Paciente de 62 anos, tabagista, submetido à pneumectomia di...
Paciente de 62 anos, tabagista, submetido à pneumectomia direita há 15 meses por câncer de pulmão, vem apresentando tosse e dispneia aos esforços de caráter progressivo. A telerradiografia de tórax mostra importante migração do mediastino com hiperinsuflação do pulmão esquerdo e o brônquio fonte esquerdo pressionado sobre a coluna vertebral.
Qual o diagnóstico principal?
Gabarito comentado
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Tema central: Síndrome pós-pneumectomia
Análise clínica: Paciente de 62 anos, histórico de pneumonectomia direita há mais de um ano, evolui com tosse e dispneia progressivas. Radiografia mostra migração mediastinal, hiperinsuflação do pulmão esquerdo e compressão do brônquio fonte esquerdo. Esses achados são típicos da síndrome pós-pneumectomia.
Explicação da alternativa correta (B):
A síndrome pós-pneumectomia é uma complicação rara, geralmente associada à pneumonectomia direita. Ocorre devido a deslocamento excessivo do mediastino e do pulmão remanescente, que leva a compressão das vias aéreas. Os principais sintomas incluem dispneia, tosse e – eventualmente – infecções respiratórias recorrentes. A presença da hiperinsuflação do pulmão remanescente e pressão do brônquio fonte sobre a coluna vertebral reforçam o diagnóstico.
Segundo a literatura médica (UpToDate; Goldstraw et al, "Surgery of the Chest"), o diagnóstico é confirmado pela combinação do contexto clínico cirúrgico prévio com quadro insidioso e achados de imagem compatíveis.
Por que as demais alternativas estão erradas?
- A) Torsão pulmonar: ocorre agudamente, nas primeiras horas ou dias pós-operatórios. Geralmente há sintomas graves, como dor torácica intensa e insuficiência respiratória súbita. O quadro tardio e o padrão radiológico descrito não são compatíveis.
- C) Insuficiência ventricular direita: poderia causar dispneia, mas não explica migração mediastinal e compressão brônquica. É mais comum observar congestão sistêmica e edema periférico.
- D) Insuficiência respiratória crônica: representa uma consequência, não um diagnóstico específico. Não justifica o conjunto de achados radiológicos descritos no enunciado.
Estratégia para provas:
Atenção à cronologia (15 meses) e ao contexto cirúrgico. Migração mediastinal com hiperinsuflação do pulmão oposto é extremamente sugestivo de síndrome pós-pneumectomia.
Segundo Goldstraw et al., Surgery of the Chest: “O diagnóstico baseia-se no contexto pós-pneumectomia associado a sintomas respiratórios progressivos e deslocamento mediastinal significativo à radiografia” (p. 940).
Gabarito: B) Síndrome pós-pneumectomia.
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