Homem de 70 anos, diabético, comparece a uma consulta de ro...

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Q4191371 Medicina
Homem de 70 anos, diabético, comparece a uma consulta de rotina assintomático. Pressão arterial: 130 x 80 mmHg; Peso: 70 kg; Hematócrito: 35% (VN: 48 a 69%); Glicemia: 150 mg/dL (VN: 60 a 100 mg/dL); Hemoglobina glicada: 7,2%; Albumina sérica: 1,8 g/dL (VN: 3,8 a 4,8 g/dL); Creatinina: 2,4 mg/dL (VN: 0,7 a 1,3 mg/dL); Depuração de creatinina esperada: 29 mL/min; Triglicerídeos: 200 mg/dL (VN: < 150 mg/dL); Proteína urinária de 24 horas: 2,0 g/24 horas (VN: < 100 mg/24 horas); Sedimentos urinários: proteínas +++, hemácias + (5 por campo).
Frente aos dados apresentados, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A presença de proteinúria importante em diabético com DRC estabelecida é o dado que define a resposta: ela indica lesão glomerular diabética e maior risco de progressão renal e de dano microvascular sistêmico, validando a alternativa A.

Tema central: Proteinúria na nefropatia diabética
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a proteinúria persistente e importante em paciente diabético não é apenas um achado renal isolado. Ela funciona como marcador de lesão glomerular diabética e de pior prognóstico cardio-renal, associando-se tanto à progressão da nefropatia quanto a outras complicações microvasculares, como retinopatia, e a maior risco de doença vascular aterosclerótica. Os dados do caso mostram exatamente esse cenário de DRC diabética proteinúrica.
B
Errada
A alternativa erra ao transformar HbA1c < 6,5% em alvo protetor obrigatório para este paciente específico. Em idoso com DRC, a meta glicêmica deve ser individualizada; controle excessivamente rigoroso não é universalmente benéfico e pode aumentar risco de hipoglicemia. O erro médico é absolutizar uma meta estrita como se fosse necessariamente a melhor conduta renal neste contexto.
C
Errada
A glibenclamida não é droga nefroprotetora e não reduz, por mecanismo próprio, a progressão da DRC. Além disso, na insuficiência renal, essa sulfonilureia pode ser inadequada pelo maior risco de hipoglicemia prolongada. O erro é atribuir benefício renal específico a um fármaco que não tem esse papel e ainda traz problema farmacológico relevante na DRC.
D
Errada
A depuração de creatinina reduzida, isoladamente, não contraindica IECA ou BRA. Em paciente com proteinúria, essas classes têm papel antiproteinúrico e nefroprotetor, com necessidade de monitorização de creatinina e potássio. O erro da alternativa é confundir cautela no uso com contraindicação absoluta baseada apenas no ClCr de 29 mL/min.
E
Errada
A assertiva não é universalmente válida e não é necessária para resolver o caso, porque a ordem de frequência das causas de DRC varia conforme população, faixa etária e contexto. Além disso, não é o ponto resolutivo do enunciado frente ao achado central de proteinúria importante em diabético.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de subestimar a proteinúria como simples consequência renal e, ao mesmo tempo, induzir erros ao tratar como universais duas ideias falsas neste contexto: quanto menor a HbA1c melhor, e creatinina/ClCr reduzidos contraindicam automaticamente IECA/BRA.
Dica para questões semelhantes
  • Em diabético com proteinúria importante, pense primeiro em marcador de pior prognóstico cardio-renal, não apenas em alteração urinária local.
  • Meta glicêmica em idoso com DRC não deve ser tratada como fixa ou obrigatoriamente muito estrita; o critério é individualização.
  • Na DRC proteinúrica, IECA/BRA não são excluídos apenas por creatinina elevada ou ClCr reduzido; o ponto-chave é indicação com monitorização.
  • Não atribua nefroproteção a sulfonilureia, especialmente glibenclamida, em insuficiência renal.

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