Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa ...

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Q4191365 Medicina
Leia o quadro clínico a seguir para responder à questão:

    AFS, 98 anos, sexo feminino, procura o ambulatório para consulta de rotina. Tem diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), secundária ao tabagismo. Está em uso de broncodilatador, associação de brometo de tiotrópio monoidratado 2,5 mcg e cloridrato de olodaterol 2,5 mcg, 2 puffs ao dia. Apresenta, como queixa, dispneia aos mínimos esforços. É deambuladora domiciliar, utilizando instrumento de auxílio à marcha. Não apresenta déficit cognitivo.
Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa correta em relação ao tratamento da DPOC.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Na DPOC estável, o corticoide inalatório deve ser guiado por eosinófilos sanguíneos e pelo risco/histórico de exacerbações, não por dispneia isolada em paciente já em LAMA+LABA; a GOLD 2024 aponta maior chance de benefício com eosinófilos ≥300 células/mm3, em conjunto com avaliação clínica do risco de exacerbação.

Tema central: ICS na DPOC
Análise das alternativas
A
Errada
Prednisona crônica está errada porque glicocorticoide sistêmico não tem papel no tratamento diário da DPOC estável, segundo a GOLD 2024. Seu uso é para exacerbação aguda, não para manutenção. Além da falta de benefício sustentado, há toxicidade sistêmica relevante, como miopatia e pior funcionalidade, ponto ainda mais importante em paciente muito idosa.
B
Errada
Xantinas não são terapia rotineira para dispneia residual em DPOC estável, especialmente em quem já usa dupla broncodilatação de longa ação. O fundamento médico que elimina a alternativa é a baixa efetividade clínica, com broncodilatação modesta, somada a perfil de segurança desfavorável, interações medicamentosas e toxicidade importante.
C
Errada
A vacina contra Haemophilus influenzae tipo b não é recomendação rotineira para adulto idoso com DPOC por causa de exacerbações. O critério decisivo aqui é de calendário/recomendação vacinal na DPOC: as vacinas com benefício estabelecido incluem influenza, pneumocócica e COVID-19, além de outras do adulto conforme indicação local; Hib não é medida padrão nesse cenário.
D
Errada
Azitromicina profilática não pode ser indicada com base apenas em dispneia ou promessa genérica de melhorar qualidade de vida. Na GOLD 2024, ela pode reduzir exacerbações em pacientes selecionados propensos a exacerbação, por 1 ano, em esquemas de 250 mg/dia ou 500 mg 3 vezes por semana. A alternativa erra no contexto clínico, porque o enunciado não traz perfil de exacerbadora frequente, e erra no esquema, ao propor 500 mg/dia. Além disso, há riscos concretos: prolongamento de QT, alteração auditiva e resistência bacteriana.
E
Certa
A alternativa E é a que se aproxima da recomendação vigente para uso de corticoide inalatório na DPOC estável. Pela GOLD 2024, a contagem de eosinófilos sanguíneos ajuda a identificar maior probabilidade de benefício do ICS, especialmente quando ≥300 células/mm3, mas essa decisão deve ser interpretada junto com o risco e o histórico de exacerbações. No caso, a paciente está em DPOC estável, já usa dupla broncodilatação e não há dados de exacerbações ou eosinofilia que sustentem outras estratégias; por isso, entre as opções, E é a única alinhada ao eixo correto da indicação de ICS.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre paciente muito sintomática e indicação de ICS: na DPOC, dispneia persistente apesar de LAMA+LABA não basta para acrescentar corticoide inalatório; a decisão depende principalmente do risco de exacerbação e do fenótipo sugerido pela eosinofilia. A alternativa E vence por se aproximar desse critério, embora sua redação seja mais absoluta do que a diretriz.
Dica para questões semelhantes
  • Em DPOC estável, diferencie tratamento de dispneia de tratamento de prevenção de exacerbações: ICS pertence ao segundo grupo, não ao primeiro por si só.
  • Se a questão trouxer eosinófilos, pense em biomarcador para benefício de ICS: <100 sugere pouco efeito; ≥300 aumenta a probabilidade de benefício, sempre junto da história de exacerbações.
  • Elimine de rotina na manutenção da DPOC estável corticoide sistêmico crônico e xantinas quando a alternativa não trouxer situação excepcional claramente sustentada.
  • Macrolídeo profilático e vacinas devem ser checados por indicação formal e esquema correto; não basta parecer plausível do ponto de vista infeccioso.

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