Questões de Concurso
Comentadas sobre estratificação e desigualdade social em sociologia
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"A análise das feministas radicais era de que o patriarcado e a dominação masculina colocavam mulheres de culturas e classes sociais diversas em uma mesma situação. [...] As análises e teorias do feminismo, embora criticassem o “essencialismo biológico” da defi nição de homem e mulher, também estavam limitadas por não considerarem a interdependência das relações de poder que perpassam as diferenças de raça, de sexo e de classe. Foram as feministas negras que, no final da década de 1970, criticaram radicalmente o feminismo branco, de classe média e heteronormativo".
SILVA, Afrânio; et al. Sociologia em movimento. 2ª, ed. São Paulo: Moderna, 2016, p. 340. A citação acima revela rupturas importantes, nas teorias feministas.
Nessa direção, podemos afirmar CORRETAMENTE que:
No contexto das teorias étnico-raciais, o Sociólogo Florestan Fernandes destacou-se por apresentar de forma crítica as contradições e incoerências no processo global de modernização no Brasil, acentuada na cidade de São Paulo, sobretudo, no que tange à população negra. “A rápida transformação urbana, ocorrida entre o fi nal do século XIX e o começo do século XX, impossibilitou a inserção do negro [...] no estilo urbano de vida, por não possuir recursos para enfrentar a concorrência dos imigrantes. [...] a heteronomia presente na “situação de castas” impediu aos negros assimilar as potencialidades oferecidas pela “situação de classes”.
ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Vocação Científi ca e Compromisso de Vida. In: BOTELHO, André; SCHWARCZ, Lilian Moritz. Um enigma chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. São Paulo, Companhia das letras, 2009, p. 317.
Considerando o enunciado acima, podemos inferir que:
Sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “espera-se que ajude a superar a fragmentação das políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo e seja balizadora da qualidade da educação. Assim, para além da garantia de acesso e permanência na escola, é necessário que sistemas, redes e escolas garantam um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes, tarefa para a qual a BNCC é instrumento fundamental”.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. a educação é a base, 2013, p.9. Disponível em https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ images/BNCC_EI_EF_110518_versaofi nal_site.pdf. Acesso em 04 fev. 2026.
Considerando os fundamentos teóricometodológicos da Sociologia e as orientações da BNCC, assinale a alternativa CORRETA.
WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2023: homicídios e juventude no Brasil. Brasília: FLACSO, 2023. Disponível em: https://www.fl acso.org.br/?p=2145. Acesso em: 04 fev. 2026.
A partir dessa caracterização, avalie as assertivas abaixo quanto à sua correlação com as principais perspectivas teóricas da sociologia do sistema penal, assinalando (V), se VERDADEIRAS, ou (F), se FALSAS.
( ) A configuração do sistema corrobora análises que compreendem a punição como um dispositivo de administração de grupos sociais considerados problemáticos ou excedentes, e não como uma mera reação técnica ao crime. ( ) O perfi l demográfico predominante nas prisões evidencia que os processos de seleção e processamento penal tendem a reforçar, em suas operações cotidianas, as clivagens de classe, raça e território preexistentes na sociedade. ( ) A expansão quantitativa do encarceramento representa uma estratégia funcionalmente adequada para a contenção da criminalidade, alinhada a uma visão da pena como instrumento de defesa social e neutralização de riscos. ( ) A realidade observada de consolidação de poder paralelo e socialização carcerária contradiz frontalmente o discurso ofi cial que atribui à pena privativa de liberdade uma finalidade corretiva e reintegradora.
A sequência CORRETA (V/F) encontra-se em:
Em um bairro nobre de São Paulo, as famílias não escolhem escolas apenas pela grade curricular. Elas avaliam se a escola oferece debate parlamentar em inglês, orquestra sinfônica, equipes de robótica que participam de competições internacionais e viagens de estudo ao exterior. Essas atividades, que vão muito além do vestibular, produzem nos alunos um estilo de fala, uma postura corporal e uma rede de contatos que os distinguem. Em processos seletivos para estágios em multinacionais ou entrevistas para universidades no exterior, essa “gramática corporal” e esse “repertório de mundo” frequentemente pesam mais do que as notas. Essa lógica de distinção social é analisada com base no conceito de habitus e campo.
BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2019.
A análise sociológica que melhor decodifi ca essa lógica, entendendo a educação como um jogo de distinção social no qual se acumulam e se convertem diferentes formas de capital, é tributária da obra de um autor para quem o mundo social se estrutura como:
Dados da PNAD Contínua (2023) e do Atlas da Violência (2023–2024) evidenciam que pessoas negras seguem mais expostas a vulnerabilidades, mesmo após políticas de inclusão. Essas desigualdades revelam que múltiplas dimensões da vida social (raça, gênero, classe) se entrecruzam na reprodução das hierarquias (IPEA, 2024). IPEA. Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros. Brasília: IPEA, 2022. Disponível em: https://www. ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/atlas/220826_atlas_ da_vulnerabilidade_social_nos_municipios_brasileiros.pdf. Acesso em: 02 fev. 2026.
À luz desse cenário, a sociedade brasileira pode ser compreendida, por uma perspectiva que considera a interação entre variáveis sociais, como:
IBGE. Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2023–2024. Brasília: IBGE, 2024. Disponível em: https:// www.ibge.gov.br/estatisticas/culturais.html. Acesso em: 02 fev. 2026.
Nesse contexto, a análise dos padrões de consumo e estilo de vida permite compreender que as preferências culturais:
Nas últimas décadas, políticas públicas no Brasil — como programas de transferência de renda, ampliação do acesso ao ensino superior, expansão da atenção básica em saúde e políticas de ação afi rmativa — contribuíram para reduzir determinadas vulnerabilidades sociais e ampliar o acesso formal a direitos. Entretanto, indicadores sobre renda, mobilidade social, desigualdade racial, segregação urbana e acesso a serviços públicos mostram que barreiras estruturais persistem, especialmente em territórios periféricos e entre populações historicamente marginalizadas.
Além disso, parte das políticas estatais opera sob restrições fiscais, interesses políticos, disputas institucionais e lógicas de mercado, o que pode limitar seus efeitos redistributivos e, em alguns casos, reforçar assimetrias já existentes. SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2023.pp.80-120.
A partir dessa leitura sociológica e empírica da realidade brasileira, essa ambivalência sugere que o Estado tende a:
No artigo Práticas musicais e classes sociais: estrutura de um campo local de Michel Bozon (2000), ele cita a distinção entre os modelos de sociabilidade e prática musical da Fanfarra, a Harmonia (estilo de Banda Marcial) e a Orquestra.
BOZON, M. Práticas musicais e classes sociais: estrutura de um campo local. Em pauta, v.11, n. 16/17, p.145-174, 2000.
Considerando o tema: "ensino de músicas nas escolas municipais brasileiras", assinale a alternativa CORRETA.
Disponível em https //sbsociologia.com.br/project/flores tan-fernandes/)
Em relação ao sociólogo Florestan Fernandes é correto afirmar:
Mito da democracia racial
A ideia de democracia racial remete a uma sociedade sem discriminação ou sem barreiras legais e culturais para a igualdade entre grupos étnicos. É essencialmente utópica, posto que a plena igualdade e a ausência completa de qualquer tipo de preconceito não ocorrem e nunca ocorreram em nenhum lugar do mundo. No Brasil, todavia, a formação da identidade nacional teve como um de seus componentes o mito da democracia racial, isto é, a ideia de mestiçagem como um lugar de convergência entre os muitos povos que aportaram aqui e da convivência harmônica entre negros e indígenas escravizados e portugueses, concepção inclusive reforçada em clássicos da nossa literatura e sociologia, como na obra “Casa-Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre.
Fonte: Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/racismo-no-brasil.htm. Acesso em: 17 mar. 2026.
Tendo como premissa que o Brasil é um país formado por uma intensa diversidade de povos, é CORRETO afirmar que:
I. A gênese da “questão social” encontra-se no caráter coletivo da produção e da apropriação privada do trabalho, de seus frutos e das condições necessárias à sua realização.
II. A “questão social” é indissociável ao trabalhador feudal, que depende da venda de sua força de trabalho para a satisfação de suas necessidades vitais. Trabalho e acumulação são duas dimensões do mesmo processo, fruto exclusivamente do trabalho pago.
III. A “questão social” condensa múltiplas desigualdades mediadas por disparidades nas relações de gênero, características étnico-raciais, relações com o meio ambiente e formações regionais, colocando em causa amplos segmentos da sociedade civil no acesso aos bens da civilização. IV. A dimensão estrutural – enraizada na produção social contraposta à apropriação privada dos frutos do trabalho, a “questão social” atinge visceralmente a vida dos sujeitos numa luta aberta e surda pela cidadania.
V. A “questão social” discutida na contemporaneidade pelo Serviço Social está baseada na perspectiva sociológica que a apreende como disfunção ou ameaça à coesão e à ordem social, inspirada na tradição de E. Durkheim, típica da escola francesa.
Assinale a alternativa CORRETA.
I Segundo Florestan Fernandes, desigualdades referem-se a assimetrias estruturais consolidadas na formação da sociedade de classes no Brasil.
II A modernização, segundo a interpretação sociológica brasileira, envolve transformações institucionais e econômicas que não implicam a garantia da superação das desigualdades.
III Para Otávio Velho, a análise das dinâmicas regionais e urbanas evidencia que a organização social varia conforme contextos históricos e territoriais específicos.
Assinale a opção correta.
I O fato de os 10% mais ricos ganharem mais de 13 vezes o rendimento dos 40% mais pobres em 2024 indica que, mesmo com melhorias pontuais em indicadores sociais, a desigualdade estrutural continua profunda no Brasil.
II A coexistência entre crescimento econômico e alta concentração de renda no país sugere que a lógica competitiva de mercado é suficiente para assegurar igualdade substantiva entre os grupos sociais.
III Quando diferenças estruturais de renda são interpretadas como resultado exclusivo de esforço individual, isso ajuda a naturalizar a desigualdade como um efeito neutro da competição, em vez de mostrar as bases estruturais que a perpetuam.
Assinale a opção correta.
I. a institucionalização da competição econômica fortalece automaticamente a cidadania política e reduz desigualdades estruturais.
II. a modernização conservadora representa uma etapa transitória rumo a uma sociedade de ampla mobilidade social.
III. sob capitalismo dependente, a ordem social competitiva pode coexistir com autoritarismo estrutural e democracia restrita, pois reorganiza privilégios em vez de superá-los.
Assinale a opção correta.
Considerando o texto apresentado, que trata da análise sociológica de Florestan Fernandes acerca da formação social brasileira, assinale a opção correta.