Em relação ao controle glicêmico da paciente, sua glicemia d...

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Q4157076 Medicina
Leia o quadro clínico a seguir para responder à questão.


     Paciente de 85 anos de idade, sexo feminino, procura o ambulatório de um serviço especializado em geriatria. Ela é portadora de uma osteoartrite de quadril e de diabetes mellitus. Atualmente, está em uso somente de metformina 500 mg após o almoço e o jantar. A paciente queixa-se de muitas dores para caminhar, utiliza um instrumento de auxílio à marcha, andador e uma deambuladora domiciliar. Ela vem se queixando de cansaço relacionado aos esforços, precisa de ajuda para preparar uma refeição, para comprar mantimentos e para resolver seus problemas financeiros, não consegue mais caminhar pela rua, mas não tem dificuldade para preparar um café, nem para cuidar de seus medicamentos ou para manter-se atualizada em relação aos acontecimentos de sua vizinhança e noticiários da televisão; ela consegue lembrar-se de compromissos sem precisar anotar em uma agenda. Não tem problema em ficar sozinha em sua casa. Nega qualquer problema de memória ou alteração da cognição.
Em relação ao controle glicêmico da paciente, sua glicemia de jejum está em 162 mg/dL e a hemoglobina glicada em 7,4%.

Assinale a alternativa correta quanto à conduta a ser tomada.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a individualização da meta glicêmica no idoso segundo estado funcional, cognição e comorbidades: esta paciente de 85 anos tem limitação funcional relevante em atividades instrumentais da vida diária, embora sem déficit cognitivo importante, o que a coloca em perfil geriátrico com meta menos estrita, em geral com HbA1c em torno de < 8,0%; por isso, HbA1c de 7,4% e glicemia de jejum de 162 mg/dL são aceitáveis e a conduta deve ser mantida.

Tema central: Metas glicêmicas no idoso
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra no pressuposto central: HbA1c de 7,4% não está fora da meta para esta idosa funcionalmente comprometida. Além disso, a glicemia de jejum de 162 mg/dL não invalida o controle global quando a meta foi flexibilizada pelo perfil geriátrico. O erro médico é aplicar alvo de controle mais estrito do que o indicado para essa situação.
B
Errada
Não há qualquer evidência de sobretratamento. HbA1c de 7,4% e glicemia de jejum de 162 mg/dL não estão abaixo da meta; ao contrário, representam controle aceitável dentro de alvo menos estrito. Reduzir ou suspender metformina sem hipoglicemia, sem meta excessivamente baixa e sem intolerância ou contraindicação seria desintensificação sem fundamento.
C
Errada
A HbA1c realmente está dentro da meta, mas isso justamente afasta a necessidade de trocar a medicação. A glicemia de jejum isolada não deve se sobrepor à meta global individualizada. Não há falha terapêutica que imponha substituição da metformina por pioglitazona, e o enunciado não traz nenhum dado que sustente essa troca.
D
Certa
A alternativa D está correta porque a paciente não deve ser avaliada por meta glicêmica de adulto jovem ou de idosa robusta. O enunciado mostra vulnerabilidade funcional importante, com dependência para compras, preparo de refeições mais complexas e manejo financeiro, além de limitação de mobilidade, mas sem comprometimento cognitivo relevante. Nesse contexto, a diretriz de metas individualizadas para idosos com diabetes admite alvo menos rigoroso, priorizando evitar hipoglicemia e sobretratamento. Assim, a HbA1c de 7,4% já está dentro da meta para esse perfil, e a glicemia de jejum de 162 mg/dL, isoladamente, não obriga ajuste quando o controle global individualizado está adequado.
E
Errada
A meta de HbA1c < 6,5% é inadequadamente rígida para uma paciente de 85 anos com limitação funcional. Intensificar tratamento com gliclazida apenas para perseguir esse alvo contraria o princípio geriátrico de evitar hipoglicemia e iatrogenia em idosos vulneráveis. O erro é usar uma meta de controle intensivo que não corresponde ao perfil funcional descrito.
Pegadinha da questão
A banca induz a aplicar metas glicêmicas universais ou baseadas só na idade, quando o ponto decisivo era classificar a paciente pelo estado funcional: ela não tem demência, mas a dependência em atividades instrumentais já basta para flexibilizar a meta. Outra confusão explorada é supervalorizar a glicemia de jejum isolada apesar de a HbA1c já estar adequada para o perfil geriátrico.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de olhar o número da HbA1c, classifique o idoso por funcionalidade, cognição, comorbidades e risco de hipoglicemia.
  • Dependência em atividades instrumentais da vida diária já afasta o perfil de idoso robusto e costuma justificar meta glicêmica menos estrita.
  • Não mude tratamento por glicemia de jejum isolada se a meta global individualizada de HbA1c estiver atingida.
  • Em geriatria, intensificação para alvos muito baixos pode estar errada mesmo quando os exames parecem apenas discretamente alterados.

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