Questões de Concurso
Sobre sistemas religiosos - magia, ciência, religião, ritos e cerimônias. antropologia econômica. divisão do trabalho, comércio e consumo em antropologia
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“Ogum vivia com Oiá. Um dia seu irmão Xangô foi visitá-lo e, na casa de Ogum, Xangô deparou com sua bela mulher. Voltou para casa atormentado pela beleza que vira. Desejou Oiá ardentemente... Xangô tinha enganado Ogum. Xangô levou Oiá para casa, feliz com sua vitória.” (p. 63-64)
“Um dia Xangô e Ogum se colocaram frente a frente, no campo de batalha: lutavam pela conquista de Iansã. Ogum veio furioso, vestido em sua armadura metálica com todo tipo de proteção... Xangô veio sem nada... Sua única arma era uma pedra que carregava na mão. Então Xangô jogou a pedra em Ogum e ele pegou fogo. A pedra de Xangô era o corisco, um meteorito que solta chamas... Com sua magia Xangô derrotou Ogum e ganhou Iansã.” (p. 149)
“Xangô e Ogum sempre lutaram entre si, ora disputando o amor da mãe, Iemanjá, ora disputando o amor da amada, Oxum, ora disputando o amor da companheira, Iansã. Lutaram no começo do mundo e ainda lutam agora. Ogum usa da sua força física e das armas que fabrica, Xangô usa da estratégia e da magia... Mas só uma vez Xangô venceu Ogum na luta. Numa disputa que travaram por Iansã... Foi então que Xangô apelou para a astúcia... Quando Ogum estava bem no pé da montanha de pedra, Xangô lançou seu machado oxé de fazer raio e um grande estrondo se ouviu. Com o trovão veio abaixo uma avalanche de pedras e as pedras soterraram o desprevenido Ogum... Xangô venceu Ogum naquele dia, única vez que alguém venceu Ogum.” (p. 160)
Considerando a forma como os mitos apresentam a relação entre Xangô e Ogum, bem como a função do mito na religião dos orixás segundo Prandi, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“Os iorubás acreditam que homens e mulheres descendem dos orixás, não tendo, pois, uma origem única e comum, como no cristianismo. Cada um herda do orixá de que provém suas marcas e características, propensões e desejos, tudo como está relatado nos mitos. Os orixás vivem em luta uns contra os outros, defendem seus governos e procuram ampliar seus domínios, valendo-se de todos os artifícios e artimanhas, da intriga dissimulada à guerra aberta e sangrenta, da conquista amorosa à traição. Os orixás alegramse e sofrem, vencem e perdem, conquistam e são conquistados, amam e odeiam. Os humanos são apenas cópias esmaecidas dos orixás dos quais descendem.” (p. 28-29)
“Exu era o mais jovem dos orixás. Exu assim devia reverência a todos eles, sendo sempre o último a ser cumprimentado. Mas Exu almejava a senioridade... Olodumare disse então que queria ver todos os orixás... Disse ele: ‘Aquele que usa o ecodidé foi quem trouxe todos a mim. Todos trouxeram oferendas e ele não trouxe nada. Ele respeitou o tabu e não trouxe nada na cabeça. Ele está certo... Doravante será meu mensageiro, pois respeitou o euó... Assim, por sua missão, que ele seja homenageado antes dos mais velhos, porque ele é aquele que usou o ecodidé e não levou o carrego na cabeça em sinal de respeito e submissão’. Assim o mais novo dos orixás, o que era saudado em último lugar, passou a ser o primeiro a receber os cumprimentos. O mais novo foi feito o mais velho. Exu é o mais velho, é o decano dos orixás.” (p. 38-39)
Considerando a análise de Prandi sobre a função dos mitos na religião dos orixás, bem como as características atribuídas a Exu e sua relação com os demais orixás, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com o pensamento do autor.
“Todavia, a importante novidade proposta por Pettazzoni foi defender o fato de que a comparação podia ser somente ‘histórica’, isto é – contrariamente à Fenomenologia e ao darwinismo –, tendente a evidenciar as irreduzíveis especificidades históricas de todo fato religioso. Por consequência, contra uma comparação que procurava leis gerais e similitudes formais, o historiador italiano apurava um método comparativo que ressaltava as diferenças e as originalidades que somente as particularidades históricas conseguem justificar.” (p. 47).
“E, justamente, a partir do final da década de 1940 – contemporaneamente a uma profunda reflexão teórica sobre a relação entre religiões, Historicismo e Fenomenologia – que De Martino começa a deslocar sua atenção para os camponeses do Sul italiano, para seu ‘folclore’ e suas manifestações rituais. [...] o rito ‘comporta a canalização, a formalização da emoção em termos culturais que conseguem dominá-la, resgatá-la em tempos (periódicos), em modos (os estereótipos verbais, gestuais, musicais etc.) e em um espaço bem definido’.” (p. 53 e 55).
“O método histórico-comparado de Pettazzoni conotou, enfim, a História das Religiões nos termos de uma disciplina afim à Etnologia e à Antropologia religiosa. Afim, mas não idêntica, todavia. Finalmente, o estudioso não pôde deixar de utilizar-se da mesma linguagem daquelas disciplinas maduras, mas teria feito isso com o objetivo final de verificá-la à prova dos fatos e, se necessário, negá-la, contradizê-la ou refiná-la.” (p. 50).
Considerando o percurso metodológico da Escola Italiana de História das Religiões, especialmente no que diz respeito à comparação histórica, à análise do rito e à relação com a Antropologia, assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta e coerente com a perspectiva do autor.
I. Os bens materiais associados ao congo, como vestimentas, estandartes, bandeiras e mastros, constituem suportes de sua dimensão imaterial e são reconhecidos pelos detentores como parte integrante de seu patrimônio cultural.
II. O valor referencial do congo fundamenta-se na permanência da prática ao longo do tempo sem alterações, sendo a preservação de sua forma original seu principal elemento constitutivo, como a ritualização da Fincada do Mastro.
III. A referência cultural do congo reside em seu reconhecimento, pelas comunidades, como parte de sua identidade, sendo mantida por sua prática e transmissão nas bandas, frequentemente vinculadas a famílias.
Está correto o que se afirma em
Assinale a opção que exemplifica, corretamente, essa abordagem.
Essa lógica contradiz um pressuposto central da economia moderna a respeito do comportamento dos indivíduos no campo das trocas.
Assinale a opção que indica, corretamente, esse pressuposto.
(__)O Candomblé organiza-se em nações − como Nagô, Jeje, Angola e Congo − que expressam distinções de origem étnica africana, com diferenças em língua ritual, panteão de divindades e formas de culto.
(__)O Tambor de Mina e o Tambor de Nagô são expressões religiosas afro-brasileiras com maior enraizamento na região Sul do Brasil, onde coexistem com o Batuque como práticas predominantes.
(__)Congadas, Maracatus e Afoxés são manifestações festivo-religiosas de matriz afro-brasileira que articulam elementos simbólicos, identitários e rituais, expressando visões míticas e culturais de seus praticantes.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Em seus rituais, normalmente panteístas (que acreditam que a natureza e o divino estão conectados), reverenciam os ancestrais, os elementos, as plantas, animais e os seres mitológicos.”
https://www.todamateria.com.br/cultura-indigena/adaptado. Acesse em 09/1/2025.
Considerando que as religiões indígenas fazem parte da história mundial. Marque a alternativa que contém somente as religiões indígenas:
I- O Toré é um ritual sagrado, símbolo de resistência, através do qual a comunidade indígena se une e reafirma sua identidade cultural.
II- A cerimônia do Toré, com variações de comunidade para comunidade, inclui dança circular, em fila ou pares, acompanhada por cantos ao som de maracás, zabumbas, gaitas e apitos, entre outros.
III- O Toré é um ritual através do qual a comunidade indígena busca se revitalizar para enfrentar a vida e estabelecer “ligações espirituais” com a mãe natureza, com seus ancestrais e com os encantados.
IV- O Toré é um ritual indígena, introduzido no Brasil pelos primeiros missionários cristãos.
Considerando apenas as afirmações sobre o Ritual Toré, são CORRETAS:
Tendo o texto precedente como referência, assinale a opção correta acerca dos grupos de culto afro-brasileiro.
I performances como o Carnaval, Mardi Gras, Halloween e outras podem ser consideradas resíduos culturais de algum ―ritual liminar‖ esquecido pois são formas de parodiar acordos do sistema normativo, de exagerar as regras em caricaturas ou satirizá-las.
II esses estados estão no campo da antiestrutura ou communitas, estados ricos de significação e de símbolos não resolvidos, carregados de tensão.
III tais estados são momentos em que a sociedade de modo geral é concebida como mergulhada no inarticulado e quando a velha estrutura social se transforma para dar corpo a uma nova situação.
Assinale a opção correta.
“A(o) _________________ é um recipiente funerário destinado ao acondicionamento dos restos cremados de um indivíduo, prática associada a rituais de cremação em diferentes sociedades e períodos históricos. Seu uso está diretamente ligado a concepções específicas sobre morte, corpo, memória e relação entre os vivos e os mortos.”
Preencha a lacuna acima e assinale a alternativa correta.
Trata-se de tradição religiosa de matriz afro-indígena, que reúne elementos culturais e espirituais indígenas, africanos e europeus, configurando um importante símbolo de resistência cultural no Nordeste brasileiro. Marcada por rituais, cantos, conhecimentos e práticas espirituais transmitidos entre gerações, desde o período colonial, quando era utilizada por povos indígenas em cerimônias espirituais e medicinais. Em face da repressão e perseguição, foi se adaptando, incorporando elementos de outras tradições em um processo de reconstrução cultural que garantiu sua continuidade sem perda de sua essência. No Ritual de culto uma árvore, considerada uma planta sagrada, que contém alto teor de substância psicoativa é usada, cujas folhas e cascas são utilizadas como fumo, em banhos energéticos e na bebida, que é considerada um caminho para a conexão com os ancestrais. Atualmente, sua prática é especialmente forte em estados do Nordeste, como Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e Paraíba, onde está presente em comunidades tradicionais indígenas, especialmente nas cidades de Alhandra e Conde, no Litoral Sul. Por meio da Lei Estadual nº 13.760, de 15/07/2025, a prática foi reconhecida como Patrimônio Imaterial do Estado da Paraíba.
Marque a alternativa que corresponde CORRETAMENTE ao nome da referida ritualística religiosa afro-indígena.
PEREIRA, Decleoma Lobato. O candomblé no Amapá: história, memória, imigração e hibridismo cultural. Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia da Universidade Federal do Pará. Mestrado em História). Belém, 2008.
A prática da pajelança, apresentada no texto como sendo uma das muitas realidades do universo cultural em Macapá, pode ser definida como