Os elementos conectores enumerados a seguir introduzem res...

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Q4372875 Português
Diferença de sotaques apenas demonstra que as línguas mudam conforme o contexto social e regional

    “Uai”, “bah”, “égua”, “oxe”, todas essas expressões fazem parte da diversidade linguística brasileira. Com cinco regiões e mais de 210 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países mais diversificados do mundo. Com um vasto território, o idioma pode ser o mesmo, mas cada um possui suas particularidades. O português faz parte da família de línguas que se originou do latim (a qual chamamos de família latina ou românica). Vinda de Portugal no século 16, a língua portuguesa sofreu alterações quando chegou ao território brasileiro. O professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) Manoel Mourivaldo Santiago Almeida fala um pouco sobre o processo de formação dos diferentes sotaques.

    “Esse dialeto está em formação, variação e mudança desde seus primeiros contatos ocorridos na extensa região do então planalto de Piratininga entre falantes da língua portuguesa e das diversas línguas indígenas. A partir dos séculos 17 e 18, essa variedade se expandiu para o interior tanto paulista quanto brasileiro, principalmente para o Centro-Oeste do Brasil, tendo como caminho as águas do Tietê, pela ação dos bandeirantes e bolseiros, aqueles que se utilizam de vias fluviais, e também para o Sul do Brasil pela rota dos tropeiros. É preciso somar a esse contexto o contato entre as línguas africanas, da época da escravidão e também depois com as línguas europeias, como o italiano, dentre outras e de outros continentes”, afirma.

    A criação de sotaques diversos tem relação histórica: como exemplo, a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro. “Por exemplo, é comum dizer que o C ou o S chiado no final de sílaba do falante carioca, como em casca, e que também está presente na maioria dos sotaques litorâneos do Sul ao Norte do Brasil, é devido à maior presença do português europeu, que também chia o C ou o S no mesmo contexto de final de sílaba, e é de prestígio. É um ingrediente sócio-histórico e cultural que ativa a formação e a constante variação em mudança de diferentes sotaques, dialetos ou variedades linguísticas em toda e qualquer língua, em todo e qualquer tempo, em todo e qualquer lugar”, acrescenta o professor da FFLCH.


    Morfologia e o estudo da língua portuguesa

    Em alguns casos, as variações morfológicas, como o uso de certas formas verbais ou pronominais, podem estar associadas a diferenças de sotaque. A morfologia trata de um modo geral do estudo da estrutura e formação das palavras. O professor Santiago Almeida exemplifica diferentes formas semânticas de estudar a variedade linguística. “Existem diferenças de diversas naturezas. Semântico-lexical, que trata da diferença de sentido de uma palavra de região para região, como mandioca, aipim, macaxeira, rapariga, moça. Morfossintática, que trata da diferença de construção de uma estrutura de uma frase ou de emprego de termos ou de concordância: tu vais, ele vai etc. Fonético-fonológico, que geralmente é a mais comentada e que trata da realização dos fonemas ou sons de uma língua. Por exemplo, os diferentes tipos de pronunciar um Re ou um R, como um retroflexo, porta, um aspirado ou um vibrante. E, como já foi dito, essas diferenças são reflexos da história social e cultural e dos contatos linguísticos de cada região ou lugar onde tais variações são percebidas”, comenta.


    Preconceito linguístico

    Apesar de ser um país extremamente diverso, o preconceito linguístico ainda é um fator existente no Brasil. O preconceito linguístico é a discriminação ou o julgamento negativo que ocorre com base na maneira como uma pessoa fala, escreve ou utiliza a língua. Ele se manifesta quando se valoriza uma forma de falar ou de escrever (geralmente a variante considerada “padrão” ou “culta”) em detrimento de outras variedades linguísticas, como dialetos regionais, sotaques ou formas de linguagem de grupos sociais específicos. O preconceito linguístico reflete desigualdades sociais e culturais, associando certas formas de falar a estereótipos de inferioridade, à falta de educação ou até mesmo à incapacidade.

    “Eu diria que não é só no Brasil, no mundo todo existem preconceitos linguísticos. O preconceito linguístico ocorre, obviamente, a partir da percepção que cada um tem naturalmente de variedades ou dialetos e sotaques distintos do seu sotaque, da sua variedade. O preconceito linguístico ou estigma tem a ver com a identificação do falante de uma determinada região ou grupo social que, por algum motivo, é também estigmatizado pelo preconceituoso”, discorre o professor.

    Esse tipo de preconceito ignora que as línguas são vivas e mudam conforme o contexto social e regional, e que a variação linguística é uma característica natural e legítima de qualquer idioma. A língua é parte essencial da identidade cultural de cada indivíduo e grupo social e discriminar alguém, com base no seu modo de falar, perpetua desigualdades históricas e sociais. Enfrentar esse preconceito é garantir o reconhecimento da diversidade linguística como uma riqueza cultural, além de assegurar que todos tenham igualdade de oportunidades, independentemente de sua forma de comunicar. A valorização das variantes linguísticas contribui para a construção de uma educação mais democrática e de um convívio social livre de discriminação.

    Santiago conclui ressaltando a importância da diversidade. “É preciso reconhecer que, quando se discute a variedade de uma determinada língua, com o risco de lhe imprimir um único selo ou lhe caracterizar por apenas uma de suas multifaces, o que se pode destacar dentro do redemoinho da variação infinita de toda e qualquer língua são tendências ao maior ou menor grau de inclinação para uma ou outra de suas multifaces. Aí, por ser a língua produto da ação histórica, sociocultural de seus falantes, podemos rumar por caminhos distintos quão distinta seja essa ação histórica, social e cultural. Enfim, basta que o tema seja posto, livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que, por natureza, é diverso”, finaliza.

Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/diferenca-de-sotaques-apenas-demonstra-que-as-linguas-mudam-conforme-o-contexto-social-e-regional/.
Acesso em: 15 jul. 2026.
Os elementos conectores enumerados a seguir introduzem respectivamente orações:
“‘Enfim, basta que o tema seja posto, livre de qualquer inclinação que¹ o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que², por natureza, é diverso’, finaliza.”
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: No trecho “livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente para o estigma daquilo que, por natureza, é diverso”, os dois “que” retomam antecedentes e exercem função sintática nas orações que introduzem. Portanto, ambas são subordinadas adjetivas, o que confirma a alternativa A.

Tema central: Orações subordinadas adjetivas
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a oração 1 delimita o sentido de “inclinação”, enquanto a oração 2 delimita o referente do demonstrativo “aquilo”, presente em “daquilo”. Uma oração adjetiva pode modificar tanto um substantivo quanto um pronome. Nos dois casos, o “que” representa esse antecedente dentro da oração e exerce a função de sujeito.
B
Errada
As duas classificações estão erradas. Os conectores retomam antecedentes expressos — “inclinação” e “aquilo” — e exercem função sintática nas respectivas orações. Não são conjunções integrantes, que não retomam antecedentes nem exercem função sintática interna na oração substantiva.
C
Errada
A classificação da oração 2 como adjetiva está correta, mas a oração 1 também é adjetiva: seu “que” retoma “inclinação” e funciona como sujeito de “conduza”. O primeiro conector numerado não é o “que” de “basta que o tema seja posto”.
D
Errada
A classificação da oração 1 está correta, mas a oração 2 não é substantiva. O segundo “que” retoma o demonstrativo “aquilo” e introduz uma oração que delimita seu referente. O fato de o antecedente ser um pronome não impede a classificação da oração como adjetiva.
E
Errada
As duas classificações estão erradas. A oração 1 modifica “inclinação”, sendo adjetiva. A oração 2 modifica “aquilo”, também sendo adjetiva, e não estabelece uma relação circunstancial com a oração principal. A expressão intercalada “por natureza” não transforma essa oração em adverbial.
Pegadinha da questão
O primeiro “que” numerado não é o de “basta que o tema seja posto”. Além disso, o antecedente do segundo é o demonstrativo “aquilo”, em “daquilo”: seu caráter pronominal e a intercalação de “por natureza” não desfazem a estrutura adjetiva da oração.
Dica para questões semelhantes
  • Localize exatamente os conectores numerados antes de analisar as orações.
  • Verifique se o “que” retoma um antecedente e exerce função sintática na oração: aqui, ambos são sujeitos.
  • Considere também os pronomes como possíveis antecedentes de uma oração adjetiva.
  • Não transfira o valor circunstancial de uma expressão intercalada para a classificação de toda a oração.

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Comentários

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BIZU!!

  • Quando o “que” retoma um substantivo ou pronome e pode ser substituído por “o qual/a qual” → Pronome relativo que inicia oração subordinada adjetiva
  • Quando o que pode ser substituído por “isso” →Conjunção integrante que inicia oração subordinada substantiva

Vamos para a questão:

Que¹: “livre de qualquer inclinação que o conduza deliberadamente...”

O “que” retoma “inclinação”. e podemos substituí-lo por "a qual" → “inclinação a qual o conduza...”

Logo, é uma oração subordinada adjetiva

.

Que²: “daquilo que, por natureza, é diverso”.

Aqui, o “que” retoma “aquilo”, expressão demonstrativa. Pode ser substituído por "o qual"→ “daquilo o que, por natureza, é diverso”.

Também é uma oração subordinada adjetiva

.

Espero ter ajudado!

Perdoem qualquer erro

Bons estudos!

.

³³ Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. ³⁴ Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Mateus 6:33,34

Detalhamento Sintático dos Conectores

  1. Análise de que¹ ( “inclinação que¹ o conduza...” ):

  • O conector que¹ é um pronome relativo que se refere diretamente ao substantivo antecedente “inclinação”

  • Teste de substituição: “livre de qualquer inclinação a qual o conduza...”.

  • Por ser introduzida por pronome relativo que modifica um substantivo antecedente, a oração classifica-se como Oração Subordinada Adjetiva

  1. Análise de que² ( “daquilo que², por natureza, é diverso” ):

  • O vocábulo "daquilo" resulta da fusão da preposição de + pronome demonstrativo aquilo.

  • O conector que² é um pronome relativo que retoma o pronome demonstrativo antecedente “aquilo”

  • Teste de substituição: “daquilo o qual , por natureza, é diverso”

  • A oração introduzida por pronome relativo com antecedente demonstrativo atua igualmente como Oração Subordinada Adjetiva

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