e cognitivo estão relacionados
I.A capoeira tem origens vinculadas à diáspora africana e à resistência das pessoas escravizadas no Brasil, com desenvolvimento em diferentes regiões e estilos consagrados (Capoeira Angola, sistematizada por Mestre Pastinha, e Capoeira Regional, sistematizada por Mestre Bimba na década de 1930), configurando manifestação cultural brasileira de matriz afro-brasileira.
II.Os instrumentos musicais característicos da roda de capoeira articulam o berimbau (em diferentes afinações: gunga, médio, viola), o pandeiro, o atabaque, o agogô e o reco-reco, com a música e o ritmo (toques) integrando a expressão cultural da capoeira no contexto da roda.
III.Os fundamentos da capoeira articulam movimentos como a ginga (movimento-base), as esquivas, os ataques (rasteiras, rabos-de-arraia, meia-luas), os floreios e a interação com o adversário/parceiro na roda; o ensino na escola articula a vivência adaptada desses fundamentos, em consonância com as referências da BNCC.
Está correto o que se afirma em:
I - A cooperação pode ser compreendida como um meio para a competição, como se observa nos jogos coletivos competitivos, nos quais a colaboração mútua entre os membros de uma equipe é indispensável para o enfrentamento do adversário.
II - O esporte competitivo moderno, ao ser mediado pelo respeito obrigatório às regras e pela fiscalização de juízes, pode atuar como um vetor do processo civilizatório, substituindo formas violentas de confronto por disputas controladas e socialmente aceitáveis.
III - Uma proposta de "repedagogização" do esporte deve ser orientada pela dialética, buscando recuperar o trabalho formativo tanto da cooperação quanto da competição, em vez de tentar eliminar o caráter agonístico inerente ao fenômeno esportivo.
IV - A pesquisa científica já estabeleceu uma relação determinística comprovada de que a prática de jogos cooperativos na escola substitui definitivamente os instintos competitivos dos indivíduos e garante, por si só, a transformação radical das estruturas sociais capitalistas.
Assinale a alternativa CORRETA:
I - O objetivo central desta abordagem é garantir que a criança alcance padrões de maturação biológica e habilidades motoras básicas, seguindo uma ordem sequencial que vai do simples ao complexo.
II - A avaliação nesta perspectiva é estritamente técnica, focada no resultado final do gesto motor e no rendimento atlético, visando a seleção dos alunos mais aptos para competições escolares.
III - Esta abordagem fundamenta sua proposta na luta de classes da sociedade capitalista, buscando romper com a hegemonia dos aspectos biofisiológicos para focar nos elementos socioculturais da cultura corporal.
IV - No trato com o conhecimento, a proposta sugere princípios curriculares como a simultaneidade dos conteúdos e a organização do ensino através de um sistema de ciclos, em substituição ao modelo de seriação.