Homem de 43 anos relata 3 dias de dor torácica localizada ce...

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Q4155401 Medicina
Homem de 43 anos relata 3 dias de dor torácica localizada centralmente e que irradia para o lado direito do pescoço. A dor piora com a respiração profunda e melhora quando ele se senta. Ele teve uma infecção do trato respiratório superior há cerca de 2 semanas, que se resolveu sem tratamento. Não há comorbidades. Exame físico: temperatura: 37,7ºC; pressão arterial: 125  ×  80 mmHg; frequência cardíaca: 84 bpm; atrito na borda esternal esquerda, melhor audível quando ele se inclina para frente. Eletrocardiograma: alterações difusas de segmento ST. Ecocardiograma: fração de ejeção de 50%; sem anormalidades regionais de movimento da parede; função valvar normal; pequeno derrame pericárdico.

Qual é o próximo passo mais adequado nesse paciente? 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O caso preenche critérios clínicos clássicos de pericardite aguda não complicada: dor torácica pleurítica e posicional, atrito pericárdico, alterações difusas de ST no ECG e pequeno derrame pericárdico, com estabilidade hemodinâmica e sem sinais de tamponamento; nessa situação, a conduta inicial correta é AINE associado à colchicina.

Tema central: Pericardite aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Ressonância magnética cardíaca não é o próximo passo mais adequado porque o diagnóstico sindrômico já está firmemente estabelecido por achados clássicos de pericardite aguda. Pela base, esse exame pode ter utilidade em casos duvidosos ou com suspeita de acometimento miocárdico para caracterização tecidual, mas o enunciado não traz elemento que torne a ressonância necessária antes da conduta inicial.
B
Errada
Angiotomografia de coronárias está errada porque o padrão clínico e eletrocardiográfico não favorece doença coronariana obstrutiva como hipótese principal. A dor é pleurítica e melhora ao sentar, há atrito pericárdico, o ST é difusamente alterado e o ecocardiograma não mostra alteração segmentar de contratilidade; esse conjunto aponta para pericardite, não para isquemia territorial por obstrução coronária focal.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro é classicamente compatível com pericardite aguda provável viral/idiopática após IVAS recente, já sustentada por história, exame físico, ECG e ecocardiograma. Em paciente estável, com pequeno derrame pericárdico e sem indicação de procedimento invasivo, a conduta inicial padrão é anti-inflamatório não esteroidal para controle da inflamação e da dor, associado à colchicina para reduzir sintomas e recorrência.
D
Errada
Pericardiocentese diagnóstica não está indicada porque a base reserva esse procedimento para tamponamento, derrame importante com repercussão ou necessidade diagnóstica diante de suspeita etiológica específica. Aqui o derrame é pequeno, o paciente está hemodinamicamente estável e não há elementos de etiologia bacteriana, neoplásica ou outra situação que imponha punção.
E
Errada
Prednisona está errada porque corticosteroide não é tratamento inicial de primeira linha na pericardite aguda idiopática/viral. Pela base, seu uso precoce nesse cenário se associa a maior recorrência e fica reservado para situações selecionadas, como contraindicação ou falha ao esquema com AINE e colchicina, o que não foi descrito.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: interpretar elevação difusa de ST como síndrome coronariana aguda e assumir que qualquer derrame pericárdico exige pericardiocentese, quando a semiologia e o ecocardiograma sustentam pericardite aguda estável tratada clinicamente.
Dica para questões semelhantes
  • Feche primeiro a síndrome: dor pleurítica/posicional, atrito pericárdico, ST difuso e derrame pericárdico formam conjunto clássico de pericardite aguda.
  • Depois de reconhecer pericardite, procure sinais que mudam a conduta: instabilidade hemodinâmica, tamponamento, grande derrame ou suspeita etiológica específica.
  • Na pericardite aguda viral/idiopática não complicada, a conduta inicial padrão é AINE associado à colchicina.
  • Não escolha corticoide nem procedimento invasivo se a própria base do caso mostrar quadro típico, pequeno derrame e estabilidade clínica.

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