Mulher de 69 anos, com histórico de infecções do trato urin...

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Q4191378 Medicina
Mulher de 69 anos, com histórico de infecções do trato urinário (ITU), tendo apresentado 2 episódios, nos últimos 6 meses, procura o ambulatório trazendo exames de rotina. Encontra-se assintomática. Antecedentes: Diabetes mellitus tipo 2 em uso de metformina e gliclazida. Exame físico: PA: 110 × 70 mmHg; FC: 80 bpm; FR: 20 irpm; Temperatura: 36,8 o C. Exames laboratoriais: hemograma normal. Urocultura: E. coli > 1.000.000 UFC/mL.
Assinale a alternativa correta quanto ao diagnóstico nesse caso.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A ausência de sintomas urinários ou sistêmicos, apesar da urocultura com E. coli em alta contagem, caracteriza bacteriúria assintomática. Em mulher não grávida com diabetes, a diretriz IDSA 2019 recomenda contra rastreamento ou tratamento, o que também afasta profilaxia antibiótica nesse cenário e sustenta o gabarito C.

Tema central: Bacteriúria assintomática
Análise das alternativas
A
Errada
Erra ao propor sulfametoxazol/trimetoprim como profilaxia. O reconhecimento de bacteriúria assintomática está correto, mas, neste cenário, a cultura positiva sem sintomas não indica nem tratamento nem profilaxia antibiótica. Histórico prévio de ITU recorrente não autoriza profilaxia automática quando o quadro atual é assintomático.
B
Errada
Erra no diagnóstico sindrômico e, por consequência, na conduta. Chamar o quadro atual de ITU recorrente em atividade exige sintomas de infecção urinária, que não existem no enunciado. Sem disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica, febre ou manifestação sistêmica, não há indicação de cefuroxima nem de profilaxia subsequente.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro atual não é de infecção urinária sintomática. Urocultura positiva isoladamente não define ITU; é necessário haver sintomas compatíveis. Como a paciente está assintomática, o diagnóstico é bacteriúria assintomática. A diretriz IDSA 2019 recomenda contra rastreamento e tratamento dessa condição em pacientes com diabetes, e o antecedente de ITU prévia não muda a conduta quando não há sintomas no momento. Por isso, não há indicação nem de antibiótico terapêutico nem de profilaxia.
D
Errada
Erra ao classificar como ITU esporádica e indicar amoxicilina/clavulanato. A alta contagem bacteriana não substitui a correlação clínica. Sem sintomas, o quadro é bacteriúria assintomática, que não deve ser tratada como infecção urinária ativa.
E
Errada
Contraria diretamente a recomendação decisiva da base: em pacientes com diabetes, não se recomenda rastreamento periódico nem tratamento de bacteriúria assintomática apenas porque a cultura veio positiva. Diabetes isoladamente não transforma colonização bacteriana assintomática em indicação de uroculturas seriadas ou antibioticoterapia guiada por antibiograma.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de tratar qualquer urocultura fortemente positiva, especialmente em idosa diabética com ITU prévia, como se isso bastasse para definir ITU ativa; o ponto decisivo é que, sem sintomas, continua sendo bacteriúria assintomática.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de olhar a bactéria e a contagem da cultura, defina se há sintomas compatíveis com ITU; sem sintomas, pense primeiro em bacteriúria assintomática.
  • Em mulher não grávida com diabetes, cultura positiva isolada não indica antibiótico nem rastreamento periódico, segundo a diretriz usada na base.
  • Antecedente de ITU recorrente não justifica tratar ou fazer profilaxia quando o episódio atual é apenas bacteriúria assintomática.

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