A classificação anatômica de Johnson para úlceras gástricas...

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Q3255394 Medicina
A classificação anatômica de Johnson para úlceras gástricas é relevante para o tratamento cirúrgico, porque auxilia na definição da operação a ser realizada no contexto de complicações ou na intratabilidade dessas lesões. Tendo-se excluída a suspeita para malignidade, qual procedimento mais adequado para o tratamento de úlceras gástricas do tipo II de Johnson?
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Tema central: A classificação de Johnson orienta a conduta cirúrgica nas úlceras gástricas. A úlcera tipo II é a úlcera gástrica associada a úlcera duodenal, com hipersecreção ácida. Em lesões intratáveis ou complicadas (após excluir malignidade), o procedimento deve reduzir a acidez e, se possível, ressecar o território ulcerado.

Alternativa correta: E — Gastrectomia distal com vagotomia troncular

Justificativa: Na úlcera tipo II, há excesso de ácido que perpetua a lesão gástrica e a duodenal. A gastrectomia distal (antrectomia) remove o antro (fonte de gastrina) e usualmente inclui a área ulcerada da pequena curvatura/ângulo. A vagotomia troncular suprime o estímulo vagal às células parietais, reduzindo ainda mais a secreção ácida. Essa combinação diminui recidiva e trata a fisiopatologia da doença. Reconstrução em Billroth I/II é a prática clássica.

Fontes: Sabiston Textbook of Surgery; Schwartz’s Principles of Surgery; UpToDate – Surgical management of peptic ulcer disease.

Análise das incorretas

AGastrectomia total com inclusão da transição esofagogástrica: procedimento excessivo para úlcera benigna; indicado em neoplasias extensas ou situações excepcionalíssimas. Aumenta morbidade sem benefício adicional na úlcera tipo II.

BVagotomia troncular sem gastrectomia: reduz ácido, mas não remove o antro (gastrina), nem o leito ulcerado. Além disso, vagotomia troncular requer procedimento de drenagem (piloroplastia). Alta chance de recorrência no cenário de tipo II.

CRessecção em cunha da pequena curvatura: pode falhar ao não tratar a hipersecreção e pode não remover completamente a lesão, além de risco de desvascularização na pequena curvatura. Elevada taxa de recidiva quando há úlcera duodenal associada.

DGastrectomia subtotal com vagotomia seletiva: não é a técnica padrão para tipo II. A combinação aumenta a complexidade sem clara superioridade sobre a antrectomia + vagotomia troncular, que é a recomendação clássica e bem estabelecida.

Dicas para a prova:

  • Tipo I: baixa acidez → ressecção distal do estômago geralmente sem necessidade de vagotomia.
  • Tipos II e III: hipersecreção → ressecção distal + vagotomia troncular.
  • Sempre excluir malignidade previamente (biópsias/endoscopia).
  • Na prática atual, PPI, erradicação de H. pylori e manejo de AINEs são de primeira linha; cirurgia fica para complicações/intratabilidade.

Gabarito: E — Gastrectomia distal com vagotomia troncular.

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