Questões de Concurso Comentadas sobre antropologia
Foram encontradas 1.051 questões
Com esse depoimento, uma professora do primeiro segmento do Ensino Fundamental de uma escola pública do Rio de Janeiro descreveu de que maneira a temática indígena era abordada na escola onde trabalhava.
RUSSO, K.; PALADINO, M. A lei n. 11.645 e a visão dos professores do Rio de Janeiro sobre a temática indígena na escola. Rev. Bras. Educ. v. 21, n. 67, out.-dez. 2016 (adaptado).
Ao se comparar a prática descrita no depoimento com as disposições da Lei n. 11.645/2008, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura dos Povos Indígenas na Educação Básica, verifica-se que a caracterização dos povos originários feita pela professora se confronta com um fundamento teórico-metodológico que deve pautar o ensino da temática indígena.
Nesse caso, a caracterização dos povos originários e o fundamento teórico-metodológico mencionados acima, quando confrontados, expressam, respectivamente,
Omama deu-nos a vida muito antes de criar os brancos, e era também ele que, antes deles, possuía o metal. As primeiras peças de ferro utilizadas por nossos ancestrais foram as que Omama deixou para trás na floresta, quando fugiu para longe. Eles não tinham machados e facões de verdade, como hoje. Amarravam pedaços de ferro usados num cabo para fazer machadinhas. Essas ferramentas eram muito poucas nas casas dos antigos. Só alguns homens mais velhos as possuíam e as deixavam bem guardadas. Trabalhavam com esses pedaços de ferro que chamavam de ferramentas de Omama, porque eram muito resistentes. Naquele tempo era assim. Os objetos dos brancos ainda não estavam por toda parte como agora! Por isso penso hoje na dificuldade do trabalho de nossos maiores e isso me leva a não querer ter muitas mercadorias.
KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: a palavra de um xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 222 (adaptado).
TEXTO 2
Como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão alienados do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucos neste mundo maluco que compartilhamos.
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Nesse contexto, para levar os estudantes a refletir sobre as produções e confrontações de saberes em diferentes sociedades, a partir da discussão dos Textos 1 e 2 em sala de aula, um professor do Ensino Médio pode destacar que
BANIWA, G. Educação e povos indígenas no limiar do século XXI: debates e práticas interculturais. Antropologia & Sociedade: Revista do Laboratório de Antropologia, Arqueologia e Bem Viver da UFPE, v. 1, n. 1, 2023 (adaptado).
Nesse sentido, ao elaborar um plano de aula sobre a temática indígena a partir do texto de Gersem Baniwa, apresentado acima, o professor deverá considerar que
um mapa, um receituário, um código, através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas.
(DaMATTA, R. Você tem Cultura? In: DaMATTA, R. Explorações: ensaios de sociologia interpretativa. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p.123.)
Essa definição sublinha a ideia de que a cultura funciona como uma espécie de guia que orienta os comportamentos e as percepções dos indivíduos em uma determinada sociedade. Através desse “mapa”, os membros de uma comunidade são capazes de interpretar a realidade ao seu redor, estabelecer categorias de entendimento e promover mudanças, tanto no ambiente externo quanto em suas próprias identidades. Assim, a cultura não é estática, mas um processo dinâmico de construção e reconstrução contínuas, refletindo a complexidade e a diversidade das experiências humanas. Sobre o conceito de cultura, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A diversidade cultural refere-se à variedade de culturas existentes no mundo, resultante de diferentes formas de vida, crenças, valores e práticas sociais.
( ) A herança cultural de um povo é determinada por fatores biológicos, permanecendo suas experiências sociais ou históricas inalteradas.
( ) O etnocentrismo é a crença de que a cultura de um grupo é superior às outras, o que pode levar à discriminação e ao preconceito contra grupos considerados diferentes.
( ) O relativismo cultural é a ideia de que todas as culturas são igualmente válidas e que os valores e práticas devem ser entendidos em seu próprio contexto.
( ) Uma das principais característica da cultura de uma sociedade é ser imutável, mantendo-se inalterada diante das mudanças sociais, econômicas e políticas.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Em relação aos afazeres da Etnoastronomia, assinale a alternativa que apresente um elemento incorreto.
De acordo com as reflexões apresentadas sobre as marcas corporais e identidades, assinale a alternativa que apresenta corretamente qual é o ponto central levantado em relação à definição de identidades através das características físicas:
Gaarder, 2000, apud, Oliveira, L.B. et al. Ensino Religioso: no ensino fundamental. São Paulo: Cortez, 2007. 175 p. (Coleção Docência em Formação − série Ensino Fundamental).
Acerca das diferenças entre essas duas culturas, com base nas características das tradições religiosas predominantes no Oriente e no Ocidente, considere as seguintes assertivas:
I.Na tradição Ocidental, a 'História' possui uma perspectiva linear, marcada por um começo, um meio e um fim. O mundo foi criado em certo ponto e um dia essa história terá um fim. Em contrapartida, na tradição Oriental, a 'História' repete-se num ciclo eterno. O mundo dura de eternidade à eternidade.
II.Na tradição Oriental, a 'Ética' consiste na busca da sabedoria. Nessa perspectiva, a fuga da ilusão do mundo é uma fuga das causas de todo o sofrimento. Por outra via, na tradição Ocidental, - do ponto de vista da 'Ética' - a pessoa é um instrumento da ação divina e deve obedecer à vontade de Deus. O pecado e a passividade diante do mal devem ser abandonados.
III.Em ambas as tradições, o 'Homem' pode se unir ao divino mediante a iluminação, e o caminho para a iluminação passa pelo cultivo do conhecimento. Os opostos, os contrários e os diferentes completam-se e harmonizam-se.
IV.Na perspectiva cultural Ocidental, a 'Salvação' parte de Deus que redime o ser humano do pecado. Ao mesmo tempo, é que julga-o e dá-lhe a punição. Do ponto de vista da cultura Oriental, a 'Salvação' consiste em libertar-se do eterno ciclo da ressurreição e fugir da ignorância. A 'Salvação' é fruto de sacrifício ou do conhecimento místico.
V.Tanto na tradição Oriental quanto na perspectiva Ocidental, 'Deus', representado também pelo divino, está presente em tudo. Se manifesta em várias formas e em diversas épocas. 'Deus' possui uma forma impessoal que permeia tudo e a todos.
É correto o que se afirma em:
Vilhena, Maria Angela. Ritos religiosos. In: Passos, João Décio, e Usarski, Frank (Orgs.) Compêndio de Ciência da Religião, São Paulo: Paulinas/Paulus, 2013, p. 513 - 524.
Essa explicação se faz necessária, pois nem todo rito pode ser qualificado como especificamente religioso. Sobre as distinções entre ritos religiosos e não religiosos, considere as seguintes assertivas:
I. Os ritos são elementos constitutivos do viver humano, posto que não há vida social onde não estejam presentes.
II. Os elementos constitutivos dos rituais em suas mais variadas formas são compreendidos como: a)ações sociais ordenadas, b)pautam-se em estruturas e lógicas próprias, c) realizam-se em espaços e tempos previsíveis ou aleatórios, d) seguem convenções ligadas às regularidades e às transformações que seguem o ritmo ou ciclo da natureza, da vida biológica, pessoal e ou social.
III. Ações simbólicas coletivas ou individuais, embasados em sistemas de crenças que postulam a existência de modo único alternando ou combinando, de forças ou energias que podem ser tanto internas quanto externas ao sujeitos.
IV. Práticas rituais veiculam conhecimentos, valores, crenças, princípios, normas comportamentais importantes para que o grupo e a sociedade não entrem em processos de desagregação.
V. Asseveram convicções de que o mundo conhecido e a existência humana não se esgotam na pura imanência.
É rito exclusivamente religioso o que se afirma em: