Mulher de 35 anos relata quadro de sensação de estufamento e...

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Q3255406 Medicina
Mulher de 35 anos relata quadro de sensação de estufamento e inchaço no abdome, flatulência e “gases” há vários anos. Ao ser questionada, relata evacuação de uma a três vezes por dia cuja consistência varia de fezes bem formadas ou amolecidas, sem muco ou sangue visível. Não há azia, pirose, eructações, náuseas, vômitos ou dor abdominal. O apetite é normal e seu peso está estável. O histórico médico é negativo e não há uso de medicamentos. Ela é vegetariana e evita todos os laticínios. Os achados do exame físico são normais. Os dados laboratoriais, incluindo hemograma completo, albumina, proteína C reativa e anticorpo anti-transglutaminase tecidual, são normais. Uma análise qualitativa de uma amostra de fezes é negativa para gordura fecal.
A causa ou condição que, mais provavelmente, justifica os sintomas dessa paciente é
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Tema central: distensão e flatulência crônicas sem sinais de alarme, com exames normais. O quadro aponta para aumento de produção de gás no cólon por fermentação de carboidratos mal absorvidos (FODMAPs), comum em dietas vegetarianas ricas em leguminosas, frutanos e polióis.

Alternativa correta: C – má digestão de carboidratos
Justificativa: a paciente tem estufamento e gases de longa data, evacuações 1–3/dia, sem dor, sem muco/sangue, sem perda ponderal e exames normais (hemograma, PCR, tTG-IgA) e esteatócrito negativo. Ela evita laticínios, o que reduz a chance de lactose como causa isolada, mas mantém sintomas — sugerindo outros carboidratos fermentáveis (frutose, frutanos, galacto-oligossacarídeos, polióis) típicos da dieta vegetariana. A fermentação bacteriana desses substratos gera hidrogênio/metano, levando a distensão e flatulência, com fezes de consistência variável sem sinais inflamatórios. Evidência: AGA/ACG e UpToDate destacam FODMAPs como causa frequente de inchaço/flatulência; resposta à dieta low-FODMAP é diagnóstica/terapêutica. Testes úteis: hydrogen breath test para frutose/sorbitol (quando disponível), ou teste terapêutico com restrição.

Análise das incorretas

A – Síndrome do intestino irritável (SII): pelos critérios de Roma IV, SII exige dor abdominal recorrente relacionada à evacuação e alteração do hábito. Aqui não há dor; logo, não preenche critério.

B – Doença celíaca: sorologia anti-transglutaminase tecidual negativa, sem anemia, hipoalbuminemia, perda de peso ou esteatorreia. Diretrizes ACG (2023) indicam baixa probabilidade com sorologia negativa e ausência de sinais de má absorção.

D – Doença inflamatória intestinal: faltam diarreia persistente, sangue nas fezes, dor, febre, perda ponderal; PCR normal. Quadro e exames não sustentam DII (Harrison, ACG).

E – Intolerância à lactose: a paciente já evita laticínios; sintomas persistem, sugerindo outros carboidratos. Além disso, intolerância à lactose costuma piorar com ingestão de leite/derivados, o que não ocorre aqui.

Como pensar na prova: Identifique a ausência de sinais de alarme (sangue, perda de peso, febre), a ausência de dor (afasta SII) e a negatividade de tTG e PCR (afasta celíaca/DII). Note a pegadinha: “intolerância à lactose” é tentadora, mas a paciente evita laticínios e segue sintomática; a opção mais abrangente é má digestão de carboidratos.

Conduta prática: orientar dieta low-FODMAP por tempo curto com reintrodução gradual; considerar testes respiratórios para frutose/sorbitol conforme disponibilidade; avaliar alpha-galactosidase para leguminosas. Investigar outras causas apenas se surgirem sinais de alarme. Referências: AGA Clinical Practice Update on Belching, Bloating (2020); ACG Guidelines Doença Celíaca (2023); UpToDate; Harrison’s.

Gabarito: C – má digestão de carboidratos.

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