Paciente de 62 anos, não tabagista, IMC 25, com antecedente ...

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Q4193567 Medicina
Paciente de 62 anos, não tabagista, IMC 25, com antecedente de asma há 15 anos, que fazia uso de ICS/LABA de forma irregular e SABA de alívio, evoluiu com piora dos sintomas há cerca de 2 anos, procurou assistência médica, que pediu um RX de tórax que era normal, e uma espirometria, que apresentava distúrbio obstrutivo leve, com resposta ao BD. A paciente foi orientada a usar a medicação de forma regular, 2x dia, em dose de corticoide moderada. Ela apresentou melhora, não retornando à reavaliação. Após 1 ano houve exacerbação da asma, tratada em PS com corticoide em desmame sequencial e SABA. Manteve as medicações, mas refere que evolui com piora da dispneia e aumento do uso de medicação de alívio 3-4 vezes/dia, redução do desempenho aos exercícios, perda de dias de trabalho e despertares noturnos de 2 x na semana. Há 2 meses nova exacerbação, mantendo o status após medicação. Não apresentava fatores clínicos e exposicionais significativos.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Pela estratégia GINA 2026 e pelo guia de asma difícil/grave, uso de alívio 3-4 vezes ao dia, despertares noturnos 2 vezes por semana, limitação funcional, perda de dias de trabalho e exacerbações recentes apesar de ICS/LABA em dose moderada caracterizam asma não controlada; nesse cenário, a conduta correta é escalonar a manutenção, podendo aumentar ICS/LABA e associar LAMA, reavaliar com espirometria e fenotipar para eventual imunobiológico adequado se persistir sem controle após otimização.

Tema central: Asma não controlada
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao inferir fenótipo neutrofílico apenas pela idade e pelo tempo de doença. Pela base, isso não pode ser presumido clinicamente. Também erra ao apontar diretamente tezepelumab sem a etapa obrigatória de fenotipagem e sem demonstrar formalmente asma grave após tratamento otimizado. Tezepelumab pode ser opção em asma grave, mas não é escolha automática neste cenário.
B
Errada
Embora a paciente esteja não controlada, a base não sustenta novo curso de corticoide oral como passo obrigatório fora de exacerbação aguda em andamento. Mais importante, manutenção de corticoide oral contínuo como sequência terapêutica contraria o critério decisivo da diretriz: corticoide oral crônico deve ser último recurso, depois de otimização da terapia inalatória, consideração de LAMA e avaliação para biológicos. Trata-se de conduta potencialmente inadequada pelo perfil de efeitos adversos sistêmicos.
C
Errada
O erro central é a classificação. A paciente não está parcialmente controlada: há uso excessivo de resgate, despertares noturnos, limitação de atividade e exacerbações recentes, o que caracteriza asma não controlada. Além disso, programar reavaliação apenas em 6 meses subestima um quadro sintomático persistente após falha terapêutica.
D
Errada
Adicionar LAMA pode fazer parte do escalonamento, mas a alternativa permanece errada porque chama o quadro de parcialmente controlado, o que conflita com os achados clínicos descritos. Além disso, a conduta fica incompleta diante de asma não controlada com exacerbações recorrentes, pois a base exige intensificação global do tratamento, incluindo aumento de ICS/LABA e avaliação fenotípica para possível imunobiológico.
E
Certa
A alternativa E acerta a classificação clínica e a sequência de manejo. O enunciado descreve perda de controle com sintomas frequentes, despertares noturnos, limitação de atividade e exacerbações, mesmo em uso de ICS/LABA. Segundo a base, isso exige intensificação do tratamento de manutenção, com subida de etapa terapêutica, associação de LAMA como terapia adicional em etapas mais altas, reavaliação objetiva da função pulmonar por espirometria e fenotipagem da asma para selecionar imunobiológico apropriado caso permaneça não controlada após tratamento otimizado. A formulação em termos de 'imunobiológico adequado' é a correta, porque a escolha depende da fenotipagem e não pode ser definida empiricamente.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: rebaixar um quadro claramente não controlado para 'parcialmente controlado' e antecipar biológico específico ou corticoide oral contínuo sem antes otimizar a terapia inalatória e fazer fenotipagem.
Dica para questões semelhantes
  • Se houver uso frequente de SABA, despertares noturnos, limitação funcional e exacerbações, pense primeiro em asma não controlada, não em parcialmente controlada.
  • Na falha de ICS/LABA, o raciocínio esperado é subir etapa terapêutica, considerar LAMA e reavaliar com espirometria.
  • Biológico não se escolhe por idade de início ou impressão clínica isolada; a base exige fenotipagem e persistência do não controle após tratamento otimizado.
  • Corticoide oral de manutenção não é passo rotineiro precoce; pela diretriz, fica reservado como último recurso.

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