Questões de Concurso
Sobre revolução e transformação social em sociologia
Foram encontradas 132 questões
O sociólogo Manuel Castells em redes de indignação e esperança, destaca alguns motivos que levaram os brasileiros às ruas a partir de junho de 2013. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a um dos motivos.
Em A sociedade contra o Estado, o antropólogo, Pierre Clastres descreve as situações em que diversas tribos da Amazônia, como os Yanomamis, se comportam com relação a seus chefes. O autor classifica como chefe sem poder, uma vez que, nas palavras do autor: “o espaço da chefia não é o lugar do poder, e a figura (mal denominada) do ‘chefe’ selvagem não prefigura em nada aquela de um futuro déspota”. Entretanto, o poder é exercido em apenas uma situação. Em que oportunidade o chefe exerce, excepcionalmente, o poder?
Em pleno século XXI existem trabalhadores submetidos a trabalho escravo, embora considerado crime pela legislação vigente e fiscalizado pelos órgãos competentes. Assinale a alternativa em que fica evidenciada uma relação de trabalho escravo.
Calcula-se que, à época do descobrimento existiam, 4 milhões de índios, hoje estima-se em torno de 400 mil. Entretanto, a partir da década de 1980 o número de índios voltou a crescer. Assinale a alternativa que aponta uma das causas desse crescimento.
A Guerra do Contestado foi um conflito que surgiu entre 1912 e 1916, em uma área povoada por sertanejos, no sul do Brasil. Eram pessoas muito pobres, oprimidas, que não possuíam terras e também padeciam com a escassez de alimentos. Subsistiam sob a opressão dos grandes fazendeiros e de uma empreendedora americana, responsável pela implantação de uma via ferroviária que ligava o sul a uma madeireira. Sobre o Movimento social da Guerra do Contestado é correto dizer que:
Levando-se em conta o que a sociologia descreve como cooperação, assinale o item que NÃO corresponde à cooperação social.
O patrimonialismo é uma característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado. Em qual período da nossa história o patrimonialismo foi mais marcante?
A ideia de "indivíduos que perseguem seus interesses ou se mostram capazes de associar-se para defender a própria liberdade" (DOMINGUES. J. M: 1999; 32), recebem a definição devidamente apropriada na definição de:
" Quais são as ideias-chave da sociologia - aquelas que, mais do que quaisquer outras distinguem a sociologia em face das demais ciências sociais?" (NISBET, R: 2003; 18-9). A essa questão o grande sociólogo Robert Nisbet responde com cinco conceitos: "comunidade, autoridade, status, o sagrado, e a alienação" (idem, ibidem). Há de se notar que, para cada um desses conceitos, há um oposto correspondente , mas de igual importância. Nesse sentido, em oposição ao conceito de status, está o de:
Em seu importante comentário sobre o pensamento sociológico contemporâneo , o sociólogo brasileiro José Maurício Domingues (1999; 54) assevera que coube a Bourdieu a tentativa de síntese mais bemsucedida entre Marx e Weber no que concerne às reflexões sobre a sociabilidade em geral e à diferenciação social e às tensões inerentes à estratificação social em especial. Nas palavras de Bourdieu:
Essa caracterização refere-se ao fenômeno denominado:
A sociologia é uma das ciências humanas que estuda a sociedade, ou seja,
No Brasil, a modernidade veio deitar raízes em terreno já profundamente atravessado por ambiguidades. Eram dois os “brasis” que coexistiam no século XIX: o Brasil agrário, das casasgrandes e senzalas, onde nada parecia ameaçar a vontade senhorial, a dominação pelo privilégio e a lógica do favor; e o Brasil das cidades, de modas e imigrantes europeus, nas quais o progresso imprimia ao tempo aceleração vertiginosa. A independência fora costurada sob influência de ideias americanas e européias de diferentes colorações liberais, e a República veio aprofundar o alcance e a penetração deste ideário. Contudo, se por um lado a influência da ideologia burguesa era nítida, por outro o próprio sistema escravista bastava para desmentir um de seus pressupostos básicos, a racionalização produtiva. Havia, portanto, uma incompatibilidade claramente definida: em teoria, adotava-se a igualdade perante a lei, a liberdade trabalhista, a universalidade dos princípios; as práticas econômicas, entretanto, descortinavam outra realidade. Aqui, o sopro ideológico que animava a modernidade de nossos vizinhos ao Norte parecia ter serventia menos como motor e espelho de um sistema econômico do que para emprestar uma coloração moderna ao discurso das elites.
Neste cenário, tomou forma uma importante disputa sobre as matrizes políticas que deveriam moldar institucionalmente (e ideologicamente) a administração do Brasil e, por conseguinte, guiar-nos o desenvolvimento. Intelectuais e políticos como Paulino José Soares de Souza, o Visconde de Uruguai, Aureliano Cândido Tavares Bastos (deputado pelo Partido Liberal) e Oliveira Vianna, envolveram-se em tal debate, polarizado em torno das matrizes do:
Ao longo de nossa história, a questão racial recebeu tratamentos diferentes, isto é, foi concebida ou pensada em determinados termos, por intelectuais de filiações diversas (Oliveira Vianna, Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, entre outros), de acordo com o momento específico do país. A alternativa que corresponde adequadamente aos três momentos dessa história é:
“O processo de judicialização [da política] tem dois componentes: o primeiro deles e provavelmente o mais importante é a expansão do poder dos juízes em detrimento daquele dos políticos e administradores, e o segundo é a expansão de métodos jurídicos de decisão para além do domínio do Poder Judiciário. (...) A tradição brasileira anterior a 1988 é de fraca autonomia do Judiciário que, ao longo dos primeiros cem anos de República, diferentemente do caso norte-americano, não instituiu uma tradição de revisão dos atos do Executivo na tradição política brasileira até 1988 é o poder mais ativo, que atua sem um processo de equilíbrio das suas prerrogativas” (AVRITZER, Leonardo. Judicialização da política e equilíbrio de poderes no Brasil.)
Acerca da relação entre os poderes no Brasil a partir da vigência da Carta de 1988, pode-se dizer que:
“Cerca de 50 mil brasileiros são vítimas de homicídios dolosos, anualmente, dos quais apenas 8%, em média, são esclarecidos e um número bem menor chega a ser julgado e condenado. Portanto, a taxa de impunidade relativa aos crimes mais graves alcança o espantoso patamar de 92%. Somos o segundo país mais violento do mundo, considerando-se os números absolutos referentes aos crimes letais intencionais. Examinando o baixíssimo índice de esclarecimento, um observador poderia ser instado a deduzir que o Brasil é o país da impunidade. Não é verdade. Temos a terceira população prisional do mundo, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos, e um dos mais velozes crescimentos da taxa de encarceramento do planeta: havia 160 mil presos em 1995; hoje, são 540 mil.” (SOARES, Luiz Eduardo. Raízes do imobilismo político na segurança pública.)
A respeito dos mecanismos que jazem na raiz do problema da segurança pública, é correto afirmar que:
“Hoje [São Paulo] é uma cidade feita de muros. Barreiras físicas são construídas por todos os lados: ao redor das casas, dos condomínios, dos parques, das praças, das escolas, dos escritórios... A nova estética da segurança decide a forma de cada tipo de construção, impondo uma lógica fundada na vigilância e na distância. (...) Presume-se que as comunidades fechadas sejam mundos separados. As mensagens publicitárias acenam com a promessa de ‘viver plenamente’ como uma alternativa à qualidade de vida que a cidade e seu deteriorado espaço público podem oferecer”. (CALDEIRA, Teresa. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana.)
“Mas existe um terceiro e mais importante motivo de preocupação com a crescente desigualdade na vida americana: um fosso muito grande entre ricos e pobres enfraquece a solidariedade que a cidadania democrática requer. Eis como: quando a desigualdade cresce, ricos e pobres levam vidas cada vez mais distintas. (...) Os mais ricos afastam-se dos logradouros e dos serviços públicos, deixando-os para aqueles que não podem usufruir de outro tipo de serviço. (...) O esvaziamento do domínio público dificulta o cultivo do hábito da solidariedade e do senso de comunidade dos quais depende a cidadania democrática”. (SANDEL, Michael. Justiça. O que é fazer a coisa certa.)
Estas passagens lançam luz sobre alguns dos efeitos perversos da desigualdade: o esgarçamento do sentimento de pertencer a uma mesma trajetória coletiva e o aumento da desconfiança intersubjetiva, com a segregação cívica e sua expressão no espaço público. Um terceiro efeito do aumento da desigualdade está relacionado a:
Considere os seguintes trechos de artigos, escritos a partir das manifestações que varreram as principais cidades brasileiras desde junho passado:
“Estamos diante de um verdadeiro divisor de águas na história do país, deixando para trás as formas anacrônicas do nosso sistema político, que vem hipotecando a expressão do moderno, cuja palavra chave é a autonomia dos seres sociais diante do Estado e do mercado, ao que há de mais retardatário em nossa sociedade. Não à toa ouve-se das ruas o clamor em favor da abertura da esfera pública à participação popular, até então mantida ao largo da deliberação das políticas públicas, capturadas pelo jogo de interesses de grupos econômicos e dos políticos que lhes servem”. (VIANNA, Luiz Werneck. “As mobilizações de junho e julho”.)
“Em termos muito singelos, o despotismo indireto é a representação política tornada incapaz de se exercer no interesse dos representados, mas voltada exclusivamente ao dos próprios representantes. No fundo, é o fracasso da ideia mesma de representação, que só teria como funcionar em nível adequado se gerasse, nas palavras certeiras de Nadia Urbinati, um “processo contínuo de circulação” entre sociedade e Estado, durante e entre os embates eleitorais. (...) Eis o ponto que gostaríamos de destacar: estamos falando de um conceito que resguarda o potencial semântico de lidar com experiências que vão além do campo do autoritarismo, podendo envolver regimes democráticos. Isto é, regimes que, apesar de conservarem os direitos e as liberdades democráticas típicas, além do sufrágio universal, têm suas práticas de representação degradadas por um processo sutil de autorreferencialidade, vale dizer, de fechamento para a voz dos representados.” (ARAÚJO, Cícero. “A representação política no Brasil e o despotismo indireto”.)
A reivindicação pela reforma do sistema representativo com vistas a abrir novos canais de participação popular na política esteve no cerne dos recentes protestos no Brasil.
No que diz respeito à possibilidade de sua implementação concreta, tal reivindicação pode ser considerada:
O texto a seguir serve de referência para responder à questão 32.
O prestigio da palavra escrita, da frase lapidar, do pensamento inflexível, o horror ao vago, ao hesitante, ao fluido, que obrigam à colaboração, ao esforço e, por conseguinte, a certa dependência e mesmo abdicação da personalidade, têm determinado assiduamente nossa formação espiritual. Tudo quanto dispense qualquer trabalho menta l aturado e fatigante, as ideias claras, lúcidas, definitivas, que favorecem uma espécie de atonia da inteligência, parecem-nos constituir a verdadeira essência da sabedoria |
(FONTE: HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.158.)
No fragmento de texto, Sergio Buarque de Holanda descreve a imagem do bacharel, um “tipo social” que
O texto a seguir serve de referência para responder às questões 29 e 30.
Olha o gato! Pesquisa diz que 13% dos brasileiros usa conexão do vizinho Na última terça-feira (15), o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação divulgou uma informação no mínimo curiosa: 13% dos participantes da pesquisa TIC Domicílios 2014, realizada entre outubro de 2014 e março de 2015, revelaram que utilizam a casa do vizinho como ponto de acesso à internet. Para chegar a esse resultado, foram ouvidos moradores de 19 mil domicílios em mais de 350 munícipios de todo o país. Isso ajudou, por exemplo, a perceber que a prática é mais comum na região Nordeste, onde 22% dos entrevistados afirmaram que recorrem à conexão alheia para acessar a internet. Em contrapartida, tal prática é menor no Centro-Oeste, onde apenas 10% das pessoas confirmaram tal ação. |
Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/86485-olha-gato-pesquisa-diz-13-brasileiros-usa-conexaovizinho.htm. Acesso em: 10 jun. 2018.
Ainda de acordo com Damatta, o “jeitinho brasileiro” se relaciona com uma configuração cultural da sociedade brasileira onde
O texto a seguir serve de referência para responder às questões 29 e 30.
Olha o gato! Pesquisa diz que 13% dos brasileiros usa conexão do vizinho Na última terça-feira (15), o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação divulgou uma informação no mínimo curiosa: 13% dos participantes da pesquisa TIC Domicílios 2014, realizada entre outubro de 2014 e março de 2015, revelaram que utilizam a casa do vizinho como ponto de acesso à internet. Para chegar a esse resultado, foram ouvidos moradores de 19 mil domicílios em mais de 350 munícipios de todo o país. Isso ajudou, por exemplo, a perceber que a prática é mais comum na região Nordeste, onde 22% dos entrevistados afirmaram que recorrem à conexão alheia para acessar a internet. Em contrapartida, tal prática é menor no Centro-Oeste, onde apenas 10% das pessoas confirmaram tal ação. |
Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/86485-olha-gato-pesquisa-diz-13-brasileiros-usa-conexaovizinho.htm. Acesso em: 10 jun. 2018.
Essa reportagem ilustra um fenômeno social que foi bastante estudado pelo antropólogo brasileiro Roberto Damatta: o “jeitinho brasileiro”. Compreendido por Damatta como um traço constitutivo da identidade cultural brasileira, o jeitinho brasileiro pode ser caracterizado como