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Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (...). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília - palavra que sempre detestei - era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ - que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (...) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (...). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília - palavra que sempre detestei - era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ - que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (...) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
Considere as duas moléculas abaixo:

Ambas sofrerão nitração nos anéis aromáticos via substituição eletrofílica. Dentre as opções a seguir, a única
que indica posições passíveis de substituição nas moléculas I e II, respectivamente, é:
Considere as seguintes afirmativas:
I - Uma reação química a temperatura e pressão constantes será espontânea se a variação da energia livre de Gibbs (ΔG) for menor que zero.
II - Em um sistema reacional onde a única forma de trabalho observável é o trabalho de expansão, a variação da entalpia (ΔH) é igual à quantidade de calor liberada ou absorvida pela reação, a pressão constante.
III - Para uma substância simples que admite mais de uma forma alotrópica, não há variação de entalpia na conversão de uma forma em outra.
São corretas:
Dada a estrutura química da satratoxina-H abaixo, podemos afirmar que essa molécula possui:

Considere o diagrama de fases simples para o benzeno, em que PC é o ponto crítico e PT o ponto triplo.

Os pontos de fusão e de ebulição do benzeno a 1,0 atm são iguais a 5,53 °C e 80,1 °C, respectivamente. Considere ainda, o ponto P (5,50 °C, 55 atm) como ponto de partida das transformações sequenciais discriminadas abaixo:
(1) Inicialmente, elevação da temperatura até 300 °C, em um processo isobárico;
(2) Redução da pressão até 38 atm, em um processo isotérmico;
(3) Redução da temperatura até 5,50 °C, em um processo isobárico;
(4) Finalmente, redução da pressão até 0,02 atm, em um processo isotérmico.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta das mudanças de fase observadas ao longo do
processo descrito.
Dadas as seguintes equações que representam supostas reações químicas irreversíveis em meio aquoso e temperaturas moderadas:
I) 6 HBr + 2 Al → 2 AlBr3 + 3 H2
II) H2SO4 + BaCl2 → BaSO4 + 2 HCl
III) 2 KOH + NiSO4 → Ni(OH)2 + K2SO4
IV) 2 HBr + K2S → 2 KBr + H2S
V) BaCl2 + Na2CO3 → BaCO3 + 2 NaCl
Pode-se afirmar que a reação:
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a estrutura do íon ICl4+ e o tipo de hibridização de seu átomo central.

Considere que a reação abaixo ocorra em uma pilha.
2 Fe+++ + Cu → Cu++ + 2 Fe++
Assinale a alternativa que indica o valor correto do potencial padrão dessa pilha.
Dados:
Fe++ → Fe+++ + e- E0 = -0,77 V
Cu++ + 2e- → Cu E0 = +0,34 V
Um sistema fechado contendo um gás ideal no estado 1 sofre as transformações α e β, conforme indicado na figura abaixo.

Sabendo que a transformação α é isotérmica e β isobárica, indique o gráfico que representa os estados do sistema.

A figura acima mostra dois geradores de corrente contínua, denominados G1 e G2, que possuem resistências internas R1 e R2 e a mesma tensão induzida E . Os geradores estão conectados a uma resistência R por meio de uma chave S. A resistência R1 é um cilindro não condutor que possui um êmbolo condutor em sua parte superior e que se encontra, inicialmente, totalmente preenchido por um liquido condutor. O êmbolo desce junto com o nível do líquido condutor no interior do cilindro, mantendo a continuidade do circuito. No instante em que a chave S é fechada, o líquido começa a escoar pelo registro cuja vazão volumétrica é Q. Diante do exposto, o instante de tempo t , no qual o gerador G1 fornece 40% da corrente demandada pela carga é:
Dados:
• antes do fechamento da chave S : R1 = 4 R2 ;
• resistividade do líquido condutor: p ; e
• área da base do cilindros A.
Uma partícula elétrica de carga unitária, dotada de massa e inicialmente parada, sofre a ação de um impulso, entrando imediatamente em uma região do espaço na qual o campo magnético é uniforme, passando a realizar um movimento no sistema de coordenadas XYZ, descrito pelas seguintes funções do tempo t :

Considerando todas as grandezas no Sistema Internacional de Unidades, o módulo do campo magnético é:
Dado:
• impulso: 10.
Observação:
• despreze a força gravitacional.

O sistema mostrado na figura gira em torno de um eixo central em velocidade angular constante ω. Dois cubos idênticos, de massa uniformemente distribuída, estão dispostos simetricamente a uma distância r do centro ao eixo, apoiados em superfícies inclinadas de ângulo θ . Admitindo que não existe movimento relativo dos cubos em relação às superfícies, a menor velocidade angular ω para que o sistema se mantenha nessas condições é:
Dados:
• aceleração da gravidade: g ;
• massa de cada cubo: m ;
• aresta de cada cubo: a ; e
• coeficiente de atrito entre os cubos e as superfícies inclinadas: μ .

O sistema mostrado na figura acima encontra-se em equilíbrio estático, sendo composto por seis cubos idênticos, cada um com massa específica μ uniformemente distribuída e de aresta a, apoiados em uma alavanca composta por uma barra rígida de massa desprezível. O comprimento L da barra para que o sistema esteja em equilíbrio é:
Duas partículas A e B, carregadas eletricamente com mesmos valores de cargas positivas, partem da origem em velocidade nula no instante t = 0, e têm suas componentes de aceleração em relação aos eixos X e Y regidas pelas seguintes equações temporais:

O instante t min , onde 0 ≤ t min < 2π , em que a força de repulsão entre as cargas é mínima é

Conforme a figura acima, duas lanternas muito potentes, cilíndricas, com diâmetro D = 4 cm, estão alinhadas
no plano vertical. Ambas possuem lentes nas extremidades, cujos centros ópticos O estão alinhados
verticalmente e cujas distâncias focais são f = 3 cm. Uma das lentes é convergente e a outra é divergente.
Suas lâmpadas geram raios de luz horizontais, que encontram as lentes das respectivas lanternas e são
projetados até um anteparo vertical. Sabendo que a distância entre os centros ópticos das duas lentes é y =
12 cm, a distância máxima x entre os centros ópticos das lentes O e o anteparo, em centímetros, que faz
com que a luz projetada pelas lanternas não se sobreponha é:

A figura acima mostra um circuito formado por quatro resistores e duas baterias. Sabendo que a diferença de potencial entre os terminais do resistor de 1 Ω é zero, o valor da tensão U , em volts, é:
Um veículo de combate tem, como armamento principal, um canhão automático eletromagnético, o qual está municiado com 50 projéteis. Esse veículo se desloca em linha reta, inicialmente, em velocidade constante sobre um plano horizontal. Como o veículo está sem freio e descontrolado, um engenheiro sugeriu executar disparos a fim de reduzir a velocidade do veículo. Após realizar 10 disparos na mesma direção e no mesmo sentido da velocidade inicial do veículo, este passou a se deslocar com metade da velocidade inicial. Diante do exposto, a massa do veículo, em kg, é:
Dados:
• velocidade inicial do veículo: 20 m/s;
• velocidade do projétil ao sair do canhão: 800 m/s; e
• massa do projétil: 2 kg.
Observação:
• não há atrito entre o plano horizontal e o veículo.