Homem de 47 anos inicia um regime de interferon alfa para h...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4155380 Medicina
Homem de 47 anos inicia um regime de interferon alfa para hepatite C crônica. Três meses depois, relata palpitações, tremores de extremidades e perda de peso de 2,3 kg. Não há desconforto ocular, problemas de visão ou dor cervical. Frequência cardíaca: 108 bpm. Tireoide: sem dor, nódulos ou sopro; peso estimado de 25 gramas. Exames séricos: TSH < 0,01 mU/L (normal: 0,5 a 4,5); T4 livre: 2,4 ng/dL (normal: 0,8 a 1,8); título de anticorpos anti-TPO: 230 UI/mL (normal: < 2,0 UI/mL). Captação de iodo radioativo em 24 horas: 0,4%.

O hepatologista interrompe o interferon alfa. A próxima conduta que deve ser recomendada agora é:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: D

Fundamento decisivo: TSH suprimido e T4 livre elevado confirmam tireotoxicose, mas a captação de iodo radioativo de 0,4% indica tireoidite destrutiva induzida por interferon alfa, com liberação de hormônio pré-formado e não aumento de síntese; por isso, tionamidas não têm papel e a melhor próxima conduta é betabloqueio sintomático com propranolol.

Tema central: Tireoidite destrutiva induzida
Análise das alternativas
A
Errada
Metimazol está errado porque inibe síntese hormonal tireoidiana, e o quadro não é de hiperprodução. A captação de 0,4% praticamente afasta mecanismo sintetizante como o da doença de Graves e indica tireotoxicose por liberação de hormônio pré-formado. Portanto, não há produção aumentada para o metimazol bloquear.
B
Errada
Prednisona não é a próxima conduta padrão neste cenário. A base sustenta seu papel apenas em situações selecionadas, como tireoidite dolorosa, orbitopatia associada a Graves ou formas graves/particulares, mas o caso não tem dor cervical, não tem oftalmopatia e o paciente está estável. O problema imediato é adrenérgico, então o tratamento apropriado entre as opções é beta-bloqueio.
C
Errada
Imunoglobulina intravenosa está errada porque não é tratamento de rotina para tireoidite destrutiva induzida por interferon nem para a tireotoxicose comum desse contexto. O anti-TPO elevado apenas sustenta autoimunidade tireoidiana e não cria indicação de imunoglobulina.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque o propranolol controla os sintomas adrenérgicos da tireotoxicose, como palpitações, tremor e taquicardia. No caso, o dado decisivo é a captação de radioiodo extremamente baixa, que afasta um quadro de hiperprodução hormonal e favorece tireoidite destrutiva; assim, entre as opções, a conduta imediata útil é o beta-bloqueador.
E
Errada
Propiltiouracil também está errado porque é tionamida e, embora reduza adicionalmente a conversão periférica de T4 em T3, não corrige o mecanismo principal quando a tireotoxicose decorre de destruição glandular com liberação de hormônio pré-formado. Com captação de radioiodo muito baixa, não há hiperprodução relevante a ser bloqueada como conduta principal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre tireotoxicose e hipertireoidismo por aumento de síntese: o anti-TPO positivo pode induzir o aluno a pensar em Graves, mas o dado que realmente decide é a captação de radioiodo de 0,4%, que aponta tireoidite destrutiva e muda a conduta para beta-bloqueador.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro confirme tireotoxicose com TSH suprimido e T4 livre elevado; depois defina o mecanismo pelo exame de captação.
  • Captação de radioiodo muito baixa favorece liberação de hormônio pré-formado, então tionamidas deixam de ser a escolha lógica.
  • Anti-TPO positivo sustenta autoimunidade, mas não distingue sozinho Graves de tireoidite destrutiva.
  • Na tireotoxicose destrutiva sintomática, a medida imediatamente útil costuma ser controle adrenérgico com beta-bloqueador.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo