Questões de Concurso Comentadas sobre antropologia

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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217744 Antropologia
Em uma entrevista com o crítico Paul Gilroy para sua antologia Small Acts: Thoughts on the Politics of Black Cultures [Pequenos atos: reflexões sobre a política das culturas negras] (1994), a romancista Toni Morrison (1931-2019) argumentou que os sujeitos africanos que vivenciaram a captura, o roubo, o rapto, a mutilação e a escravidão foram os primeiros modernos.

ESHUN, Kodwo. Outras considerações sobre o Afrofuturismo. In: Histórias afroatlânticas: antologia. São Paulo: MASP, 2022.

O trecho acima apresenta uma relação entre a experiência das populações negras escravizadas e a condição do indivíduo na modernidade.

Assinale a opção que apresenta o aspecto que justifica esta afirmação.
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217743 Antropologia
Leia o trecho a seguir.

O século XVI deve ser visto por nós como um período ao mesmo tempo inaugural e experimental. Ninguém sabia ao certo no que tudo aquilo poderia dar. Mas o fato é que, da obra do Governo Geral à expansão da agroindústria açucareira, implantou-se o projeto lusitano para os nossos trópicos. Não exatamente dentro das balizas ou dos trilhos planejados pelos portugueses, é claro. Eles pensaram em termos de transplantação cultural, de reprodução imediata do modelo metropolitano, sonhando uma Nova Lisboa em nossas terras. Mas a mestiçagem genética e o sincretismo cultural, que já vinham da aldeia eurotupinambá de Diogo Caramuru, se encarregaram de tecer uma outra realidade, original, na Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. Assim teve início o processo histórico-cultural que fez, de nós, o que somos.

RISÉRIO, Antônio. Uma história da cidade da Bahia. Rio de Janeiro: Versal, 2004.

Considerando o trecho, que discorre sobre aspectos humanos da ocupação do território correspondente à Bahia, no século XVI, assinale a afirmativa correta.
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217742 Antropologia
Leia o trecho a seguir.

O antropólogo Darcy Ribeiro, em seu grande (mas hoje controverso) livro Os Índios e a Civilização, [concluiu que], em termos estatísticos, não haveria mais indígenas no país na virada do século XX para o XXI. (...) [N]a virada do século, Eduardo Viveiros de Castro apontou que não se havia considerado à época que a integração era na verdade um vetor de duas direções: significava não apenas o que parecia inevitável, o deixar de serem índios, mas também o que se veria, o voltar a ser índios, quando isso se tornou possível com novos aliados, nova mobilização e novos direitos.

COHN, Clarice; COHN, Sergio. Indígenas em movimento. Breve história do Movimento Indígena no Brasil. Rio de Janeiro: Oca, Translado, 2025.

O trecho acima discorre sobre os destinos das populações indígenas brasileiras ao longo do último século.

O trecho aponta para o fato de que 
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217740 Antropologia
Leia o trecho a seguir.

Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...) Precisaremos entender o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez mais isolados.

HUI, Yuk. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e chama atenção para o fato de que há modos distintos de considerá-la.

Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217739 Antropologia
Pensava-se que o ônibus espacial Columbia era um objeto pronto para voar pelo céu, e então, de repente, após a dramática explosão de 2002, percebeu-se que ele precisava da NASA e de seu complexo corpo organizacional para voar com segurança pelo céu. Para a ação de pilotar um objeto técnico, rotinas burocráticas são tão importantes quanto equações e resistência material.

LATOUR, Bruno. Networks, Societies, Spheres: Reflections of an Actor-Network Theorist. International Journal of Communication, v. 5, 2011. (Adaptado)

O trecho acima expõe uma leitura baseada na Teoria Ator-Rede (TAR), a qual modifica o entendimento comum a respeito do modo de existência dos objetos.

Segundo esse tipo de visada, ao investigar um objeto, é preciso levar em conta
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217738 Antropologia
Leia o trecho a seguir.

Se, por um lado, o sonho é sempre desencadeado pela vontade de um outro, e o sonhador aparece como uma “presa”, uma vítima, alguém à mercê de um sentimento que lhe é alheio, por outro, o sonhador não está de forma alguma inteiramente subjugado aos sentimentos desse outro. Os vivos resistem aos apelos incessantes desses outros, e é porque resistem que eles podem continuar existindo como Yanomami.

LIMULJA, Hanna. O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami. São Paulo: Ubu Editora, 2022.

O trecho acima apresenta um aspecto central da concepção Yanomami de sonho.

Com base no texto, é correto afirmar que, para esse povo, os sonhos são
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217736 Antropologia
Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. À medida que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

O trecho acima apresenta uma leitura sobre os efeitos do processo de globalização sobre a formação de identidades.

Assinale a opção que reflete corretamente o que é exposto no trecho.
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217735 Antropologia
Leia o trecho a seguir.

A tarefa da antropologia do mundo moderno consiste em descrever da mesma maneira como se organizam todos os ramos de nosso governo, aí compreendidos aqueles da natureza e das ciências exatas, e também em explicar como e por que esses ramos se separam, assim como os múltiplos arranjos que os reúnem. O etnólogo de nosso mundo deve colocar-se no ponto comum onde se dividem os papéis, as ações, as competências que irão enfim permitir definir certa entidade como animal ou material, uma outra como sujeito de direito, outra como sendo dotada de consciência, ou maquinal, e outra ainda como inconsciente ou incapaz.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. São Paulo: Editora 34, 2019.

O trecho acima apresenta uma característica fundamental de abordagem da antropologia simétrica.

Assinale a opção que indica corretamente esta característica.
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Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: IPHAN Prova: FGV - 2025 - IPHAN - Antropologia |
Q3217734 Antropologia
Leia o texto a seguir.

[É] nosso modesto parecer que o futuro da noção-mestra da antropologia, a noção de relação, depende da atenção que a disciplina souber prestar aos conceitos de diferença e de multiplicidade, de devir e de síntese disjuntiva. Uma teoria pósestruturalista da relacionalidade, isto é, uma teoria que mantenha o compromisso “infundamental” do estruturalismo com uma ontologia relacional, não pode ignorar (...) as ideias de perspectiva, força, afeto, hábito, evento, processo, preensão, transversalidade, devir e diferença.

VIVEIROS DE CASTRO, E. Metafísicas canibais. São Paulo: Cosac Naify, 2015.

O pensamento pós-estruturalista busca um afastamento crítico de características fundamentais do modelo estruturalista.

Uma dessas características é
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Q3213916 Antropologia

Os povos indígenas, tal como os ocidentais, têm uma história, que inclui guerras e migrações, trazendo consigo a redefinição das unidades socioculturais, algumas vezes com a fragmentação e outras com a fusão ou incorporação em unidades maiores. Uma vez que estão situados dentro da história, tais povos passam igualmente por enormes mudanças culturais, que decorrem seja da adaptação a um meio ambiente novo ou modificado (inclusive por suas próprias ações), seja da influência ou troca cultural realizada com povos vizinhos, ou ainda por um dinamismo interno àquelas culturas.


(João Pacheco de Oliveira. Muita terra para

pouco índio? Uma introdução (crítica) ao indigenismo

e à atualização do preconceito. Em: Aracy L. Silva

e Luís D.B. Grupioni, (org.). A temática indígena na escola:

novos subsídios para professores de 1o e 2o graus)


No excerto, o autor critica a ideia de que

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Q3177378 Antropologia
Considerando principalmente os textos “A indústria cultural: o iluminismo como mistificação das massas”, de 1947, co-escrito com Max Horkheimer, e “Crítica cultural e sociedade”, de 1949, qual é a principal crítica de Theodor W. Adorno no livro “Indústria Cultural e Sociedade” em relação ao impacto da cultura de massa na sociedade?
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Q3910391 Antropologia
Roberto DaMatta, antropólogo brasileiro, define cultura como
um mapa, um receituário, um código, através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas.
(DaMATTA, R. Você tem Cultura? In: DaMATTA, R. Explorações: ensaios de sociologia interpretativa. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p.123.)
Essa definição sublinha a ideia de que a cultura funciona como uma espécie de guia que orienta os comportamentos e as percepções dos indivíduos em uma determinada sociedade. Através desse “mapa”, os membros de uma comunidade são capazes de interpretar a realidade ao seu redor, estabelecer categorias de entendimento e promover mudanças, tanto no ambiente externo quanto em suas próprias identidades. Assim, a cultura não é estática, mas um processo dinâmico de construção e reconstrução contínuas, refletindo a complexidade e a diversidade das experiências humanas. Sobre o conceito de cultura, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A diversidade cultural refere-se à variedade de culturas existentes no mundo, resultante de diferentes formas de vida, crenças, valores e práticas sociais.
( ) A herança cultural de um povo é determinada por fatores biológicos, permanecendo suas experiências sociais ou históricas inalteradas.
( ) O etnocentrismo é a crença de que a cultura de um grupo é superior às outras, o que pode levar à discriminação e ao preconceito contra grupos considerados diferentes.
( ) O relativismo cultural é a ideia de que todas as culturas são igualmente válidas e que os valores e práticas devem ser entendidos em seu próprio contexto. 
( ) Uma das principais característica da cultura de uma sociedade é ser imutável, mantendo-se inalterada diante das mudanças sociais, econômicas e políticas.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
Alternativas
Q3666891 Antropologia
A cultura brasileira é rica e diversa, tendo como uma de suas expressões as tradições afro-brasileiras. Assim sendo, são consideradas danças de origem africana, EXCETO o(a)
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Q3666890 Antropologia
Historicamente, as populações indígenas no Brasil vêm sendo impactadas por projetos agroindustriais, como
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Q3544941 Antropologia
Em se tratando do trabalho etnográfico, Bronislaw Malinowski, em Os Argonautas do Pacífico Ocidental (2018), afirma:
         “A meu ver, um trabalho etnográfico só terá valor científico irrefutável se nos permitir distinguir claramente, de um lado, os resultados da observação direta e das declarações e interpretações nativas e, de outro, as inferências do autor, baseadas em seu próprio bom senso e intuição psicológica. (…) É necessária a apresentação desses dados para que os leitores possam avaliar com precisão, num passar de olhos, quão familiarizado está o autor com os fatos que descreve e sob que condições obteve as informações dos nativos”.
O trecho apresenta: 
Alternativas
Q3544940 Antropologia
Fotografias são um dos meios pelo qual o encontro humano, que forma a base da etnografia, é destacado e posicionado em uma moldura de significados. Se o encontro etnográfico consiste em um relato de experiências vividas e compartilhadas, pode-se afirmar que fotografias, 
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Q3544934 Antropologia
Etnologia é uma ciência social, que estuda de modo cotejado e analítico as características sociais e culturais dos grupos humanos. Neste sentido, qual dos seguintes aspectos melhor define a disciplina etnológica? 
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Q3544813 Antropologia
    Cultura refere-se ao significado que um grupo social dá à sua experiência, incluindo aqui ideias, crenças, costumes, artes, linguagem, moral, direito, culinária etc. A cultura é dinâmica, se recicla incessantemente incorporando novos elementos, abandonando antigos, mesclando os dois, transformando-os num terceiro com novo sentido. Tratamos, portanto, do mundo das representações, incorporadas simbolicamente na complexidade das manifestações culturais. Cultura não é acessório da condição humana, é sim seu substrato. O ser humano é humano porque produz cultura, dando sentido à experiência objetiva, sensorial. Daí a importância da interação social do “outro”, na construção dos espaços simbólicos, onde expressamos nossa existência humana, em termos de múltiplas identidades.


    Quando se diz que alguém “não tem cultura”, a referência é à sofisticação, sabedoria, de educação no sentido restrito do termo. Ou seja, pressupõe-se que o volume de leituras, controle de informações e títulos universitários equivalham à “inteligência”. A cultura em seu sentido antropológico, por outro lado, transcende a noção de refinamento intelectual (cujo adjetivo é “culto”, e não “cultural”). A cultura permite traduzir melhor a diferença entre nós e os outros e, assim fazendo, resgatar a nossa humanidade no outro e a do outro em nós mesmos. 


    Dar sentido à experiência, ao estar-no-mundo, representá-la através de símbolos e orientar os indivíduos, uns em relação aos outros, dotando-os de identidades, também é característica daquilo que entendemos por arte. É uma área de conhecimento que opera com a organização imaginativa do sujeito a partir da experiência universal da humanidade e das experiências particulares de cada um, resguardados os princípios da unidade na diversidade, da harmonia na heterogeneidade e do equilíbrio nas diferenças, consolidando-se como fator de humanização, de socialização e de fortalecimento da identidade cultural. 


    A arte é um meio de representação da realidade, uma construção social, percepção de nós mesmos no mundo possibilitando-nos assumir modelos de identidade e comportamento. Tais representações do mundo podem nos inspirar para a compreensão do presente e criação de alternativas para o futuro.


Gruman, M. Caminhos da cidadania cultural: o ensino de artes no Brasil. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 45, p. 199-211, jul/set. 2012. Editora UFPR. Adaptado.
Conforme o texto, a concepção antropológica de cultura reside 
Alternativas
Q3457367 Antropologia
Em uma pesquisa antropológica sobre os rituais de cura de uma comunidade indígena, é o método de coleta de dados mais adequado para obter uma compreensão profunda dos significados e práticas culturais:
Alternativas
Q3453524 Antropologia
Sobre o modelo clínico e socioantropológico da surdez, destaque a alternativa incorreta. 
Alternativas
Respostas
261: B
262: A
263: E
264: A
265: E
266: E
267: B
268: C
269: C
270: E
271: A
272: B
273: C
274: C
275: D
276: A
277: D
278: D
279: B
280: A