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Ano: 2023 Banca: IBFC Órgão: PM-PB Prova: IBFC - 2023 - PM-PB - Soldado PM - Combatente |
Q2289327 Português
Texto I
O incendiador de caminhos

       Uma das intervenções a que sou chamado a participar em Moçambique destina-se a combater as chamadas “queimadas descontroladas”. Este combate parece ter todo o fundamento: trata-se de proteger ecossistemas e de conservar espaços úteis e produtivos.
      Contudo, eu receio que seja mais uma das ingratas batalhas sem hipótese de sucesso imediato. Na realidade, nós não entendemos a complexa ecologia do fogo na savana africana. Não entendemos as razões que são anteriores ao fogo. De qualquer modo, não param de me pedir para que fale com os camponeses sobre os malefícios dos incêndios rurais. Devo confessar que nunca fui capaz de cumprir essa incumbência.
      Na realidade, o que tenho feito é tentar descortinar algumas das razões que levam os camponeses a converter os capinzais em chamas. Sabe-se que a agricultura de corte e queimada é uma das principais razões para estas práticas incendiárias. Mas fala-se pouco de um outro culpado que é uma personagem a que chamarei de “homem visitador”. É sobre este “homem visitador” que irei falar neste breve depoimento.
        Na família rural de Moçambique, a divisão de tarefas sugere uma sociedade que faz pesar sobre a mulher a maior parte do trabalho. Os que adoram quantificar as relações sociais publicaram já gráficos e tabelas que demonstram profusamente que, enquanto o homem repousa, a mulher se ocupa o dia inteiro. Mas esse mesmo camponês faz outras coisas que escapam aos contabilistas sociais. Entre as ocupações invisíveis do homem rural sobressai a visitação. Essa atividade é central nas sociedades rurais de Moçambique.
      O homem passa meses do ano prestando visitas aos vizinhos e familiares distantes. As visitas parecem não ter um propósito prático e definido. Quando se pergunta a um desses visitantes qual a finalidade da sua viagem ele responde: “Só venho visitar”. Na realidade, prestar visitas é uma forma de prevenir conflitos e construir bons laços de harmonia que são vitais numa sociedade dispersa e sem mecanismos estatais que garantam estabilidade.
       Os visitadores gastam a maior parte do tempo em rituais de boas-vindas e de despedida. Abrir as portas de um sítio requer entendimentos com os antepassados que são os únicos verdadeiros “donos” de cada um dos lugares. Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis. À medida que progridem, vão ateando fogo ao capim. A não ser que seja em pleno Inverno, esse capim arde pouco. O fogo espalha-se e desfalece pelas imediações do atalho que os viajantes vão percorrendo. Esse incêndio tem serviços e vantagens diversas que se manifestam claramente no regresso: define um mapa de referências, afasta as cobras e os perigos de emboscadas, facilita o piso e torna o retorno mais fácil e seguro. [...]


(COUTO, Mia. E se Obama fosse africano?. São Paulo: Companhia das Letras. 2011)
Em “Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis” (6º§), a preposição destacada não recebe o acento grave, indicativo de crase. Assinale a alternativa em que esse acento deveria ser empregado. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Uso da Crase. A questão aborda o correto emprego do acento grave indicativo da crase, fenômeno que ocorre pela fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou com a inicial de pronomes demonstrativos ‘aquela(s)’, por exemplo). É um dos pontos mais exigidos em provas de concursos policiais.

Regra prática da crase:
Segundo a norma-padrão (Evanildo Bechara; Nova Gramática de Cunha e Cintra), a crase é usada quando temos:

  • o termo regente exige a preposição “a”;
  • o termo regido admite o artigo feminino “a”.

Se ambos estão presentes, usamos “à”.

Alternativa correta: C) Iremos a reunião inaugural.

Nesta frase, “ir” exige a preposição “a” (quem vai, vai a algum lugar), e “reunião” é substantivo feminino que admite artigo. Assim, deveríamos escrever “Iremos à reunião inaugural”, usando o acento grave (crase obrigatória).

Por que as demais estão erradas?

A) “Óleo” é masculino; a crase jamais ocorre antes de palavras masculinas (correto: “Pintaram o quadro a óleo”).

B) Não se usa crase antes de verbos (“fazer”); crase não ocorre aqui.

D) “Uma” é artigo indefinido. Não usamos crase antes de artigos indefinidos, apenas definidos.

E) Apesar de “ideias” ser substantivo feminino plural, o correto seria “às ideias”. Sem o acento, a frase está incorreta.

Pegadinhas comuns sobre crase:

  • Antes de palavras masculinas: nunca ocorre crase.
  • Antes de verbos: não ocorre crase.
  • Antes de plurais com o artigo “as”: se houver preposição + artigo, use “às”.
  • Antes de pronome indefinido (“uma”, “toda”): não há crase.

Resumo didático: Sempre que o termo regente pedir preposição “a” e o termo regido puder ser precedido de artigo feminino “a”, haverá crase (“à”). Leia atentamente e utilize o teste substituindo “a” por “ao”: se “ao” for possível, há crase antes de nome feminino (“Iremos ao evento” → “Iremos à reunião”).

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Comentários

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Quem vai, vai A algum lugar. Vai aonde? A reunião. Prep+Art= CRASE.

Gab C.

✔️ PARA AJUDAR A FIXAR

A) Pintaram o quadro a óleo.

  • Palavra masculina ( o óleo) não há crase.
  • Palavra masculina crase não se anima

B) Estão dispostos a fazer o evento. 

  • Antes de verbo não vai crase.
  • Antes de verbo crase não quero

C) Iremos a reunião inaugural.

  • Gabarito. Troque por outra palavra, porém masculina se aparecer 'ao' terá crase
  • Iremos ao curso
  • Iremos ao mercado
  • Iremos ao hospital
  • (...)

D) Fizeram jus a uma promoção. 

  • Quando aparecer "um, uma" seja numeral seja indefinido não terá crase.
  • Antes de numeral crase passa mal
  • Antes de definido crase é um perigo

E) Prendem-se a ideias pouco originais.

  • Não há crase com 'a' no singular e palavra seguinte no plural pois se trata só da preposição sozinha.
  • A no singular posposto no plural crase nem a pa**

Bons estudos

✍ GABARITO: C

GABARITO - C ✔️​

A - Caso proibido - não há crase antes de Palavras Masculinas

B - Caso proibido - não há crase antes de Verbo

C - Determinou a reunião - Crase

D - Caso proibido - não há crase Diante de numerais cardinais

E - Não há crase antes de plural, se o artigo não estive no plural

Iremos a reunião inaugural.

(C)

Por eliminação já mata a questão.

A - antes de palavras masculina não cabe

B - antes de verbo não cabe

D - pronomes indefinidos não cabe

E - antes de palavras no plural e o "a" no singular não cabe

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