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Foram encontradas 28 questões

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Q3228352 Português
Texto 3 

Perigos da dependência em jogos de apostas online

    Com o avanço da tecnologia, os jogos de apostas online tornaram-se uma forma popular de entretenimento para muitas pessoas em todo o mundo. No entanto, por trás da diversão aparente, existe um perigo real: a dependência. Para compreender melhor os riscos desse mundo de novidades, é preciso explorar os fatores danosos associados a esse vício, com foco especial nas apostas esportivas, cujos impactos já se alastram incontrolavelmente, e demandam medidas de intervenção urgente.
    Com o incontestável status de "país do futebol", parece óbvio que as apostas que mais chamem a atenção no Brasil sejam ligadas a esse tema. É nesse contexto de paixão dos torcedores que as apostas esportivas, em especial as relacionadas ao futebol, acabam por se tornar uma das formas mais comuns desses jogos. Mas, embora haja regulamentação, o número ainda desmedido de anúncios a respeito, aliado à facilidade crescente de acesso a plataformas de apostas e à emoção de acompanhar os jogos em tempo real, podem levar à dependência em jogos de apostas online relativos a esse esporte.
    Esse mal hábito pode ter diversos riscos e consequências, que não afetam apenas o indivíduo viciado, mas também o seu círculo familiar, os amigos próximos e a sociedade como um todo. Por estarem naturalmente mais vulneráveis, certos grupos populacionais são mais suscetíveis à dependência em jogos de apostas. Com as facilidades do acesso constante à internet, esses grupos atualmente incluem principalmente jovens, pessoas com problemas emocionais ou financeiros, além de indivíduos com histórico de dependência em outras áreas, como álcool ou drogas.
    Embora seja um movimento contrário ao da publicidade desse gênero, é preciso que as autoridades reguladoras implementem restrições e limites rigorosos para mitigar os riscos associados ao jogo de aposta online. Essa ação inclui regras que levem em consideração a idade, limites de gastos e proibição desse tipo de publicidade veiculada em mídias abertas ou direcionada a grupos potencialmente vulneráveis.
    Reconhecer os riscos associadosà compulsividade no jogo e implementar medidas de prevenção e tratamento é passo essencial para enfrentar esse desafio crescente. Mas vale lembrar que essa realidade demanda uma abordagem multifacetada, que envolve conscientização pública, regulamentação rigorosa e suporte individualizado, a fim de que, trabalhando em conjunto, se possa ter alguma chance de reduzir os danos causados pela dependência em jogos de apostas online.

[Adaptado do site: https://www.marceloparazzi.com.br/blog/perigos-dadependenciaem-jogos-de-apostas-online/]
Observe o conjunto de termos destacados no trecho "(...) que não afetam apenas o indivíduo viciado, mas também o seu círculo familiar (...)". 3° §
Assinale a opção que o identifica corretamente.
Alternativas
Q3228350 Português
Texto 3 

Perigos da dependência em jogos de apostas online

    Com o avanço da tecnologia, os jogos de apostas online tornaram-se uma forma popular de entretenimento para muitas pessoas em todo o mundo. No entanto, por trás da diversão aparente, existe um perigo real: a dependência. Para compreender melhor os riscos desse mundo de novidades, é preciso explorar os fatores danosos associados a esse vício, com foco especial nas apostas esportivas, cujos impactos já se alastram incontrolavelmente, e demandam medidas de intervenção urgente.
    Com o incontestável status de "país do futebol", parece óbvio que as apostas que mais chamem a atenção no Brasil sejam ligadas a esse tema. É nesse contexto de paixão dos torcedores que as apostas esportivas, em especial as relacionadas ao futebol, acabam por se tornar uma das formas mais comuns desses jogos. Mas, embora haja regulamentação, o número ainda desmedido de anúncios a respeito, aliado à facilidade crescente de acesso a plataformas de apostas e à emoção de acompanhar os jogos em tempo real, podem levar à dependência em jogos de apostas online relativos a esse esporte.
    Esse mal hábito pode ter diversos riscos e consequências, que não afetam apenas o indivíduo viciado, mas também o seu círculo familiar, os amigos próximos e a sociedade como um todo. Por estarem naturalmente mais vulneráveis, certos grupos populacionais são mais suscetíveis à dependência em jogos de apostas. Com as facilidades do acesso constante à internet, esses grupos atualmente incluem principalmente jovens, pessoas com problemas emocionais ou financeiros, além de indivíduos com histórico de dependência em outras áreas, como álcool ou drogas.
    Embora seja um movimento contrário ao da publicidade desse gênero, é preciso que as autoridades reguladoras implementem restrições e limites rigorosos para mitigar os riscos associados ao jogo de aposta online. Essa ação inclui regras que levem em consideração a idade, limites de gastos e proibição desse tipo de publicidade veiculada em mídias abertas ou direcionada a grupos potencialmente vulneráveis.
    Reconhecer os riscos associadosà compulsividade no jogo e implementar medidas de prevenção e tratamento é passo essencial para enfrentar esse desafio crescente. Mas vale lembrar que essa realidade demanda uma abordagem multifacetada, que envolve conscientização pública, regulamentação rigorosa e suporte individualizado, a fim de que, trabalhando em conjunto, se possa ter alguma chance de reduzir os danos causados pela dependência em jogos de apostas online.

[Adaptado do site: https://www.marceloparazzi.com.br/blog/perigos-dadependenciaem-jogos-de-apostas-online/]
Assinale a opção em que o termo destacado possui amesma função sintática do vocábulo sublinhado no trecho"É nesse contexto de paixão dos torcedores (...)". 2° §
Alternativas
Q3228345 Português
Texto 3 

Perigos da dependência em jogos de apostas online

    Com o avanço da tecnologia, os jogos de apostas online tornaram-se uma forma popular de entretenimento para muitas pessoas em todo o mundo. No entanto, por trás da diversão aparente, existe um perigo real: a dependência. Para compreender melhor os riscos desse mundo de novidades, é preciso explorar os fatores danosos associados a esse vício, com foco especial nas apostas esportivas, cujos impactos já se alastram incontrolavelmente, e demandam medidas de intervenção urgente.
    Com o incontestável status de "país do futebol", parece óbvio que as apostas que mais chamem a atenção no Brasil sejam ligadas a esse tema. É nesse contexto de paixão dos torcedores que as apostas esportivas, em especial as relacionadas ao futebol, acabam por se tornar uma das formas mais comuns desses jogos. Mas, embora haja regulamentação, o número ainda desmedido de anúncios a respeito, aliado à facilidade crescente de acesso a plataformas de apostas e à emoção de acompanhar os jogos em tempo real, podem levar à dependência em jogos de apostas online relativos a esse esporte.
    Esse mal hábito pode ter diversos riscos e consequências, que não afetam apenas o indivíduo viciado, mas também o seu círculo familiar, os amigos próximos e a sociedade como um todo. Por estarem naturalmente mais vulneráveis, certos grupos populacionais são mais suscetíveis à dependência em jogos de apostas. Com as facilidades do acesso constante à internet, esses grupos atualmente incluem principalmente jovens, pessoas com problemas emocionais ou financeiros, além de indivíduos com histórico de dependência em outras áreas, como álcool ou drogas.
    Embora seja um movimento contrário ao da publicidade desse gênero, é preciso que as autoridades reguladoras implementem restrições e limites rigorosos para mitigar os riscos associados ao jogo de aposta online. Essa ação inclui regras que levem em consideração a idade, limites de gastos e proibição desse tipo de publicidade veiculada em mídias abertas ou direcionada a grupos potencialmente vulneráveis.
    Reconhecer os riscos associadosà compulsividade no jogo e implementar medidas de prevenção e tratamento é passo essencial para enfrentar esse desafio crescente. Mas vale lembrar que essa realidade demanda uma abordagem multifacetada, que envolve conscientização pública, regulamentação rigorosa e suporte individualizado, a fim de que, trabalhando em conjunto, se possa ter alguma chance de reduzir os danos causados pela dependência em jogos de apostas online.

[Adaptado do site: https://www.marceloparazzi.com.br/blog/perigos-dadependenciaem-jogos-de-apostas-online/]
Observe o fragmento abaixo.
"Reconhecer os riscos associados à compulsividade no jogo e implementar medidas de prevenção e tratamento é passo essencial (...)". 5°§

Quanto à concordância, a forma verbal destacada foi usada corretamente. Assinale a opção em que o vocábulo sublinhado também foi empregado de forma correta.
Alternativas
Q3228344 Português
Texto 3 

Perigos da dependência em jogos de apostas online

    Com o avanço da tecnologia, os jogos de apostas online tornaram-se uma forma popular de entretenimento para muitas pessoas em todo o mundo. No entanto, por trás da diversão aparente, existe um perigo real: a dependência. Para compreender melhor os riscos desse mundo de novidades, é preciso explorar os fatores danosos associados a esse vício, com foco especial nas apostas esportivas, cujos impactos já se alastram incontrolavelmente, e demandam medidas de intervenção urgente.
    Com o incontestável status de "país do futebol", parece óbvio que as apostas que mais chamem a atenção no Brasil sejam ligadas a esse tema. É nesse contexto de paixão dos torcedores que as apostas esportivas, em especial as relacionadas ao futebol, acabam por se tornar uma das formas mais comuns desses jogos. Mas, embora haja regulamentação, o número ainda desmedido de anúncios a respeito, aliado à facilidade crescente de acesso a plataformas de apostas e à emoção de acompanhar os jogos em tempo real, podem levar à dependência em jogos de apostas online relativos a esse esporte.
    Esse mal hábito pode ter diversos riscos e consequências, que não afetam apenas o indivíduo viciado, mas também o seu círculo familiar, os amigos próximos e a sociedade como um todo. Por estarem naturalmente mais vulneráveis, certos grupos populacionais são mais suscetíveis à dependência em jogos de apostas. Com as facilidades do acesso constante à internet, esses grupos atualmente incluem principalmente jovens, pessoas com problemas emocionais ou financeiros, além de indivíduos com histórico de dependência em outras áreas, como álcool ou drogas.
    Embora seja um movimento contrário ao da publicidade desse gênero, é preciso que as autoridades reguladoras implementem restrições e limites rigorosos para mitigar os riscos associados ao jogo de aposta online. Essa ação inclui regras que levem em consideração a idade, limites de gastos e proibição desse tipo de publicidade veiculada em mídias abertas ou direcionada a grupos potencialmente vulneráveis.
    Reconhecer os riscos associadosà compulsividade no jogo e implementar medidas de prevenção e tratamento é passo essencial para enfrentar esse desafio crescente. Mas vale lembrar que essa realidade demanda uma abordagem multifacetada, que envolve conscientização pública, regulamentação rigorosa e suporte individualizado, a fim de que, trabalhando em conjunto, se possa ter alguma chance de reduzir os danos causados pela dependência em jogos de apostas online.

[Adaptado do site: https://www.marceloparazzi.com.br/blog/perigos-dadependenciaem-jogos-de-apostas-online/]
Observe o fragmento abaixo.
"(...) é preciso explorar os fatores danosos associados aesse vício (...)". 1° §

Assinale a opção que, contextualmente, substitui o trechodestacado no fragmento com alteração de sentido.
Alternativas
Q3228335 Português
Texto 2 

COM O САСНОRRO AO LADO

Toda manhã saía levando o cachorro a passear. Era umaboa justificativa o cachorro, para ele que, aposentado,talvez não tivesse outra. la caminhando devagar até aavenida junto ao mar, e lá chegando deixava-se ficar numbanco, o olhar posto nos navios fundeados ao largo. Haviasempre muitos navios. No seu tempo de prático, naviosnão precisavam esperar. De lancha ou rebocador, emcalmaria ou em tempestade, ele cruzava a barra e, no maraberto, se aproximava do casco tão mais alto do que suaprópria embarcação, olhava para cima avaliando adistância, começava a subir pela escadinha ondeante.Havia riscos. Muitas vezes chegara na ponte de comandoencharcado. Mas era o que sabia fazer, e o fazia melhordo que outros. Melhor do que outros conhecia as lajessubmersas, os bancos de areia, as correntezas todasdaquele porto, e nele conduzia os navios como se a águafosse vidro e ele visse o que para os demais era oculto.Os navios entravam no porto como cegos guiados porquem vê. Havia sido um belo trabalho. Agora sentava-seno banco junto ao mar, e olhava ao longe os navios. Sabiaque não estavam ali à espera do prático. O tráfegomarítimo havia aumentado ano a ano, e aos poucostornara-se necessário esperar por uma vaga no porto,como em qualquer estacionamento de automóveis. Mas.sentado no banco, com o cachorro deitado a seu lado,gostava de pensar que na névoa da manhã os naviosesperavam por ele, esperavam a lancha ou o rebocadorque o traria até junto do alto casco, quando entãolevantaria a cabeça avaliando a distância antes decomeçar a subir. Um a um, aqueles navios agora cravadosna água como se na rocha, sairiam da névoa e,comandados por ele cruzariam a barra entrando no porto.Progressivamente, o horizonte ficaria despovoado. Seusdevaneios chegavam só até esse ponto, só até ohorizonte desimpedido. Acrescentava ainda um lamentode sirene, longo. Depois se levantava do banco. Ocachorro se levantava do chão. O passeio da manhäestava terminado.

COLASANTI, Marina. Hora de alimentar serpentes. São Paulo:Editora Global, 2013.
Observe os termos destacados no fragmento: "Havia sido um belo trabalho". Assinale a opção em que a locuçãoverbal sublinhada está flexionada no mesmo tempo e modo que no trecho destacado acima.
Alternativas
Q3228331 Português
Texto 1 

ÁGUAS DO MAR

    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornouse o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.
    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.
    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.
    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhä, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.
    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal -a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.
    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.
    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e coma altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.
    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada seconstringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo salsecado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam poisela é um anteparo compacto.
    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água,agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é aamante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abremais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: estácada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe оque quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica.pois. Como contra os costados de um navio, a água bate,volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Nãoprecisa de comunicação.
    Depois caminha dentro da água de volta à praia.Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria issodepois que há milênios já andaram sobre as águas - masninguém Ihe tira isso: caminhar dentro das águas. Àsvezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com forçapara trás, mas então a proa da mulher avança um poucomais dura e áspera.
    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando deágua, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a unsminutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algummodo obscuro que seus cabelos escorridos são denáufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Umperigo tão antigo quanto o ser humano.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro:Editora Rocco, 2020.
Assinale a opção em que a forma verbal destacada possuia mesma transitividade do vocábulo sublinhado no trecho:"O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantescega". 7°§ 
Alternativas
Q3228330 Português
Texto 1 

ÁGUAS DO MAR

    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornouse o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.
    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.
    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.
    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhä, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.
    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal -a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.
    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.
    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e coma altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.
    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada seconstringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo salsecado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam poisela é um anteparo compacto.
    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água,agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é aamante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abremais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: estácada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe оque quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica.pois. Como contra os costados de um navio, a água bate,volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Nãoprecisa de comunicação.
    Depois caminha dentro da água de volta à praia.Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria issodepois que há milênios já andaram sobre as águas - masninguém Ihe tira isso: caminhar dentro das águas. Àsvezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com forçapara trás, mas então a proa da mulher avança um poucomais dura e áspera.
    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando deágua, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a unsminutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algummodo obscuro que seus cabelos escorridos são denáufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Umperigo tão antigo quanto o ser humano.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro:Editora Rocco, 2020.
Assinale a opção na qual se observa uma relação desinonímia com o termo destacado no fragmento: "Seucorpo se consola com sua própria exiguidade (...)". 5° §
Alternativas
Q3228329 Português
Texto 1 

ÁGUAS DO MAR

    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornouse o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.
    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.
    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.
    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhä, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.
    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal -a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.
    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.
    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e coma altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.
    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada seconstringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo salsecado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam poisela é um anteparo compacto.
    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água,agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é aamante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abremais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: estácada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe оque quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica.pois. Como contra os costados de um navio, a água bate,volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Nãoprecisa de comunicação.
    Depois caminha dentro da água de volta à praia.Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria issodepois que há milênios já andaram sobre as águas - masninguém Ihe tira isso: caminhar dentro das águas. Àsvezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com forçapara trás, mas então a proa da mulher avança um poucomais dura e áspera.
    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando deágua, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a unsminutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algummodo obscuro que seus cabelos escorridos são denáufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Umperigo tão antigo quanto o ser humano.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro:Editora Rocco, 2020.
Assinale a opção que apresenta a sentença transcrita em que há, no contexto, a correta correspondência entre o termo destacado e o referente a ele atribuído.
Alternativas
Q3228325 Português
Texto 1 

ÁGUAS DO MAR

    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornouse o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.
    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.
    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.
    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhä, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.
    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal -a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.
    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.
    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e coma altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.
    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada seconstringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo salsecado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam poisela é um anteparo compacto.
    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água,agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é aamante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abremais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: estácada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe оque quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica.pois. Como contra os costados de um navio, a água bate,volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Nãoprecisa de comunicação.
    Depois caminha dentro da água de volta à praia.Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria issodepois que há milênios já andaram sobre as águas - masninguém Ihe tira isso: caminhar dentro das águas. Àsvezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com forçapara trás, mas então a proa da mulher avança um poucomais dura e áspera.
    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando deágua, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a unsminutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algummodo obscuro que seus cabelos escorridos são denáufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Umperigo tão antigo quanto o ser humano.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro:Editora Rocco, 2020.
Assinale a opção em que o termo retomado pelo pronome relativo "que" foi destacado corretamente.
Alternativas
Q3228321 Português
Texto 1 

ÁGUAS DO MAR

    Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornouse o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
    Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.
    Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.
    São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.
    Seu corpo se consola com sua própria exiguidade em relação à vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhä, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.
    Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal -a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda - e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.
    O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.
    Agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão se endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e coma altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes bons.
    E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada seconstringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo salsecado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam poisela é um anteparo compacto.
    Mergulha de novo, de novo bebe, mais água,agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é aamante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abremais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: estácada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe оque quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica.pois. Como contra os costados de um navio, a água bate,volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Nãoprecisa de comunicação.
    Depois caminha dentro da água de volta à praia.Não está caminhando sobre as águas - ah nunca faria issodepois que há milênios já andaram sobre as águas - masninguém Ihe tira isso: caminhar dentro das águas. Àsvezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com forçapara trás, mas então a proa da mulher avança um poucomais dura e áspera.
    E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando deágua, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a unsminutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algummodo obscuro que seus cabelos escorridos são denáufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Umperigo tão antigo quanto o ser humano.

LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro:Editora Rocco, 2020.
Assinale a opção em que o fragmento retirado do texto evidencia o fenômeno da intertextualidade implícita.
Alternativas
Q1297299 História
Diversos intrusos desafiaram os interesses ultramarinos de Portugal durante os séculos XVI e XVII. Qual foi o primeiro povo que teve seus navios na costa brasileira comercializando com os nativos da terra, forçando Portugal a reagir, enviando expedições guarda-costas e iniciando a colonização no Brasil?
Alternativas
Q1297295 Direito Constitucional
As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na______________e ______________ , sob a autoridade suprema do____________________________, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
Alternativas
Q1297289 Legislação Federal
Considerando a Política Nacional de Defesa, sobre Segurança e Defesa Nacional, assinale a opção INCORRETA.
Alternativas
Q1297282 Engenharia Naval
De acordo com as tradições navais vigentes na Marinha do Brasil, os navios são divididos por classes. Qual é considerado navio de 2ª Classe?
Alternativas
Q1297269 Português

TEXTO 2 (referente à questão) 

“[...] 0 fascínio que a linguagem sempre exerceu sobre o homem vem desse poder que permite não só nomear/criar/transformar o universo real, mas também possibilita trocar experiências, falar sobre o que existiu, poderá vir a existir e até mesmo imaginar o que não precisa nem pode existir. A linguagem verbal é, então, a matéria do pensamento e o veículo da comunicação social. Assim como não há sociedade sem linguagem, não há sociedade sem comunicação. Tudo o que se produz como linguagem ocorre em sociedade, para ser comunicado e, como tal, constitui uma realidade material que se relaciona com o que lhe é exterior, com o que existe independentemente da linguagem. Como realidade material - organização de sons, palavras, frases - a linguagem é relativamente autônoma; como expressão de emoções, idéias, propósitos, no entanto, ela é orientada pela visão de mundo, pelas injunções da realidade social, histórica e cultural de seu falante. [...]" 

(Margarida Petter)

Fonte: FIORIN, José Luiz. Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2012.

No período composto "Assim como não há sociedade sem linguagem, não há sociedade sem comunicação.", o verbo haver está no presente do indicativo. Considere sua reescritura a seguir, bem como a substituição do tempo verbal pelo pretérito perfeito do indicativo e assinate, então, a opção que completa as lacunas corretamente.
"Assim como nunca________sociedades sem linguagem, nunca_______sociedades sem comunicação."
Alternativas
Q1297264 Português

Texto 1 (referente à questão)

Sobre a Escrita...

    Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
    Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
    Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
    Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
    Simplesmente não há palavras.
    O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.     Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
    Simplesmente as palavras do homem.

(Clarice Lispector)


Fonte: contobrasileiro.com.br/sobre-a-escrita-conto-declarice-lispector/

Leia o fragmento abaixo e o texto que se apresenta em seguida:


“Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. [...] Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida" (§4). 


“2 E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, 3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis deie, nem nele tocareis para que não morrais.”

 

Fonte: Gênesis {Cap. 3, versículos 2-3). Disponível em: https://www. bibliaonline.com.br/acf/gn/3

 

Considerando-se os dois textos, é INCORRETO afirmar que: 


Alternativas
Q1297260 Português

Texto 1 (referente à questão)

Sobre a Escrita...

    Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
    Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
    Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
    Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
    Simplesmente não há palavras.
    O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.     Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
    Simplesmente as palavras do homem.

(Clarice Lispector)


Fonte: contobrasileiro.com.br/sobre-a-escrita-conto-declarice-lispector/

Sobre o texto, assinale a opção correta.
Alternativas
Q1297259 Português

Texto 1 (referente à questão)

Sobre a Escrita...

    Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
    Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
    Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
    Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
    Simplesmente não há palavras.
    O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.     Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
    Simplesmente as palavras do homem.

(Clarice Lispector)


Fonte: contobrasileiro.com.br/sobre-a-escrita-conto-declarice-lispector/

Na frase “O som de minha máquina é macio." (§1), a característica macio é atribuída à palavra som, que só é feita figu radamente. Essa figura de linguagem é denominada:
Alternativas
Q1297254 Português

Texto 1 (referente à questão)

Sobre a Escrita...

    Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio.
    Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma ideia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
    Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Sempre achei que o traço de um escultor é identificável por uma extrema simplicidade de linhas. Todas as palavras que digo - é por esconderem outras palavras.
    Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.
    Simplesmente não há palavras.
    O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também. Sim, mas é a sorte às vezes.     Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever. Eu tenho uma falta de assunto essencial. Todo homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora.
    Simplesmente as palavras do homem.

(Clarice Lispector)


Fonte: contobrasileiro.com.br/sobre-a-escrita-conto-declarice-lispector/

Na oração destacada "Parece-me que todo o resto não é proibido." (§4), há um exemplo de oração:
Alternativas
Q775663 Administração Geral
Assinale a opção que apresenta apenas exemplos dos principais atributos de um líder.
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: C
4: A
5: A
6: D
7: E
8: E
9: E
10: E
11: E
12: D
13: D
14: B
15: D
16: B
17: C
18: A
19: D
20: B