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Q3537717 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:


A praça do poeta (1989)


    Itapuã é um lugar da Bahia, feito de coqueiros, areia, moça morena e saudade. Dali, saem os pescadores de curimã, afoitos guerreiros do mar, heróis e mártires dos temporais. Ali, celebra-se uma das mais belas festas. Iemanjá, senhora de todos os praieiros e de todos os marítimos.

    A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões. Nos tempos eleitorais, os políticos vão para lá, instalam postos de saúde, iluminação, retrato, fazem discursos e sacam contra o futuro, contando histórias de dinheiro, saúde e felicidade. Eleitos, saem de mansinho, e os ingênuos praieiros que conquistem, na incerta generosidade do mar, comida, remédio e dignidade.

    Fartos da música, dos discursos e das palavras sem verdade, os pescadores se apegam a todas as lendas e crendices do mar, o caminho mais fácil que eles encontram até Deus. É por isso que, nas praias da Bahia, vivem as rezas, os cultos, as celebrações mais ricas e numerosas do folclore praieiro.



(Antônio Maria. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/ cronicas/13375/a-praca-do-poeta. Adaptado)

A partir da leitura da crônica, é correto concluir que “os praieiros”, de que fala o autor,
Alternativas
Q3537716 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



Marinês: rainha do Xaxado



    A palavra “xaxado” vem do barulho que as sandálias dos dançarinos fazem ao serem arrastadas no chão durante a performance. Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino. Popularizou-se com o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga (1912–1989), o “Rei do Baião”, responsável por apresentar o forró e vários de seus subtipos a todo o Brasil. Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês (1934–2007) como a “Rainha do Xaxado”.

    Nascida Inês Caetano de Oliveira, na cidade de São Vicente Férrer (PE), em novembro de 1934, Marinês mudou-se ainda criança para Campina Grande (PB), onde iniciou sua trajetória musical em concursos de calouros. Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira –, a menina teve uma infância dedicada a cuidar dos irmãos mais novos, e suas bonecas eram feitas de sabugos de milho seco. De acordo com o filho mais velho de Marinês, o maestro, multi-instrumentista, compositor e produtor Marcos Farias, o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro. “Ela ganhou uma caixa de sabonetes. Foi um luxo para a época e para a vida humilde que a família levava”, conta.

    Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos, atuou em filmes musicais e apresentou seu próprio programa na TV Tupi. Além disso, foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e a ser considerada, pelo público e pela crítica, o “Luiz Gonzaga de saia”. “Ela aprendeu todo o repertório do Gonzagão, começou a usar chapéu de couro, a se vestir de Maria Bonita e a tocar triângulo. Formou a dupla Marinês e Abdias – O casal da alegria, ao lado do meu pai, músico e empresário dela, José Abdias de Farias (1932–1994)”, detalha Marcos Farias.



(Luna D’Alama. Revista E, junho de 2025. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o trecho destacado expressa sentido de tempo.
Alternativas
Q3537715 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



Marinês: rainha do Xaxado



    A palavra “xaxado” vem do barulho que as sandálias dos dançarinos fazem ao serem arrastadas no chão durante a performance. Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino. Popularizou-se com o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga (1912–1989), o “Rei do Baião”, responsável por apresentar o forró e vários de seus subtipos a todo o Brasil. Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês (1934–2007) como a “Rainha do Xaxado”.

    Nascida Inês Caetano de Oliveira, na cidade de São Vicente Férrer (PE), em novembro de 1934, Marinês mudou-se ainda criança para Campina Grande (PB), onde iniciou sua trajetória musical em concursos de calouros. Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira –, a menina teve uma infância dedicada a cuidar dos irmãos mais novos, e suas bonecas eram feitas de sabugos de milho seco. De acordo com o filho mais velho de Marinês, o maestro, multi-instrumentista, compositor e produtor Marcos Farias, o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro. “Ela ganhou uma caixa de sabonetes. Foi um luxo para a época e para a vida humilde que a família levava”, conta.

    Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos, atuou em filmes musicais e apresentou seu próprio programa na TV Tupi. Além disso, foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e a ser considerada, pelo público e pela crítica, o “Luiz Gonzaga de saia”. “Ela aprendeu todo o repertório do Gonzagão, começou a usar chapéu de couro, a se vestir de Maria Bonita e a tocar triângulo. Formou a dupla Marinês e Abdias – O casal da alegria, ao lado do meu pai, músico e empresário dela, José Abdias de Farias (1932–1994)”, detalha Marcos Farias.



(Luna D’Alama. Revista E, junho de 2025. Adaptado)

A expressão destacada pode ser substituída pela que está entre colchetes, sem prejuízo da norma-padrão da língua, em:
Alternativas
Q3537714 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



Marinês: rainha do Xaxado



    A palavra “xaxado” vem do barulho que as sandálias dos dançarinos fazem ao serem arrastadas no chão durante a performance. Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino. Popularizou-se com o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga (1912–1989), o “Rei do Baião”, responsável por apresentar o forró e vários de seus subtipos a todo o Brasil. Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês (1934–2007) como a “Rainha do Xaxado”.

    Nascida Inês Caetano de Oliveira, na cidade de São Vicente Férrer (PE), em novembro de 1934, Marinês mudou-se ainda criança para Campina Grande (PB), onde iniciou sua trajetória musical em concursos de calouros. Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira –, a menina teve uma infância dedicada a cuidar dos irmãos mais novos, e suas bonecas eram feitas de sabugos de milho seco. De acordo com o filho mais velho de Marinês, o maestro, multi-instrumentista, compositor e produtor Marcos Farias, o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro. “Ela ganhou uma caixa de sabonetes. Foi um luxo para a época e para a vida humilde que a família levava”, conta.

    Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos, atuou em filmes musicais e apresentou seu próprio programa na TV Tupi. Além disso, foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e a ser considerada, pelo público e pela crítica, o “Luiz Gonzaga de saia”. “Ela aprendeu todo o repertório do Gonzagão, começou a usar chapéu de couro, a se vestir de Maria Bonita e a tocar triângulo. Formou a dupla Marinês e Abdias – O casal da alegria, ao lado do meu pai, músico e empresário dela, José Abdias de Farias (1932–1994)”, detalha Marcos Farias.



(Luna D’Alama. Revista E, junho de 2025. Adaptado)

Em “Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino.” (1º parágrafo), foi empregada em sentido figurado a palavra 
Alternativas
Q3537713 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



Marinês: rainha do Xaxado



    A palavra “xaxado” vem do barulho que as sandálias dos dançarinos fazem ao serem arrastadas no chão durante a performance. Denomina também um subgênero musical do forró (assim como o baião, xote, arrasta-pé, coco, piseiro etc.), com raízes no sertão nordestino. Popularizou-se com o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Gonzaga (1912–1989), o “Rei do Baião”, responsável por apresentar o forró e vários de seus subtipos a todo o Brasil. Foi Gonzagão, inclusive, quem nomeou a cantora, atriz e apresentadora Marinês (1934–2007) como a “Rainha do Xaxado”.

    Nascida Inês Caetano de Oliveira, na cidade de São Vicente Férrer (PE), em novembro de 1934, Marinês mudou-se ainda criança para Campina Grande (PB), onde iniciou sua trajetória musical em concursos de calouros. Segunda filha de nove irmãos que chegaram à vida adulta – entre 22 gestados por sua mãe, Josefa Maria de Oliveira –, a menina teve uma infância dedicada a cuidar dos irmãos mais novos, e suas bonecas eram feitas de sabugos de milho seco. De acordo com o filho mais velho de Marinês, o maestro, multi-instrumentista, compositor e produtor Marcos Farias, o primeiro programa de calouros de que sua mãe participou foi aos oito anos de idade, com crianças e adolescentes do bairro. “Ela ganhou uma caixa de sabonetes. Foi um luxo para a época e para a vida humilde que a família levava”, conta.

    Esse foi o início de uma carreira de meio século, na qual Marinês gravou mais de 40 discos, atuou em filmes musicais e apresentou seu próprio programa na TV Tupi. Além disso, foi a primeira mulher a liderar um grupo de forró e a ser considerada, pelo público e pela crítica, o “Luiz Gonzaga de saia”. “Ela aprendeu todo o repertório do Gonzagão, começou a usar chapéu de couro, a se vestir de Maria Bonita e a tocar triângulo. Formou a dupla Marinês e Abdias – O casal da alegria, ao lado do meu pai, músico e empresário dela, José Abdias de Farias (1932–1994)”, detalha Marcos Farias.



(Luna D’Alama. Revista E, junho de 2025. Adaptado)

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a comparação feita entre Luiz Gonzaga e Marinês se deve ao fato de que esta, assim como o cantor,
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537269 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
Em “Lenine era isto. Lenine era aquilo.” (3º§), o efeito de exagero na caracterização do personagem é produzido em razão: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537268 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outros explícitos ou inferíveis. Nesse sentido, assinale a alternativa em que se destaca, do primeiro parágrafo, um exemplo desse tipo de coesão. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537267 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Lembram-se”, no terceiro parágrafo, contribui para a coerência do texto uma vez que deve ser entendida como: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537266 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Dir-se-ia”, que ocorre no terceiro parágrafo, pode ser entendida como um exemplo de variação diacrônica e, segundo a Norma Padrão, tem seu emprego justificado: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537265 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O final do texto apresenta a fala dos personagens por meio de um discurso que: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537264 Português
Lenine
(Manuel Bandeira)

        Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

        Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas. 

        Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

        O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

       Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

        Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

        - Me dá um livro! aquele!
        - Aquele é em francês, você não entende.
        - Então aquele! - Aquele é em inglês.
        - Não tem figura? - Não tem figura.
        - Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O primeiro parágrafo do texto II distingue dois tipos de homens. De acordo com o narrador, Lenine seria um exemplo: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537263 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Chama-se heterogeneidade tipológica o fato de um gênero textual ser constituído por dois ou mais tipos. Nesse sentido, no texto de Ruy Castro, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537262 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Na passagem “limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão” (2º§), registram-se duas ocorrências da preposição “a”. No entanto, ocorre crase em apenas uma delas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que apresenta um comentário correto.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537261 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A conjunção adverbial temporal “quando” está presente no primeiro e no segundo parágrafo do texto. Em relação ao seu emprego, é correto afirmar que exprime, em sua primeira e segunda ocorrência, respectivamente: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537260 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
No último parágrafo do texto, o emprego do adjetivo “filial” deve ser entendido como um recurso coesivo que:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537259 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de aproximar o leitor da discussão que será apresentada, o autor combina duas importantes figuras de linguagem no subtítulo. Assinale a alternativa que apresenta as duas figuras de linguagem presentes no subtítulo.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IBFC Órgão: CBM-PR Prova: IBFC - 2025 - CBM-PR - Soldado Bombeiro Militar |
Q3537258 Português
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

        O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

        Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

        Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

        Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

        O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de apresentar seu posicionamento acerca da situação atual da propaganda, o enunciador constrói a introdução do texto por meio do seguinte recurso expressivo:
Alternativas
Q3536243 Português
Assinale a alternativa em que a norma-padrão de regência e concordância verbais foi plenamente respeitada.
Alternativas
Q3536242 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


     Por que no Brasil a maioria da população tem rejeitado o parlamentarismo? A resposta aponta para a índole do nosso povo. Aqui a semente presidencialista viceja em todos os espaços.
     O sociólogo francês Maurice Duverger defende a tese de que o gosto latino-americano pelo sistema presidencialista tem a ver com o aparato monárquico na região. O Império Inca, com seus grandes caciques, e depois o poderio espanhol, com seus reis, vice-reis e corregedores, plasmaram a inclinação por regimes de caráter autocrático.
    O presidencialismo por estas plagas agregaria, assim, uma boa dose de autocracia. Já o parlamentarismo que vicejou na Europa teria se inspirado na ideologia liberal da Revolução Francesa, cujo alvo era a derrubada do soberano. Isso explicaria a distância da Europa ante o modelo presidencialista.
    Portanto, o presidencialismo está fincado no altar mais alto da cultura política. O poder que dele emana impregna a figura do mandatário. A imagem do Estado e a imagem do governante imbricam-se. Sob essa configuração, imaginar que o parlamentarismo tenha chance por aqui é apostar que a fada madrinha decidiu deixar o reino da fantasia para nos visitar. Temos de conviver mesmo com o fardão presidencialista.


(Gaudêncio Torquato, Jornal da USP, “Parlamentarismo, uma sombra no horizonte”. Disponível em: https://jornal.usp.br/articulistas/gaudencio-torquato/ parlamentarismo-uma-sombra-no-horizonte/. Adaptado)
Considerando o contexto em que as expressões destacadas se apresentam, assinale a alternativa em que o comentário sobre elas é correto.
Alternativas
Q3536240 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

    Nos anos 1970, um professor do curso de Psicologia de Harvard tinha um estranho aluno em sua classe. Depois das primeiras aulas, ele se aproximou do professor para explicar por que se matriculara naquele curso. Ele disse que precisava de ajuda, porque coisas estranhas estavam acontecendo com ele, como o fato de sua mulher falar as palavras em que ele estava pensando logo antes que ele pudesse dizê- -las. Além disso, perdera o emprego dois dias depois de um colega fazer um comentário casual sobre cortes de pessoal no trabalho.

    Com o tempo, afirmou, passara por dezenas de situações de má sorte, que considerava serem coincidências perturbadoras. A princípio, ficou confuso com a situação. Depois, assim como a maioria de nós faria, criou um modelo mental para reconciliar os fatos com suas crenças sobre o comportamento do mundo. A teoria que engendrou, no entanto, era muito diferente do que ditaria o senso comum: ele estava sendo usado como cobaia de um experimento científico complexo e secreto. Acreditava que o experimento era executado por um grande grupo de conspiradores, liderados pelo famoso psicólogo Skinner. Também acreditava que, quando o experimento estivesse concluído, ele ficaria famoso e talvez fosse eleito para um alto cargo público. Assim, matriculara-se no curso para aprender a testar sua hipótese, tendo em vista a quantidade de indícios que já acumulara.


(Leonard Mlodinow, O andar do bêbado. Adaptado)
Considere as seguintes passagens do 2º parágrafo:

•   “A princípio, ficou confuso com a situação...”
•   “A teoria que engendrou, no entanto, era muito diferente do que ditaria o senso comum...”
•   “Assim, matriculara-se no curso para aprender a testar sua hipótese, tendo em vista a quantidade de indícios que já acumulara.”

As expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, sem prejuízo ao sentido original e de acordo com a norma-padrão, por:
Alternativas
Respostas
521: A
522: A
523: D
524: B
525: A
526: B
527: D
528: C
529: A
530: A
531: C
532: B
533: E
534: A
535: C
536: C
537: D
538: C
539: E
540: A