Questões de Concurso
Sobre gêneros jornalísticos em jornalismo
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O PUXADOR DE PALMAS
Antonio Prata
Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz – e taí um mistério que não tenho pressa em desvendar. O que venho descobrindo empiricamente é que quando uma pessoa muito especial parte, cria um túnel de luz do lado de cá, ajudando os que ficam a fazer a passagem. Tem o susto, a dor, mas aos poucos vão surgindo as memórias, histórias engraçadas vão brotando e quando você vê, um papo que começou com “meus pêsames” termina em risada.
Eu não conhecia direito o Marcão, mas ele era dessas pessoas que a gente não precisa conhecer direito pra conhecer bem. Vivia de guarda abaixada, o sorriso à mostra, principalmente quando falava da filha mais velha, Renatinha, minha amiga e colega de trabalho. Todo dia, há três anos, eu, a Renata, a Thais, o Chico e a Hela escrevemos uma série em longas reuniões Zoom. Quando o Marcão faleceu, não faz nem duas semanas, preparei-me pra uma Renata deprimida, calada: eu não contava com o túnel de luz. A cada dia a Renatinha traz uma história, uma memória, um traço do pai que nos leva às lágrimas ou às gargalhadas – não raro, ao mesmo tempo.
Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser “puxador de palmas”. Ele era aquele cara que no teatro ou num show aplaude primeiro, forte, convicto, arrastando milhares atrás de si.
Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas. Que seria uma virtude caxias, tipo: ser o primeiro a chegar numa fila ou o primeiro a acordar na família. Nada disso.
Pedro, meu querido cunhado, mencionou outro dia como o entusiasmo está fora de moda. O arrebatamento é tratado como uma fraqueza. Ficar enlevado é coisa de criança. No mundo das redes sociais, com as opiniões transformadas em commodities, nos tornamos todos “brokers” de nós mesmos, num “day-trade” infernal. Nos exibimos em tempo real nessas vitrines virtuais, ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts.
Como todo mercado, é um terreno competitivo, hostil. Nos apresentamos, portanto, segurados pela ironia, alavancados pelo sarcasmo, contando com circuit breaker do cinismo. Sai um filme, um álbum novo, um livro, as pessoas consultam as opiniões de duas dúzias antes de dar um pio (ou, agora que mudou o nome, pontificar sobre o X da questão). Na dúvida, falam mal, como se não gostar decorresse de profunda atividade intelectual e o alumbramento de uma espécie de reflexo instintivo.
Diametralmente oposto aos habitantes desta savana vital está o puxador de palmas. O puxador de palmas não tá na bolsa de valores, tá na praça, tá na roda. O que diz com o aplauso é “não importa o que o cês acharam, eu adorei!”. Uma mente amolecida pelo sol da savana veria no “puxador de palmas” um líder. Um influenciador. Talvez lançasse um livro de autoajuda: “Aplauda antes para ser aplaudido depois – como gerir pessoas e liderar equipes”.
Não, amizade. O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam, pra quem vem atrás, é o contrário. Ele é alguém que está à vontade dentro de si, despreocupado. Sua convicção não vem da análise macro e microeconômica das tendências culturais, vem do coração.
Esse é o tipo de assunto que surge toda vez que a Renatinha, no meio da lida, evoca o Marcão, orgulhoso puxador de palmas. De repente, do pranto faz-se o riso. Das mãos espalmadas faz-se o encanto. Faz-se de um Zoom uma aventura errante. De repente, não mais que de repente.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/05/o-puxa
dor-de-palmas.shtml. Acesso em: 24 mar. 2026.
I. A enquete e a cronologia pertencem ao gênero interpretativo.
II. A entrevista integra o gênero informativo.
III. A resenha e o dossiê são classificados como formatos pertencentes do gênero opinativo.
IV. O roteiro e o indicador são formatos característicos do gênero utilitário.
V. A história de interesse humano é um formato do gênero diversional.
Quais estão corretas?
Um texto jornalístico cuja principal finalidade é relatar fatos da maneira mais objetiva possível, enquadra-se no gênero:
I. Lead corresponde à abertura do texto jornalístico, concentrando as principais informações do fato e buscando responder às perguntas fundamentais da notícia.
II. Editorial é um texto obrigatoriamente assinado por um jornalista ou colaborador, no qual são expressas opiniões estritamente pessoais sobre temas da atualidade.
III. Off-the-record refere-se à informação fornecida por uma fonte que não deseja ser identificada na reportagem.
IV. Suíte consiste em uma reportagem biográfica destinada a apresentar a trajetória pessoal e profissional de determinado personagem.
Está correto o que se afirma em:
1. Material produzido para veículos de imprensa com objetivo de divulgação institucional;
2. Texto analítico com posicionamento oficial do Conselho; e
3.Documento interno que orienta a produção futura de conteúdos jornalísticos. Considerando que a correta identificação e aplicação dos gêneros textuais é fundamental para garantir a eficácia da comunicação em cada contexto, assinale a associação correta entre as produções e seus respectivos gêneros.
(Foto: Evandro Teixeira – Acervo Instituto Moreira Salles. Disponível em: https://vejario.abril.com.br/-evandro-teixeira-jornalismo/.
Acesso em: maio de 2026.)
A imagem registra uma situação de conflito em espaço público, marcada por ação imediata, tensão corporal e relação assimétrica entre os personagens fotografados. Em veículos de comunicação, imagens dessa natureza podem compor reportagens, notícias e outros conteúdos informativos. Considerando os princípios que orientam a produção e a utilização de fotografias jornalísticas, assinale a afirmativa correta.
Analise as afirmativas abaixo quanto às entrevistas de personalidade e sua relação com o interesse público.
II. Esse tipo de entrevista diferencia-se da biografia por basear-se prioritariamente em documentos e arquivos.
III. Entrevistas de personalidade despertam interesse jornalístico quando o entrevistado se destaca por algum fato relevante.
IV. A participação de parentes, amigos e vizinhos pode complementar o perfil traçado na entrevista de personalidade.
V. Entrevistas de personalidade têm como foco principal a análise técnica de eventos políticos ou científicos.
Estão corretas apenas as afirmativas:
Analise as afirmativas abaixo quanto aos tipos de entrevistas jornalísticas e suas finalidades.
II. Em entrevistas informativas, o sigilo da fonte pode ser adotado quando há risco de represálias ao informante.
III. Entrevistas opinativas caracterizam-se pela busca de relatos factuais de testemunhas diretas de acontecimentos.
IV. Nas entrevistas opinativas, o jornalista seleciona fontes com autoridade técnica, científica ou institucional sobre o tema abordado.
V. O nome do entrevistado é sempre dispensável nas entrevistas opinativas, pois o foco está no conteúdo técnico.
Estão corretas apenas as afirmativas:
Analise as afirmativas abaixo quanto à função social e narrativa das entrevistas de personalidade.
II. O interesse da mídia por vencedores de loterias decorre exclusivamente do valor econômico do prêmio.
III. A repetição de certos discursos nas entrevistas de personalidade revela padrões culturais e expectativas sociais.
IV. Entrevistas de personalidade não possuem relevância jornalística, pois carecem de informação objetiva.
V. A construção narrativa desse tipo de entrevista pode reforçar estereótipos sociais.
Estão corretas apenas as afirmativas:
I. A escolha da fonte em entrevistas informativas prioriza a proximidade do entrevistado com o fato narrado.
II. Em entrevistas opinativas, o jornalista deve buscar fontes que tenham vivência pessoal direta do acontecimento.
III. Autoridade e especialização são critérios centrais para a escolha de fontes em entrevistas opinativas.
IV. Técnicos, médicos e juristas são exemplos de fontes recorrentes em entrevistas informativas.
V. O desempenho esportivo de uma equipe pode ser analisado por jogadores e dirigentes em entrevistas opinativas.
Estão corretas apenas as afirmativas:
Considerando critérios de redação e estilo da linguagem jornalística, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A urgência e a contingência, inerentes à produção jornalística, condicionam o caráter datado das interpretações, o que reforça o compromisso da atividade com a inteligibilidade imediata dos fatos.
( ) A linguagem jornalística, por essência, explora interioridade e motivações ocultas.
( ) O jornalismo é, sobretudo, um relato de aparências, por isso, constitui um apanhado de superficialidades.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Julgue o item a seguir, relativo a gêneros jornalísticos da imprensa escrita.
O briefing, no contexto da imprensa escrita, é um gênero exclusivamente publicitário, e não se aplica à produção editorial jornalística.