CFA, 70 anos, sexo masculino, portador de neoplasia de prós...

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Q4191364 Medicina
CFA, 70 anos, sexo masculino, portador de neoplasia de próstata com metástases para coluna lombar, bacia e fêmur proximal, dá entrada no PS com queixa de forte dor lombar. Foi prescrito dipirona 1 g, por via endovenosa, a cada 6 horas; tramadol 100 mg, por via endovenosa, a cada 6 horas e metadona 10 mg, via oral, a cada 12 horas.
Em relação ao tratamento da dor, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: A decisão se baseia na escada analgésica da OMS aplicada à dor oncológica/paliativa: em paciente com metástases ósseas e dor moderada a intensa, opioides entram no manejo a partir do 2º degrau para dor moderada; por isso a alternativa B é a correta e as demais distorcem a posição dos opioides, o intervalo do tramadol ou a escolha da meperidina.

Tema central: Escada analgésica oncológica
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por farmacologia do tramadol. O tramadol de liberação imediata, inclusive por via parenteral, tem duração analgésica usual em torno de 4 a 6 horas. Portanto, prescrição endovenosa a cada 6 horas é compatível com o perfil do fármaco. O erro da alternativa é afirmar duração de 8 a 12 horas e, a partir disso, concluir equivocadamente que o esquema está incorreto.
B
Certa
A alternativa B está correta porque, no manejo da dor oncológica e nos cuidados paliativos, o 2º degrau da escada analgésica inclui opioides fracos para dor moderada, como o tramadol. O núcleo técnico da alternativa é esse: opioide pode, sim, aparecer no 2º degrau. A redação traz "dor moderada a grave", o que pode gerar dúvida porque dor grave/intensa remete classicamente ao 3º degrau, mas o gabarito oficial se sustenta pelo ponto decisivo correto da alternativa: a presença de opioide no 2º degrau no contexto paliativo.
C
Errada
Está errada porque desloca incorretamente os fármacos para o 1º degrau. Pela escada analgésica clássica, o 1º degrau é composto por analgésicos não opioides. Tramadol é opioide fraco e metadona é opioide forte; portanto, essa associação não corresponde ao 1º degrau. Além disso, a base não sustenta que exista recomendação da AECP definindo tramadol mais metadona como 1º degrau para dor moderada a forte.
D
Errada
Está errada porque contraria a estrutura da escada analgésica. Opioides não ocupam o 1º degrau; o 1º degrau é de não opioides. Os opioides aparecem a partir do 2º degrau, com opioides fracos para dor moderada, e no 3º degrau, com opioides fortes para dor intensa. O erro é transformar opioides em tratamento de 1º degrau.
E
Errada
Está errada por escolha inadequada de opioide para dor oncológica crônica. A meperidina não é droga de escolha para dor óssea metastática, especialmente em idoso, porque tem curta duração e metabólito neurotóxico, a normeperidina, com pior perfil de segurança. A alternativa propõe justamente uma conduta potencialmente inadequada nesse cenário.
Pegadinha da questão
A banca mistura duas confusões reais: trocar os degraus da escada analgésica, colocando opioides no 1º degrau, e induzir erro ao superestimar a duração do tramadol para invalidar um esquema a cada 6 horas que é farmacologicamente compatível.
Dica para questões semelhantes
  • Na escada analgésica clássica, memorize a posição terapêutica: 1º degrau = não opioides; 2º = opioides fracos para dor moderada; 3º = opioides fortes para dor intensa.
  • Se a alternativa discutir tramadol parenteral de liberação imediata, confronte com a duração usual de 4 a 6 horas antes de julgar o intervalo posológico.
  • Nem todo opioide serve como escolha rotineira em dor oncológica crônica: meperidina deve ser descartada quando a questão cobrar segurança e adequação farmacológica.

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