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Q4155377 Medicina
Homem de 64 anos apresenta quadro de 6 horas de evolução com fraqueza no lado direito do corpo e fala “arrastada” persistentes. O histórico é relevante para hipertensão arterial e diabetes tipo 2, em uso de metformina e lisinopril. Sinais vitais: pressão arterial: 206 × 108 mmHg; frequência cardíaca: 75 bpm. Glicemia capilar: 135 mg/dL. O exame neurológico confirma a hemiparesia direita e disartria; o restante do exame é normal. Hemograma, eletrólitos, função renal e coagulograma são normais. Eletrocardiograma: sem alterações. A tomografia de crânio mostra uma área de isquemia discreta sem hemorragia associada. Nesse momento, a intervenção mais importante é:
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Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Em AVC isquêmico agudo sem hemorragia na TC e sem elegibilidade para trombólise IV, a conduta inicial é antiagregação com aspirina; a PA de 206x108 mmHg não torna necessária redução agressiva neste cenário.

Tema central: AVC isquêmico agudo
Análise das alternativas
A
Errada
Enoxaparina subcutânea não é o tratamento inicial de rotina do AVC isquêmico agudo estabelecido. O critério médico é que anticoagulação na fase aguda não substitui a antiagregação inicial e não é a conduta padrão do evento neurológico; além disso, confunde-se facilmente profilaxia de tromboembolismo venoso com tratamento do AVC agudo.
B
Errada
Alteplase intravenoso está errada porque o tempo de evolução é de 6 horas, o que afasta trombólise IV no enquadramento clássico da prova quando não há dados de seleção avançada para reperfusão. Além disso, a pressão arterial de 206x108 mmHg está acima do limite exigido para trombólise IV, de modo que TC sem hemorragia, isoladamente, não basta para indicar alteplase.
C
Errada
Captopril oral não é a intervenção mais importante porque, no AVC isquêmico agudo sem trombólise indicada, não se deve reduzir a pressão arterial de forma rotineira apenas por estar elevada. O critério decisivo é a hipertensão permissiva para preservar a perfusão cerebral: em não trombolisados, geralmente só se intervém quando a PA ultrapassa classicamente 220/120 mmHg ou há indicação específica, o que não foi mostrado aqui.
D
Certa
A aspirina oral é a medida inicial correta porque o quadro é de AVC isquêmico agudo confirmado clinicamente e por TC sem hemorragia, com 6 horas de evolução, o que afasta alteplase intravenosa no enquadramento clássico da questão. Nas diretrizes de AVC isquêmico agudo, quando não há trombólise IV e não há sangramento na neuroimagem, a antiagregação com aspirina deve ser iniciada precocemente nas primeiras 24–48 horas.
E
Errada
Nitroprussiato de sódio intravenoso está incorreto porque representa redução pressórica agressiva em um AVC isquêmico agudo não trombolisado, o que pode piorar a perfusão da área isquêmica. Além de não ser a medida prioritária neste cenário, a PA de 206x108 mmHg não atinge o limiar clássico de tratamento urgente em paciente sem indicação de trombólise IV.
Pegadinha da questão
A banca mistura três confusões clássicas: achar que TC sem hemorragia já indica alteplase, tratar toda pressão muito alta no AVC isquêmico como alvo imediato de redução e trocar a antiagregação inicial por anticoagulação.
Dica para questões semelhantes
  • No AVC isquêmico agudo, primeiro diferencie candidato e não candidato à reperfusão; TC sem hemorragia sozinha não define trombólise.
  • Se não houver trombólise IV e a neuroimagem não mostrar sangramento, a conduta antitrombótica inicial padrão é aspirina nas primeiras 24–48 horas.
  • Em AVC isquêmico não trombolisado, pressão alta isolada costuma ser tolerada até níveis muito elevados; queda precoce e agressiva pode ser deletéria.

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