Apesar de ser uma das doenças digestivas mais comumente diag...
Gabarito comentado
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Tema central: Diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável (SII). O diagnóstico é positivo e clínico, baseado nos critérios de Roma IV: dor abdominal recorrente (≥1 dia/semana nos últimos 3 meses), associada a ≥2: relação com evacuação, alteração da frequência das fezes, ou da forma das fezes; início há ≥6 meses. Sinais de alarme exigem investigação adicional. Referências: Rome IV; Diretriz ACG/AGA 2021; UpToDate; Harrison’s.
Alternativa correta: B – Justificativa: São “red flags” clássicos que apontam para doenças orgânicas e indicam exames adicionais: perda ponderal documentada, sintomas noturnos (acordam o paciente), hematoquezia, e uso recente de antibióticos (sugere infecção, incluindo C. difficile). Na presença desses achados, considera-se hemograma, PCR ou calprotectina fecal (descartar DII), sorologia celíaca (anti-tTG IgA + IgA total), coproculturas e colonoscopia conforme idade/risco. (ACG 2021; AGA 2021; UpToDate).
Análise das incorretas
A – Afirma que o diagnóstico “fundamentalmente inclui alteração do hábito intestinal e distensão abdominal”. Erro conceitual: o sintoma nuclear em Roma IV é a dor abdominal, não a distensão. Distensão é frequente, mas não é critério. Além disso, é necessária a combinação com relação à evacuação/forma/frequência das fezes e o critério temporal (≥6 meses de início).
C – Diz que Roma IV “claramente diferencia” SII de qualquer doença orgânica, dispensando biomarcadores. Incorreto: Roma IV não exclui, por si só, DII, doença celíaca, neoplasia, infecção. Diretrizes recomendam testes direcionados em SII-D/M: calprotectina fecal ou PCR para descartar inflamação, sorologia celíaca, e investigação se houver sinais de alarme. (ACG/AGA 2021).
D – Afirma que a Escala de Fezes de Bristol “não substitui” o tempo de trânsito colônico para classificar SII. Falso: a classificação de subtipos (SII-C, SII-D, mista) é feita pela forma das fezes (Bristol, tipos 1–2 constipação; 6–7 diarreia) nos dias com evacuação, sem necessidade de estudo de trânsito na prática clínica. Trânsito colônico é reservado a casos selecionados.
Dicas de prova e pegadinhas
- Procure por dor abdominal recorrente como eixo do diagnóstico; “distensão” isolada não fecha Roma IV.
- Bristol é a ferramenta padrão para subtipo de SII; não confundir com estudos de trânsito.
- Red flags (sangue, perda de peso, noturno, anemia, idade de início tardia, história familiar de DII/neoplasia, antibióticos recentes) exigem investigação.
- Exames de rotina em SII sem alarme: avaliação direcionada e mínima; evite “exclusão extensa” indiscriminada.
Referências: ACG Clinical Guideline: Management of IBS (2021); AGA Clinical Practice Update on IBS (2021); Rome IV Criteria; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Gabarito: B.
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