Paciente, 35 anos, com quadro de rinorreia amarelada e obst...

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Q4155617 Medicina
Paciente, 35 anos, com quadro de rinorreia amarelada e obstrução nasal à esquerda, tosse e cacosmia há 6 meses, sem melhora após vários tratamentos com antibióticos. Tem nasofibroscopia com secreção purulenta em meato médio à esquerda e tomografia de seios paranasais com velamento e hiperostose de seio maxilar esquerdo sem erosão óssea, além de presença de conteúdo heterogêneo (calcificação) em seio maxilar esquerdo. Nega tabagismo, etilismo, quadro de atopia, doenças sistêmicas ou imunodeficiências.
Frente ao quadro clínico apresentado, qual a principal hipótese diagnóstica?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O achado mais discriminativo é a tomografia com conteúdo heterogêneo/calcificado em seio maxilar unilateral, associado a hiperostose sem erosão óssea, em paciente imunocompetente. Esse padrão afasta, na base médica, rinossinusite fúngica invasiva e torna a bola fúngica a hipótese principal.

Tema central: Bola fúngica sinusal
Análise das alternativas
A
Errada
Rinossinusite fúngica alérgica costuma se associar a atopia, polipose nasal e mucina alérgica eosinofílica, frequentemente com doença mais difusa. O caso não traz atopia nem pólipos e mostra padrão focal unilateral em seio maxilar com calcificação e hiperostose, mais compatível com bola fúngica. A pegadinha aqui é que calcificações podem aparecer em formas fúngicas alérgicas, mas o contexto clínico-radiológico global não sustenta essa hipótese.
B
Errada
Rinossinusite crônica com polipose nasal exige polipose, que não foi descrita, e não explica adequadamente o conteúdo heterogêneo calcificado intrassinusal. Além disso, o padrão focal unilateral com forte suspeita de material fúngico no seio maxilar afasta a apresentação inflamatória difusa típica da polipose nasal.
C
Errada
Rinossinusite fúngica invasiva é forma agressiva, mais típica de imunodeprimidos, com invasão tecidual, necrose, dor importante, possível acometimento orbitário ou neurológico e destruição/erosão óssea. O enunciado traz o oposto: paciente imunocompetente, curso crônico e ausência de erosão óssea, o que favorece forma não invasiva.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reúne o quadro típico de bola fúngica: rinossinusite crônica unilateral, refratária a antibióticos, em paciente sem imunodeficiência, com secreção purulenta em meato médio e tomografia mostrando velamento do seio maxilar com conteúdo heterogêneo/calcificado e hiperostose, sem erosão óssea. Esse conjunto é compatível com rinossinusite fúngica não invasiva localizada, especialmente no seio maxilar.
E
Errada
Carcinoma espinocelular de seio maxilar costuma sugerir lesão expansiva agressiva com destruição óssea, não apenas hiperostose. Aqui a tomografia descreve calcificações intrassinusal e ausência de erosão óssea, achados que sustentam bola fúngica e não neoplasia maligna. A unilateralidade isolada não basta para definir câncer nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca mistura sinais que podem gerar alarme por unilateralidade e cacosmia, mas o dado que decide é a tomografia com calcificações/hiperdensidades intrassinusal e hiperostose sem erosão em imunocompetente, padrão típico de bola fúngica e não de neoplasia, forma invasiva ou rinossinusite fúngica alérgica.
Dica para questões semelhantes
  • Em rinossinusite unilateral crônica sem resposta a antibióticos, procure na tomografia conteúdo hiperdenso ou calcificado dentro do seio maxilar.
  • Hiperostose sem erosão óssea favorece processo fúngico não invasivo; erosão ou destruição óssea muda o raciocínio para invasão ou neoplasia.
  • Para diferenciar bola fúngica de rinossinusite fúngica alérgica, confira se há atopia, polipose nasal e doença mais difusa; sem esses elementos, a forma alérgica perde força.

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