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Q3510698 Odontologia

Estudos em dentes posteriores demonstraram a presença de tecido necrótico e biofilme nos istmos, mesmo após o preparo químico-mecânico dos canais radiculares, indicando que os métodos de desinfecção têm ação limitada nessas regiões.


Atualmente, com o advento da microscopia clínica e de sistemas de preparo e irrigação ultrassônicos, é possível identificar e tratar a maior parte das áreas de istmo usando pontas ultrafinas.


Usando microtomografia computadorizada, Fan e colaboradores descreveram diferentes configurações para os istmos na raiz mesial dos molares inferiores. Em relação a essas configurações, assinale a alternativa correta.

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: anatomia do ístmo na raiz mesial de molares inferiores e sua classificação por micro-CT (Fan et al.), com implicações para a desinfecção endodôntica. O ístmo é uma ponte de tecido entre canais, frequentemente colonizada por biofilme e tecido necrótico, resistente ao preparo químico-mecânico, o que justifica o uso de microscopia e ultrassom (PUI) para melhor limpeza (Cohen’s Pathways of the Pulp; Fan et al., Int Endod J).

Alternativa correta: ATipo I (conexão em “folha”): é uma lâmina delgada de tecido que estabelece conexão completa e contínua entre os canais ao longo do segmento radicular avaliado. Essa “conexão em folha” é típica da descrição de Fan e cols. por microtomografia, representando um plano fino que mantém comunicação integral entre os canais. Clinicamente, isso explica a dificuldade de desinfecção e a indicação de irrigação ultrassônica e pontas microcirúrgicas para alcançar a lâmina do ístmo (Fan et al., Int Endod J 2010; Peters OA, Endodontic Topics).

Por que as demais estão incorretas?

B — Rotula o Tipo II como “conexão em folha larga e completa em toda a extensão da raiz”. Em Fan, o Tipo II não é definido como “folha larga”; a variação envolve morfologia distinta da folha (p.ex., configuração canaliforme), e a expressão “em toda a extensão da raiz” é imprecisa, pois a classificação é segmentar (por níveis), não necessariamente a raiz inteira.

C — Define o Tipo II como “conexão em cânula” estreita. Essa associação numérica está equivocada: a configuração canaliforme (em cânula) descrita por Fan corresponde a outro tipo da série, não ao Tipo II, e não é obrigatoriamente “estreita”. Há, portanto, erro de nomenclatura e de atributo dimensional.

D — Atribui ao Tipo III (dividida) uma “conexão estreita, mas incompleta”. Na descrição de Fan, “dividida” implica ramificações/segmentos separados por pontes de dentina, podendo haver conexões múltiplas e não apenas uma “incompleta” linear. A definição da alternativa é reducionista e imprecisa.

E — Chama o Tipo IV de “misto” como “istmo incompleto acima e/ou abaixo de um completo”. O misto segundo Fan envolve combinações morfológicas (folha, canaliforme e segmentos) em níveis diferentes, não se limitando a “incompleto ao redor de completo”. A alternativa sintetiza de forma incorreta a definição ao excluir outras combinações possíveis.

Dicas de prova:

  • Foque em três eixos: forma (folha vs. cânula), continuidade (completa vs. incompleta) e extensão (segmentar vs. “toda a raiz”).
  • Em folha” sugere lâmina contínua; “em cânula” sugere túnel tubular.
  • Misto” = coexistência de configurações diferentes ao longo de níveis, não apenas “acima/abaixo”.

Aplicação clínica: ístmos completos exigem ativação ultrassônica do irrigante (PUI), irrigantes com NaOCl e EDTA, e, quando indicado, ampliação conservadora e uso de microscópio para acesso/limpeza (Cohen’s; AESE/AAE recomenda a PUI para otimizar limpeza de áreas de difícil acesso).

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