Questões de Concurso Comentadas sobre antropologia
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Para produzir uma das melhores tapiocas rondonienses, e dar o sentido exato das disposições legais da Normativa Estadual, eis que o conhecimento e talento da comerciante, foi herdado do pai, que herdou da avó, e que herdou da bisavó, e mantém e aprimora a técnica por quatro gerações. Sendo assim, esse tipo de bem cultural de natureza imaterial é:
No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), o antropólogo, enquanto pesquisador, precisa estar de acordo com o Código de Ética da profissão, que preconiza, dentre outros fatores:
Em meados do XVIII, a sociedade industrial foi suscitando no homem a necessidade de se colocar como objeto da ciência, como fazia com a natureza, mas somente a partir do século XIX que se erigiu um empenho na direção de formatar um discurso antropológico com certos métodos que ascendessem à ciência. Assim sendo, assinale a afirmativa correta.
Fazer um parâmetro entre a cultura e a educação pode parecer redundância, mas não é. Embora mantenham relações intrínsecas, não são a mesma coisa. Sobre cultura e educação e seus estudos e pesquisas, podemos afirmar que:
Uma mulher foi apedrejada até a morte no nordeste da Síria pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que a acusou de haver cometido adultério, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A ONG disse que os radicais assassinaram a mulher na cidade de Buqros, no nordeste do país do Oriente Médio. A vítima era uma deslocada originária do campo de refugiados palestinos de Al Yarmuk, no sul de Damasco, e trabalhava em um hospital de Al Mayadin, reduto principal do EI nesta província que faz fronteira com o Iraque. (Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/orientemedio/mulher-acusada-de-adulterio-e-ate-apedrejada-ate-a-mortepelo-ei-na-siria.)
Por mais que uma notícia dessas seja um choque, uma agressão aos nossos costumes e cultura, existem grupos, em determinados países do mundo, que acham não só normal, como correto. Existem organismos mundiais atualmente, que tentam inibir tais ações, mas elas continuam a acontecer, nas mais variadas nuances. No Relativismo Cultural, uma tendência filosófica e sociológica, essas diferenças culturais:
A presente crise ecológica conduziu a uma revisão de paradigmas em antropologia e ao questionamento da contribuição da disciplina para a elaboração das políticas ambientais e para a luta dos movimentos ambientalistas. Dessa forma:
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Os povos indígenas têm presenciado diariamente a morte de suas lideranças, das crianças que têm o futuro roubado por um descaso em ações por políticas específicas para saúde indígena; tombam homens e mulheres que guardam o conhecimento das festas, rituais, rezas, cantos, roças e remédios das florestas. A pandemia tem afetado de maneira particular os anciões que detêm a sabedoria ancestral. A morte deles pela Covid-19 ameaça interromper a memória, a história, a resistência dos povos indígenas, e somada com o falecimento das nascentes gerações, constituem uma ameaça ao futuro dos povos.
Disponível em: <https://cimi.org.br/2020/06/covid-19-solidariedade-e-elemento-centralpara-assegurar-a-vida-dos-povos-indigenas/>. Acesso em: 02 ago. 2020. (Adaptado).
O texto destaca que uma consequência da pandemia é a
(CARVALHO, J. J.; VIANNA, L. C. R. O encontro de saberes nas universidades. Uma síntese dos dez primeiros anos. In: Revista Mundaú, n. 9, 2020. p. 25.)
Acerca da experiência referida no texto, é correto afirmar que ela:
Analise o excerto a seguir.
“O episódio aconteceu na aldeia Pataxó de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz de Cabrália, localizado no extremo Sul da Bahia (...). Curiosos para encontrar de imediato os “índios do Descobrimento”, os turistas demonstravam certa frustação ao percorrer a aldeia (...). Impacientes, se dirigiam a um homem que varria o chão de uma das cabanas e perguntaram: ‘Senhor, a que horas os índios estarão aqui?’. De forma inusitada, o homem que vestia calça jeans e blusa com propaganda comercial, respondeu: ‘Já estamos aqui. Esperem um pouco que estamos arrumando as mercadorias para abrir a loja’. Inconformados e insistentes, os turistas replicaram: ‘Não, moço. Queremos ver os índios de verdade. Que horas eles chegarão?’. Pacientemente e, certamente, já acostumado com tal comportamento, o rapaz novamente respondeu: ‘Vocês estão diante de um índio Pataxó e, até que me provem o contrário, sou de verdade!’”.
(CANCELA, Francisco. Velhos e novos desafios da História Indígena no Brasil. In: SANTOS, Fabricio Lyrio (Org.). Os índios na história da Bahia. Cruz das Almas: EDUFRB; Belo Horizonte: Fino Traço, 2016. pp.12-14).
O episódio narrado revela dois aspectos importantes da relação historicamente estabelecida entre a população não indígena e os povos indígenas no Brasil. De um lado, o modo como, frequentemente, as pessoas não indígenas concebem os sujeitos indígenas. De outro, uma forma de resistência e agência indígena no decorrer desse processo.
É correto afirmar que esses dois aspectos que se apresentam no relato destacado acima podem ser descritos, respectivamente, pelos conceitos de
Contadores de histórias, mensageiros oficiais, guardiões de tradições milenares: todos esses termos caracterizam o papel dos Griots, que na África Antiga eram responsáveis por firmar transações comerciais entre impérios e comunidades e passar aos jovens ensinamentos culturais, sendo hoje em dia a prova viva da força da tradição oral entre os povos africanos. Nesse sentido, os Griots são os guardiões da palavra, responsáveis por transmitir os mitos, as técnicas e as tradições de geração para geração. Até os dias de hoje os Griots seguem em seu papel de guardiões da tradição, estando presentes em muitos lugares da África Ocidental, incluindo Mali; Gâmbia; Guiné; e, Senegal; e entre os povos Fula; Hausá; Woolog; Dagomba; e, entre os árabes da Mauritânia
(Disponível em: Griots: Os contadores de histórias da África Antiga. uol.com.br. Adaptado.)
O exemplo dos Griots traz à baila uma complexa e antiga discussão: a importância e a validade da história oral como fonte histórica. O historiador deve inicialmente compreender o modo de pensar de uma sociedade antes de interpretála. Ao se tratar de uma tradição oral, deve-se entender que nem todas as pessoas podem fazer ou narrar a tradição, havendo diferentes tipos de narradores. Há, também, outros cuidados importantes ao se trabalhar com a história oral, tais como:
“Rio dos Pretos, porque lá só morava era preto né, aí chamavam Rio dos Pretos... o regatão que passava, ‘esse aí é o Rio dos Pretos’. Porque Rio dos Pretos, naquele tempo, querendo dizer Rio dos Pretos, para ele tava desclassificando a gente, desclassificando a gente que era preto, para não chamar moreno, que era uma coisa.... chamava preto, não é que nem hoje em dia, porque antigamente, era uma desclassificação chamar Rio dos Pretos, hoje em dia não, hoje em dia é uma classificação, porque somos pretos mesmo, somos neguinhos, é negro [Seu Jacinto, 74 anos, 1º tesoureiro da Associação de Moradores Remanescentes de Quilombo da Comunidade do Tambor – Novo Airão, 19 fev.2008]”.
(FARIAS JÚNIOR, Emmanuel de Almeida. Quilombos no Amazonas: do Rio dos Pretos ao Quilombo do Tambor. In: MELO, Patrícia Alves (Org.). O fim do silêncio. Presença negra na Amazônia. Curitiba: Editora CRV, 2021. p.129).
De acordo com o estudo de Farias Júnior, a fala de “Seu Jacinto” aponta, nesse contexto, para a (o)
“Segundo o IBGE (Rio de Janeiro, 2012), no último censo especializado realizado no Brasil em 2010 com base nos quesitos “cor ou raça”, existem cerca de novecentas mil pessoas reconhecidas e autodeclaradas indígenas. Nesse conjunto populacional, teríamos nada mais nada menos que 274 línguas diferentes, distribuídas entre trezentas e cinco etnias, espalhadas pelo território nacional (...). Muitos desses povos tradicionais engrossam hoje em dia o chamado processo de “retomada”. Em linhas gerais, consiste o movimento na reivindicação, reafirmação e retorno dos indígenas às suas terras de origem, mesmo que isso signifique se colocar na contramão da linha de avanço da fronteira do progresso e da técnica dominante”.
(NOVAES, Tulio Chaves. Belo Monte: protótipo de um extermínio étnico anunciado. In: CARNEIRO, Maria Luiza Tucci, ROSSI, Miriam Silva (Orgs.) Índios no Brasil: vida, cultura e morte. São Paulo: Intermeios, 2019. p.199).
Sobre os processos de retomada apontados pelo autor, é correto afirmar que
Texto I
“Este é um livro sobre o Brasil, sobre um Brasil (...), mas, de um modo muito especial, é um livro sobre nós, dirigido a nós, os brasileiros que não se consideram índios. Pois com A queda do céu mudam-se o nível e os termos do diálogo pobre, esporádico e fortemente desigual entre os povos indígenas e a maioria não indígena de nosso país”.
(VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. O recado da mata. In: ALBERT, Bruce; KOPENAWA, David. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p.12).
Texto II
“Foi Omama que criou a terra e a floresta, o vento que agita suas folhas e os rios cuja água bebemos. Foi ele que nos deu a vida e nos fez muitos (...). Teria sido possível rejuvenescer continuamente e não morrer nunca. Era o que Omama desejava. No entanto, Yoasi, aproveitando-se da ausência do irmão, tratou de colocar na rede da mulher de Omama a casca de uma árvore de madeira fibrosa e mole, a que chamamos kotopori usihi (...). Imediatamente, os espíritos tucano começaram a entoar seus pungentes lamentos de luto. Omama ouvi-os e ficou furioso com o irmão. Mas era tarde demais, o mal estava feito. Yoasi tinha nos ensinado a morrer para sempre”.
(ALBERT, Bruce; KOPENAWA, David. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. pp.81-83).
Com base nas discussões do campo da historiografia indígena, é correto afirmar que os excertos evocam a