Questões de Concurso
Comentadas sobre estratificação e desigualdade social em sociologia
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(ANTUNES, Ricardo et al (Orgs.). Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. São Paulo: Boitempo, 2009. p. 164.)
Avalie as seguintes afirmativas sobre como o capitalismo influencia a formação, estrutura e organização da sociedade brasileira, considerando pobreza, exclusão social, preconceito e discriminação, e assinale a correta.
I. Estabelecer liderança corporativa de alto nível para a igualdade de gênero.
II. Tratar todos os homens de forma justa no trabalho – respeitando as hierarquias, apoiar os direitos humanos e a não discriminação.
III. Garantir a saúde, a segurança e o bem-estar de todos os trabalhadores e as trabalhadoras.
IV. Promover a igualdade através de iniciativas e defesa comunitária.
V. Mediar e publicar os progressos para alcançar a igualdade de gênero.
Está CORRETO o que se afirma em
I. Desde a sociedade escravista brasileira, formaram-se complexos sociais de desigualdades. O racismo e o sexismo são, sem dúvida, expressões desse complexo de desigualdades assentadas no sistema patriarcal-racista-capitalista.
II. A utilização da força de trabalho escravizada nas colônias constituía o meio adequado a fim de se levar avante o processo da acumulação originária.
III. Cada país imprime suas particularidades às relações sociais; por outro lado, o patriarcado ultrapassa fronteiras e deixa marcas comuns na forma como a mulher é tratada como “coisa”, ainda mais quando o sexismo associa-se ao racismo.
IV. O Brasil sofreu, em seu período colonial, a dominação de outros povos e tem a formação sócio-histórica carregada de substâncias patriarcal, sexista e racista sem as quais se torna impossível compreender a complexidade das classes sociais no país.
V. Na conjuntura atual brasileira, esse debate está superado, considerando-se o avanço dos direitos das mulheres, em especial para as negras e pardas, atingindo uma igualdade social. Essa questão foi superada devido ao avanço do conservadorismo e do fortalecimento das famílias monogâmicas.
Está CORRETO o que se afirma em
I. A transição da sociedade primitiva, na qual todas (os) compartilhavam o cuidado e a alimentação, para a sociedade de classes alterou o modelo de família comunal para a monogâmica ou nuclear. Esse processo foi mediado por meio da violência, da propriedade privada e subserviência das mulheres aos homens.
II. Para perpetuar a divisão desigual de tarefas e poder entre homens e mulheres, garantindo a propriedade privada e sua perpetuação de uma geração à outra, por meio da herança, a família passou a demandar o modelo monogâmico e o heterossexual, que coroam a construção de um modelo de família com base patriarcal.
III. O controle da sexualidade do homem pelo Estado passa a ser constituído, ao passo que as mulheres são estimuladas à total liberdade sobre seus corpos e sexualidade.
IV. O modelo de sistema familiar monogâmico é absolutamente funcional e essencial as classes trabalhadoras, em especial para as mulheres, no modo de produção capitalista, considerando que é possível o desenvolvimento pleno da liberdade, construção de valores, sustento, produção e reprodução social.
V. A família é o lugar de uma exploração econômica das mulheres. Essa exploração se realiza pelos trabalhos domésticos não remunerados e pela responsabilidade com o cuidado das crianças e outros membros, além da “obrigação sexual” e da cobrança pelo equilíbrio emocional dos membros da família.
Está CORRETO o que se afirma em
I. O patrimônio categorial da tradição marxista, construído na perspectiva metodológica do materialismo histórico dialético, elucida e desvela as bases concretas das determinações das explorações e opressões na emergência e desenvolvimento do modo de produção patriarcal-racista-capitalista, instrumentalizando-nos a intervir para a organização e a atuação feminista classista e antirracista.
II. O entendimento crítico da cultura e da educação hegemônicas e o dos símbolos e representações que as permeiam são indispensáveis, posto que reproduzem a ideologia patriarcal.
III. Na concepção do feminismo marxista, a subordinação da mulher aos homens está associada à instauração da propriedade privada e da luta de classes.
IV. O feminismo não deve ser um movimento que luta restritamente pelas questões individuais das mulheres, ainda que tais questões sejam incontestavelmente importantes e indispensáveis. O fundamento do feminismo sendo a emancipação das mulheres, encontra um limite estrutural: o capitalismo.
V. A emancipação da mulher está associada à construção de uma nova sociedade. O patrimônio categorial do marxismo se faz indispensável para a luta das mulheres, uma vez que tem como objeto a sociedade burguesa e como objetivo a sua superação.
Está CORRETO o que se afirma em
I. A Metodologia de K. Marx é bem mais apropriada do que o liberalismo para compreender o gênero em suas diversas dimensões. Contrariamente ao método individualista do liberalismo, a metodologia de K. Marx é social, relacional e holística.
II. A interdependência humana não é somente de natureza material e prática. K. Marx considera, com efeito, que as relações homens-mulheres são verdadeiramente humanas somente quando “o outro ser humano em sua existência mais individual é, ao mesmo tempo, um ser social”.
III. A perspectiva teórica geral trazida por Marx apresenta um interesse para o gênero sob diferentes aspectos. O ponto mais importante é que ela mostra que as hierarquias de gênero são naturais e não podem ser modificadas, tendo que permanecer conservadas.
IV. Apesar das críticas do movimento feminista em relação a Marx, há uma defesa no sentido de que teoria elaborada por ele, não deve ser revista, considerando que sua obra concentrou a discussão em torno do trabalho não pago feminino.
V. K. Marx defendia, por exemplo, disposições legislativas visando proteger as mulheres e crianças que trabalhavam nas fábricas, ao especificar que, se essas últimas obtinham um dia de trabalho de dez horas, todos poderiam obtê-lo.
Está CORRETO o que se afirma em
I. As jornadas de trabalho doméstico não pago das mulheres eram duas vezes mais longas que as dos homens.
II. As mulheres ocupadas alocavam mais tempo no trabalho doméstico e de cuidados não remunerado que homens desocupados.
III. Uma menor renda familiar traduzia-se em turnos de trabalho doméstico não remunerado mais curtos para todos os adultos.
IV. Crianças no domicílio aumentam substancialmente o tempo total gasto em trabalho de cuidados e domésticos realizados pelos homens.
V. Mulheres casadas possuem jornadas mais longas em trabalho não pago, quando comparadas àquelas não casadas, enquanto homens reduziam suas jornadas reprodutivas ao entrarem em um casamento.
Está CORRETO o que se afirma em
Referente a essa temática, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
I. A problemática da “interseccionalidade” foi desenvolvida nos países anglo-saxônicos a partir da herança do Black Feminism, desde o início dos anos de 1990, dentro de um quadro interdisciplinar, por Kimberlé Crenshaw e outras pesquisadoras inglesas, norte-americanas, canadenses e alemãs.
II. A interseccionalidade remete a uma teoria transdisciplinar que visa apreender a complexidade das identidades e das desigualdades sociais por intermédio de um enfoque integrado. Ela refuta o enclausuramento e a hierarquização dos grandes eixos da diferenciação social que são as categorias de sexo/gênero, classe, raça, etnicidade, idade, deficiência e orientação sexual, conforme Bilge (2009).
III. O ponto essencial da crítica de Kergoat ao conceito de interseccionalidade é que tal categoria não parte das relações sociais fundamentais (sexo, classe, raça) em toda sua complexidade e dinâmica. Entretanto, há outra crítica que nem sempre fica explícita: a de que a análise interseccional coloca em jogo, em geral, mais o par gênero-raça, deixando a dimensão classe social em um plano menos visível.
IV. A teoria da interseccionalidade foi elaborada Danièle Kergoat a partir do final dos anos de 1970, nos Estados Unidos da América, em termos de articulação entre sexo e classe social, para ser desenvolvida, mais tarde, em termos de imbricação entre idade, sexo e raça.
V. A interseccionalidade é vista como uma das formas de combater as opressões múltiplas e imbricadas, e, portanto como um instrumento de luta política. É nesse sentido que Patricia Hill Collins (2014) considera a interseccionalidade ao mesmo tempo um “projeto de conhecimento” e uma arma política.
Está CORRETO o que se afirma em
I. A fundação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934, foi um marco importante para a sociologia no Brasil, pois trouxe professores estrangeiros e incentivou a formação de pesquisadores brasileiros dedicados ao estudo das questões sociais do país.
II. Gilberto Freyre, com sua obra “Casa-Grande & Senzala”, contribuiu para a compreensão das relações raciais e culturais no Brasil, influenciando o campo sociológico com suas análises sobre a formação da sociedade brasileira.
III. Na primeira metade do século XX, a sociologia no Brasil se dedicava exclusivamente ao estudo das tradições europeias, sem incorporar temas locais ou abordar a realidade social brasileira.
IV. Florestan Fernandes foi um dos principais sociólogos brasileiros, conhecido por suas pesquisas sobre as relações raciais e pela defesa de uma sociologia crítica e comprometida com a transformação social.
V. A institucionalização da sociologia no Brasil foi um processo linear e sem interferências externas, sendo aceita amplamente desde o início por todos os setores da sociedade.
Está correto o que se afirma apenas em
I. A identidade brasileira é construída com base no princípio da participação, sendo descrita como uma “cultura da mistura”, em oposição a uma “cultura da triagem”, que se baseia na exclusão.
II. O princípio da mistura, presente na construção da identidade brasileira, se reflete na valorização de elementos de diferentes origens culturais e na celebração da diversidade como característica nacional.
III. Embora o discurso da identidade brasileira exalte a mistura, na prática, o princípio da exclusão também está presente, como demonstrado por preconceitos e desigualdades raciais, sociais e de gênero.
IV. A literatura brasileira do século XIX contribuiu para a construção de um mito de origem da nação, idealizando o brasileiro como resultado da fusão harmoniosa entre culturas indígenas e europeias.
V. A construção da identidade nacional brasileira foi um processo imediato, que não exigiu invenção ou adaptação de elementos culturais para promover uma identidade comum.
Está correto o que se afirma apenas em
(QUIJANO, 1999.)
A ideia de raça se contextualiza de modo bastante essencial à colonialidade do poder, sendo fundamental no processo colonizador. Existe na verdade:
Cada derrota do imperialismo, como na Síria e Iraque (menor na Líbia e Palestina) é um passo concreto na direção da libertação do Oriente Médio. As forças populares, democráticas e de esquerda devem ampliar sua capacidade organizativa entre as massas e construir as condições para edificar uma nova sociedade. E o Oriente também anseia por grandes mudanças, afinal, foi onde a Revolução Russa ocorreu há 100 anos.
BUZETTO, Marcelo. As lutas sociais e políticas no Grande oriente Médio: entre as guerras imperialistas e a resistência popular. Lutas Sociais, São Paulo, vol. 20, n.37, p.181, jul./dez. 2016.
A perspectiva apresentada no texto impulsiona sociologicamente a