A principal razão de o hidróxido de cálcio ser bem tolerado ...
Gabarito comentado
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Tema central: biocompatibilidade do hidróxido de cálcio em odontologia pré-clínica (endodontia). A questão pede a principal razão pela qual o material é bem tolerado pelos tecidos, e não seu mecanismo antimicrobiano.
Alternativa correta: C — “sua baixa solubilidade, conferida pela presença do cálcio”.
Justificativa: O Ca(OH)2 é pouco solúvel em água e forma solução rapidamente saturada. Isso promove liberação lenta e controlada de íons OH- e Ca2+, reduzindo a agressão química direta aos tecidos e favorecendo a tolerância tecidual. Além disso, o Ca2+ tem papel bioativo na indução de tecido duro. Assim, a baixa solubilidade resulta em citotoxicidade limitada e sustentação do efeito terapêutico sem dano significativo. Referências: Cohen’s Pathways of the Pulp (Hargreaves & Berman); Siqueira & Lopes – Endodontia; Phillips – Materiais Dentários.
Análise das alternativas incorretas
A) “Reação com o CO2 tecidual” — Embora OH- possa reagir com CO2 formando carbonatos/bicarbonatos, isso não é a razão principal da biocompatibilidade. É fenômeno secundário e variável, dependente do microambiente; não explica, por si, a boa tolerância observada de forma consistente. A literatura prioriza a baixa solubilidade e liberação gradual como fundamento de biocompatibilidade.
B) “Pequeno coeficiente de viscosidade e pequena tensão superficial” — Esses parâmetros influenciam penetração e molhabilidade, úteis para irrigantes/veículos, mas não determinam tolerância tecidual. Biocompatibilidade está mais ligada a citotoxicidade, solubilidade e taxa de dissociação.
D) “Elevado pH (14,8)” — Duplamente incorreta: (1) o pH de solução saturada de Ca(OH)2 é ~12,5, não 14,8; (2) pH muito alto é causticante. O alto pH explica a ação antimicrobiana (inativação de endotoxinas e enzimas bacterianas), não a tolerância tecidual. A tolerância decorre de sua baixa solubilidade e consequente liberação lenta. (Cohen’s; Siqueira & Lopes).
E) “Elevado pKa” — Para bases fortes como Ca(OH)2, falar em pKa (do ácido conjugado) é pouco aplicável clinicamente. Além disso, um “pKa elevado” não explica biocompatibilidade; o determinante é a solubilidade e taxa de liberação iônica.
Estrategia de prova: destaque “principal razão” e “bem tolerado pelos tecidos”. Afaste opções que descrevem eficácia antimicrobiana (pH alto) ou propriedades de fluxo (viscosidade/tensão superficial). Busque propriedades que reduzem citotoxicidade — aqui, a baixa solubilidade.
Fontes recomendadas: Cohen’s Pathways of the Pulp; Siqueira & Lopes – Endodontia; Phillips – Materiais Dentários; revisões sobre biocompatibilidade de materiais endodônticos (Scopus/UpToDate para princípios gerais de biocompatibilidade).
Gabarito: C
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