Paciente de 48 anos, parda, chega ao consultório referindo q...
Seu exame oftalmológico mostrou: Refração subjetiva: OD Plano = 20/20 Add + 1.75 J1 AO OE +0.75 D.E. = 20/25 Biomicroscopia: proptose em OE, sem ceratite ou lagoftalmo. OD sem alterações. Tonometria de aplanação: 12 mmHg OD e 13 mmHg OE (10:00 hs.) Fundoscopia: discretas pregas de coroide em polo posterior de OE. OD sem alterações. Foi solicitado um exame ultrassonográfico, que revelou uma massa tumoral acústica moderada e múltiplas interfaces acústicas em seu interior.
A principal hipótese diagnóstica para esse caso é
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Tema central da questão: Identificação de tumores orbitários em adultos, com foco diferencial entre lesões vasculares e demais etiologias de proptose unilateral crônica.
Justificativa para a alternativa correta – A) Hemangioma cavernoso de órbita:
O hemangioma cavernoso é o tumor orbitário benigno mais frequente em adultos, mais comum em mulheres na faixa etária da paciente. Sua apresentação típica é proptose unilateral, de progressão lenta e indolor, sem sinais inflamatórios – exatamente como descrito no caso. A acuidade visual se mantém preservada e, quando ocorre diminuição, está geralmente relacionada a compressão mecânica, especialmente em movimentos extremos do olhar ou formação de pregas de coroide (observada na fundoscopia).
O ultrassom mostrando “massa tumoral acústica moderada e múltiplas interfaces” é característico por evidenciar estrutura bem delimitada e vascularizada – como descrito nos manuais da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), seção Tumores orbitários.
Análise das alternativas incorretas:
B) Doença de Graves: Curso mais comum é PROPTOSE BILATERAL, com sinais inflamatórios, restrição de motilidade ocular e geralmente sintomas sistêmicos de tireotoxicose. Conforme o PCDT de Orbitopatias, “a doença não causa massas isoladas encapsuladas na órbita”.
C) Hemangioma capilar: Tumor típico da infância, crescendo rápido e involuindo espontaneamente. Raro em adultos, não se encaixa neste quadro.
D) Pseudotumor orbitário: Condição inflamatória dolorosa, de evolução aguda e com sinais de inflamação – ausência completa de dor e inflamação afasta este diagnóstico.
E) Glioma de nervo óptico: Mais frequente em crianças, associado a neurofibromatose tipo 1, levando a perda visual progressiva, não compatível com idade e achados clínicos da paciente.
Estratégias para questões semelhantes: Atenção especial a:
- Idade e lateralidade dos sintomas;
- Presença ou não de sinais inflamatórios;
- Resultados de imagens e ultrassom;
- Progressão dos sintomas;
- Características sistêmicas (comorbidades, sintomas de outras doenças).
Essas pistas afastam pegadinhas comuns e guiam ao diagnóstico correto conforme as principais referências, como o Manual de Oftalmologia da USP e literatura do UpToDate.
Conclusão: Entre os tumores orbitários de adultos, a associação de evolução lenta, proptose indolor e achado típico ao ultrassom fundamenta o diagnóstico de hemangioma cavernoso de órbita.
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