Questões de Concurso
Sobre estratificação e desigualdade social em sociologia
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Tendo em vista os conceitos de pobreza, desigualdade social, exclusão social e cidadania, analise as afirmativas a seguir.
I. A pobreza é uma condição de indivíduos ou grupos, os quais se encontram privados de meios adequados de subsistência. II. A pobreza está diretamente ligada à falta de acesso aos direitos básicos assegurados ao cidadão. III. A desigualdade relaciona-se apenas às questões econômicas; é característica de países em situação de pobreza e miséria. IV. A exclusão diz respeito, entre outros fatores, ao indivíduo ou grupo à margem de todo e qualquer projeto social. V. A cidadania relaciona-se com a garantia de acesso a bens e serviços públicos, bem como aos direitos assegurados.
Estão corretas as afirmativas
Um sistema escolar justo deveria assegurar um combate constante às desigualdades, promovendo ações justas – ou que pelo menos não reproduzam a injustiça – tais como:
O termo ação afirmativa foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos da América, na década de 60 do século XX, com a finalidade de se referir a políticas do governo para combater as diferenças entre brancos e negros. Antes mesmo da expressão, as ações afirmativas já eram pauta de reivindicação do movimento negro no mundo todo, além de grupos discriminados, como árabes, palestinos, curdos, entre outros oprimidos.
Internet: <www seppir gov br> (com adaptações)
Considerando-se as ideias do texto precedente como referência inicial, é correto afirmar que uma ação afirmativa deve ser vista como
O grupo 1% mais rico da população brasileira tinha um rendimento médio (de todos os trabalhos) de R$ 27.085 mensais em 2016, ou 36,3 vezes acima do que recebia a metade mais pobre da população naquele ano (R$ 747). Esse grupo mais rico da população era integrado por 889 mil pessoas, ao passo que a metade com menor rendimento era formada por 44,4 milhões de brasileiros.
Considerando as informações apresentadas no texto precedente e os múltiplos aspectos da sociologia política a elas relacionados, julgue o próximo item.
Em um cenário fortemente marcado pela má distribuição de
renda, como o descrito no texto em questão, as medidas de
tendência central apresentam-se muito limitadas para a análise
da realidade social, sendo necessária a utilização de medidas
de desigualdade como o Índice de Gini.
O conceito de cidadania consolidado durante o século XX pressupunha que os cidadãos tivessem direito a um mínimo de bem-estar econômico e segurança que lhes permitisse viver como seres civilizados conforme os padrões correntes na sociedade, de modo a expandirem suas liberdades reais. Além de estabelecer que o bem-estar deveria incluir o acesso a bens essenciais, essa concepção de cidadania definiu também que o direito a tais serviços deveria estar dissociado da renda dos indivíduos. No século XXI, esse conceito passou por renovação.
M. Arretche. Trazendo o conceito de cidadania de volta. In: M. Arretche (Org.). Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos. São Paulo: Editora Unesp/CEM, 2015, p. 195-6 (com adaptações).
Tendo como referência o texto precedente, julgue o item a seguir, a respeito de cidadania, representatividade e inclusão.
De 1990 até 2013, foram registrados no Brasil os índices mais
elevados de desigualdade de renda.
Para o autor, as diferenças de acúmulo de capital econômico são a principal causa das desigualdades sociais.
A respeito dessa situação hipotética e de ideias relacionadas à sociologia do direito, julgue o item a seguir.
Sob a perspectiva quantitativa weberiana, o espaço de moradia é uma característica que diferencia os grupos sociais e localiza os indivíduos na estratificação social.
“A distância entre aqueles que possuem muito e aqueles que possuem pouco, mas cada vez mais, não mudou. Mas multiplicaram-se os graus intermediários, que de algum modo aproximam os extremos. Dirigentes dirigidos, a um mesmo centro de mediocridade. Ser rico consiste hoje em dia em possuir um grande número de objetos pobres”. (VANEIGEM, 2002, p. 77)
Assinale a alternativa incorreta acerca da afirmação acima.
“A participação masculina na capoeira é comumente tratada nos livros. Hoje novas pesquisas vêm mostrando a mulher como protagonista dessa prática também nos séculos XIX e XX, mesmo que de forma discreta: ‘Alguns registros existem sobre as mulheres neste universo, como é o caso de Salomé, personagem da memória da capoeira baiana’”. (SILVA, 2015; p.05)
Assinale a alternativa correta acerca da afirmação acima:
“[…] a tese da dissociação-valor, em síntese, afirma que o feminino, o trabalho de casa etc. sofre uma “dissociação” [Abspaltung] do valor, do trabalho abstracto e das formas de racionalidade que lhe estão ligadas, sendo que determinadas qualidades com conotação feminina como sensibilidade, emocionalidade etc. são atribuídas à mulher; ao homem, pelo contrário, compete a força do entendimento, a fortaleza de carácter, a coragem etc. No desenvolvimento moderno, o homem foi equiparado com a cultura, a mulher com a natureza. Valor e dissociação estão assim numa relação dialéctica recíproca”. (SCHOLZ, 2000; s/p)
Com base na citação acima, assinale a alternativa correta:
Leia a afirmativa a seguir:
Os conceitos das ciências sociais são conceitos abstratos, pouco precisos e difíceis de serem manipulados. Além disso, não têm a tradição e não possuem o grau de precisão já alcançado pelas ciências naturais. Noções como as de nação, sindicato, classe social, partidos políticos, democracia são de difícil compreensão por sua complexidade. Já os conceitos de ciências da natureza, geralmente, são claros, precisos e, em muitos casos, simples.
Essa afirmativa é:
Relações étnico-raciais: O papel da UNESCO para a superação da discriminação racial no Brasil
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) é uma entidade que procura destacar a contribuição dos diversos povos no mundo para a construção da civilização. O desafio, no entanto, é tentar trazer à luz “a compreensão sobre a origem dos conflitos, do preconceito, da discriminação e da segregação racial que assolam o mundo”.
A UNESCO, entre outros fatores, assegura que a diversidade étnico-racial e cultural de um povo constitui a principal riqueza da sociedade que a compõe, especialmente quando promove a igualdade de direitos. Nessa perspectiva, ela afirma que a sociedade brasileira é constituída por diferentes grupos étnico-raciais que a caracterizam, em termos culturais, como uma das mais ricas do mundo. No entanto, sua história é marcada por desigualdades e discriminações, especificamente contra negros e indígenas, impedindo, desta forma, seu pleno desenvolvimento econômico, político e social.
(http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/social-and-human-sciences/ethnic-and-racial-relations/ acesso em 16 de outubro de 2017)
Em relação à superação dos conflitos étnico-raciais no Brasil, podemos afirmar que
A narrativa abaixo tem como personagem central Totonha, que revela um pouco a sua visão de mundo
Totonha
Capim sabe ler? Escrever? Já viu cachorro letrado, científico? Já viu juízo de valor? Em quê? Não quero aprender, dispenso.
Deixa pra gente que é moço. Gente que tem ainda vontade de doutorar. De falar bonito. De salvar vida de pobre. O pobre só precisa ser pobre. E mais nada precisa. Deixa eu, aqui no meu canto. Na boca do fogão é que fico. Tô bem. Já viu fogo ir atrás de sílaba?
O governo me dê o dinheiro da feira. O dente o presidente. E o vale-doce e o vale-lingüiça. Quero ser bem ignorante. Aprender com o vento, ta me entendendo? Demente como um mosquito. Na bosta ali, da cabrita. Que ninguém respeita mais a bosta do que eu. A química.
Tem coisa mais bonita? A geografia do rio mesmo seco, mesmo esculhambado? O risco da poeira? O pó da água? Hein? O que eu vou fazer com essa cartilha? Número?
Só para o prefeito dizer que valeu a pena o esforço? Tem esforço mais esforço que o meu esforço? Todo dia, há tanto tempo, nesse esquecimento. Acordando com o sol. Tem melhor bê-á-bá? Assoletrar se a chuva vem? Se não vem?
Morrer, já sei. Comer, também. De vez em quando, ir atrás de preá, caruá. Roer osso de tatu. Adivinhar quando a coceira é só uma coceira, não uma doença. Tenha santa paciência!
Será que eu preciso mesmo garranchear meu nome? Desenhar só pra mocinha aí ficar contente? Dona professora, que valia tem o meu nome numa folha de papel, me diga honestamente. Coisa mais sem vida é um nome assim, sem gente. Quem está atrás do nome não conta?
No papel, sou menos ninguém do que aqui, no Vale do Jequitinhonha. Pelo menos aqui todo mundo me conhece. Grita, apelida. Vem me chamar de Totonha. Quase não mudo de roupa, quase não mudo de lugar. Sou sempre a mesma pessoa. Que voa.
Para mim, a melhor sabedoria é olhar na cara da pessoa. No focinho de quem for. Não tenho medo de linguagem superior. Deus que me ensinou. Só quero que me deixem sozinha. Eu e minha língua, sim, que só passarinho entende, entende?
Não preciso ler, moça. A mocinha que aprenda. O doutor. O presidente é que precisa saber o que assinou. Eu é que não vou baixar minha cabeça para escrever.
Ah, não vou.
(FREIRE, Marcelino. “Totonha” in. Contos Negreiros, pp. 79-81. Record, 2005)
Após leitura atenta do texto, conclui-se que a personagem Totonha vive em situação precária de vulnerabilidade e risco social, PORQUE
ela