MJC, 94 anos, sexo feminino. Apresenta-se ao consultório co...

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Q4191380 Medicina
MJC, 94 anos, sexo feminino. Apresenta-se ao consultório com queixa de dor epigástrica, irradiada para as costas há cerca de 2 meses. Relata emagrecimento de 5 quilos no período. Além disso, tem episódios de náuseas e vômitos associados. Traz os seguintes exames: Aspartato Aminotransferase (AST): 1.005 U/L; Alanina Aminotransferase: 331 U/L; Gama-glutamil Transferase: 534 U/L; Amilase: 368 U/L; Bilirrubina total: 1,91 mg/dL; Bilirrubina direta: 1,86 mg/dL e Bilirrubina indireta: 0,05 mg/dL.
Assinale a alternativa que mostra a melhor hipótese diagnóstica e qual o exame a ser realizado para sua confirmação.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Idosa com dor epigástrica irradiada para dorso, perda ponderal e padrão colestático com bilirrubina direta e GGT elevadas sugere obstrução biliar extra-hepática por neoplasia pancreática; entre as opções, a tomografia computadorizada multislice de abdome é o exame de imagem inicial mais apropriado para detecção anatômica e estadiamento.

Tema central: Neoplasia de pâncreas
Análise das alternativas
A
Errada
Pancreatite aguda não é a melhor hipótese porque o quadro é subagudo, com 2 meses de evolução e perda de peso, o que favorece neoplasia. Além disso, pancreatite aguda costuma exigir combinação de dor típica com enzimas pancreáticas acima de 3 vezes o limite superior ou imagem típica; aqui a amilase está elevada, mas isso é inespecífico e insuficiente para firmar esse diagnóstico. A questão explora justamente o erro de igualar amilase aumentada a pancreatite aguda.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o conjunto clínico-laboratorial aponta para tumor de pâncreas. Dor epigástrica irradiada para as costas, emagrecimento e náuseas/vômitos em uma paciente idosa, associados a bilirrubina direta e GGT elevadas, formam um padrão compatível com obstrução biliar por neoplasia pancreatobiliar. A amilase aumentada, isoladamente, não define pancreatite aguda. Entre os exames oferecidos, a tomografia computadorizada multislice de abdome é a melhor escolha para detectar a lesão e avaliar sua extensão.
C
Errada
Colecistite aguda é eliminada pela semiologia. O esperado seria dor em hipocôndrio direito e quadro inflamatório vesicular; o enunciado traz dor epigástrica irradiada para dorso, emagrecimento e padrão de colestase obstrutiva, mais coerentes com doença pancreática do que com inflamação aguda da vesícula. O ultrassom de abdome superior pode avaliar vias biliares, mas não corrige a hipótese diagnóstica principal incorreta.
D
Errada
Hepatite aguda não explica adequadamente a associação de dor epigástrica dorsal, emagrecimento progressivo e colestase direta predominante. As transaminases muito elevadas podem confundir, mas devem ser interpretadas junto com o restante do quadro; nesta situação, o padrão clínico e laboratorial favorece obstrução pancreatobiliar por neoplasia, não síndrome hepatítica isolada.
E
Errada
Cirrose hepática é incompatível com a apresentação descrita. Trata-se de condição hepática crônica difusa, enquanto o enunciado mostra quadro pancreatobiliar subagudo com dor dorsal, perda ponderal e colestase obstrutiva. Coagulograma e eletroforese de proteínas não confirmam cirrose neste contexto e não respondem ao problema diagnóstico central da questão.
Pegadinha da questão
A banca induz ao erro por dois achados laboratoriais chamativos: amilase elevada, que pode fazer o candidato marcar pancreatite aguda, e AST muito alta, que pode fazer pensar em hepatite aguda. O desempate correto vem do tempo de evolução, do emagrecimento e do padrão de colestase direta/GGT elevada, que apontam para neoplasia pancreática com obstrução biliar.
Dica para questões semelhantes
  • Em dor epigástrica irradiada para dorso, diferencie pancreatite de câncer de pâncreas pelo tempo de evolução e pela presença de perda ponderal.
  • Não feche pancreatite aguda com base apenas em amilase aumentada; integre critérios clínicos, magnitude da elevação enzimática e contexto temporal.
  • Quando bilirrubina direta e GGT predominam, pense em colestase obstrutiva e procure a causa anatômica mais provável.
  • Na suspeita de neoplasia pancreática, entre exames de imagem gerais, a tomografia multislice de abdome é a escolha inicial clássica para detecção anatômica e estadiamento.

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