Homem de 40 anos apresenta quadro de tosse e “queimação no p...

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Q4155399 Medicina
Homem de 40 anos apresenta quadro de tosse e “queimação no peito” há cerca de 5 a 6 meses. A dor torácica é intermitente e não está relacionada às refeições. Os gatilhos para os sintomas incluem consumo de álcool e deitar-se na cama. Ele não apresenta disfagia ou odinofagia. Refere que tentou carbonato de cálcio e ranitidina conforme necessário, com alívio mínimo dos sintomas. Não há tabagismo, perda de peso, fezes escuras ou com sangue. Ele não tem antecedentes de alergias sazonais, lacrimejamento ocular, espirros, dispneia ou diagnóstico prévio de asma. O histórico é significativo para hipertensão, que é controlada com losartana e anlodipino. O exame físico não apresenta alterações.

Constitui o próximo melhor passo no manejo desse paciente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Sintomas típicos de DRGE sem sinais de alarme devem ser manejados inicialmente com teste terapêutico com inibidor da bomba de prótons; neste caso, há pirose crônica desencadeada por álcool e decúbito, sem disfagia, odinofagia, perda de peso ou sangramento, o que afasta indicação inicial de exames como endoscopia ou pHmetria e torna o pantoprazol a melhor conduta.

Tema central: Manejo inicial da DRGE
Análise das alternativas
A
Errada
A endoscopia digestiva alta não é o próximo passo em quadro típico de DRGE sem sinais de alarme. Sua indicação inicial fica para disfagia, odinofagia, sangramento digestivo, anemia, perda de peso, vômitos persistentes, suspeita de complicações ou falha terapêutica. A duração dos sintomas, isoladamente, não obriga EDA neste cenário.
B
Errada
A dosagem sérica de gastrina é exame voltado para suspeita de hipergastrinemia patológica, como gastrinoma, e isso não é sugerido pelo caso. Não há elementos como doença ulcerosa grave ou refratária, úlceras recorrentes ou outros achados que justifiquem investigação de síndrome de hipersecreção ácida.
C
Errada
A monitorização do pH esofágico é exame funcional de confirmação, indicado quando há dúvida diagnóstica, necessidade de correlação sintoma-refluxo ou sintomas refratários. Em apresentação típica de DRGE sem alarme, o critério médico é iniciar diagnóstico presuntivo e prova terapêutica com IBP antes de exames especializados.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o quadro é clinicamente compatível com refluxo gastroesofágico não complicado: queimação retroesternal crônica, com gatilhos clássicos de refluxo, e ausência de red flags. Nessa situação, o manejo inicial preferencial é teste terapêutico com IBP, que oferece supressão ácida mais potente e também tem valor diagnóstico-terapêutico. O alívio mínimo com carbonato de cálcio e ranitidina em uso conforme necessário não exclui DRGE nem substitui uma prova adequada com IBP.
E
Errada
A pesquisa de H. pylori nas fezes não é exame inicial para pirose típica isolada. H. pylori se relaciona principalmente a gastrite, úlcera péptica e alguns contextos dispépticos, mas não é a chave diagnóstica nem muda o manejo inicial da DRGE típica descrita no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de pedir exame diante de sintomas com meses de evolução, mas o critério decisivo não é a duração isolada: são os sintomas típicos de refluxo associados à ausência de sinais de alarme, o que favorece prova terapêutica com IBP em vez de investigação inicial com EDA ou pHmetria.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver pirose típica com gatilhos como álcool e decúbito, pense primeiro em DRGE clínica.
  • Antes de indicar EDA, procure sinais de alarme como disfagia, odinofagia, perda de peso e sangramento digestivo.
  • Em DRGE não complicada, o passo inicial transferível é teste terapêutico com IBP, não exame confirmatório.
  • Não generalize investigação de H. pylori ou gastrina sérica para qualquer queixa de queimação ácida.

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